quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

CORINTO, MEU DOCE SERTÃO MINEIRO

Por Consuelo Pagani Vieira Machado (Corinto, MG)

 

Corinto, meu doce sertão mineiro

Cidade de céu estrelado

Árvores retorcidas, ar adocicado

Terra vermelha, cor de tijolo

Pessoas em festa, sorriso a espalhar

 

Amigões eternos, abraço sincero

Um cheiro orvalhado

Perfume no ar

 

E no chão molhado

Após chuva sertaneja

Pequi no mato, íamos buscar

Depois comer com arroz

Aquele fruto do cerrado

E com bons amigos,

Rir e degustar

 

Alma lavada, chuva benfazeja

Corações ao vento, livres a sonhar

Peito bem aberto, sorriso iluminado

Com as bicicletas, mundo a desbravar

 

Íamos descobrindo nosso árido cerrado...

Porém, rico e doce, frutas a fartar

Pequi, goiaba, pinha, jatobá

Cagaita, murici, carambola e panã

Sertão perfumado, florido, exuberante

Bem ornamentado com ricos flamboyants

 

Lindas cachoeiras, e nós fazendo a festa

De trem ou bicicleta, aproveitando à beça

Contria, Buenópolis, Três Marias, Beltrão,

Pirapora, Diamantina, Salobo, Manoelzão

 

Sim, aquele personagem

Do famoso livro, o“Grande Sertão”!

É lá das nossas bandas

De Corinto, “cê” sabia não?

 

Um cheiro adocicado,

De lenha no fogão

Mandioca com melado

E nós com o pé no chão

 

Minha pequena e frágil

Corinto do coração!

Terra adorada onde nasci

Tanta aventura ali eu vivi

Cachoeira dos Porcos, Joaquim Felício

Augusto de Lima, Curumataí

 

E o sol forte e bem dourado

Queimando os corpos suados...

Sorriso maroto bem lindo

Tímido, me olhando de lado

 

E até o beijo não dado

Na chuva após futebol

Tinha gosto de delícia

Gosto de céu e de sol

 

Do primeiro amor que a gente

Não se esquece, e de repente

Passa a sonhar, em arrebol

 

Corinto das noites de lua

Claras, alvas, com poesia

No Salobo, na Folia

De Reis, em 6 de Janeiro

Na fazenda da Bebel

 

Goiabada, queijo fresco

Garapa e rapadura

Lá na roça do “Seu” Zé

E o lindo doce de “estrelas”

De carambolas colhidas

Fresquinhas, direto do pé

 

Ouço os sons dos passarinhos

Do meu cerrado querido

Que em revoada, do ninho

Alegram meu coração

 

E o som das cachoeiras

Nos chamando, altaneiras

Para o banho, refrescar

E nossos corpos, felizes,

Nos poços, a mergulhar

 

Ou então, em águas tranquilas

De rios da cor de âmbar

Eu e irmão Paulo, juntinhos,

De mãos dadas, a boiar

E com toda a calma do mundo,

Pelo rio, a deslizar...

 

Bucólica Morro da Garça

Rio das Velhas, Contria

E a nossa Tomaz Gonzaga

Cheia de graça e poesia

Com seus casarões antigos

Do tempo da Sesmaria

 

 

 

 

É lá que a amizade brinda,

Se renova e se refaz

Em encontros bem felizes

Com os amigos, anuais

 

Porto da Manga, me lembro

Na Fazenda do tio Olinto

A turma toda festeira

Tomando banho no rio

 

O Pardo e o Rio das Velhas

Se encontram, em união...

E a areia alva e macia

Formam praia rente ao chão

 

A Caraíba querida

De amidos do coração

Rico encontro, grande festa

Praia, riso e o violão

 

Tesouro que guardo no peito

São as Gatinhas Amigas

E as risadas mais gostosas

Até dar dor de barriga

 

São momentos valiosos

Que nunca serão esquecidos

 

Passear na Rua do “Fúti”

Sapo seco e carnaval

Catar pau doce no pé

Comer fruta no quintal

 

Oh Corinto, nossa vida

Passa, volta e modifica...

O Primeiro Amor retorna

No peito, encontra guarida!

 

És passado, és presente

Oh Corinto, eternamente

Profunda e, ternamente,

Em minh’alma, és acolhida!

 

                                                                       Autora: Consuelo Pagani – 05/02/2021

Nenhum comentário:

Postar um comentário