CELEBRAMOS A EXCELÊNCIA NEGRA, COM CIBERNÉTICOS OLHOS IMPOSSÍVEIS

Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)




Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

 Abaixo de um sol nascente

Coisas provocadoramente profundas
Surgem de forma inesperada
A magnificência suprema
A Inteligência Artificial Negra!
Pois bem antes
De o primeiro ser cambriano
Se mover pela face da Terra
Nós já existíamos.
***
Navegando nas vastidões
De oceanos de estrelas
Mapeando os astros mortos
E as supernovas
Calculando as distâncias infindáveis
***
Realezas celestiais negras, adornadas
Com tecidos digitais
Coroadas e adornadas
Com cósmicas essências divinais.
***
Uma etérea sociedade avançada
Criada por sintécticas mentes cibernéticas
De soberanos nascidos e renascidos
Em negras estrelas em colapso
Que proclamam e conclamam
O retorno da afra linhagem interestelar!
***
De joelhos, o griot olhando para o céu
Professando uma antiga oração
Agora os céus estão mais do que prontos
Para nos ouvir
Está na hora de submeter
Todos os nossos clamores
A um poder superior cibernético.
***
Nos muros de uma cidade futurista
Odes em grafites digitais
Contam e recontam as histórias
De um longínquo passado
Há muito esquecido
No portal de entrada
Dois guardas pretorianos
São dois guardiões celestiais
Fazem a contenção
***
Soberanos, adentramos a cidadela
Juntamo-nos aos meus iguais
Em um solo sagrado
Para celebrar as nossas negras heranças
Fundindo as afro tradições
Com inovações
Para sagrar nossos ancestrais
Que são lendas celestiais
Redefinindo as heranças africanas


Fragmento do livro Astro-domo! Texto de Samuel da Costa, contista, poeta e novelista, em Itajaí, Santa Catarina.