Por Clarisse Cristal (Balneário Camboriú, SC)
De mãos dadas com
o desconhecido,
Os meus ávidos
olhos focados
No destino à frente,
Enquanto os
nossos corações
Batem forte
Como se fossem um
só.
E nesta hora
derradeira,
Eu esqueço que existo.
***
Como o vento muda
de direção
E as estações vão
e vêm,
Estou prestes a
deixar-te.
Para sempre.
Não quero mais te ver.
***
Quando eu sou
beijada
Pelo outonal sol
ameno,
Posso ver que há muito mais coisas
Do que os olhares
cotidianos
Conseguem
perceber.
***
E eu, que não
pensava estar animada,
Divago nos estros
meus,
Nos meus irreais
estribilhos
Sobre o amor negro.
São dois corpos
negros
À beira do oceano
Atlântico.
Na intimidade negra
E afro-erotismo
Em uma perspectiva feminina
Que é só minha.
***
E não se
preocupe, amor meu
Avisar-te-ei quando o meu livro
De versos e
prosas
Ser finalmente
for lançado.
Enviar-te-ei um
exemplar
Não autografado,
Para que tu possas abandoná-lo intacto,
Esquecido na tua
mesa de centro.
Como um objeto
decorativo de segunda classe,
Sem lê-lo ou
mesmo compreendê-lo.
***
E não importa o
quão criativa
Eu possa ser,
Pois aos teus
olhos cegos
Eu vendo um
produto sem valor
No camelódromo da
Avenida Brasil.
***
Eu, que pensava
que não me afloraria
A minha
afro-sensualidade,
Agora sou a Afra-rainha soberana.
Exilada na
Hiperbórea tropical,
Que dedicou o seu
tempo atemporal
A erguer
nevoentos muros
E muralhas
etéreas,
Para se
auto-proteger de si mesma.
Agora declamo que
serei eternamente grata
Por ter conhecido
Esta mulher
dentro de mim.
Fragmento do livro,
Sustentada no ar por negras asas fracas, texto de Clarisse Cristal, poetisa,
cronista, contista, novelista e bibliotecária de Balneário Camboriú, Santa
Catarina.