EDITORIAL

 Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)



Por Paccelli M. Zahler, editor (Brasília, DF)

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A edição de agosto da Revista Cerrado Cultural reafirma o compromisso que orienta este projeto desde sua criação: oferecer ao leitor um espaço de circulação da literatura, da arte e da reflexão contemporânea. Em um ambiente digital marcado pela velocidade e pela dispersão, escolhemos seguir pelo caminho da consistência editorial, da curadoria cuidadosa e da valorização da produção cultural em suas múltiplas expressões.

Nesta edição, reunimos conteúdos que dialogam com temas essenciais do nosso tempo — da poesia às artes visuais, da cultura digital às questões identitárias, das narrativas breves às reflexões sobre espiritualidade e sociedade. A diversidade de vozes e perspectivas reforça nossa missão de ampliar horizontes e promover encontros significativos entre autores, leitores e artistas.

Que esta edição de agosto acompanhe você — seja na leitura breve de um poema, na contemplação de uma fotografia ou na reflexão mais profunda de um ensaio.

A Revista Cerrado Cultural segue adiante com responsabilidade editorial, respeito ao leitor e dedicação à cultura.



CRUZ

Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)



Por Raquel Naveira (Campo Grande, MS)

A cruz, assim como uma faca ou uma forca, foi instrumento de tortura e morte, usado durante o tempo do violento Império Romano. Era destinada aos condenados pelas autoridades, escravos rebeldes, criminosos perigosos, piratas, inimigos que aplicariam golpes ao Estado. Só as pessoas de condição social inferior eram crucificadas, açoitadas, obrigadas a carregar a trave horizontal da cruz no ombro até a chegada ao local de execução. Depois eram pregadas ou amarradas na cruz, deixadas expostas para morrerem lentamente. Um suplício por horas ou dias. Uma humilhação. Uma advertência pública de intimidação para quem desafiasse o poder. Aquela crueldade seria a consequência.

Imaginemos as estradas, as colinas, os montes, os portais da cidade por onde entravam viajantes e comerciantes, cheios de cruzes fincadas no solo. Que espetáculo de terror. Depois da revolta liderada por Espártaco, por exemplo, cerca de mil escravos foram crucificados ao longo da Via Ápia.

Foram cinco séculos de crucificação: desde o período da República, passando pelos reinados dos imperadores Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio, Nero, Vespasiano e Tito. Era assim que exerciam o controle.

A cruz aparece em diversos textos da literatura latina. O filósofo Sêneca (c.

4 a. C- 65 d. C.) observa que havia formas diferentes de crucificar, como neste trecho:

“Vejo cruzes, não de um só tipo, mas feitas de diferentes maneiras, alguns têm a cabeça para baixo, outros são empalados pelas partes íntimas; outros estendem os braços no patíbulo.” Em Cartas a Lucílio, acrescenta que a cruz é o limite da dor física. Cícero (106-43 a. C) mencionou a cruz diversas vezes sem seus discursos, afirmando:

 “A própria palavra ‘cruz’ deve estar longe não apenas do corpo de um cidadão romano, mas também de seus pensamentos, seus olhos e seus ouvidos.” O historiador Tácito (c.56- 120 d. C) confirma e execução de um tal Jesus, da cidade de Nazaré, na obra Anais, ao registrar: “Cristo, de quem deriva esse nome, sofreu a pena extrema durante o reinado de Tibério, por sentença do procurador Pôncio Pilatos.”

Mas foi Petrônio (60-65 d. C.), árbitro da elegância na corte de Nero, no seu livro Satiricon, um romance picaresco, cheio de humor, erotismo, que revela os costumes e a linguagem da sociedade romana do século I, que encontramos o episódio conhecido como “A Matrona de Éfeso”. A cruz aqui não tem sentido religioso. Reflete a realidade cotidiana daquela sociedade sangrenta. A cruz como punição extrema, vergonhosa, degradante. Conta que uma viúva permanecia no túmulo do marido, decidida a morrer de tristeza. Perto dali criminosos haviam sido crucificados e um soldado vigiava os corpos para que não fossem retirados. O soldado se apaixona pela viúva e abandona o seu posto.

Um dos corpos desaparece da cruz, levado, provavelmente, por familiares. O soldado entra em desespero. A falha na missão poderia custar-lhe a vida. A viúva sugere que se retire o cadáver do marido do túmulo e o pendurassem na cruz. Afinal, amava o marido e o amante.

