Por Consuelo Pagani Vieira Machado (Corinto, MG)
Corinto, meu doce
sertão mineiro
Cidade de céu
estrelado
Árvores
retorcidas, ar adocicado
Terra vermelha,
cor de tijolo
Pessoas em festa,
sorriso a espalhar
Amigões eternos,
abraço sincero
Um cheiro
orvalhado
Perfume no ar
E no chão molhado
Após chuva
sertaneja
Pequi no mato,
íamos buscar
Depois comer com
arroz
Aquele fruto do
cerrado
E com bons amigos,
Rir e degustar
Alma lavada, chuva
benfazeja
Corações ao vento,
livres a sonhar
Peito bem aberto,
sorriso iluminado
Com as bicicletas,
mundo a desbravar
Íamos descobrindo
nosso árido cerrado...
Porém, rico e doce,
frutas a fartar
Pequi, goiaba, pinha,
jatobá
Cagaita, murici,
carambola e panã
Sertão perfumado, florido,
exuberante
Bem ornamentado
com ricos flamboyants
Lindas cachoeiras,
e nós fazendo a festa
De trem ou bicicleta,
aproveitando à beça
Contria, Buenópolis,
Três Marias, Beltrão,
Pirapora,
Diamantina, Salobo, Manoelzão
Sim, aquele
personagem
Do famoso livro, o“Grande
Sertão”!
É lá das nossas bandas
De Corinto, “cê”
sabia não?
Um cheiro adocicado,
De lenha no fogão
Mandioca com
melado
E nós com o pé no
chão
Minha pequena e
frágil
Corinto do coração!
Terra adorada onde
nasci
Tanta aventura ali
eu vivi
Cachoeira dos
Porcos, Joaquim Felício
Augusto de Lima,
Curumataí
E o sol forte e
bem dourado
Queimando os
corpos suados...
Sorriso maroto bem
lindo
Tímido, me olhando
de lado
E até o beijo não
dado
Na chuva após
futebol
Tinha gosto de
delícia
Gosto de céu e de
sol
Do primeiro amor
que a gente
Não se esquece, e
de repente
Passa a sonhar, em
arrebol
Corinto das noites
de lua
Claras, alvas, com
poesia
No Salobo, na
Folia
De Reis, em 6 de
Janeiro
Na fazenda da
Bebel
Goiabada, queijo
fresco
Garapa e rapadura
Lá na roça do
“Seu” Zé
E o lindo doce de
“estrelas”
De carambolas
colhidas
Fresquinhas,
direto do pé
Ouço os sons dos
passarinhos
Do meu cerrado
querido
Que em revoada, do
ninho
Alegram meu coração
E o som das
cachoeiras
Nos chamando,
altaneiras
Para o banho,
refrescar
E nossos corpos,
felizes,
Nos poços, a
mergulhar
Ou então, em águas
tranquilas
De rios da cor de
âmbar
Eu e irmão Paulo, juntinhos,
De mãos dadas, a
boiar
E com toda a calma
do mundo,
Pelo rio, a
deslizar...
Bucólica Morro da
Garça
Rio das Velhas,
Contria
E a nossa Tomaz
Gonzaga
Cheia de graça e
poesia
Com seus casarões
antigos
Do tempo da Sesmaria
É lá que a amizade
brinda,
Se renova e se
refaz
Em encontros bem
felizes
Com os amigos,
anuais
Porto da Manga, me
lembro
Na Fazenda do tio
Olinto
A turma toda
festeira
Tomando banho no
rio
O Pardo e o Rio das
Velhas
Se encontram, em
união...
E a areia alva e
macia
Formam praia rente
ao chão
A Caraíba querida
De amidos do
coração
Rico encontro,
grande festa
Praia, riso e o
violão
Tesouro que guardo
no peito
São as Gatinhas
Amigas
E as risadas mais
gostosas
Até dar dor de
barriga
São momentos
valiosos
Que nunca serão
esquecidos
Passear na Rua do
“Fúti”
Sapo seco e
carnaval
Catar pau doce no
pé
Comer fruta no
quintal
Oh Corinto, nossa
vida
Passa, volta e
modifica...
O Primeiro Amor retorna
No peito, encontra
guarida!
És passado, és
presente
Oh Corinto,
eternamente
Profunda e,
ternamente,
Em minh’alma, és acolhida!
Autora:
Consuelo Pagani – 05/02/2021
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