A DINASTIA VERMELHA (A NEGRA ARTE ASTRAL)

Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)



Por Clarisse Cristal (Balneário Camboriú, SC)

 

Um belíssimo manuscrito
Lindas belas-letras pós-modernistas
Compuseram o magnificente ser celestial
Exilado no mundo em vigília

***

A consciência da real beleza
Do tangível ali não há
Todas as tristezas do mundo
Em vigília
Correram rio abaixo

As alegrias momentâneas
E as turvas correntezas caudalosas
Levaram-lhe todas as dores.

***

Assim dizia o alfarrábio digital

Envoltas em vermelhas mantas sagradas
Sacrossantas e místicas
Figuras de ébano moviam-se
Entre o passado idílico, o presente trágico
E o futuro especulativo,

Carregando as musselinosas essências
Dos afro-deuses e das afro-deusas
Dos afro-guardiões e das afra-guardiãs
De antiquíssimos espíritos sagrados

E astrais

***

Uma maviosa melodia
Flui para as negras almas torturadas

Os espíritos que nunca se vão
E que sempre permanecem
Vigilantes, indomáveis e eviternos
Pontes cósmicas do entre mundos
E fantasiosos e cibernéticos reinos fantásticos

***

Eu, a lúgubre e perdida literata da noite
Que ousou adentrar a luz do dia,
Li e reli os estros nevoentos
Do aedo menestrel de ébano
Em eviternas dores.

***

Senti uma chuva de neutrinos
Assolar o mundo em vigília

Nesta hora, na verve
Do aedo, do menestrel de ébano

E dores nos estribilhos não há.
Tristezas não existem

Somente um sidéreo brilho vago
Mítica e evasiva trova
Lançada aos ventos solares

 

Fragmento do livro Sustentada no ar por negras asas fracas, texto de Clarisse Cristal, poetisa, cronista, contista, novelista e bibliotecária de Balneário Camboriú, Santa Catarina.