Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)
No inverno da
minha vida
És tu que
eu procuro e peço
Apetece o meu
corpo frio e m’aquece
Desnuda-me no teu
íntimo
E sem pressa
alguma
Leva-me no teu
olhar, não esmoreço...
***
Adentramos nos
dois cândidos nubentes
Na câmara
ardente
Celebramos o
hialino amor celestial
Com todas as
divinais bênçãos
De todos os
deuses e deusas
***
Mas não posso
mais viver aqui te esperando
Tenho receio de
oscilar
E sempre ficar
sozinha
Nosso amor é a
esperança,
Um brilho brando
Finda toda a
espera, sem o amor cessar.
***
Não te faço
esperar mais
Sacrossanta prima
donna minha
Dá-me a tua
abstrata mão
E trespassamos
juntos
O álgido e
límpido rio claro
De águas
tranquilas
***
Continuará
m’envolvendo
Sem abismos
Hei d’olhar nos
teus olhos,
Sem fanatismos
Renascerá o mais
puro
E verdadeiro amor
***
Contíguo a ti
Sagro o mais puro
e sacrossanto amor
Em total
desalinho
Com o tempo
presente
Contíguo a ti
Eu ouso ser eu
mesmo
E mais ninguém
***
Entenda-me não te
quero
Enclausurado num
calabouço
Quero-te liberto
Quero-te livre
A
desfrutarmos no alvor
No nosso belo
crepúsculo
Vamos viver,
luzindo, exorcizando os medos...!
Fragmento
do livro: Duetos poéticos Sul-Sudeste. Texto
e argumento de Fabiane Braga Lima, novelista, poetisa e contista em Rio Claro,
São Paulo.
Texto
e revisão de Samuel da Costa, novelista, poeta e contista em Itajaí, Santa
Catarina.