Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 9 (Setembro / 2026)
Por Clarisse Cristal (Balneário Camboriú, SC)
‘’’Lyoto
encerrou a carreira do Vitor e intimou Bisping,
Não
se aposente antes de me enfrentar. ’’
Cássio
Ubirajara Pereira
Éramos deuses: lágrimas de ébano
Para
a poetisa Clarisse da Costa
A afra-rainha Sibelly refez a mesma
pergunta que fizera para si muitas e repetidas vezes, ao longo de tempos
imemoriais: — Por que tenho que esperar tanto? Por que esta provação sem fim
tem que continuar? — A semideusa estava mesmo muito cansada pela longa e
interminável espera; era muito tempo que o aguardava. A negra e fria noite
eviterna se abatera sobre ela e não dava sinais de querer ir embora tão cedo.
Não que a negra rainha Sibelly se importasse com a equidistância entre eles,
pois amava-o tanto e sabia que aquela longa espera iria acabar um dia.
A dor pungente tinha que acabar; aquela
dor lancinante tinha que ter um fim. Mas a negra dor da solidão absoluta era
muito grande. A semideusa deteve um prolongado e perdido olhar em direção ao
seu amado, o místico bardo Adérito Muteia. Era como se fosse a primeira vez que
repousava os olhos nele, um olhar que trespassou distâncias astrais
inimagináveis. O consorte da negra rainha estava exilado no mundo em vigília.
E naquela hora derradeira, depois de
tanto tempo, a imortal afra-rainha rogou aos seus antiquíssimos ancestrais, que
reinavam absolutos nas moradas dos astrais deuses imortais das álgidas
infinitudes cósmicas. Pois, pela primeira vez, a afra-rainha vislumbrou uma
fresta de possibilidade de poder dividir algo real com ele. Foi quando uma
lágrima brotou na negra face do mítico vate Adérito Muteia, e outra, na bela
face de ébano da negra rainha Sibelly Lopez.
Fragmento do livro: Em dias de sol e calor, em noites de tempestades e frio. Texto de: Clarisse Cristal — poetisa,
contista, novelista e bibliotecária em Balneário Camboriú, Santa Catarina.