Livro lançado dia 21 de maio conta com apoio do
Ministério da Cultura
Por Eduardo Waack / Fotografias de Eliseu
Batista
A literatura brasileira está em festa, em especial meu
coração estradeiro que tanto aguardou este momento. Dia 21 de maio foi lançado
em Matão o livro “Alma Brasileira” numa cerimônia simples, porém repleta de
significado e pessoas queridas.
A Biblioteca Municipal “Maria de Lourdes Lian” estava tomada
de uma energia telúrica e irradiava potente a multíplice chama libertária da
poesia para todo o Planeta. Pois que nossos sentimentos e vibrações convergiam
e afluíam, interagiam. A bibliotecária Estela Farias pontualmente iniciou as
atividades prometendo algumas surpresinhas… Após ser anunciado, apresentei
“Alma Brasileira” aos presentes e discorri sobre a obra. Poemas que nasceram em
momentos muito especiais de minha existência e na existência também deste país.
Situações, comparações, sublimações. A Arte tudo abraça e acolhe em seu seio
farto. Alavanca, potencializa, indica, exemplifica. Disse que eram poemas
sofridos, mas que essa dor trazia no bojo a semente da esperança e da
vitalidade. A resistência, que não se negocia…
Ao meu lado, alunos da Escola “Prof. Antônio Carlos Manzini”
e integrantes da Associação dos Deficientes Visuais de Matão (Adevima). Muitos
amigos e pessoas ligadas à Lira e ao Engenho. Adreana Paula Santana (Secretária
de Educação e Cultura de Matão) nos prestigiou, assim como professores e
diretores de escolas públicas estaduais e municipais, a saber: Ana Cláudia
Câmara Pereira (Escola Técnica Sylvio de Mattos Carvalho” / Etec), Celimara
Garbim Avelino (Escola “Prefº Celso de Barros Perche” / CAJU), Claudia Regina
Rodrigues (bibliotecária da Etec Matão), Claudemir Mariotti Junior (Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo / IFSP), Claudionice
Pereira Bellintani (diretora municipal de Educação), Emílio Paganin (Escola
“Prof. Odone Bellini”), Graziela Guttardi Monteiro (Escola “Prof. Antônio
Carlos Manzini”), Lilian Sampaio dos Santos (Escola “Benta Maria Ragassi
Scutti” / CAIC), Maria Paula Ciarantola Bottura (Escola “Adelino Bordignon”) e
Michela Adriani Alves (Gerente do Ensino Fundamental Anos Finais).
O microfone esteve aberto às manifestações espontâneas e
poemas foram interpretados criando uma atmosfera lúdica, lírica, mística. Oito
leitores e oito poemas: Cristiano Cândido (“Alma”), Cristiano Rossi
(“Ascenção”), Fernando Canafolha (“Aquilo que somos”), Haroldo Valério
(“Oráculo”), Margareth Ribeiro da Silva (“Aos jovens”), Maria Celeste
Tortorello Callegher (“As quatro estações”), Maria Teresa Rigoli Rossi
(“Barretos 2017”) e Sérgio Floriano (“Inventário”). Eu li um poema escrito há
poucos dias e provisoriamente chamado “Cordilheira”.
O apressado trânsito que se entrevia na Av. 7 de Setembro,
com suas buzinas, ronco de motocicletas, badalar de sinos e murmurinho popular
unia-se à música que Gabriel Bueno Magni dedilhava em seu violão. Trilha sonora
de toda uma geração. A poesia nascida das ruas é emoldurada pelo clamor urbano.
O fotógrafo Eliseu Batista (Revel Filmes) atento registrava quadro a quadro a
apoteose que vivíamos (ou era eu quem imenso imaginava tudo isso). Somou
silenciosa e positivamente resguardando para a posteridade o lançamento oficial
de “Alma Brasileira”.
E no dia 27 de maio, integrando as comemorações dos 40 anos
da Etec Matão estivemos reunidos com alunos e a galera sempre animada da
Adevima (capitaneados por Dercino Bertolaia) para apresentar o novo livro.
Levamos conosco o poeta e metalúrgico Braz Ferreira, e debatemos a contribuição
das Artes junto à Educação na formação do povo brasileiro. Também fomos
brindados com a leitura de nosso poema “Velho Arvelino” por um aluno e a oferta
de belas palavras lidas em braille pela professora Maierling Vicente dos Santos
(carinhosamente chamada de Mey).
Esperamos ter contribuído com nossa cidade ao dedicar um
livro a seus habitantes, que através de sua leitura mergulharão no âmago de um
país que ainda é desconhecido e desrespeitado pelos seus filhos. Uma nação
soberana que necessita afirmar-se, abrir os olhos e o coração às aspirações
nascidas na soturna Pátria vilipendiada. Um Brasil profundo e esquecido, que
aos poucos perde-se soterrado pelo falso canto da sereia estelionatária
consumista, alheia ao povo, vendedora de ilusões e promessas de frágil cintilar.
Aos brasileiros devemos ofertar e possibilitar aquilo que há de melhor, mais
sublime e libertário!
Em tempo! O projeto “Alma Brasileira” foi realizado com
suporte do Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), Lei Rouanet.
Ministério da Cultura / Governo do Brasil — do lado do povo brasileiro.