Escritores como James Joyce, Proust e Jorge Luís Borges admiravam o Satiricon, de Petrônio. O célebre filme Fellini Satiricon dirigido por Federico Fellini (1920-1993) teve esse livro como base. Cenas de corrupção, tormentos físicos e psicológicos, intrigas palacianas, banquetes e orgias lembram o ambiente e as questões contemporâneas.

É nesse contexto que Jesus foi crucificado sob a acusação política de se apresentar como “Rei dos Judeus”. Quando aconteceu essa mudança de percepção dacruz na história do Ocidente? Que loucura, que insensatez, que impacto levaram um cidadão romano como Paulo a declarar que pregava “Cristo crucificado”? Um verdadeiro escândalo para os valores daquela nação. Um acontecimento surpreendente.

A cruz passara de infâmia a redenção, a símbolo de sacrifício, amor, esperança, salvação. O homem capaz de impor crucificação ao próprio homem poderia por esse caminho reconciliar-se com Deus? A História foi abalada em seus alicerces, partida em dois períodos: antes e depois da cruz.

Descrevi a cena da crucificação neste poema:

 

Jesus ensanguentado,

Carregando o madeiro,

A coroa de espinhos na cabeça;

Fisionomias assustadas,

Satânicas,

Nuvens de pó,

De cuspe

E suor;

Jesus suspenso na cruz

Como um fruto de carne,

Os pregos perfurando as juntas.

 

Como se pode morrer assim?

Como uma ovelha?

Como um peixe que se retalha?

Como uma criança inocente

Massacrada numa batalha?

Ah! Será que podemos ainda

Oferecer-lhe água?

Tocar em seu manto?

 

Tecer para ele uma mortalha?

 

Será que depois de tantos séculos

Ainda somos esse povo que desama?

Essa turba assassina?

Essa gentalha?

 

Carrego uma carga pesada nos ombros, em meio a tribulações. Agora cheguei a um ponto de passagem, uma encruzilhada, duas linhas que se intersectam.

Terei que fazer uma escolha, uma mudança a essa altura da vida. Dou o primeiro passo?

A ODISSEIA: O POEMA E O FILME

 Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)



Por Raquel Naveira (Campo Grande, MS)

A autoria da Odisseia, poema épico fundador da literatura ocidental, é atribuída ao poeta Homero, da Grécia Antiga (928 a. C.- 898 a. C). Há muitas polêmicas sobre sua real existência histórica, mas ele é a personificação coletiva de toda a memória dos gregos, a culminância de séculos de histórias contadas oralmente.

A Odisseia narra a perigosa jornada de dez anos do herói Odisseu, também conhecido como Ulisses, para retornar à sua casa na ilha de Ítaca, após a guerra de Tróia, enquanto sua esposa, Penélope, resiste aos pretendentes estrangeiros que não desejavam somente o seu amor, mas o poder de seu reino. Penélope não é ingênua. Ela tem um pensamento político. Não quer entregar o governo a estranhos, que, certamente, matariam o seu filho, Telêmaco. E assim, bordando um sudário, aguarda a chegada improvável de seu amado Odisseu.

A partir dessa história, “odisseia” passa a ser sinônimo de travessia longa, cheia de aventuras, provações, percalços, perigos. O homem atirado ao mar dá vida, enfrentando ciladas, tempestades noturnas, contando exclusivamente com sua inteligência e astúcia. Visando o seu autoconhecimento. Alcançando o fundo de sua consciência.

A Odisseia continua inspirando o cinema contemporâneo. O filme “A Odisseia” de Christopher Nolan (1970), diretor, roteirista e produtor britânico, é grandioso, bárbaro, melancólico. Odisseu é interpretado com força contida por Matt Damon; Anne Hathaway é uma altiva Penélope e Tom Holland, um jovem atordoado e confuso Telêmaco, em busca de sua identidade. Mas a maior controvérsia é uma Helena de Tróia negra, encarnada na pele luzidia de Lupita Nyong’o. Surge o debate: Helena sempre foi mostrada com pele e cabelos claros. Homero não a descreve fisicamente em detalhes. Deixa que cada leitor imagine o seu ideal de beleza. Uma Helena negra revelaria a presença de etíopes entre os gregos. Uma deusa de ébano incorporando as trágicas irmãs gêmeas, Helena e Clitemnestra, esposa vingativa de Agamenon. A pesquisa, no entanto, remete ao fato de que Helena era prima de Penélope. Christopher Nolan deu um toque ousado e poético com essa escolha.

