Por Pedro Du Bois (Itapema, SC)
Absurdo pensar remédios
matemáticos: alegóricos
personagens sorvidos em ânsias
engolem as palavras e as devolvem
em doenças terminais de invernos:
aceito a liça e brigo
pelo escuro. A tortura
desmerece a lâmpada.
Revista literária online com periodicidade mensal, uma viagem cultural pela literatura, poesia, cinema e artes. Editada, desde 2011, em Brasília, DF, pelo jornalista e escritor Paccelli José Maracci Zahler (ISNI 0000 0005 3053 7228, RP/MTE nº 14402/DF; FENAJ; FIJ nº BR20943). Poemas, crônicas, contos, ensaios, e o melhor da cultura nacional e internacional. Todas as opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores. Aceitam-se colaborações. Contato: cerrado.cultural@gmail.com
O BOI DO MAMULENGO (DOCUMENTÁRIO, 16 min)
O Boi do Mamulengo
Gênero: Documentário
Diretor: Jorge Rodrigues
Ano: 2005
Duração: 16 min
Cor: Colorido
Bitola: 16mm
País: Brasil
Local de Produção: DF
Numa Feira de artesanato, um fantoche de teatro mambembe conta a história do Bumba-Meu-Boi do estado do Maranhão.
Ficha Técnica
Produção: Edson Barranqueiro
Fotografia: Waldir Pina
Roteiro: Jorge Rodrigues
Som Direto: Chico Bororo, Fabio Socorro, Eliezer Mota
Direção de Arte: Ramon Abreu, Ramon Navarro
Montagem: Leandro G. Moura
Trilha Sonora: Toada do Boi de Maracanã - O Canto da Sereia
Prêmios
Melhor filme/vídeo Pelo Júri Popular no Concurso da Mostra Refestança no Guarnicê de Cine e Vídeo 2006
Festivais
Festival de Brasília 2005
Festival de Cinema Hispano-Brasileiro 2007
LUSOCOM 2006
MEU PAÍS
Por Paccelli M. Zahler - Brasília/DF
Adoro meu país
E sua gente.
Gente que trabalha,
Que sofre,
Que rala
E ainda sorri
Sonhando com melhores dias.
Gente que quer vencer
Na vida,
Nos esportes,
Até na avenida
Durante o carnaval.
Gente honesta,
Solidária, hospitaleira,
Gente que se orgulha
Da nacionalidade brasileira.
Adoro meu país
E sua gente.
Gente que trabalha,
Que sofre,
Que rala
E ainda sorri
Sonhando com melhores dias.
Gente que quer vencer
Na vida,
Nos esportes,
Até na avenida
Durante o carnaval.
Gente honesta,
Solidária, hospitaleira,
Gente que se orgulha
Da nacionalidade brasileira.
PERFIL: CLÁUDIO DE LEÃO LEMIESZEK
Por Paccelli José Maracci Zahler
Dando continuidade à coluna PERFIL, neste mês de outubro a Revista Cerrado Cultural (RCC) entrevistou o Prof. Cláudio de Leão Lemieszek, advogado, professor universitário, pesquisador, historiador, apaixonado pela História de Bagé.
Autor dos livros: Bagé , Relatos de Sua História; Bagé , Novos Relatos de Sua História; Governos e Governantes de Bagé - 1964 a 1978; Notícias da Revolução de 1923 em Bagé; e Governos e Governantes de Bagé - 1979 a 1992, ele gentilmente atendeu ao nosso pedido, enviando as respostas por meio eletrônico.
RCC. O que o motivou a mergulhar na História de Bagé?
É certo que ainda adolescente a história já me fascinava. Fui aluno aplicadíssimo nesta disciplina no ensino médio. Mas indiscutivelmente foram os cordéis do destino que me aproximaram definitivamente da história de Bagé.
Encerrada minha participação na administração universitária como Pró-Reitor de Pesquisa e Extensão da Universidade da Região da Campanha-RS., a reitoria da universidade designou-me para atuar no Museu Dom Diogo de Souza.
Sem formação específica a missão (quase um castigo) era árdua, mas o desafio animador em função do gosto pela história.
