DESPREZO E INGRATIDÃO


Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)


Não sei o que dói mais: se a ingratidão se o desprezo.
Durante anos, considerei: a maior afronta que se pode fazer, a quem nos fez bem, é a ingratidão.
Lembrava-me da passagem evangélica, dos dez leprosos:
Uma vez curados, afastaram-se alegremente. Todavia, um, veio atrás, e agradeceu, a Jesus, o ter sarado.
Prostrando-se a Seus pés, com o rosto em terra, deu-Lhe graças.
Respondeu-lhe Cristo:
- “Não foram dez os curados? E só um voltou, para agradecer?
E voltando-se para o samaritano, disse-lhe: “ Levanta-te. A tua fé te salvou.” - Luc 17:11,19.
O nosso clássico, D. Francisco Manuel de Melo, em “ Relógios Falantes” conta o curioso caso de alguém, que tendo recebido um favor, não mais procurou, quem lhe tinha feito mercê, nem lhe tirava o chapéu:
“ Toparam-se um dia na Rua Nova de Palma, que é longa e estreita e sem travessa.
“ Um vinha, outro ia. Tanto que o requerente ou despachado viu o valido, voltou o cavalo. O valido apressou o seu. O requerente trotou; trotou o valido, também. Ele correu; correu o valido do mesmo modo e dizia, gritando:
“ - Parai senhor Fulano, e dizei-me se isto é verdade!
“ O requerente sem parar, lhe dizia, correndo:
“- Sim senhor; isso agora é verdade, que o passado era mentira.”
Comportamento igual, têm muitos, que recebido a mercê, se afastam: Estão servidos; para quê ficar grato?
Por vezes, chegam a dizer: “ Não preciso dele para nada! …”Mas precisaram….
Está sepultado no Brasil, Professor, notável político, que antes de morrer declarou não desejar, que, após o falecimento, o trouxessem para o Pátria.
Porque compatriotas, a quem fizera enormes favores, vendo-o em desgraça, esqueceram o dever da gratidão. Fizeram como o homem, que corria, a bom correr, pela Rua Nova de Palma…
Mas, se a ingratidão, fere, o desprezo, parece-me, agora, ainda mais cruel.
Em “ Reflexões Sobre a Vaidade”, Matias Aires (escritor do séc. XVIII), assevera: “Não há maior injúria que o desprezo; e é porque o desprezo todo se dirige, e ofende a vaidade.”
Desprezar, é o mesmo que dizer: Não mereces qualquer respeito; és insignificante…
Além de falta de educação, ofende fortemente o orgulho, o íntimo da alma.
Tive companheiros de infância, que por terem subido na sociedade ou por terem nome aburguesado, deixaram de serem amigos… passei a conhecido! …
Recordo, o pensar de Francisco, personagem de: “ Mistérios de Fafe” de Camilo, referindo-se ao facto do fidalgo, não dar confiança à mulher, companheira de infância, comentava:
“- Criança como criança e homem como homem. Bem vês quem ele é, o Senhor fidalgo, e tu és a Rosa, mulher do espingardeiro…”
Conhecido rapaz, filho de modesto trabalhador, que foi estudar para Coimbra, quando se licenciou, deixou de acompanhar o pai. Mudava de passeio se o encontrava, na rua.
Envergonhava-se. Era, então, advogado, casado com menina de Papá…
Desprezo e ingratidão, são, para mim, as maiores afrontas que se pode fazer.
Mas, o mundo é assim: a amizade é, quantas vezes, meio de usar amigos e conhecidos, como escada. Uma vez no topo…não precisam deles para nada…
Será que não?

O PRAZER DA LEITURA


Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)



