Por Catarina Denise Rabello Osoegawa (São Paulo, SP)
Diante da
dúvida sobre a melhor escolha, Jano decide enfrentar o desafio
Coloca-se em
questão futuro, presente e passado
Se uma
cabeça dividida sofre pressão de ambos os lados
Se a divisão
interna se multiplica
E a
incerteza se intensifica
Duas cabeças
pensam melhor do que uma?
Jano analisa
o enigma colocado
E pergunta
para o passado
O que você
tem para me contar?
O passado evita
a resposta clara
E simplesmente
olha para o futuro:
Eu e você mais
do que irmãos gêmeos
Das mesmas
raízes nós nascemos
Nos opostos,
os caminhos que trilhamos
Eu um
espelho de incontáveis matizes
Você um vir
a ser de surpresas indizíveis
Um ao outro unidos
em amálgama perene
Mesmo que
você me rejeite
Mesmo que
você me afaste
Mesmo que a
consciência diga não
Nas suas mínimas
escolhas
Eu quem
determino a decisão
Revoltado o
futuro indaga
E o meu
livre arbítrio, para que serve então?
Serenamente
Sócrates intercede
A doce
ilusão que te alimenta
Faz da
dúvida um anteparo
Conhece-te a
ti mesmo
No oráculo
de Delfos
o segredo se
revela
Olhes um
pouco para trás e para dentro
E a resposta
chegará sorrateiramente
Tracejas nas
linhas das escrituras
A verdadeira
direção do tempo
Sintas no
vento o que te sussurra
A vida oferta
em cestos de presente
A dúvida se reveste
em música e serpente
Leve e profunda
tragicidade
Afirmação tênue
e segura
Preceito
prático de uma teoria
Só sei que
nada sei
Testemunho
vivo da sabedoria
Do sábio
adolescer à livre nostalgia.
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