quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

SÓCRATES E JANO: REFLEXÕES SOBRE O TEMPO, A ESCOLHA E O CONHECIMENTO

Por Catarina Denise Rabello Osoegawa (São Paulo, SP)

O Desafio da Escolha: Entre o Presente e o Passado

Diante da dúvida sobre qual caminho seguir, Jano se depara com o desafio de decidir entre o presente e o passado. Surge, então, o questionamento sobre a eficácia de possuir múltiplas perspectivas: será que duas cabeças pensam melhor do que uma, ou a divisão interna apenas intensifica as incertezas? Jano reflete profundamente e volta-se ao passado em busca de respostas.

O Diálogo com o Passado

No simbolismo do diálogo, Jano pergunta ao passado: "O que você tem para me contar?" O passado, porém, não oferece uma resposta clara. Em vez disso, responde: "Eu e você somos como irmãos gêmeos, nascidos das mesmas raízes, mas trilhando caminhos opostos. Você representa o que está por vir; eu sou o espelho do que já foi." Essa resposta revela a ligação indissolúvel entre passado e futuro, ressaltando que, mesmo diante da tentativa de rejeição ou afastamento, o passado permanece determinante nas escolhas presentes, ainda que a consciência tente negar sua influência.

O Futuro e a Ilusão do Livre-Arbítrio

Incomodado com essa perspectiva, o futuro, revoltado, questiona: "E o meu livre-arbítrio, para que serve então?" O passado sugere que o livre-arbítrio pode ser uma doce ilusão, insinuando que as decisões estão mais condicionadas pelas experiências vividas do que se imagina.

Sócrates e a Busca do Autoconhecimento

Nesse momento, Sócrates intervém de maneira serena, ensinando que a dúvida serve de anteparo e que o autoconhecimento é fundamental: "Conhece-te a ti mesmo." O segredo, segundo o oráculo de Delfos, revela-se quando olhamos para trás. A verdadeira função do tempo se manifesta quando a escolha, desenhada nas linhas da própria história, surge repentinamente como um presente. Assim, o vento do tempo sopra, a vida se encontra no agora e a dúvida se dissipa no amanhecer, revelando unicidade e profundo conhecimento.

Conclusão: A Sabedoria do Tempo

A afirmação final de Sócrates — "Só sei que nada sei" — ecoa como testemunho vivo de sabedoria, indicando que o verdadeiro conhecimento reside na humildade diante das incertezas e na compreensão de que passado, presente e futuro estão eternamente entrelaçados, moldando as escolhas e o percurso de cada um.

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