O QUE VÊ ATRAVÉS DOS ÓCULOS DE REALIDADE VIRTUAL

Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 8 (Agosto / 2026)



Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

 

Um conceito pós-moderno fluido apenas

Nas muitas belezas das diversidades

São como se fossem irmãos gêmeos siameses

Que se entrelaçam

Assim se explicam as nossas muitas

Complexidades contemporâneas

***

Quando se dá um afetuoso abraço caloroso

Damos boas-vindas

A certas coisas improváveis

E impossíveis

Que a vida adulta impõe

Das quais dificilmente

Poderemos nos livrar de imediato

***

Das múltiplas identidades irmanadas

Demonstrando-nos que nas nossas individualidades

 Podemos nos diferenciar

E nos destacar

Mesmo vivendo em uma sociedade hiper-conectada

De produção em larga escala

E de consumo massificado

E instantâneo e descartável

No entre-séculos

***

Compartilhamos origens genéticas comuns

E forjamos caminhares distintos

Moldados em experiências unas

E nos distanciamos em aspirações interpessoais

***

Um conceito vulgar apenas

Quando a vida adulta inevitavelmente nos chega

Fica muito difícil de ser vivida

E vivenciada

O peso dos novos ares se aproxima

Aí! Respira-se fundamente

Então! Evocamos a criança adormecida

Que ainda existe dentro de gente

 Então! Trazemos esta criança distante para fora

Para nos apoiar nela

E ela flana para bem longe

Das nossas hirtas realidades fugazes

***

Um conceito incrivelmente verdadeiro

E inevitavelmente novo

E incrivelmente envelhecido

Em uma afirmação hiper-verdadeira

As pessoas comuns

Começam a desistir de si mesmas

Quando sentem a perspectiva

De uma vitória iminente

***

Um novíssimo conceito cibernético

À luz dos novos tempos digitais

Finalmente encontrei um lampejo de luz

E estou mais que pronto

Para passar por todas

As provações da vida pós-contemporânea,

Para que eu possa sentir a luz completamente

 

Fragmento do livro: Astro-domo! Texto de: Samuel da Costa, contista, poeta e novelista em Itajaí, Santa Catarina.