quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

SÓCRATES E JANO

Por Catarina Denise Rabello Osoegawa (São Paulo, SP)

 

Diante da dúvida sobre a melhor escolha, Jano decide enfrentar o desafio

Coloca-se em questão futuro, presente e passado

Se uma cabeça dividida sofre pressão de ambos os lados

Se a divisão interna se multiplica

E a incerteza se intensifica

Duas cabeças pensam melhor do que uma?

Jano analisa o enigma colocado

E pergunta para o passado

O que você tem para me contar?

O passado evita a resposta clara

E simplesmente olha para o futuro:

Eu e você mais do que irmãos gêmeos

Das mesmas raízes nós nascemos

Nos opostos, os caminhos que trilhamos

Eu um espelho de incontáveis matizes

Você um vir a ser de surpresas indizíveis

Um ao outro unidos em amálgama perene

Mesmo que você me rejeite

Mesmo que você me afaste

Mesmo que a consciência diga não

Nas suas mínimas escolhas

Eu quem determino a decisão

Revoltado o futuro indaga

E o meu livre arbítrio, para que serve então?

Serenamente Sócrates intercede

A doce ilusão que te alimenta

Faz da dúvida um anteparo

Conhece-te a ti mesmo

No oráculo de Delfos

o segredo se revela

Olhes um pouco para trás e para dentro

E a resposta chegará sorrateiramente

Tracejas nas linhas das escrituras

A verdadeira direção do tempo

Sintas no vento o que te sussurra

A vida oferta em cestos de presente

A dúvida se reveste em música e serpente

Leve e profunda tragicidade

Afirmação tênue e segura

Preceito prático de uma teoria  

Só sei que nada sei

Testemunho vivo da sabedoria

Do sábio adolescer à livre nostalgia.

 

 

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