Revista literária online com periodicidade mensal, uma viagem cultural pela literatura, poesia, cinema e artes. Editada, desde 2011, em Brasília, DF, pelo jornalista e escritor Paccelli José Maracci Zahler (ISNI 0000 0005 3053 7228, RP/MTE nº 14402/DF; FENAJ; FIJ nº BR20943). Poemas, crônicas, contos, ensaios, e o melhor da cultura nacional e internacional. Todas as opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores. Aceitam-se colaborações. Contato: cerrado.cultural@gmail.com
GATO
Por Márcia Duro Mello (Bagé, RS)
Gato na janela,
gato na tuba,
gato sem botas,
tempero na panela,
gato de juba,
figos em compotas,
gato no borralho,
noite em luar...
Cebola, pimenta e alho,
gato na cadeira,
sopa a provar...
Gato do mato,
cheiro de pasto,
estrela estrelada.
Gato na rede,
rede de gato;
mato a sede
na água do pote,
enquanto espero
o amanhecer.
(Publicado no livro Antologia do Movimento dos Escritores Bageenses, 2017)
Gato na janela,
gato na tuba,
gato sem botas,
tempero na panela,
gato de juba,
figos em compotas,
gato no borralho,
noite em luar...
Cebola, pimenta e alho,
gato na cadeira,
sopa a provar...
Gato do mato,
cheiro de pasto,
estrela estrelada.
Gato na rede,
rede de gato;
mato a sede
na água do pote,
enquanto espero
o amanhecer.
(Publicado no livro Antologia do Movimento dos Escritores Bageenses, 2017)
CALUNDU GUZERÁ (THE LAST CIGARETTE)
Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)
Em memória de Raquel da Costa e Izabel Cristina da Costa
O que vem depois...
De uma grave ofensa?
Socos?
Empurrões?
Gritos de dor?
***
E por onde será...
Socos?
Empurrões?
Gritos de dor?
***
E por onde será...
Que anda o meu agressor?
Que vivia a me atormentar!
Lá na minha distante infância.
***
Hei my little give me your hand!
Because so easy walk to the moon tonight.
Don't go alway my sister. Don't go…
***
Lá na minha distante infância.
***
Hei my little give me your hand!
Because so easy walk to the moon tonight.
Don't go alway my sister. Don't go…
***
O que vem depois dos insultos?
Só a chama do ódio!
Que arde em chamas...
Sem parar!
UM MAR DE LETRAS
Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)
Para a poetisa Patrícia Raphael
Um mar infindo
Um mar infindo de letras
Um mar infindo
De belas letras mortas
A vagar no cosmo sem fim
Entre astros mortos
***
Um sul-fragio universal
E nada mais
Para além disto
***
Um negro oceano infinito
De infinita dor
Em negras lágrimas secretas
Em meio
A um universo vasto
Multi-cores sem fim
ENTRE FEIRAS E MAFUÁS
Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)
Em memória de Miguel Maria da Costa
Em memória de Miguel Maria da Costa
Feiras de prendas e jogos
Transmissão ao vivo
De música ruidosa
Que explode nos alto-falantes
Bagunça, confusão, rolo
Lá bem no alto do morro
***
Não é surpresa para mim
E para mais ninguém
Que entre Feiras e Mafuás
O negro foi barrado na portaria
***
Entre Feiras e Mafuás
Não é surpresa para mim
E para mais ninguém
Que o céu carregado
De negras nuvens
Despencou em fortes chuvas
Invadiu o meu barraco
Quebrou os meus discos de acetato
Em mil nanos-pedaços
***
Entre Feiras e Mafuás
Tem a cruz em chamas
E não é surpresa para mim
Que tem um mar belas letras
Negros e negras
Sagram e choram
A negra dor
A negra sina
Transmissão ao vivo
De música ruidosa
Que explode nos alto-falantes
Bagunça, confusão, rolo
Lá bem no alto do morro
***
Não é surpresa para mim
E para mais ninguém
Que entre Feiras e Mafuás
O negro foi barrado na portaria
***
Entre Feiras e Mafuás
Não é surpresa para mim
E para mais ninguém
Que o céu carregado
De negras nuvens
Despencou em fortes chuvas
Invadiu o meu barraco
Quebrou os meus discos de acetato
Em mil nanos-pedaços
***
Entre Feiras e Mafuás
Tem a cruz em chamas
E não é surpresa para mim
Que tem um mar belas letras
Negros e negras
Sagram e choram
A negra dor
A negra sina
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