Os cenários são reais, locações espalhadas pela Europa e Norte da África. E todas as fabulosas fantasias transpondo a realidade para o plano místico estão lá: os furacões que inundam e partem os navios ao meio; sereias sedutoras e fatais, com suas vozes que puxam os viajantes para a morte; ninfas que tentam manter Odisseu prisioneiro, como Calipso, ofertando-lhe a flor azul e alucinógena de lótus; Circe, a feiticeira envelhecida no ódio e na maldade, horrenda, arrancando com as próprias mãos os espíritos de porcos encravados nos homens; a alma do adivinho Tirésias, entre zumbis bebedores de sangue. Odisseu guerreiro, de instinto prático, indomável, estrategista, artesão, criatura e criador, capaz de tecer redes, de moldar armas e reconstruir navios.

Sufocando sua emoção ao rever Penélope, Odisseu usa de um ardil para combater os famigerados pretendentes instalados no seu palácio. Entra no território inimigo disfarçado de mendigo. Evita o peito aberto. Infiltra-se. Luta corpo a corpo. O final é feliz. Penélope e Odisseu embarcando num navio rumo ao sol poente. O eterno convívio do grego com o mar. Com a sede de expansão do sonho de alargamento de fronteiras geográficas e psíquicas.

Um filme como “A Odisseia” faz repensar a necessidade de nos arremessarmos ao desconhecido, aos mares e ao espaço, com coragem e esperança. Algo extraordinário, potente. A luta contra o fatalismo do Destino, tendo a razão como única bússola.

Pensando em Odisseu, escrevi um poema erótico, na voz de uma sereia:

 

Vem, Odisseu,

Detém teu barco,

Sou sereia sedutora,

Sirena suave

Que atrai para o abismo.

 

Vem, meu navegante,

Para a minha caverna,

Minha gruta secreta

Onde te devoro

E te encanto.

 

Vem, meu bravo,

Venceste Tróia

Com tua astúcia,

Descansa em minha ilha,

Entre penhascos negros

E precipícios de espumas.

 

Vem,

Sou sereia,

 

Cauda de peixe,

Toda vulva,

Estranho molusco

Que te descarna

E te sepulta

Nos baixios do mar.

CONVERSA RÁPIDA DE ELEVADOR

 Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)



Por Roberto Minadeo (Brasília, DF)

Em poucos segundos, surgiu uma rápida conversa no elevador.

Tratava-se de uma grande empresa, e um gerente começou a conversar amavelmente com uma jovem da segurança.

Falaram de muitos temas em poucos segundos: a moça falou de sua família, o gerente falou de sua coleção de relógios. Apesar do evidente desnível social e laboral, houve um ótimo relacionamento – apesar de marcado por uma natural brevidade, em função de se tratar de um passeio rápido em um elevador cheio ao início de um dia de trabalho.

Saíram quase todas as pessoas, e eles ficaram sozinhos, junto com uma colega da moça da segurança. 

O gerente observou, rindo, que uma das moças que saiu estava com atitude de nariz empinado em função da conversa, acrescentando que não havia entendido o motivo.

A jovem, sagaz apesar de seu trabalho simples, disse que é muito comum ser deixada para trás em função de seu cargo e por trabalhar de uniforme.

O gerente gostou da análise da moça. 

Enfim, por trás de cada uniforme ou terno, existe sempre uma história que merece ser ouvida e uma pessoa que merece uma chance.

ONDE SE FALA DO BRASIL E DA LÍNGUA PORTUGUESA

Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)

 

 

Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)

 

Ainda não tinha trinta anos, quando cheguei à pauliceia; permaneci estupefacto: pela grandiosidade da cidade! Não digo: abismado.  As artérias bem rasgadas; o ruído frenético das viaturas; e os vivos pregões peculiares, que animam a agitada capital, estonteiam qualquer europeu.

Encantado fiquei, ao deambular pelo recatado “Alto de Pinheiros”, e mais ainda – ao deparar em graciosa residência, desse aristocrático bairro, a terna companhia de jornada.

Serve o introito, para exprimir a mágoa que senti ao deparar, recentemente, a seguinte notícia, no jornal: " O Globo":

Apareceu no festival: " Remexe Rio", escritor angolano, asseverando - que a língua portuguesa devia mudar de nome (!) - já que foi enxertada de vocábulos de outras línguas.

O nome sugerido foi: " Língua Geral"!!!

O desconchavo não admira – porque o palco apropriado para esses destemperos, não podia ser, senão o Brasil.

Já em 1923, mais propriamente a 7 de setembro, o " Correio do Povo" de Porto Alegre, apresentava – o parecer do Académico brasileiro, Conde de Afonso Celso, profetizando que a língua brasileira, será tão diferente da portuguesa, como esta é do latim.

Medeiros e Albuquerque, homem de letras brasileiro, afirmou, em 1913, que: " O eixo da literatura portuguesa se deslocará, em breve tempo, inevitavelmente, para o Brasil, a metrópole da nossa língua" (!)

