Poema de Paccelli M. Zahler, com arranjo e interpretação de Anand Rao, parte do Projeto Música Poética 2011, "Anand Rao musica poemas de Paccelli José Maracci Zahler".
Revista literária online com periodicidade mensal, uma viagem cultural pela literatura, poesia, cinema e artes. Editada, desde 2011, em Brasília, DF, pelo jornalista e escritor Paccelli José Maracci Zahler (ISNI 0000 0005 3053 7228, RP/MTE nº 14402/DF; FENAJ; FIJ nº BR20943). Poemas, crônicas, contos, ensaios, e o melhor da cultura nacional e internacional. Todas as opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores. Aceitam-se colaborações. Contato: cerrado.cultural@gmail.com
A VOZ DO AUTOR: CORDEL PARA CORA CORALINA
Por Gustavo Dourado
(Apresentação originalmente produzida em vídeo para a coluna Canto do Escritor do portal Memento Mori (www.mementomori.com.br)
(Apresentação originalmente produzida em vídeo para a coluna Canto do Escritor do portal Memento Mori (www.mementomori.com.br)
ESPAÇO
Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)
Escalo o espaço (apoiado na rocha)
e desprendo-me ao pássaro
(não apoiado na rocha).
Desdigo a palavra amorosamente
sussurrada.
ESCADARIA
Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)
A escadaria traduz
na inclinação do espaço
a ambição do corpo
em descompasso
degraus suspendem
instantes
decompostos no subir
e descer
patamar apropriado
na tradução não literal
da ocupação do corpo
a escadaria traduz
o elemento inovador: estágio
inconcluso
de me dizer
em casa.
MUDAR
Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)
Mudo o número. Troco
o ritmo. Ouço músicas
atravessadas.
Repito a senha
no cancelamento
das tentativas.
Sou música repetida
e instrumento soado
falso aos ouvidos.
SER POETA É SER MAIS ALTO
Por Florbela Espanca (1894-1930)
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
AMAR
Por Florbela Espanca (1894-1930)
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
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