A ARTE DE CLARISSE DA COSTA (BIGUAÇU, SC)

 










AFLORAR EM SIDÉREAS PAIXÕES

         


           
 

Por Fabiane Braga Lima (Rio Caro, SP)

 

‘’O escrever é sobretudo o transcender

Para o além do infinito!

É fugir dos óbvios que a realidade

Nos impõe no dia-a-dia

E é não conhecer e ter limites algum! ’’

Adérito Muteia

 

 

Tudo que me encoraja

A te amar perdidamente

São os sutis laços invisíveis

 Que nos une em universo

Teu aroma que me envolve

Silêncios os sábios que me faz

Sentir teus beijos

***

Sinto os ufanos sabores

O toque celeste

Dos eufônicos lábios florais

Que juntas aos meus

No nosso perdido Éden  

***

No entrelaçar dos nossos corpos

Olhando para o céu luar

Cessa a minha fúria

Sinto-me somente tua

Acalma-me a minha alma

Quiçá pudesse ouvir o meu coração

Entender todo este pulsar

***

Vejo-te na aurora rubra

Vejo-te como uma Supernova

Vejo-te como uma Quasar

Vejo-te como uma Pulsar

Que irradia um brilho rara

Para o além dos astros-mortos

***

Revigora-me

Como eu queria!!!

Que pegasse em minha mão

Sentisse minha mão suar

***

Como eu queria benfazejo

Ter-te ao lado meu

E me perder extasiado

Nos místicos labirintos

Dos milenares mistérios teus

***

Embriagada

Sinta o calor dos nossos corpos

Envolve-me agora enamorado meu

***

Eu sinto o calor ardente

Dos nossos corpos incorpóreos

Suspensos no ar

***

Toda saliva dos teus lábios

Leva-me à tentação

Sem razão, me ouça em fantasia

Em frenesi

***

Babujar-te-ei à meia luz

Amar-te-ei na perdida noite  

No nevoento e mítico quarto teu

***

Venha comigo

Deixe te levar a perdição

Minha insana tentação

Minha louca de paixão

 

Fragmento do livro: Duetos poéticos Sul-Sudeste. Texto e argumento de Fabiane Braga Lima, novelista, poetisa e contista em Rio Claro, São Paulo.

Texto e revisão de Samuel da Costa, novelista, poeta e contista em Itajaí, Santa Catarina. 

A ARTE DE CLARISSE DA COSTA (BIGUAÇU, SC)

 





DOR NA ALMA! (SENTIDA POR UM PAI)



Por Manoel Ianzer (São Paulo, SP)

 

E quando a dor dói mais

que a própria dor,

 

o coração se parte em gritos,

um aperto no peito,

a respiração se torna frágil.

 

Como evoluir se a tristeza

pesa tanto?

 

São dias frios que doem

até os ossos.

 

Como resistir?

 

Sim, resistir,

porque a dor é só o rio fazendo a curva,

vai levando o que precisa levar

para lavar o caminho.

 

Como encarar?

 

Sim, encarar,

porque surge no horizonte uma luz:

é a vida espalhando seus raios

num sorriso largo e feliz

para o novo dia que surge,

harmonioso.

 

Indiferente às dores,

às feridas;

indiferente às flores,

aos perfumes;

indiferente às ervas,

aos chás.

Mas mesmo nas lágrimas,

às vezes… um alívio.

 

Seremos salvos?

 

Aqui tem remédio para todos

os males do corpo e da alma,

porque somos da terra,

somos divinos,

somos de Deus!

A AFRA-NINFA EM SEU HABITAT NATURAL (SOL E SOMBRA, MELANINA E PAIXÃO)



Por Clarisse Cristal (Balneário Camboriú, SC)

 

De mãos dadas com o desconhecido,

Os meus ávidos olhos focados

 No destino à frente,

Enquanto os nossos corações

 Batem forte

Como se fossem um só.

E nesta hora derradeira,

 Eu esqueço que existo.

***

Como o vento muda de direção

E as estações vão e vêm,

Estou prestes a deixar-te.

Para sempre.

 Não quero mais te ver.

***

Quando eu sou beijada

Pelo outonal sol ameno,

 Posso ver que há muito mais coisas

Do que os olhares cotidianos

Conseguem perceber.

***

E eu, que não pensava estar animada,

Divago nos estros meus,

Nos meus irreais estribilhos

 Sobre o amor negro.

São dois corpos negros

À beira do oceano Atlântico.

 Na intimidade negra

E afro-erotismo

 Em uma perspectiva feminina

Que é só minha.