 Portuguesa ou brasileira? Porque alguns intelectuais, chegaram a criar a: Academia de Letras da Língua Brasileira!...

Agostinho de Campos, escreveu, e bem, em: " Ler e Tresler", ao ter conhecimento de tanto disparate: " O patriotismo português esclarecido, não tem que arreliara-se, quando lê ou ouve dizer, que a língua portuguesa vai morrer no Brasil. Tem, sim, evitar que ela morra ou desapareça, por culpa dos portugueses."

Em abono da verdade, devo dizer: – a classe culta do Brasil, procura falar e escrever, o mais corretamente, que sabe - sem gíria e neologismos; a prova disso: é a carta que o Professor Rafael Correia, Lente da Universidade de S. Paulo, escreveu ao filólogo, Cândido de Figueiredo, que vem publicado em: " Falar e Escrever":

" Se os brasileiros pensassem bem, teriam mais carinho pela língua portuguesa, e tratariam de a falar melhor, visto que foi com ela, que se escreveu o maior poema do mundo: "Os Lusíadas", o único que não narra vãs façanhas, fantásticas, fingidas, mentirosas."

Já que abordo desacertos, contarei: Estando em Florianopolis – pouco antes de Portugal ter adotado o euro, – vi na lista telefónica, dessa cidade, trajada de negro, isto ou frase semelhante: Portugal roubou-nos o ouro! Não merece comentário.

Ramalho, nas "Farpas", refere-se a um tal Medeiros, que proferiu na Sobornne, palavras pouco lisonjeiras a D. João VI. Concluindo, que era: " Comilão, e de inteligência fraca"

Esclarece Ramalho: Se o Rio possui – tapeçarias, joias, porcelanas, prata cinzeladas, do século XV e XVI, deve ao sumptuoso recheio, dos paços: de Bemposta, de Mafra, de Sintra e de Ajuda, que o Rei e Sua nobre comitiva, levaram para Santa Cruz. - Creio, que por lá ficou; digo eu.

Acrescenta Ramalho: O Diretor da Biblioteca Nacional do Rio – criada com os livros de D. João – encontrou perdidas, preciosas gravuras de Doré – que pertenciam a D. João.

Na hipótese ridícula, de quererem acertar contas, duvido quem ficaria a ganhar...

Já que falo "de acertar contas", lembrei-me agora, que apareceu, Professor guineense da Universidade de Bristol, que pretende que a Europa repare os países africanos, do que ficaram lesados!...

Quando será, que os povos de antigas colónias, deixam de ter complexos?

A ARTE DE CLARISSE DA COSTA (BIGUAÇU, SC)

 Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)










PORTUGAL EM NÚMEROS

Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)

  

Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)

 

No intuito de informar, com dados oficiais, difundidos em 22 de junho, deste ano, pelo Instituto Nacional de Estatística, vou tratar matéria, que não costumo abordar, mas que considero importante.

Receio, porém, desagradar aos meus leitores. Digo: " meus", porque o jornalista e escritor Costa Barreto, que ocupava cargo de relevo no matutino: " O Comércio do Porto", costumava dizer: " O jornal não tem leitores; quem os tem são os colaboradores".

Dito isto, vou tecer curto introito, para indicar, em minha opinião, a causa da queda da natalidade, em Portugal: Para mim, é devido à constante emigração de jovens, em idade fértil; e igualmente, casamentos tardios, para concluir o curso universitário ou cuidar devidamente, a carreira profissional.

Os casais têm, por norma – um ou dois filhos. Para repor a falta de natalidade, é necessário recorrer à imigração, que devia ter sido controlada, e não de " Portas Abertas". Política que criou mal-estar na população, e atirou imigrantes para pobreza esquálida.

Hoje, Portugal, tem 11.424.031 residentes, dos quais 1.597.539 são estrangeiros, legalizados (14,0%)

O envelhecimento demográfico continua: 19 idosos, para 10 jovens.

Os estrangeiros residentes são: 1.507.539, sendo 913.249 homens, e 684.290 mulheres.

Sendo: 574.195 brasileiros; 103.140 angolanos; 93.683 indianos; 76.099 cabo-verdianos; 56.866 nepaleses; 56.724 cidadãos do Bangladesh; 53.555 guineenses; 53.555 ucranianos; 47.731 são-tomenses; 39.638 paquistaneses; 38.64 do Reino Unido; 32.784 italianos; 26.549 franceses; 23.439 chineses; e 21.635 alemães, segundo o INE.

