Revista literária online, uma viagem cultural online pela literatura, poesia, cinema e artes. Editada, desde 2011, pelo Jornalista e escritor Paccelli José Maracci Zahler (RP/MTE nº 14402/DF; FENAJ; FIJ nº BR20943). Poemas, crônicas, contos, ensaios, e o melhor da cultura nacional e internacional. Todas as opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores. Aceitam-se colaborações. Contato: cerrado.cultural@gmail.com
AFLORAR EM SIDÉREAS PAIXÕES
Por Fabiane Braga Lima (Rio Caro, SP)
‘’O escrever é
sobretudo o transcender
Para o além do
infinito!
É fugir dos
óbvios que a realidade
Nos impõe no
dia-a-dia
E é não conhecer
e ter limites algum! ’’
Adérito Muteia
Tudo que me
encoraja
A te amar
perdidamente
São os sutis
laços invisíveis
Que nos une
em universo
Teu aroma que me
envolve
Silêncios os
sábios que me faz
Sentir teus
beijos
***
Sinto os ufanos
sabores
O toque celeste
Dos eufônicos
lábios florais
Que juntas aos
meus
No nosso perdido
Éden
***
No entrelaçar dos
nossos corpos
Olhando para o
céu luar
Cessa a minha
fúria
Sinto-me somente
tua
Acalma-me a minha
alma
Quiçá pudesse
ouvir o meu coração
Entender todo
este pulsar
***
Vejo-te na aurora
rubra
Vejo-te como uma
Supernova
Vejo-te como uma
Quasar
Vejo-te como uma
Pulsar
Que irradia um
brilho rara
Para o além dos
astros-mortos
***
Revigora-me
Como eu queria!!!
Que pegasse em
minha mão
Sentisse minha
mão suar
***
Como eu queria
benfazejo
Ter-te ao lado
meu
E me perder
extasiado
Nos místicos
labirintos
Dos milenares
mistérios teus
***
Embriagada
Sinta o calor dos
nossos corpos
Envolve-me agora
enamorado meu
***
Eu sinto o calor
ardente
Dos nossos corpos
incorpóreos
Suspensos no ar
***
Toda saliva dos
teus lábios
Leva-me à
tentação
Sem razão, me
ouça em fantasia
Em frenesi
***
Babujar-te-ei à
meia luz
Amar-te-ei na
perdida noite
No nevoento e
mítico quarto teu
***
Venha comigo
Deixe te levar a
perdição
Minha insana
tentação
Minha louca de
paixão
Fragmento do livro:
Duetos poéticos Sul-Sudeste. Texto e argumento de
Fabiane Braga Lima, novelista, poetisa e contista em Rio Claro, São Paulo.
Texto
e revisão de Samuel da Costa, novelista, poeta e contista em Itajaí, Santa
Catarina.
DOR NA ALMA! (SENTIDA POR UM PAI)
Por Manoel Ianzer (São Paulo, SP)
E quando a dor dói mais
que a própria dor,
o coração se parte em gritos,
um aperto no peito,
a respiração se torna frágil.
Como evoluir se a tristeza
pesa tanto?
São dias frios que doem
até os ossos.
Como resistir?
Sim, resistir,
porque a dor é só o rio fazendo a curva,
vai levando o que precisa levar
para lavar o caminho.
Como encarar?
Sim, encarar,
porque surge no horizonte uma luz:
é a vida espalhando seus raios
num sorriso largo e feliz
para o novo dia que surge,
harmonioso.
Indiferente às dores,
às feridas;
indiferente às flores,
aos perfumes;
indiferente às ervas,
aos chás.
Mas mesmo nas lágrimas,
às vezes… um alívio.
Seremos salvos?
Aqui tem remédio para todos
os males do corpo e da alma,
porque somos da terra,
somos divinos,
somos de Deus!
A AFRA-NINFA EM SEU HABITAT NATURAL (SOL E SOMBRA, MELANINA E PAIXÃO)
Por Clarisse Cristal (Balneário Camboriú, SC)
De mãos dadas com
o desconhecido,
Os meus ávidos
olhos focados
No destino à frente,
Enquanto os
nossos corações
Batem forte
Como se fossem um
só.
E nesta hora
derradeira,
Eu esqueço que existo.
***
Como o vento muda
de direção
E as estações vão
e vêm,
Estou prestes a
deixar-te.
Para sempre.
Não quero mais te ver.
***
Quando eu sou
beijada
Pelo outonal sol
ameno,
Posso ver que há muito mais coisas
Do que os olhares
cotidianos
Conseguem
perceber.
