FIM DA INFÂNCIA

  Por Samuel da Costa (ALB, Anápolis, GO)

Volto ao ponto de partida
 Onde tudo começou
Para nós dois
***
Quando eu nunca
  Cansava de ti
De algo assim tão intenso
Um sentimento tão bom
 Tão meu
***
Difícil agora
É para mim
 É perceber por fim 
 Que os nossos dias gloriosos
Ficaram para trás 
 Foram-se
Para todo o sempre! 
***
 Que somente
 O passado longínquo
 Nos salva
Dos dias atuais de tempestades
E turbulências sem fim


CAPRICÓRNIO

Por Samuel da Costa (ALB, Anápolis, GO)

(Para a negra Valquíria)

Um desejo hialino
E nada mais
Que isso
***
Um adeus ignoto
Em negras linhas alvaresianas
Sem beijos sibilinos
Nem abraços decadentistas 
Sem choros vaporosos
Nem negras lágrimas de dor
***
Um simples adeus
Simples assim
E nada mais
Para além disso
***
Dizer para a sacrossanta musa
Um adeus
E nada mais
Para além disso
***
Entre plumas
De cristais quebrados
Incendiando o estro meu
Incinerando o profano vergel
Outrora orvalhado
***
Um adeus
E nada mais
Para além disso

EM DIAS DE SOL E CALOR, EM NOITES DE TEMPESTADE DE FRIO

Por Samuel da Costa (ALB, Anápolis, GO)

(Para Victória Butler Rodríguez e Mari Gomes)
 
Em dias de sol e calor
Minha alma serena 
Passeia livremente
Pela charneca em flor
Nesses dias de extrema felicidade
 Eu tenho sentimentos bons
Pensamentos probos
***
Minha alma leve navega
Pelo mar da tranquilidade
A brisa matinal oceânica
Faina o meu negro cabelo
E beija o meu rosto hialino
***
Em dias de sol e calor
Minha alma aventureira
Não conhece limites
Corre o mundo livremente
Encontra e abraça a vida
E aceitando
O convite dela para um bailar
***
Em noites de tempestade
E de muito frio
Minha negra e cansada alma
Passei perdidamente pela noite
Eviterna
***
Em noites de tempestade e de frio
Vagueio solitária e languidamente
Pelo negro vergal em dor
Choro e sofro
Todas as dores do mundo
Pelo amor que se foi
Por tudo que não veio
E nunca virá
***
Em noites de ventos intempestivos
 E muito frio
Minha alma diáfana
Percorre o vazio em mim
***
Na alvorada
No dilúculo de um novo dia
A minha crença
De tê-lo ao meu lado 
***
Na aurora de um novo dia
Vivo sem esperanças alguma
De viver dias melhores

DIÁSPORA SURREAL

Por Samuel da Costa (ALB, Anápolis, GO)

(Para a poetisa Sheila Gois)

Ela disse
Que ia ali à esquina
E voltava logo
 Disse isso
Sem olhar para trás
***
Estas vendo seu moço
Quanto alvoroço
Como a vida é engraçada
Ficar aqui sozinho, infeliz e sem nada
***
Ela colocou a melhor roupa e disse:
- Eu vou ali na esquina
Meu amor
E volto daqui a pouco
E não demoro
***
São intermináveis nanossegundos
De solidão eviterna
***
Estás vendo seu moço
Quanto alvoroço
Quanto drama
Por causa de bela, vaporosa e diáfana dama
***
Ela disse para mim:
- Vou ali na esquina
E já volto...
***
São eviternos nanossegundos
De abstrações desesperadas
De solidão liquefeita
No pós-modernismo contemporâneo
***
 - Vou ali na esquina
E já volto meu amor

SIN/PECADO

 Por Samuel da Costa (ALB, Anápolis, GO)

(Para Fáh Butler Rodríguez)

Pediu-me
Para apagar as luzes
Para sagra
O nosso amor clandestino
No breu absoluto
O nosso
Suicídio assistido na pelágio
Profundo
***
Pediu-me
Para apagar todas as luzes
Então somente
E nada mais para, além disso
***
O clandestino amor
Consagrado na fossa abissal
Pelágica paixão
Em tempos de guerra
De desespero e dor
Sem fim 
***
Pediu-me
Para apagar as luzes
E acender as velas
Amor transfigurado
Descortinado em dias de paz
***
Pediu-me
Para espera-lo na alcova
Vestida de minudência apenas
E nada mais

PERDIDO NO UNIVERSO INFINDO EM TI

 Por Samuel da Costa (ALB, Anápolis, GO)

(Para Victória Butler Rodríguez)

Vem minha doce criança...
Do amor puro!
Vamos juntos singrar
O oceano dos sonhos em mim
***
Vem minha querida
Dá-me a tua delicada mão...
Vamos juntos voar
Pelo céu sem nuvens
E alçar as estrelas
Os astros!
Perdermo-nos no universo infindo
***
Vem meu amor imortal
Sentir o noturno eflúvio da Halfeti
Do sagrado vergel da Afrodite
***
Vem...
Vamos juntos sagra
O nosso divinal amor
Diante do altar dos deuses imortais

NA SOMBRA DE UMA ÁRVORE!

Por Samuel da Costa (ALB, Anápolis, GO)

(Para Victória Butler Rodríguez)

Arvoro-me!
Por inteiro...
***
Finjo que estou segura!
Mas simplesmente,
Sei que não estou.
***
Finjo que não sei...
Onde estou...
Mas sei que estou sozinha,
  Sentada na sombra.
De uma árvore!
**
Na incerteza de saber.
Para aonde caminho...
 De verdade!
***
Adoro-te.
Amo-te.
Na certeza de não saber...
Quem sou!
E onde estou.