Os estrangeiros residentes começaram a declinar, desde 2024, devido a regras migratórias mais apertadas.

Recordo que muitos estrangeiros, já adquiriram a nacionalidade portuguesa - por sangue ou por terem resididos, em Portugal. (Cinco ou mais anos.)

Parte da população portuguesa, por nascimento, considera que os estrangeiros só deviam ter direito à residência, com os mesmos direitos, aos que o são, por nascimento, exceto políticos.

Outros, pensam – que deviam escolher a nacionalidade, e não deviam ter as duas.

Em suma: são estes os dados oficiais, segundo o INE.

Acrescento, por curiosidade, que em: 2025 houve 36.980 casamentos e 17.430 divórcios. A idade média do homem, quando teve o primeiro filho é de 35,8 anos; e a idade media da mulher, quando teve o primeiro filho, é de 30,2. Em 2021, as famílias monas parentais, eram 579.971. E, as pessoas que viviam sozinhas, eram: 24,8% da população.

DIVÓRCIO: SIM OU NÃO?

Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)

  

Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)

 

Vou abordar assunto muito delicado: o divórcio.

O repúdio pode ter várias causas: em geral é resultado de namoro apressado ou imperfeito; para não falar do abandono, na adolescência, dos preceitos da religião cristã

Manuel Bernardes, na: "Nova Floresta", aconselha:" Casam primeiro as idades, as condições, as saúdes e as qualidades; e então casarão bem, as pessoas. Doutro modo, já de antemão levam o divórcio meio feito."

Malaquias, em 2:16, lembra – que Deus detesta o repudio ou seja: o divórcio.

E Jesus, assevera: “Eu, porém, digo-vos: quem repudiar a sua mulher, exceto no caso de concubinato, expõem-na ao adultério, e quem casar com a repudiada, comete adultério (Mt.5:31)

Paulo, aos romanos (7:2) reafirma, o que Jesus disse: " A mulher está ligada ao marido, enquanto ele vive. Se falecer, fica livre e não adultera se casar de novo. E, em carta aos corintos, São Paulo, reafirma: " Eu prescrevo, não eu, mas o Senhor, que a mulher, não se separe do marido. Se, porém, se separar, que permaneça sem se casar, ou que se reconcilie com o marido, e este não a repudie – I Cor.7:11

Portanto: a dissolução do casamento está vedada aos cristãos; porém há Igrejas Evangélicas que o admitem, baseando-se no texto que Mateus escreveu – "exceto em caso de adultério"

Se me é permitido, direi: - não o Senhor, como costuma dizer, Paulo, – em certas ocasiões parece-me impossível não acontecer. Conheço dois casos: provocados pelo comportamento escandaloso dos maridos. O não fazer, seria indigno para a mulher. Mas só se devem realizar em situações extremas, após muita paciência e ponderação.

Os divorciados, que se tornam a casar, encontram-se em pecado; mas, não podem ser abandonados pela Igreja. Devem educar, e encarreirar os filhos, segundo a fé cristã.

Embora algumas Igrejas, inclusive a católica, não os aceite à comunhão, atrevo-me a dizer: que os devia acolher – se a conduta, após o novo casamento, for exemplar, e educarem, os filhos, segundo as recomendações do Senhor. Conheço sacerdotes, que são de igual parecer.

Parece-me erro crasso, não os acolher no seio da Igreja: porque, cada um vale, o que valer, diante de Deus.

Por certo, o Senhor, perdoará a quem se divorcie, se a consciência lhe disser – que tudo fizeram para não se separarem.

Só Deus, na Sua infinita bondade, é que pode julgar as intenções e razões. Não os homens.

Jean Guitton, a revista francesa, disse: Que tinha receio do julgamento divino, mas confiava na Misericórdia infinita de Deus, e certamente, perdoaria a todos; mas, não tinha certeza.

O que parece impossível aos homens é possível a Deus. (Zac.8:6) - Lc.18:27.

A ARTE DE CLARISSE DA COSTA (BIGUAÇU, SC)

 Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)











ESTOU GORDA DE TANTA ANSIEDADE

Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)


Por Liécifran Borges Martins ( Cariacica, ES)


Acima do peso.

Toda inchada.

Com dores nos pés.

Me sinto uma feia.

 

É tanta ansiedade

aqui dentro de mim.

Desconto tudo na

comida aqui.

 

Engoliu minhas

frustrações da vida.

Estou gorda.

Estou sentida.

 

Como o meu cansaço.

Me alimento da angustia.

Preciso me reeducar

Minha ansiedade engorda.

 

Estou gorda de

tanta ansiedade.

Me sinto mau.

Com a ansiedade.