***

E não se preocupe, amor meu

 Avisar-te-ei quando o meu livro

De versos e prosas

Ser finalmente for lançado.

Enviar-te-ei um exemplar

Não autografado,

 Para que tu possas abandoná-lo intacto,

Esquecido na tua mesa de centro.

Como um objeto decorativo de segunda classe,

Sem lê-lo ou mesmo compreendê-lo.

***

E não importa o quão criativa

Eu possa ser,

Pois aos teus olhos cegos

Eu vendo um produto sem valor

No camelódromo da Avenida Brasil.

***

Eu, que pensava que não me afloraria

A minha afro-sensualidade,

 Agora sou a Afra-rainha soberana.

Exilada na Hiperbórea tropical,

Que dedicou o seu tempo atemporal

A erguer nevoentos muros

E muralhas etéreas,

Para se auto-proteger de si mesma.

Agora declamo que serei eternamente grata

Por ter conhecido

Esta mulher dentro de mim.


Fragmento do livro, Sustentada no ar por negras asas fracas, texto de Clarisse Cristal, poetisa, cronista, contista, novelista e bibliotecária de Balneário Camboriú, Santa Catarina.

 

PARA ALÉM DO VÉU DA REALIDADE!




 Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

Para a poetisa Clarisse da Costa

 

Criei coragem e revi 

Os antigos e infantos estribilhos meus

Que publiquei recentemente

***

 Deparei-me com secos arbustos

 E verdes galhos de árvores

No meio de uma estrada deserta

 Então precisei ter cuidados

Com o que veria por aí

***

E o mundo está mais escuro

 Sem o brilho da lua cheia

 Sem os raios do astro rei  

Digo que é apenas a escuridão

De um céu sem estrelas

Os ventos solares que não sopram  

As ondas não quebram

Na orla oceânica

E a poetisa ebúrnea me abandonou

Para nunca mais voltar

***

Olho para trás e vejo

Que o tempo não é mais nada

Do que uma mera ilusão

E os meus sonhos

Não correspondem

Ao momento presente

E eventualmente os meus pés descalços

 Tocaram no chão hirto e frio

***

Eu o negro e periférico

O cidadão do novo mundo

Gostaria de citar elementos

 Da cultura africana nos meus textos  

Seriam mulheres de ébano

 Da aldeia Nyiominka Serer

Lindas a praticar uma dança tradicional

***

Na minha obsolescência programada

Disse o meu programador acidental

Como é lindo o vosso trabalho

Adoro o teu conteúdo artístico

 Flácido e lento

 E há muito ultrapassado

Adoraria poder colaborar

Com o teu deslumbrante fim

Sussurrou ele ao meu ouvido

Em uma perdida hora vazia abstrata

***

Eu queria conhece a Nigéria

Ver as mulheres da nobreza Peule

Ornadas com os seus maviosos

Brincos de ouro

E carnudos lábios tatuados

***

Como é deveras sedutor

Imaginar a criatividade serena  

Em ação a consagrar a imaginação

A produzir ideias originais

E criar algo realmente inventivamente novo  

***

Surreal

 Contaram-me que os meus designers internos

Trabalham sem parar

 Com uma perspectiva hipersurreal

Pois querem conquistar o inóspito ciberespaço

O universo afro-futurista das belas-letras

E das belas-artes plásticas

***

 Tolas criaturas fugasses

Vou chamar um carro de aplicativo

Adentra-lo corajosamente

Ver-me dobra a esquina

E desaparecer por completo

 

Fragmento do livro: Astro-domo, texto de Samuel da Costa, contista, poeta e novelista em Itajaí, Santa Catarina.

A ARTE DE CLARISSE DA COSTA (BIGUAÇU, SC)

 








EDUARDO WAAK APRESENTA FRAGMENTOS DE SUA "ALMA BRASILEIRA"


 

Livro lançado dia 21 de maio conta com apoio do Ministério da Cultura

Por Eduardo Waack / Fotografias de Eliseu Batista

 

A literatura brasileira está em festa, em especial meu coração estradeiro que tanto aguardou este momento. Dia 21 de maio foi lançado em Matão o livro “Alma Brasileira” numa cerimônia simples, porém repleta de significado e pessoas queridas.

