Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)
Para a poetisa Clarisse da Costa
Criei coragem e revi
Os antigos e infantos estribilhos meus
Que publiquei recentemente
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Deparei-me com secos arbustos
E verdes galhos de árvores
No meio de uma estrada deserta
Então precisei ter cuidados
Com o que veria por aí
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E o mundo está mais escuro
Sem o brilho da lua cheia
Sem os raios do astro rei
Digo que é apenas a escuridão
De um céu sem estrelas
Os ventos solares que não sopram
As ondas não quebram
Na orla oceânica
E a poetisa ebúrnea me abandonou
Para nunca mais voltar
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Olho para trás e vejo
Que o tempo não é mais nada
Do que uma mera ilusão
E os meus sonhos
Não correspondem
Ao momento presente
E eventualmente os meus pés descalços
Tocaram no chão hirto e frio
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Eu o negro e periférico
O cidadão do novo mundo
Gostaria de citar elementos
Da cultura africana nos meus textos
Seriam mulheres de ébano
Da aldeia Nyiominka Serer
Lindas a praticar uma dança tradicional
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Na minha obsolescência programada
Disse o meu programador acidental
Como é lindo o vosso trabalho
Adoro o teu conteúdo artístico
Flácido e lento
E há muito ultrapassado
Adoraria poder colaborar
Com o teu deslumbrante fim
Sussurrou ele ao meu ouvido
Em uma perdida hora vazia abstrata
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Eu queria conhece a Nigéria
Ver as mulheres da nobreza Peule
Ornadas com os seus maviosos
Brincos de ouro
E carnudos lábios tatuados
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Como é deveras sedutor
Imaginar a criatividade serena
Em ação a consagrar a imaginação
A produzir ideias originais
E criar algo realmente inventivamente novo
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Surreal
Contaram-me que os meus designers internos
Trabalham sem parar
Com uma perspectiva hipersurreal
Pois querem conquistar o inóspito ciberespaço
O universo afro-futurista das belas-letras
E das belas-artes plásticas
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Tolas criaturas fugasses
Vou chamar um carro de aplicativo
Adentra-lo corajosamente
Ver-me dobra a esquina
E desaparecer por completo
Fragmento
do livro: Astro-domo, texto de Samuel da Costa, contista, poeta e novelista em
Itajaí, Santa Catarina.