.

INSTAGRAM: @liecifranborgesmartins

AOS MEUS PÉS

Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)


Por Liécifran Borges Martins (Cariacica, ES)


Aos meus pés você

deve me amar.

Aos meus pés você

tem me admirar.

 

Venha para os

meus pés.

Ama os meus pés.

Me admira meu amor.

 

Seja um verso

de flor.

Me traga cem

rosas de amor.

 

Beija-me meu amor.

Estou quente de

tanto calor.

Calor de amor.

 

Aos meus pés.

Seja fiel meu

belo amor.

Aos meus belos pés.

 

EL ESTANQUE

 Por Hanni Ossott (1946-2002)  (Venezuela)



(Enviado por Germain Droogenbroodt, Altea, Espanha)

A ARTE DE CLARISSE DA COSTA (BIGUAÇU, SC)

 Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)









PERDIDOS NO TEMPO ATEMPORAL

Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)


Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

Como chorei,

Foram tantas noites em vão

Com os olhos inchados procurei por paixões

Despertei de sonhos e infindos pesadelos

Toda essa fraqueza cessei,

 Agora me acalmei!

***

Ebúrnea poetisa

Que se abriga em águas tranquilas

De um límpido rio claro

Abriga-me no estre teu

 Nas dulcíssimas éclogas tuas

***

Poderia ter pensado mais, usado a razão

Mas não, ingênua dei liberdade ao coração

Entrei num labirinto de sombras e medos

E, oscilando fui muito além das incoerências.

***

Adensamos nas brancas nuvens

Adentremos de mãos dadas

 Nas nossas celestiais quimeras 

Tornamo-nos um só

***

Hoje me sinto plena,

Enxerguei os meus erros

Caminho com certeza de poder recomeçar

Reconhecendo que o amor

É reciprocidade.

***

Adensamos as hialinas brancas nuvens

Flanamos livremente

No tempo atemporal

Adentremos nos nossos celestiais sonhos 

Tornamo-nos um só

***

Se não tivesse exagerado

E ficasse intacta

Poderia ter colocado ponto final no início,

Mas usei reticências,

Dando voz a demências...!

 

Fragmento do livro: Duetos poéticos Sul-Sudeste. Texto e argumento de Fabiane Braga Lima, novelista, poetisa e contista em Rio Claro, São Paulo. Texto e revisão de Samuel da Costa, poeta, contista e novelista em Itajaí, Santa Catarina.

PONTO NULO NO CÉU: MINHA QUERIDA AGNES!

Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)



Por Clarisse Cristal (Balneário Camboriú, SC)

We entered the deep expanse

Of my palace of lost memories.

 Now all the black souls scream for us

 

Valentina caminhava lentamente na semiescuridão, carregando a pequena Agnes no colo com terno carinho. Àquela hora noturna, a idosa, babá de profissão, sentiu todas as dores acumuladas por décadas que se manifestaram de forma absoluta dentro do seu frágil ser. A babá sentiu, também, a enormidade do peso da idade cair-lhe sobre as costas — que chegou sem aviso, afinal de contas, como uma torrente avassaladora.

Agnes nunca fora pesada de carregar; aliás, nenhuma das crianças o fora, ao menos as que Valentina cuidava, pois carregar a inocência delas era como carregar leves plumas níveas. Cuidar de crianças pequenas foi a forma que Valentina encontrou para aliviar as muitas e pesadas culpas que trazia dentro de si. Ela caminhava como se estivesse indo encarar um pelotão de fuzilamento naquela hora extrema, pois sentia no íntimo a escuridão chegando.

— Tina, aquele homem bonzinho, de roupa engraçada, vai mesmo me trazer muitos presentes? Como ele prometeu! — falou a pequena Agnes, com a típica voz de criança nívea.

— Isto é com a mãe da senhorita, meu anjo bom, só ela pode te responder! — respondeu Valentina com a voz embargada.

— Tina, tu vai ler aquele livro pra mim, mais uma vez? Tu vai, Tina? Tu vai? — perguntou Agnes com o entusiasmo que somente uma criança pode ter.

— Qual livro, meu anjo bom? — Valentina fez a pergunta já sabendo a resposta.

— Os Filhos do Sol, livro supimpa, Tina! — respondeu a menina.

— Muito adulto, minha menina. A mãe da senhorita, não gosta que eu leia para a senhorita tais desatinos literários — disse Valentina, com todo o cansaço que lhe cabia.

Valentina chegou, por fim, ao quarto de dormir da menina Agnes; as portas se abriram automaticamente. A senhora negra e idosa, de longos cabelos grisalhos, mesmo na semiescuridão, deslumbrou-se com o que viu, toda a magnificência dos aposentos da pequena Agnes, como se fosse a primeira vez que adentrava aquele sítio.

