Por Luiz Otávio Oliani
A Lêdo Ivo
enterra palavras
em alto-mar
como tesouro
às escondidas
qual pirata
faze das águas
a cidade de teus versos
Revista literária online com periodicidade mensal, uma viagem cultural pela literatura, poesia, cinema e artes. Editada, desde 2011, em Brasília, DF, pelo jornalista e escritor Paccelli José Maracci Zahler (ISNI 0000 0005 3053 7228, RP/MTE nº 14402/DF; FENAJ; FIJ nº BR20943). Poemas, crônicas, contos, ensaios, e o melhor da cultura nacional e internacional. Todas as opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores. Aceitam-se colaborações. Contato: cerrado.cultural@gmail.com
TRANSFORMAÇÃO
Por Luiz Otávio Oliani
A Antonio Carlos Secchin
toda linguagem
é selva
a ser devastada
toda linguagem
é terra
a ser adubada
toda linguagem
é pedra
a ser limada
A Antonio Carlos Secchin
toda linguagem
é selva
a ser devastada
toda linguagem
é terra
a ser adubada
toda linguagem
é pedra
a ser limada
NÁUTICA
Por Luiz Otávio Oliani
A Olga Savary
navego
em tua essência
mergulho nos seixos
que te habitam
mas não naufrago
o mar nos pertence
A Olga Savary
navego
em tua essência
mergulho nos seixos
que te habitam
mas não naufrago
o mar nos pertence
RABO-DE-ARRAIA
Por Luiz Otávio Oliani
A Igor Fagundes
ao som do berimbau
batuque ginga cadência
o poeta luta
capoeira
com a palavra
A Igor Fagundes
ao som do berimbau
batuque ginga cadência
o poeta luta
capoeira
com a palavra
FOME
Por Luiz Otávio Oliani
ao roçar a boca da solidão
entre auroras e estrelas
mastigo minha dor
em que língua nos falamos?
ao roçar a boca da solidão
entre auroras e estrelas
mastigo minha dor
em que língua nos falamos?
CASA
Por Luiz Otávio Oliani
faço do silêncio
a morada do ser
não lhe digo
palavras duras
nem amorteço quedas
apenas guardo
a concha
em que abrigo
a solidão dos homens
faço do silêncio
a morada do ser
não lhe digo
palavras duras
nem amorteço quedas
apenas guardo
a concha
em que abrigo
a solidão dos homens
MÃOS DESUNIDAS
Por Luiz Otávio Oliani
não serei o poeta do passado
embora dele me alimente
canto o presente
que Drummond não vê
nada de serafins
cartas de suicida
- os homens aterraram
a palavra amor
num canteiro de obras
as mãos desunidas
traduzem: os espinhos
inda sufocam as flores
não serei o poeta do passado
embora dele me alimente
canto o presente
que Drummond não vê
nada de serafins
cartas de suicida
- os homens aterraram
a palavra amor
num canteiro de obras
as mãos desunidas
traduzem: os espinhos
inda sufocam as flores
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