Por Catarina Denise Rabello Osoegawa (São Paulo, SP)
O Desafio da Escolha: Entre o Presente e o Passado
Diante da dúvida sobre qual caminho seguir, Jano se depara
com o desafio de decidir entre o presente e o passado. Surge, então, o
questionamento sobre a eficácia de possuir múltiplas perspectivas: será que
duas cabeças pensam melhor do que uma, ou a divisão interna apenas intensifica
as incertezas? Jano reflete profundamente e volta-se ao passado em busca de
respostas.
O Diálogo com o Passado
No simbolismo do diálogo, Jano pergunta ao passado: "O
que você tem para me contar?" O passado, porém, não oferece uma resposta
clara. Em vez disso, responde: "Eu e você somos como irmãos gêmeos,
nascidos das mesmas raízes, mas trilhando caminhos opostos. Você representa o
que está por vir; eu sou o espelho do que já foi." Essa resposta revela a
ligação indissolúvel entre passado e futuro, ressaltando que, mesmo diante da
tentativa de rejeição ou afastamento, o passado permanece determinante nas
escolhas presentes, ainda que a consciência tente negar sua influência.
O Futuro e a Ilusão do Livre-Arbítrio
Incomodado com essa perspectiva, o futuro, revoltado,
questiona: "E o meu livre-arbítrio, para que serve então?" O passado
sugere que o livre-arbítrio pode ser uma doce ilusão, insinuando que as
decisões estão mais condicionadas pelas experiências vividas do que se imagina.
Sócrates e a Busca do Autoconhecimento
Nesse momento, Sócrates intervém de maneira serena,
ensinando que a dúvida serve de anteparo e que o autoconhecimento é
fundamental: "Conhece-te a ti mesmo." O segredo, segundo o oráculo de
Delfos, revela-se quando olhamos para trás. A verdadeira função do tempo se
manifesta quando a escolha, desenhada nas linhas da própria história, surge
repentinamente como um presente. Assim, o vento do tempo sopra, a vida se
encontra no agora e a dúvida se dissipa no amanhecer, revelando unicidade e
profundo conhecimento.
Conclusão: A Sabedoria do Tempo
A afirmação final de Sócrates — "Só sei que nada
sei" — ecoa como testemunho vivo de sabedoria, indicando que o verdadeiro
conhecimento reside na humildade diante das incertezas e na compreensão de que
passado, presente e futuro estão eternamente entrelaçados, moldando as escolhas
e o percurso de cada um.
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