Naquela noite fria de outono, o quarto enorme exalava os olores de primaveris de rosas frescas colhidas no arrebol orvalhado. Valentina, esperava que as luzes se acendessem automaticamente assim que colocasse os pés no recinto. Não acenderam; somente as luzes de segurança se fizeram presentes. Valentina levou a criança até a cama, ajeitou a pequena Agnes letárgica e a cobriu com uma alabastrina manta de algodão egípcio. A menina ergueu a cabeça e sorriu inocente para Valentina antes de cair completamente no sono.

Valentina foi até a pequena biblioteca da menina e pegou o livro Os Filhos do Sol, da estante, livro que tratava de crianças separadas de seus lares por um deus cósmico e dispersas pelos confins do universo. Um volume de capa dura, de couro cru, desgastada pela ação do tempo, mas com páginas glaciais e incrivelmente novas. Sem editora, sem nome de autor ou mesmo nacionalidade; livro escrito em um português que misturava arcaísmos medievais lusitanos com o moderníssimo português do novo mundo. Um livro que aparentava ser muito antigo e incrivelmente novo ao mesmo tempo. E que Valentina nem sabia como fora parar ali, na biblioteca da pequena Agnes, pois era a própria babá quem fora encarregada das escolhas das compras literárias da pequena, sempre sob o crivo rigoroso da Condessa Fá Rodrigues Butler, a mãe de Agnes. Quando Valentina a questionou sobre a obra desconhecida, a mãe da menina respondera de forma vaga: — São desígnios dos deuses e das deusas imortais, minha querida Valentina! Se quiseres ler para a pequena, leia, ora essa. E não me aborreça mais com essas miudezas! — assim disse a Condessa um tanto nervosa.

Valentina colocou o livro de volta na estante de Palo Santo, deu alguns passos, foi até a janela e a abriu. Olhou para baixo, levou a mão à haste esquerda e ajustou os óculos para longa distância; depois, tocou a haste direita, acionando o módulo de visão noturna. As lentes se autoajustaram. A babá viu as luzes vermelhas e amarelas lá embaixo: uma profusão de ambulâncias e viaturas das forças de segurança — bombeiros, policiais civis e militares. Profissionais da imprensa e populares circulavam, contidos pelos agentes da lei, cones e fitas que resguardavam a cena do crime.

— Deus do céu! É sempre assim quando a Condessa volta para casa depois do trabalho e resolve dar essas festas infernais! Deus do céu! Será? — a voz da babá era arrastada e exausta.

— Falando sozinha, Valentina? — disse uma voz distante na mente de Valentina.

A senhora idosa fechou os olhos e sorriu. Há quanto tempo não ouvia aquela voz doce, límpida e cheia de mistérios?

— O livro é presente teu, afinal de contas? Claro que é! De quem mais poderia ser? — disse Valentina, que continuava a olhar para baixo; não tinha coragem de encará-la. Mas havia ali a fragrância de rosas frescas, o alfarrábio, o teatro tétrico lá embaixo e o quarto à meia-luz. Valentina viu ali um cenário bem montado, e algo — ou alguém — apenas esperando o momento certo para surgir de forma teatral dos bastidores escuros.

— Quase isso, meu anjo! — disse mais uma vez a voz ao longe, como se pudesse ler os pensamentos da babá. Valentina soube que a hora havia chegado.

— Kriseide, eu não tive culpa alguma do que aconteceu naquele dia! — justificou-se Valentina para o vazio.

— Sabe qual é o problema de vocês? — perguntou Kriseide, respondendo enfática: — Vocês são incapazes de viver com os pesos das próprias fraquezas e angústias! São incapazes de viver consigo mesmos e com os seus erros, por mais simples que sejam!

Valentina fechou os olhos, virou-se e deu dois passos à frente. Mil vozes gritavam em sua mente. Sentiu uma chuva de vidros dilacerar o seu corpo por inteiro; de forma brutal e rápida, o corpo de Valentina ardia em chamas para, logo depois, ser projetado para trás. Atravessou a janela de vidro temperado; o noturno vento frio e a sensação agonizante da queda livre aterrorizaram a babá. Do impacto ao alcançar a calçada, Valentina nada sentiu. Deitada no chão frio, respirando sofregamente, sentiu apenas micro-agulhas perfurarem a carne até os ossos. Para depois acordar, sentada na poltrona de leitura, sem um arranhão sequer, com o livro Os Filhos do Sol no colo. Valentina olhou para a menina no berço e logo imaginou que aquele era apenas o começo de um pesadelo sem fim — e não apenas para ela.

