Por Clarisse Cristal (Balneário Camboriú, SC)
O equilíbrio
entre o masculino
E o feminino...
Passou
longe da minha pessoa inconstante.
***
Eu que desejo
provar do amar livremente.
Um desejar amar
perdidamente,
Sem contenções,
sem medos.
Um desejar que o
sexo oposto me veja
Apenas um porto
seguro.
***
Acordei diáfana
hoje.
Algo que
costumava acontecer
Somente em dias
exatos de cada mês.
***
Bem que gostaria
de ser
Uma artista
burlesca desejosa.
Ser eu uma
poetisa burlesca...
Eu, que notei que
a arte burlesca
Não é mais que
dançar sexy,
Com trajes
sumários,
No alto de um
palco de clube noturno.
Ali! Na Marginal
Leste.
***
Notei que a arte
burlesca é postura de palco.
Ouvir risos
libertinos,
Sedentos olhares
nada inocentes
Em respostas às
provocações indevidas.
Eu digo:
— Sei que queres
me tocar, amor...
Desculpe-me,
querido! Mas tu não podes.
***
De volta a hirta
realidade.
Pergunto para um
desconhecido
Que cruzou comigo
no ciber-espaço:
— Com quem andas
sonhando, meu bem?
Porque sei que
não é comigo, meu anjo.
Pois ando muito
ocupada...
Frequentando os
sonhos alheios.
***
Então o ser que
não conhece me responde:
— Certifique se
na tua agenda analógica
Se estas
disponível
Ao cair desta
noite outonal.
***
E respondo
animadamente,
Para o ser que
nunca verei na vida:
— Levante-me o
mais alto
Que os teus
braços cansados possam suportar.
Pois quero
alcançar os astros-mortos
Bem antes que amanheça
o dia.
Fragmento do livro, Sustentada no ar
por negras asas fracas, texto de Clarisse Cristal, poetisa, cronista, contista,
novelista e bibliotecária de Balneário Camboriú, Santa Catarina.