Dirigia o Museu Dom Diogo de Souza o eminente Dr. Tarcisio Antônio Costa Taborda, antigo juiz de direito (casualmente minha primeira audiência como advogado no já longínquo ano de 1974, foi presidida pelo Dr. Tarcisio), pesquisador e profundo conhecedor da história de Bagé, além de amigo pessoal.
RCC. Como foi a transição de professor titular da cadeira de Direito das Coisas da Universidade da Região da Campanha - URCAMP a mestre em História pela Universidade de Passo Fundo?
Tarcisio recebeu-me de braços abertos. Abriu o museu para mim. Ensinou-me a história e orientou os primeiros passos na pesquisa. Mais que isso, revelou-me a beleza e a importância da história de Bagé, ainda pouco explorada. Apaixonei-me!
Inicialmente dividia minha carga horária na universidade entre o magistério na Faculdade de Direito e a pesquisa no Museu. Como todas as paixões- e essa é intensa e permanente- em pouco tempo a sedução e a entrega foram totais.
Faltava, contudo - e sempre continuará faltando- suprir das deficiências na área de formação acadêmica e no campo da pesquisa científica, o que buscamos alcançar concluindo o curso de mestrado da UPF, considerado referência na área de história regional.
RCC. Seus livros "Bagé, Relatos de Sua História (1997)" e "Bagé, Novos Relatos de Sua História (2000)", ambos publicados pela editora Martins Livreiro, de Porto Alegre, RS,tratam da organização e do desenvolvimento da cidade de Bagé no início do século XX. Foi muito árduo coletar informações a respeito? Foi possível encontrar pessoas que vivenciaram aquele período e que se dispuseram a colaborar para maior precisão dos fatos?
Idubitavelmente, Bagé teve sua fase de maior exuberância do quarto final do século XIX às primeiras décadas do século XX. Costumo referir em palestras, mesmo como desafio, que neste período não há no RS município com maior importância histórica do que Bagé. Os principais acontecimentos políticos e econômicos do Estado deram-se em Bagé. Basta citar a proclamação da República Rio-grandense, sua participação na Guerra do Paraguai, a Revolução Federalista, criação de partidos políticos. A introdução das principais raças puro sangue bovino e equino. A primeira cidade do Rio Grande do Sul a receber a energia elétrica e o automóvel, etc.
A religiosidade e a cultura do seu povo encanta e torna insaciável a tarefa do pesquisador. Encontrar pessoas que vivenciaram muitos dos fatos históricos acontecidos no município permitiram corrigir o olhar do historiador. Tivemos a fortuna de colher depoimentos de pessoas que participaram na Guerra Civil de 1923 e seus esclarecimentos forneceram subsídios valiosos para desvendar fatos ainda obscuros. O mesmo pode se dizer com relação à Revolução de 1930 e 1964, e ainda com relação ao fortalecimento cultural da cidade e o surgimento do ensino superior em Bagé.
RCC. Como tem sido a receptividade dos seus livros junto ao público leitor, não apenas de Bagé, mas de outras paragens?
Os dois primeiros livros- Bagé Relatos de sua história- estão praticamente esgotados. Como autor não poderia ter satisfação maior. A crítica foi muito receptiva. Esporadicamente, vemo-los citados em outros trabalhos e para nossa surpresa notamos leitores de outros estados e até do exterior.
Mas não podemos dizer o mesmo das obras mais recentes: Governos e Governantes de Bagé, que julgamos trabalho de maior envergadura e dedicação.
RCC.Além de advogar, o senhor é professor universitário e produtor rural. Diante de tantas ocupações, o senhor segue uma rotina de trabalho para escrever seus livros?
Hoje a produção literária está prejudicada com ocupações no Arquivo Público, no Museu. Tento dedicar a manhã para a história e a tarde para advocacia, mas confesso dificuldades.
RCC. Quais seus próximos projetos no campo da História?
A fase é de fermentação em dois temas distintos: imprensa partidária e tradicionalismo.
RCC. Poderia nos falar sobre sua experiência como diretor do Arquivo Público Municipal de Bagé no período 1997/2000?
Foi um período de implantação e conscientização difícil dos órgãos públicos. Hoje, o Arquivo está consolidado e tem reconhecido seu papel e importância, muito graças ao trabalho desenvolvido pelo Prof. Cláudio Boucinha. Seu acervo vem crescendo significativamente nos últimos meses.