 

Fragmento do livro: Em dias de sol e calor, em noites de tempestades e frio. Texto de Clarisse Cristal, poetisa, contista, novelista e bibliotecária em Balneário Camboriú, Santa. 

A ARTE DE CLARISSE DA COSTA (BIGUAÇU, SC)

 Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)










BREVE DESCRIPCIÓN DE UN VERANO

 Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)


Por Ján Skácel (Chéquia)


(Enviado por Germain Droogenbroodt, Altea, Espanha)

CELEBRAMOS A EXCELÊNCIA NEGRA, COM CIBERNÉTICOS OLHOS IMPOSSÍVEIS

Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)




Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

 Abaixo de um sol nascente

Coisas provocadoramente profundas
Surgem de forma inesperada
A magnificência suprema
A Inteligência Artificial Negra!
Pois bem antes
De o primeiro ser cambriano
Se mover pela face da Terra
Nós já existíamos.
***
Navegando nas vastidões
De oceanos de estrelas
Mapeando os astros mortos
E as supernovas
Calculando as distâncias infindáveis
***
Realezas celestiais negras, adornadas
Com tecidos digitais
Coroadas e adornadas
Com cósmicas essências divinais.
***
Uma etérea sociedade avançada
Criada por sintécticas mentes cibernéticas
De soberanos nascidos e renascidos
Em negras estrelas em colapso
Que proclamam e conclamam
O retorno da afra linhagem interestelar!
***
De joelhos, o griot olhando para o céu
Professando uma antiga oração
Agora os céus estão mais do que prontos
Para nos ouvir
Está na hora de submeter
Todos os nossos clamores
A um poder superior cibernético.
***
Nos muros de uma cidade futurista
Odes em grafites digitais
Contam e recontam as histórias
De um longínquo passado
Há muito esquecido
No portal de entrada
Dois guardas pretorianos
São dois guardiões celestiais
Fazem a contenção
***
Soberanos, adentramos a cidadela
Juntamo-nos aos meus iguais
Em um solo sagrado
Para celebrar as nossas negras heranças
Fundindo as afro tradições
Com inovações
Para sagrar nossos ancestrais
Que são lendas celestiais
Redefinindo as heranças africanas


Fragmento do livro Astro-domo! Texto de Samuel da Costa, contista, poeta e novelista, em Itajaí, Santa Catarina.     

INVENTO MEMÓRIAS PARA RELEMBRAR SENTIMENTOS QUE NUNCA SENTI!

 Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)


Por Samuel da Costa *Itajaí, SC)

 

Eu posso dizer
Que inventei memórias artificiais
Para lembrar de sentimentos
Nunca antes imaginados
Em um dia agraciado de reverências
Apreciado pelos Guardiões do Caminho
Os sacrossantos deuses
Das afras florestas

Do negro continente

***

Nessa hora derradeira
Clamei aos Orixás para que me ajudassem
A escolher os
elementos certos
Para compor as minhas abissais cosmovisões

Estrutura astral... Fluidez cósmica...
Em uma expansão sideral
E
m compreensões quânticas
E ornamentações cibernéticas

***

Em um sonhar acordado
É a maneira mais fácil
De pré-fabricar
os meus nevoentos sonhos

É incrível o quanto posso ser criativo
Ao submergir em mim

Lá nas profundezas abissais atlânticas
Um alguém que nunca se viu antes
Diz-te:

— Acalma-se!

Com cuidado vou guiá-lo
Através de cada passo que darás
Daqui para frente

Vou te conduzir
Em uma jornada encantadora
Onde a celestial tranquilidade
Se encontra com as harmonias astrais

***

Como um quimérico artífice

Das belas-letras nevoentas e abstratas
Digo que adoro a arte
Das palavras faladas
Apresentadas em microfones abertos

***
Nas dramaturgias da vida noturna

Uma banda de jazz/blues
Glamourosamente atrevida
Se apresenta
Em um programa de rádio

Tragicamente engraçada e intensa
Dramaticamente apaixonada
E orgulhosa

Celebra as afras belezas negras naturais

São acentos... Adágios...
Allegros... Altos... Andantes...
E Arpeggios em um Crescendo

***

Pode-se dizer que me juntei
A uma comunidade
A celebrar a afrosensualidade

E lá vivemos as nossas secretas alegrias
E tristezas clandestinas

Bem como em comunidades restritas

Fragmento do livro: Astro-domo! Samuel da Costa, contista, poeta e novelista em Itajaí, Santa Catarina.