TUDO NO MUNDO PASSA

Por Meireluce Fernandes (Presidente da Academia Internacional de Cultura-AIC, Brasília, DF)

Tudo no Mundo Passa

Passa o amor, passa a saudade,
Passa, às vezes, o que sinto por você
Passa todo o sentimento,
Passam as coisas boas e as banais.

O sentido infinito das coisas
É que nunca pode passar,
Assim como o sentimento verdadeiro,
Que no coração dos fracos reside.

A tristeza também passa,
O silêncio é o melhor remédio...
A dor que hoje sinto no peito,
Um dia também passará
Assim, espero... 

O MAR

Por Meireluce Fernandes (Presidente da Academia Internacional de Cultura-AIC, Brasília, DF)

O mar estava tranqüilo
Sem vento,
A água morna,
O sol abrasante...
E eu a sonhar,
Um sonho distante...

Vendo as ondas
Batendo nas pedras,
O horizonte infindo...
Qual uma longa espera,

O marulhoque vem
De longe...
Não é qualquer barulho,
É aquele que faz vibrar
O mais distante pensamento.

O cheiro é sensual...
Em mim provocante...
Porque não dizer
Afrodisíaco?...

Mar, introspeccões e reflexões
Nos traz...
Com tuas pedras, tuas rochas
E o teu brilho,
Que reluz, parecendo cristais.

Meus cabelos esvoaçantes
Como barcos velejantes...
Querem em ti flutuar,
Porém só me resta desejar... 



PRIMEIRO DE MAIO

Por Gustavo Dourado (Presidente da ATL,Taguatinga, DF)

1º de maio de 1886:
A luta do operário...
Trabalho organizado:
Melhoria de salário:
A violência do poder:
Presente em meu diário...

Primeiro de Maio é história:
Trabalhadores em luta...
A gravidade da vida:
A incessante labuta...
O sistema que oprime:
Com a sua ganga bruta...

"Trabalhadores, uni-vos":
Karl Marx já dizia...
Na dialética da vida:
Sobrevive-se na agonia...
Escravidão pós-moderna:
Novo tempo se anuncia...

É o capital que oprime:
Com a sua mais valia...
O magnata que lucra:
Que reprime a poesia...
Que acorrenta o sonho:
E a ilusão da fantasia...

É hora de despertar:
Buscar a cidadania...
Na greve, na passeata:
Assembleia do dia-a-dia...
Na fábrica, no sindicato:
Que a peleja se anuncia...

Chega de alienação:
Liberte-se, se oriente...
A união faz a força:
Na rebeldia da gente:
O grito da multidão:

Revolução permanente...

NATURAL

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

From the decomposed nature
the exposed pain
of species
slaughtered
cut
severed
plucked
the stumps pulled of with strong tractors
progress’ headquarters: the man
brings in approximation the profit‘s colorless vision
and the excluded’s subsistence faces
the withered earth after the passages
the soil’s restoration exudes
the perpetraded acidity
in needless times
of abundance: the man
forgets about his not consented past
in future unenforceable projects
where struggle deaths
and advances to the end of the world.


(Marina Du Bois, English version)

NATURAL

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

Na natureza decomposta
a dor exposta
em espécies
abatidas
cortadas
decepadas
depenadas
destocadas na força dos tratores
matrizes dos progressos: o homem
traz na aproximação a visão incolor do lucro
e a subsistência dos excluídos se defronta
com a terra ressecada após as passagens
a recomposição do solo exala
a acidez perpetrada
nos tempos desnecessários
das farturas: o homem
esquece o inconsentido passado
em projetos futuros inexequíveis
onde se debatem mortes

e avanços ao fim do mundo.

WITH YOU

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

I will be with you through time
sharing indecisions

as we rapidly transit
we will keep images from courage
shared between debts and doubts.

We will gather enough
received as a gift: beeing together
leeds the bodies to exhaustion
from the meeting in everlasting
sensitive combinations

together in the bipolaraised group
of melees and escapes we will tell to silence
with gestures and disillusions in interlaces’
perpetuation where we are kept free
from counseling in open garrets
on the subtle gathering of loving.


(Marina Du Bois, English version)

CONTIGO

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

Estarei contigo no tempo
partilhado das indecisões

na rapidez com que transitamos
reteremos imagens da coragem
divididas entre dívidas e dúvidas.

Recolheremos o bastante
recebido em dádiva: estarmos juntos
conduz os corpos ao esgotamento
do encontro em duradouras
combinações sensíveis

juntos no conjunto bipolarizado
das refregas e fugas diremos ao silêncio
em gestos de desilusões na perpetuação
dos entrelaces em que nos prendemos livres
dos aconselhamentos em desvãos abertos

no recolhimento sutil dos amorosos.