RCC. Na sua opinião, o que falta ser escrito sobre a História de Bagé?
Excetuando o extenso trabalho produzido por Tarcisio Taborda e Eurico Salis, recém Bagé vem escrevendo sua história.
Há muito que pesquisar e escrever sobre Bagé urbano, sobre a educação em Bagé, etc. São escassos os trabalhos nas áreas da economia e política face a sua importância regional e estadual.
Expressamos o nosso agradecimento ao Prof. Cláudio de Leão Lemieszek pela entrevista.
MANIFESTAÇÃO HOMOFÓBICA EM BAGÉ
QUEM SABE A PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO HOMOFÓBICA EM BAGÉ
Por Cláudio de Leão Lemieszek
A Biblioteca Pública de Pelotas guarda a coleção do jornal Correio Mercantil (assim esperamos, pois que recentemente aquela Casa de Cultura promoveu um descarte eliminando parte de seu acervo, fato que mereceu censura geral no meio cultural de todo o estado), que por muitos anos circulou naquela cidade.
Precisamente nas edições de agosto e setembro de 1887, foram publicados cerca de treze artigos, sob o título “Bagé há trinta anos”, de autoria de um cronista anônimo, que vindo residir nesta cidade, em 1857, teve a feliz ideia de registrar e publicar suas memórias (lamentavelmente ficaram perdidas no tempo).
Em seus comentários, aponta muitos fatos já conhecidos, tais como a fundação da Sociedade Espanhola e da Beneficência Portuguesa; o famoso caso dos terrenos de Bagé, antes pertencentes ao Barão de Bagé; a formação do 35º Batalhão de Voluntários da Pátria; a construção do Teatro 28 de Setembro, além de muitas outras interessantes e importantes passagens de nossa história, que vêm sendo apropriadamente esmiuçadas, neste ano em que se comemora o bicentenário da Rainha da Fronteira.
Aliás, é oportuno recordar, que a data de fundação de Bagé é arbitrada. Na verdade até 1955, pairavam dúvidas sobre o momento preciso em que foi criado o povoado de Bagé. Foi justamente nos congressos organizados por Tarcísio Taborda, em 1955 e 1961, em que se reuniu grande número de estudiosos da história do Rio Grande do Sul, que se chegou ao consenso de fixar o 17 de julho como o dia do nascimento da nossa cidade.
Ainda hoje subsistem incertezas sobre o tema. Nesse sentido, basta lembrar, por exemplo, que o centenário de Bagé foi festejado pela municipalidade em 1912. Também, naquele ano, a Associação Rural organizou sua exposição-feira em grande estilo e com extensa programação para assinalar o centenário da cidade. O estudo do assunto por certo desperta interesse, mas é tema a ser comentado em outro momento.
Por hora aguçam nossa curiosidade, os comentários do nosso articulista anônimo publicados no mencionado jornal pelotense, em cujas edições focaliza aspectos vários de nossa cidade. O cotidiano, o lazer, a religiosidade, o ensino, os seus primeiros comerciantes e profissionais liberais, as dificuldades administrativas da municipalidade e a certa ingenuidade dos habitantes são por demais aí comentados, permitindo, dessa maneira, criarmos um imaginário das dimensões, dos costumes e do modo como se vivia, em Bagé, há aproximadamente cento e cinquenta anos atrás.
Entre tantos curiosos assuntos que, oportunamente, voltaremos a enfocar, selecionamos o que dá título a este artigo, matéria considerada tabu para sociedades fechadas e atrasadas, mas que, felizmente, vem sendo derrubado nos dias atuais, principalmente por meio da censura pública e da criminalização da homofobia.
Conta o anônimo cronista, que, em 1858, existia na cidade um indivíduo de nacionalidade argentina que habitava um tosco rancho de palha situado próximo à bica (primeira fonte pública de água de Bagé localizada na Rua Marcílio Dias, entre as ruas Gen. Neto e Gen. Sampaio).
Essa pessoa, que se chamava Thomazia, mas era mais conhecida pelo seu apelido “Macho e fêmea”, vivia sozinha em seu casebre. Usava cabelos lisos e longos, sempre cobertos por um lenço preso ao pescoço. Pouco saía de casa, a não ser para assistir à missa dominical da qual era frequentadora assídua, pois era muito religiosa.
