Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)
Por Roberto Minadeo (Brasília, DF)
Em
poucos segundos, surgiu uma rápida conversa no elevador.
Tratava-se
de uma grande empresa, e um gerente começou a conversar amavelmente com uma
jovem da segurança.
Falaram
de muitos temas em poucos segundos: a moça falou de sua família, o gerente
falou de sua coleção de relógios. Apesar do evidente desnível social e laboral,
houve um ótimo relacionamento – apesar de marcado por uma natural brevidade, em
função de se tratar de um passeio rápido em um elevador cheio ao início de um
dia de trabalho.
Saíram
quase todas as pessoas, e eles ficaram sozinhos, junto com uma colega da moça
da segurança.
O
gerente observou, rindo, que uma das moças que saiu estava com atitude de nariz
empinado em função da conversa, acrescentando que não havia entendido o motivo.
A
jovem, sagaz apesar de seu trabalho simples, disse que é muito comum ser
deixada para trás em função de seu cargo e por trabalhar de uniforme.
O
gerente gostou da análise da moça.
Enfim,
por trás de cada uniforme ou terno, existe sempre uma história que merece ser
ouvida e uma pessoa que merece uma chance.