sábado, 2 de novembro de 2019

DIVERSIDADE


Por Amanda Machado Mugica (Bagé, RS)


Enfim, o que é ser diverso?
É ser diferente?
Que mundo é esse ao qual sou pertencente?
Meus anseios e desejos, quero-os respeitados!
Somos seres humanos de fato
e, em nossa completude,
mostramos as minúcias.
A cada detalhe expressado,
evidenciamos do que somos capazes...
É a diversidade expressa em cada detalhe!
Os cinco sentidos ganham
uma espécie de “olho mágico” do conhecimento.
Enfim, também, idealizo meu pensamento
e o que mais transborda  em mim,
é a diversidade do meu ser,
que verte a incompletude buscada
em dias de infinito superar-se.
Nesta diversidade, é que está
o completar-se do SER  que, com sensatez, é HUMANO!

( A autora é membro do Movimento dos Escritores Bageenses –MEB )

DESTINOS


 Por Magda Cristina Silveira Gehres (Bagé, RS)

Quatro mulheres,
quatro destinos
ligadas  por laços divinos...
Pilastras de vidas
intensas  e interrompidas.
Quatro mulheres, decisões tomadas,
mudaram  rumos,
transformaram  jornadas.
Na infância, foram  constância...
Na adolescência, mostraram prudência.
Na maturidade, passaram paciência.
Na velhice, nada mais que sapiência...
Quatro mulheres que andaram juntas
e, às vezes, por caminhos diferentes,
mas jamais estanques.
Quatro mulheres
que venceram obstáculos,
quebrando  barreiras,
enfrentando  a morte – terrível companheira.
Quatro mulheres de imensurável valor
provaram que o amor
prevalece à dor.
Quatro mulheres de vivência sofrida,
inseparáveis até na partida.
Mãos entrelaçadas, unidas
sinalizando a todos
que a morte é breve despedida.

(A autora é membro do Movimento dos Escritores Bageenses – MEB. Segundo ela, o poema produzido para homenagear as mulheres de sua família, por ocasião da morte da matriarca, sua avó Dinorá Charão; as netas, Simone Rossi, Magda Gehres e a bisneta Amanda Gehres )


DIFERENÇAS


Por Marilene Figueiredo Nunes (Bagé, RS)


Diferenças há em todos os lugares!
A vida e o mundo não são feitos em única forma.
As flores, as cores, os animais, os lugares
são diferentes em sua dimensão.
Nas pessoas?  São enormes e indiscutíveis!
Gestos, olhares, comportamentos e pensamentos...
Cada um é absoluto!
Cada um na individual célula familiar...
Atitudes, hábitos, costumes, pensamentos e sentimentos são diferentes!
No casulo da família, são definidas a essência e a índole.
Quando saem, lançam seus vôos bem ou mal formados...
A sorte é lançada para o convívio social !
Então, percebemos a capacidade, talentos e dons,
através das atitudes.
Percebemos emoção e razão;
sinceridade e falsidade;
verdade e mentira;
confiança e temor;
amor, amizade e bem querer;
amargura e crueldade;
inveja e ciúmes
e o afeto que faz a diferença nos desafetos.
O céu e a terra demarcam as diferenças em seus espaços:
os astros, no firmamento;
a água nos mares, nos rios, córregos e lagos.
A vida tem seus inícios e fins.
E o maior desafio humano é confrontar seu semelhante.
Viva as diferenças?
Cuidado com as diferenças!
Cautela!  Conviver com elas, é a maior prova de resistência.
Fácil? Nem um pouco!
Impossível?  Possível !  Se houver cautela e bom senso...
Diferenças sim!
Igualdades nem sempre!
Nas diferenças, aprendemos.
Na igualdade, estacionamos!
Vida é igualdade versus diferença!

( A autora é membro do Movimento dos Escritores Bageenses - MEB)

LAMENTOS


Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

Reclamamos estarmos juntos
ao renovarmos os gritos
e assinalarmos o silêncio
no sorriso das crianças 
que nos estendem o futuro: não
                        nos espelhamos
         e opacos recrudescemos 
no alvorecer: o tardio nos alcança
ao fecharmos a porta: no vento
         o calor aumenta a espera
em que esperta força avassala
povos entregues ao que está escrito 
     ndas ideias abandonadas na fuga.
  
Sabemos do retorno
e nos escondemos nas pedras
que a areia leva o recado do asseio
recusado à serpente que rasteja no solo
em que se reconhece espécie.

A carne - a carne se oferece - fecha
o momento em que a fuga se repete
no outro lado da nova imagem. 

Gritos em que o eco reclama
a passagem por sabermos imagéticas
as letras impróprias ao consumo.

AMORES


Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)


Desconheço no gesto
o hábito reproduzido na redação
do espaço: branco sentido
                               senso
                               sonso
rosto compadecido. Sem o sinal impedido
do início em nada à frente: sonhos
recomeçados de onde houve a interrupção.
O ontem das validades comprometidas
no cheiro da fêmea em sua chegada
transgressora de leis inócuas
em perdido contato: sentinelas adormecidas
e fadas madrinhas: no ódio inclemente
estaríamos de acordo com a sentença?

Senhores permanentes abaixam os olhos.
Na confirmação basta o silêncio: a condenação
exige o confronto e o assíduo convívio
entre as partes ao desconhecer no vício o cansaço
e dele servir-se com poucas inverdades.

Suas desculpas
nossas desculpas e o desconhecimento
ignoram as razões de ficarmos inertes
na intempérie e aceitarmos nos amores
a frivolidade do gesto desconhecido.


VIVO CONDENADO


Por Vivaldo Terres (|Itajaí, SC)

Ah! Que este amor!
Desencanta-me...
E me tira a alegria de viver.
É toda a causa do meu padecer!
*
Pois vivo a sofrer...
Desesperado!
Sem um alento, vivo condenado.
A amar!
Quem não nunca me quis...
Deixando-me toda vida infeliz.
*
Mas coração, por favor...
Pensa em mim!
Esquece ela,
Até porque fazes parte.
Do meu ser e não do dela!
*
Tenha pena de mim!
Por piedade.
Manda para bem longe,
Esta saudade...
Que em meu peito...
Se instalou!
Retira do meu coração este amor.


VENTO ORGULHOSO


Por Vivaldo Terres (Itajaí, SC)

Quando ela passou,
Fiquei deslumbrado.
Tal a beleza e tal encantamento,
O vento passou...
Cruel e ciumento.
Acariciou feliz e foi embora,
E ela acariciada,
Continuou andando,
Pela estrada afora.
*
E eu presenciando essa cena,
O vento orgulhoso.
Eu o vi passar,
Juro que o invejei.
Pois nela nunca,
Poderei tocar.
*
E ele sempre garboso,
E poderoso.
Por esta facilidade que possui...
 De quando quiser fazer mais.
E eu pobre mendigando,
O amor dela.
Nunca poderei fazer com ela,
O que ele faz.