Procurando reproduzir, fielmente, as palavras do incógnito articulista, vejamos a história de Thomazia: “Em 1860, no dia 7 de setembro, havia parada na praça da matriz em grande gala, e Te-Deum, e, dentro da igreja a par das famílias, achava-se a célebre Thomazia ajoelhada. O finado cel. Brandão, teve a feliz lembrança de ordenar a um cabo que, quando saísse Thomazia, a prendesse e conduzisse à cadeia. O cabo cumpriu a ordem e recolheu Thomazia.
Examinada a presa pelo falecido Dr. Freitas, já falecido, do exame resultou que, em vez de ser Thomazia era Thomaz, e ali lhe foi cortado o cabelo, fizeram-lhe vestir roupa de homem, foi processado e condenado a cumprir sentença em Porto Alegre.
Eis aqui um fato que os leitores talvez julguem ser invenção, porém, é verdadeiro como poderão atestar os antigos que ainda existem”.
O destino de Thomazia certamente não seria o desejado, especialmente levando em consideração o convívio e os conceitos sociais da sociedade dos nossos dias, bastando para tanto citar nossa Constituição Federal que em seu art. 3, IV estabelece, como objetivo fundamental da nossa república: “promover o bem de todos sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, e quaisquer outras formas de discriminação”, aí naturalmente compreendida a orientação sexual.
Seguramente, Thomazia teve melhor sorte do que muitos homossexuais dos dias atuais, que, inexplicavelmente, ainda são discriminados, surrados e até vítimas da violência letal, gerando a comoção de muitos, mas também o descaso e a injustiça de poucos. É verdade que estes são poucos, mas envergonham a humanidade, principalmente se considerarmos que muitos deles têm força para fazer justiça.
Felizmente, o Brasil, neste campo, é definitivamente um país de primeiro mundo, pois é cada vez mais visível o fortalecimento do exercício de cidadania, especialmente no que tange ao respeito à dignidade e à diferença do ser humano. Ao contrário de outras nações, que em pleno século XXI aplicam a pena de morte contra os homossexuais, em nosso país tramita, na Câmara Federal, Projeto de Lei propondo a criminalização de preconceitos movidos pela orientação sexual e pela identidade de gênero.
Nossa sociedade está cada vez mais atenta e assim vem dando um basta à humilhação, ao ódio, e à intimidação. É hora da defesa da honra e dignidade dos discriminados.
(Publicado também no Jornal MINUANO, ago/2011)
Por Cláudio de Leão Lemieszek
A Biblioteca Pública de Pelotas guarda a coleção do jornal Correio Mercantil (assim esperamos, pois que recentemente aquela Casa de Cultura promoveu um descarte eliminando parte de seu acervo, fato que mereceu censura geral no meio cultural de todo o estado), que por muitos anos circulou naquela cidade.
Precisamente nas edições de agosto e setembro de 1887, foram publicados cerca de treze artigos, sob o título “Bagé há trinta anos”, de autoria de um cronista anônimo, que vindo residir nesta cidade, em 1857, teve a feliz ideia de registrar e publicar suas memórias (lamentavelmente ficaram perdidas no tempo).
Em seus comentários, aponta muitos fatos já conhecidos, tais como a fundação da Sociedade Espanhola e da Beneficência Portuguesa; o famoso caso dos terrenos de Bagé, antes pertencentes ao Barão de Bagé; a formação do 35º Batalhão de Voluntários da Pátria; a construção do Teatro 28 de Setembro, além de muitas outras interessantes e importantes passagens de nossa história, que vêm sendo apropriadamente esmiuçadas, neste ano em que se comemora o bicentenário da Rainha da Fronteira.
Aliás, é oportuno recordar, que a data de fundação de Bagé é arbitrada. Na verdade até 1955, pairavam dúvidas sobre o momento preciso em que foi criado o povoado de Bagé. Foi justamente nos congressos organizados por Tarcísio Taborda, em 1955 e 1961, em que se reuniu grande número de estudiosos da história do Rio Grande do Sul, que se chegou ao consenso de fixar o 17 de julho como o dia do nascimento da nossa cidade.