***
E eu, que não
pensava estar animada,
Divago nos estros
meus,
Nos meus irreais
estribilhos
Sobre o amor negro.
São dois corpos
negros
À beira do oceano
Atlântico.
Na intimidade negra
E afro-erotismo
Em uma perspectiva feminina
Que é só minha.
***
E não se
preocupe, amor meu
Avisar-te-ei quando o meu livro
De versos e
prosas
Ser finalmente
for lançado.
Enviar-te-ei um
exemplar
Não autografado,
Para que tu possas abandoná-lo intacto,
Esquecido na tua
mesa de centro.
Como um objeto
decorativo de segunda classe,
Sem lê-lo ou
mesmo compreendê-lo.
***
E não importa o
quão criativa
Eu possa ser,
Pois aos teus
olhos cegos
Eu vendo um
produto sem valor
No camelódromo da
Avenida Brasil.
***
Eu, que pensava
que não me afloraria
A minha
afro-sensualidade,
Agora sou a Afra-rainha soberana.
Exilada na
Hiperbórea tropical,
Que dedicou o seu
tempo atemporal
A erguer
nevoentos muros
E muralhas
etéreas,
Para se
auto-proteger de si mesma.
Agora declamo que
serei eternamente grata
Por ter conhecido
Esta mulher
dentro de mim.
Fragmento do livro,
Sustentada no ar por negras asas fracas, texto de Clarisse Cristal, poetisa,
cronista, contista, novelista e bibliotecária de Balneário Camboriú, Santa
Catarina.
PARA ALÉM DO VÉU DA REALIDADE!
Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)
Para a poetisa Clarisse da Costa
Criei coragem e revi
Os antigos e infantos estribilhos meus
Que publiquei recentemente
***
Deparei-me com secos arbustos
E verdes galhos de árvores
No meio de uma estrada deserta
Então precisei ter cuidados
Com o que veria por aí
***
E o mundo está mais escuro
Sem o brilho da lua cheia
Sem os raios do astro rei
Digo que é apenas a escuridão
De um céu sem estrelas
Os ventos solares que não sopram
As ondas não quebram
Na orla oceânica
E a poetisa ebúrnea me abandonou
Para nunca mais voltar
***
Olho para trás e vejo
Que o tempo não é mais nada
Do que uma mera ilusão
E os meus sonhos
Não correspondem
Ao momento presente
E eventualmente os meus pés descalços
Tocaram no chão hirto e frio
***
Eu o negro e periférico
O cidadão do novo mundo
Gostaria de citar elementos
Da cultura africana nos meus textos
Seriam mulheres de ébano
Da aldeia Nyiominka Serer
Lindas a praticar uma dança tradicional
***
Na minha obsolescência programada
Disse o meu programador acidental
Como é lindo o vosso trabalho
Adoro o teu conteúdo artístico
Flácido e lento
E há muito ultrapassado
Adoraria poder colaborar
Com o teu deslumbrante fim
Sussurrou ele ao meu ouvido
Em uma perdida hora vazia abstrata
***
Eu queria conhece a Nigéria
Ver as mulheres da nobreza Peule
Ornadas com os seus maviosos
Brincos de ouro
E carnudos lábios tatuados
***
Como é deveras sedutor
Imaginar a criatividade serena
Em ação a consagrar a imaginação
A produzir ideias originais
E criar algo realmente inventivamente novo
***
Surreal
Contaram-me que os meus designers internos
Trabalham sem parar
Com uma perspectiva hipersurreal
Pois querem conquistar o inóspito ciberespaço
O universo afro-futurista das belas-letras
E das belas-artes plásticas
***
Tolas criaturas fugasses
Vou chamar um carro de aplicativo
Adentra-lo corajosamente
Ver-me dobra a esquina
E desaparecer por completo
Fragmento
do livro: Astro-domo, texto de Samuel da Costa, contista, poeta e novelista em
Itajaí, Santa Catarina.
EDUARDO WAAK APRESENTA FRAGMENTOS DE SUA "ALMA BRASILEIRA"
Livro lançado dia 21 de maio conta com apoio do
Ministério da Cultura
Por Eduardo Waack / Fotografias de Eliseu
Batista
A literatura brasileira está em festa, em especial meu
coração estradeiro que tanto aguardou este momento. Dia 21 de maio foi lançado
em Matão o livro “Alma Brasileira” numa cerimônia simples, porém repleta de
significado e pessoas queridas.
