CHUVA DE OUTONO

Por Ridamar Batista (Presidente da ALB, Anápolis, GO)

A chuva de outono
é diferente, imprudente
esfria os pés, a cabeça
o coração fica gelado
é fina, sem graça e sonsa
vem sem avisar
abre caminho, faz rota
deixa o inverno chegar
e depois vai embora
leva o sereno, o orvalho,
o chuvisco e deixa a seca
bebendo o restinho da água
que a chuva trouxe
e se arrependendo

levou consigo de volta.

DOS MEUS GOSTARES

Por Ridamar Batista (Presidente da ALB, Anápolis, GO)

Então! vou lhe dizer
do que mais gosto
Fácil assim simples demais
tomar um copo de garapa gelada
de vez em quando
Comer pamonha pura
quente, morna ou fria
com café quente
Licor de pitangas
mais pelo cheiro que pela cor e sabor
chupar picolé de cajá com sal
conservar amigos e cantar
andar descalça, tomar banho de chuva
olhar para o céu e contar estrelas
assobiar para ouvir o Bem-te-vi
respondendo-me e rindo
de meu desafinado som
nadar em águas mornas, frias ou quentes
gosto de cerveja, muita
peixe frito pescado por mim
Comer pequi em novembro
fazer filhos em fevereiro
beijar meus netos o ano inteiro
ver o por do sol, a lua cheia
chuvas de estrelas
relâmpagos e trovoadas
rancho de palha, fogão de lenha
muita gente querida, dar risadas
fazer doce de tudo
não fazer nada
ler, ler e ler
porque amo as letras tanto
que sou grafóloga
fechar meus olhos para ver
tão longe e tão claro
que nunca consigo
sem esta proeza, enxergar
brincar com tintas e cores
enfeitar a casa, deixar tudo limpo

e depois fazer bagunça.

SUBSTANCE

By Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

(Marina Du Bois, English version)

I translate (words are gifts)
the immortality (collected works)
in result (illusion of hope)
of rythimic verses (eloquence)

in understanding I redo gestures
and designate myself the first (only species)
to expand articulated sound

I know nothing: I know from the planet
digged fragments (history
in superimposed spaces: remains)

opposed in coordinated efforts
I am condemned to endeavor (bellicose
lying warrior stregth

from failure before the eyes).

MATÉRIA

Por Pedro Du Bois  (Balneário Camboriú, SC)

Traduzo (palavras são presentes)
a imortalidade (obra reunida)
na consequência (ilusão da espera)
de versos ritmados (eloquência)

no entendimento refaço gestos
e me digo primeiro (única espécie)
a expandir o som articulado

nada sei: conheço do planeta
fragmentos desenterrados (história
em espaços sobrepostos: restos)

contrário em esforços coordenados
estou condenado ao esforço (força
belicosa guerreira mentirosa

do fracasso ante os olhos).

TIMES

By Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

(Marina Du Bois, English version)

I stifle the will
drowned in tears
I dissemble the hour
                         broken

stateless I recognize in space
the cummer: I do not settle myself

I drown my will
disguised in silence

suffocated from wait.

TEMPOS

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

Sufoco a vontade
afogada em prantos
disfarço a hora
                 partida

apátrida reconheço no espaço
a companheira: não me instalo.

afogo minha vontade
disfarçada no silêncio

sufocado da espera.

RETREAT

By Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

(Marina Du Bois, English version)

I back off: the amateur song
                vainly resonates

where is the defined sound
in the song?

Song from the bind earth
in turns: the fall from an angel
on the illuminated building

I fear not finding the promissed land
to the prophet. Through the body insolation
        I review rough edges
        and from the minor building

        I plummet remembrances.