Ao contrário do que se possa pensar, não tenho muitos amigos. Também não são muitos os conhecidos.
Como a maioria dos idosos, vivo em silêncio e solidão; e em solidão e silêncio, decorrem as minhas horas.
Verdade é, que todos os dias, vou tomar o cafezinho, acompanhado de minha mulher, na cafetaria da nossa avenida; e passeio, quase diariamente, pela baixa, observando tudo: casas, montras, viaturas, pessoas…
Possuo, todavia, nas minhas estantes punhado de bons amigos mudos, prontos a revelar-me novos horizontes.
Passo horas esquecidas a lê-los, a dialogar, a refletir, a anotar os pareceres, que me transmitem.
São ilustres amigos, escolhidos na floresta dos livros: famosos cientistas, sociólogos, historiadores, evangelistas, filósofos, psicólogos, escritores e poetas, que abrem-me janelas ao pensamento, que só por si, não podia alcançar.
São companheiros fiéis, de infinita paciência. Ensinam-me, como professores, alimentando-me espiritualmente; tão bondosos são, que admitem discórdia, sem enfado, por duvidar da sapiência.
Em companhia de tão ilustres, dia e noite, vou-me enriquecendo, em conhecimento, fornecendo elementos, para exprimir-me melhor e com mais clareza.
Por vezes, sentado comodamente, na banca de trabalho, delicio-me com a prosa saborosa e vernácula, de clássicos; ou embebido nos fabulosos enredos de novelas, vivo outras vidas e outros mundos.
Outras ocasiões, fico em silêncio, refletindo e divagando num proveitoso monologar. Chegando a pensar, se sou eu ou eles, que falam por mim.
Não há, para mim, nada que se compare ao prazer da leitura. O livro, dá-nos o que o cinema e TV, não nos dão.
O romancista, sugere, permitindo ao leitor, fantasiar: cenário, a luz, a beleza da paisagem, a cor…
No cinema, a participação do espectador, é passiva. O prato é servido pronto. Não há imaginação!
Criar, fantasiar, adivinhar a fisionomia das personagens, as reações, os sentimentos, dos que se encontram encerrados no livro, concede-nos liberdade e encanto.
Como disse, não tenho muitos amigos, mas, nas minhas estantes, encontro uma imensidade de intelectuais, que me permitem horas de prazer, revelando-me conhecimentos e experiências de vida.
A todos estou grato; a todos sou devedor.

SEGREDOS


Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)


após a sedução

degreda o segredo


em palavras

que não deviam ser ditas

desditas

dizem os anjos

sobrevoando os destroços



a reconstrução se faz lenta

alenta

o tanto perdido

em novas paredes

metálicas

onde os sons

permanecem calados


PIOR CEGO


Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)



Olha ao redor

o que conhece

na imagem

  a imaginação

  de servir ao propósito

  da visão



não ver o acontecido

sem a detenção do ocorrido

nem a ardência significativa

com que a lágrima explode

e lava: leva o saber

           e a dúvida

           dissipada



piscam suas luzes

e a brisa ajuda

no que olha

e não lê.


COMPROMETIDA

Por Vivaldo Terrres (Itajaí, SC|)

Que sonho louco!
Que loucura imensa...
Apesar de seres comprometida...
Um beijo teu!
Um só carinho...
Já modificava a minha vida.
*
Vem minha amada,
Sonho dos meus sonhos.
Que eu te espero o tempo que for!
Apesar de louco de desejo...
Quero demonstrar-te o meu amor.
*
Ó bela que ainda distante te vejo...
Como se estivesse junto a mim!
Eu contigo no meu leito...
Desfrutando tudo de bom...
Que pertence a ti.
*
Afagar os teus cabelos lindos!
Beijar-te a boca...
Sugar o mel por mim desejado!
Ficar estático...
Diante da tua face linda!
E dos teus belos olhos esverdeados.
Mesmo sabendo ser pecado

PALAVRAS

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

Chega de viver de palavras, quero senti-lo
Quero sentir se és verdadeiro esse seu Amor
Não quero falas confusas nem tampouco
Qualquer súbita dor..
***
Me mostrarei ser aparente é intensa à ti
Não quero relacionamento sádico, egoísta
quero viver de flores sempre contigo…
Quero entregar-te todos meus sentimentos
Que no coração sempre guardei!
***
Preciso de lucidez não desventuras
Então escute-me!
Nunca serei Alma prolixa e nunca padecerei,
Jamais irei te deixar!
Porém, não transgrida esse Amor, então
Serei tudo que queres! se acaso for sonho,
No sonho viverei desse abstrato Amor!

Fabiane Braga Lima é poetisa em Rio Claro, SP
Contato: bragalimafabiane@gmail.com


FOI TÃO FUGAZ

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)


De repente senti uma saudade
Daquele Amor, tão fugaz
Veio aquela vastidão de sentimentos
Saudade do seu Amor instigante
Nossos corpos se queimando
Naquele sede de se entregar
Seu corpo se envolvendo sob’ o meu
Sua mão percorrendo minha pele,
Seu olhar contemplando meu corpo,
Seu modo de Amar tão incógnito,
Seus fetiches mais ousados……..
Sinto falta desse Amor
Me faz sentir ousada é delirar….
Na ardência do seu corpo,
Me deslumbro sob’seu olhar
……………………………
Fabiane Braga Lima é poetisa em Rio Claro S.P
Contato: bragalimafabiane@gmail.com