A Biblioteca Municipal “Maria de Lourdes Lian” estava tomada
de uma energia telúrica e irradiava potente a multíplice chama libertária da
poesia para todo o Planeta. Pois que nossos sentimentos e vibrações convergiam
e afluíam, interagiam. A bibliotecária Estela Farias pontualmente iniciou as
atividades prometendo algumas surpresinhas… Após ser anunciado, apresentei
“Alma Brasileira” aos presentes e discorri sobre a obra. Poemas que nasceram em
momentos muito especiais de minha existência e na existência também deste país.
Situações, comparações, sublimações. A Arte tudo abraça e acolhe em seu seio
farto. Alavanca, potencializa, indica, exemplifica. Disse que eram poemas
sofridos, mas que essa dor trazia no bojo a semente da esperança e da
vitalidade. A resistência, que não se negocia…
Ao meu lado, alunos da Escola “Prof. Antônio Carlos Manzini”
e integrantes da Associação dos Deficientes Visuais de Matão (Adevima). Muitos
amigos e pessoas ligadas à Lira e ao Engenho. Adreana Paula Santana (Secretária
de Educação e Cultura de Matão) nos prestigiou, assim como professores e
diretores de escolas públicas estaduais e municipais, a saber: Ana Cláudia
Câmara Pereira (Escola Técnica Sylvio de Mattos Carvalho” / Etec), Celimara
Garbim Avelino (Escola “Prefº Celso de Barros Perche” / CAJU), Claudia Regina
Rodrigues (bibliotecária da Etec Matão), Claudemir Mariotti Junior (Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo / IFSP), Claudionice
Pereira Bellintani (diretora municipal de Educação), Emílio Paganin (Escola
“Prof. Odone Bellini”), Graziela Guttardi Monteiro (Escola “Prof. Antônio
Carlos Manzini”), Lilian Sampaio dos Santos (Escola “Benta Maria Ragassi
Scutti” / CAIC), Maria Paula Ciarantola Bottura (Escola “Adelino Bordignon”) e
Michela Adriani Alves (Gerente do Ensino Fundamental Anos Finais).
O microfone esteve aberto às manifestações espontâneas e
poemas foram interpretados criando uma atmosfera lúdica, lírica, mística. Oito
leitores e oito poemas: Cristiano Cândido (“Alma”), Cristiano Rossi
(“Ascenção”), Fernando Canafolha (“Aquilo que somos”), Haroldo Valério
(“Oráculo”), Margareth Ribeiro da Silva (“Aos jovens”), Maria Celeste
Tortorello Callegher (“As quatro estações”), Maria Teresa Rigoli Rossi
(“Barretos 2017”) e Sérgio Floriano (“Inventário”). Eu li um poema escrito há
poucos dias e provisoriamente chamado “Cordilheira”.
O apressado trânsito que se entrevia na Av. 7 de Setembro,
com suas buzinas, ronco de motocicletas, badalar de sinos e murmurinho popular
unia-se à música que Gabriel Bueno Magni dedilhava em seu violão. Trilha sonora
de toda uma geração. A poesia nascida das ruas é emoldurada pelo clamor urbano.
O fotógrafo Eliseu Batista (Revel Filmes) atento registrava quadro a quadro a
apoteose que vivíamos (ou era eu quem imenso imaginava tudo isso). Somou
silenciosa e positivamente resguardando para a posteridade o lançamento oficial
de “Alma Brasileira”.
E no dia 27 de maio, integrando as comemorações dos 40 anos
da Etec Matão estivemos reunidos com alunos e a galera sempre animada da
Adevima (capitaneados por Dercino Bertolaia) para apresentar o novo livro.
Levamos conosco o poeta e metalúrgico Braz Ferreira, e debatemos a contribuição
das Artes junto à Educação na formação do povo brasileiro. Também fomos
brindados com a leitura de nosso poema “Velho Arvelino” por um aluno e a oferta
de belas palavras lidas em braille pela professora Maierling Vicente dos Santos
(carinhosamente chamada de Mey).
Esperamos ter contribuído com nossa cidade ao dedicar um
livro a seus habitantes, que através de sua leitura mergulharão no âmago de um
país que ainda é desconhecido e desrespeitado pelos seus filhos. Uma nação
soberana que necessita afirmar-se, abrir os olhos e o coração às aspirações
nascidas na soturna Pátria vilipendiada. Um Brasil profundo e esquecido, que
aos poucos perde-se soterrado pelo falso canto da sereia estelionatária
consumista, alheia ao povo, vendedora de ilusões e promessas de frágil cintilar.
Aos brasileiros devemos ofertar e possibilitar aquilo que há de melhor, mais
sublime e libertário!
Em tempo! O projeto “Alma Brasileira” foi realizado com
suporte do Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), Lei Rouanet.
Ministério da Cultura / Governo do Brasil — do lado do povo brasileiro.