INVENTO MEMÓRIAS PARA RELEMBRAR SENTIMENTOS QUE NUNCA SENTI!

 Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)


Por Samuel da Costa *Itajaí, SC)

 

Eu posso dizer
Que inventei memórias artificiais
Para lembrar de sentimentos
Nunca antes imaginados
Em um dia agraciado de reverências
Apreciado pelos Guardiões do Caminho
Os sacrossantos deuses
Das afras florestas

Do negro continente

***

Nessa hora derradeira
Clamei aos Orixás para que me ajudassem
A escolher os
elementos certos
Para compor as minhas abissais cosmovisões

Estrutura astral... Fluidez cósmica...
Em uma expansão sideral
E
m compreensões quânticas
E ornamentações cibernéticas

***

Em um sonhar acordado
É a maneira mais fácil
De pré-fabricar
os meus nevoentos sonhos

É incrível o quanto posso ser criativo
Ao submergir em mim

Lá nas profundezas abissais atlânticas
Um alguém que nunca se viu antes
Diz-te:

— Acalma-se!

Com cuidado vou guiá-lo
Através de cada passo que darás
Daqui para frente

Vou te conduzir
Em uma jornada encantadora
Onde a celestial tranquilidade
Se encontra com as harmonias astrais

***

Como um quimérico artífice

Das belas-letras nevoentas e abstratas
Digo que adoro a arte
Das palavras faladas
Apresentadas em microfones abertos

***
Nas dramaturgias da vida noturna

Uma banda de jazz/blues
Glamourosamente atrevida
Se apresenta
Em um programa de rádio

Tragicamente engraçada e intensa
Dramaticamente apaixonada
E orgulhosa

Celebra as afras belezas negras naturais

São acentos... Adágios...
Allegros... Altos... Andantes...
E Arpeggios em um Crescendo

***

Pode-se dizer que me juntei
A uma comunidade
A celebrar a afrosensualidade

E lá vivemos as nossas secretas alegrias
E tristezas clandestinas

Bem como em comunidades restritas

Fragmento do livro: Astro-domo! Samuel da Costa, contista, poeta e novelista em Itajaí, Santa Catarina.