Ainda hoje subsistem incertezas sobre o tema. Nesse sentido, basta lembrar, por exemplo, que o centenário de Bagé foi festejado pela municipalidade em 1912. Também, naquele ano, a Associação Rural organizou sua exposição-feira em grande estilo e com extensa programação para assinalar o centenário da cidade. O estudo do assunto por certo desperta interesse, mas é tema a ser comentado em outro momento.
Por hora aguçam nossa curiosidade, os comentários do nosso articulista anônimo publicados no mencionado jornal pelotense, em cujas edições focaliza aspectos vários de nossa cidade. O cotidiano, o lazer, a religiosidade, o ensino, os seus primeiros comerciantes e profissionais liberais, as dificuldades administrativas da municipalidade e a certa ingenuidade dos habitantes são por demais aí comentados, permitindo, dessa maneira, criarmos um imaginário das dimensões, dos costumes e do modo como se vivia, em Bagé, há aproximadamente cento e cinquenta anos atrás.
Entre tantos curiosos assuntos que, oportunamente, voltaremos a enfocar, selecionamos o que dá título a este artigo, matéria considerada tabu para sociedades fechadas e atrasadas, mas que, felizmente, vem sendo derrubado nos dias atuais, principalmente por meio da censura pública e da criminalização da homofobia.
Conta o anônimo cronista, que, em 1858, existia na cidade um indivíduo de nacionalidade argentina que habitava um tosco rancho de palha situado próximo à bica (primeira fonte pública de água de Bagé localizada na Rua Marcílio Dias, entre as ruas Gen. Neto e Gen. Sampaio).
Essa pessoa, que se chamava Thomazia, mas era mais conhecida pelo seu apelido “Macho e fêmea”, vivia sozinha em seu casebre. Usava cabelos lisos e longos, sempre cobertos por um lenço preso ao pescoço. Pouco saía de casa, a não ser para assistir à missa dominical da qual era frequentadora assídua, pois era muito religiosa.
Procurando reproduzir, fielmente, as palavras do incógnito articulista, vejamos a história de Thomazia: “Em 1860, no dia 7 de setembro, havia parada na praça da matriz em grande gala, e Te-Deum, e, dentro da igreja a par das famílias, achava-se a célebre Thomazia ajoelhada. O finado cel. Brandão, teve a feliz lembrança de ordenar a um cabo que, quando saísse Thomazia, a prendesse e conduzisse à cadeia. O cabo cumpriu a ordem e recolheu Thomazia.
Examinada a presa pelo falecido Dr. Freitas, já falecido, do exame resultou que, em vez de ser Thomazia era Thomaz, e ali lhe foi cortado o cabelo, fizeram-lhe vestir roupa de homem, foi processado e condenado a cumprir sentença em Porto Alegre.
Eis aqui um fato que os leitores talvez julguem ser invenção, porém, é verdadeiro como poderão atestar os antigos que ainda existem”.
O destino de Thomazia certamente não seria o desejado, especialmente levando em consideração o convívio e os conceitos sociais da sociedade dos nossos dias, bastando para tanto citar nossa Constituição Federal que em seu art. 3, IV estabelece, como objetivo fundamental da nossa república: “promover o bem de todos sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, e quaisquer outras formas de discriminação”, aí naturalmente compreendida a orientação sexual.
Seguramente, Thomazia teve melhor sorte do que muitos homossexuais dos dias atuais, que, inexplicavelmente, ainda são discriminados, surrados e até vítimas da violência letal, gerando a comoção de muitos, mas também o descaso e a injustiça de poucos. É verdade que estes são poucos, mas envergonham a humanidade, principalmente se considerarmos que muitos deles têm força para fazer justiça.
Felizmente, o Brasil, neste campo, é definitivamente um país de primeiro mundo, pois é cada vez mais visível o fortalecimento do exercício de cidadania, especialmente no que tange ao respeito à dignidade e à diferença do ser humano. Ao contrário de outras nações, que em pleno século XXI aplicam a pena de morte contra os homossexuais, em nosso país tramita, na Câmara Federal, Projeto de Lei propondo a criminalização de preconceitos movidos pela orientação sexual e pela identidade de gênero.
Nossa sociedade está cada vez mais atenta e assim vem dando um basta à humilhação, ao ódio, e à intimidação. É hora da defesa da honra e dignidade dos discriminados.
(Publicado também no Jornal MINUANO, ago/2011)
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