 

 

 

A Biblioteca Municipal “Maria de Lourdes Lian” estava tomada de uma energia telúrica e irradiava potente a multíplice chama libertária da poesia para todo o Planeta. Pois que nossos sentimentos e vibrações convergiam e afluíam, interagiam. A bibliotecária Estela Farias pontualmente iniciou as atividades prometendo algumas surpresinhas… Após ser anunciado, apresentei “Alma Brasileira” aos presentes e discorri sobre a obra. Poemas que nasceram em momentos muito especiais de minha existência e na existência também deste país. Situações, comparações, sublimações. A Arte tudo abraça e acolhe em seu seio farto. Alavanca, potencializa, indica, exemplifica. Disse que eram poemas sofridos, mas que essa dor trazia no bojo a semente da esperança e da vitalidade. A resistência, que não se negocia…

 

 

Ao meu lado, alunos da Escola “Prof. Antônio Carlos Manzini” e integrantes da Associação dos Deficientes Visuais de Matão (Adevima). Muitos amigos e pessoas ligadas à Lira e ao Engenho. Adreana Paula Santana (Secretária de Educação e Cultura de Matão) nos prestigiou, assim como professores e diretores de escolas públicas estaduais e municipais, a saber: Ana Cláudia Câmara Pereira (Escola Técnica Sylvio de Mattos Carvalho” / Etec), Celimara Garbim Avelino (Escola “Prefº Celso de Barros Perche” / CAJU), Claudia Regina Rodrigues (bibliotecária da Etec Matão), Claudemir Mariotti Junior (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo / IFSP), Claudionice Pereira Bellintani (diretora municipal de Educação), Emílio Paganin (Escola “Prof. Odone Bellini”), Graziela Guttardi Monteiro (Escola “Prof. Antônio Carlos Manzini”), Lilian Sampaio dos Santos (Escola “Benta Maria Ragassi Scutti” / CAIC), Maria Paula Ciarantola Bottura (Escola “Adelino Bordignon”) e Michela Adriani Alves (Gerente do Ensino Fundamental Anos Finais).

 

 

 

 

 

 

O microfone esteve aberto às manifestações espontâneas e poemas foram interpretados criando uma atmosfera lúdica, lírica, mística. Oito leitores e oito poemas: Cristiano Cândido (“Alma”), Cristiano Rossi (“Ascenção”), Fernando Canafolha (“Aquilo que somos”), Haroldo Valério (“Oráculo”), Margareth Ribeiro da Silva (“Aos jovens”), Maria Celeste Tortorello Callegher (“As quatro estações”), Maria Teresa Rigoli Rossi (“Barretos 2017”) e Sérgio Floriano (“Inventário”). Eu li um poema escrito há poucos dias e provisoriamente chamado “Cordilheira”.

 

 

 

 

 

O apressado trânsito que se entrevia na Av. 7 de Setembro, com suas buzinas, ronco de motocicletas, badalar de sinos e murmurinho popular unia-se à música que Gabriel Bueno Magni dedilhava em seu violão. Trilha sonora de toda uma geração. A poesia nascida das ruas é emoldurada pelo clamor urbano. O fotógrafo Eliseu Batista (Revel Filmes) atento registrava quadro a quadro a apoteose que vivíamos (ou era eu quem imenso imaginava tudo isso). Somou silenciosa e positivamente resguardando para a posteridade o lançamento oficial de “Alma Brasileira”.

 

 

 

E no dia 27 de maio, integrando as comemorações dos 40 anos da Etec Matão estivemos reunidos com alunos e a galera sempre animada da Adevima (capitaneados por Dercino Bertolaia) para apresentar o novo livro. Levamos conosco o poeta e metalúrgico Braz Ferreira, e debatemos a contribuição das Artes junto à Educação na formação do povo brasileiro. Também fomos brindados com a leitura de nosso poema “Velho Arvelino” por um aluno e a oferta de belas palavras lidas em braille pela professora Maierling Vicente dos Santos (carinhosamente chamada de Mey).

 

 

 

 

Esperamos ter contribuído com nossa cidade ao dedicar um livro a seus habitantes, que através de sua leitura mergulharão no âmago de um país que ainda é desconhecido e desrespeitado pelos seus filhos. Uma nação soberana que necessita afirmar-se, abrir os olhos e o coração às aspirações nascidas na soturna Pátria vilipendiada. Um Brasil profundo e esquecido, que aos poucos perde-se soterrado pelo falso canto da sereia estelionatária consumista, alheia ao povo, vendedora de ilusões e promessas de frágil cintilar. Aos brasileiros devemos ofertar e possibilitar aquilo que há de melhor, mais sublime e libertário!

 

 

Em tempo! O projeto “Alma Brasileira” foi realizado com suporte do Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), Lei Rouanet. Ministério da Cultura / Governo do Brasil — do lado do povo brasileiro.