Por
Luis Antonio Violin (Brasília, DF)
Era uma vez quatro peixinhos muito brincalhões: Lala,
Lelo, Beta e Beto.
Eles viviam onde havia várias nascentes de água na Estação
Ecológica de Águas Emendadas, que fica perto de Planaltina, no Distrito
Federal.
O lugar dessas nascentes é um paraíso para qualquer
peixinho que gosta de brincar.
Um dia, eles resolveram apostar para ver quem conseguia
nadar mais rápido e mais longe de casa.
Formaram duas duplas e, sem nem muito pensar, acabaram
indo para lados opostos.
Lala e Lelo nadaram e nadaram até que uma leve correnteza
os levou para um córrego chamado Vereda Grande, que vai para o norte do Brasil.
Beta e Beto, por sua vez, nadaram muito e tão rápido
que também foram levados, mas para o córrego Brejinho, que vai para o sul do
Brasil.
No início, para eles tudo parecia um passeio dos
sonhos: água limpa e fresquinha, plantas balançando e aquela sensação de
liberdade!
Mas logo as coisas começaram a ficar meio tensas...
Estavam iniciando a maior aventura da vida deles.
Conforme iam nadando, os rios iam recebendo águas de
todos os lados e ficando muito grandes. E, o pior, as águas começaram a ficar
suja!
— Eca! Que água
fedida! — reclamavam eles.
De vez em quando, aparecia tanto plástico que eles ficavam
confusos sobre o que era comida e o que era lixo. Foi um susto quando viram
peixes engasgados com plástico.
Além da poluição, eles tinham de fugir dos peixões
predadores que queriam transformá-los em almoço.
— Ai, não quero virar comida! — gritavam, procurado escapar
o mais rápido possível.
Mesmo com tantas ameaças à vida, eles tinham esperança
de lugares melhores e não perdiam o brilho nos olhinhos.
Lala e Lelo, depois de muitos dias aventurando, chegaram
ao rio Tocantins. Foi aí que um casal muito simpático de peixe Dourado os adotou
como se fossem seus filhos.
Assim eles continuaram a aventura sem tanto medo,
mesmo quando o rio Tocantins ficou muito grande ao receber as águas do rio
Araguaia.
Era muita água, mas eles estavam prontos para o
desafio de nadar e brincar até o mar, se fosse preciso.
Mar? É que eles já estavam bem adiante na bacia do Tocantins-Araguaia,
que deságua na baía de Marajó, no Pará, junto ao Oceano Atlântico.
Por sua vez, Beta e Beto, depois de muitos dias de
aventura, chegaram ao rio Paraná. Sofreram, mas olha só que sortudos! Também ganharam
pais adotivos, um casal de peixe Pintado, cheio de amor para dar.
Assim eles também continuaram a aventura mais
confiantes, mesmo quando o rio Paraná ficou enorme ao receber as águas do rio
Paraguai e depois as águas do rio Uruguai.
Eles quase foram até o rio da Prata, que recebe as
águas desses rios. Com mais esse rio se forma a famosa bacia Platina, que
deságua no Oceano Atlântico entre a Argentina e o Uruguai.
Mas, veja bem, esses peixes são de água doce e nenhum
deles queria chegar ao mar, onde só tem água salgada. Então, encontraram lugares
calmos e mais limpos nos rios para viverem com mais segurança.
A vida dos peixinhos seguia normal. Somente não
esqueciam do seu primeiro lar nas águas da Estação Ecológica de Águas Emendadas,
nem das aventuras que fizeram a partir de uma brincadeira.
Cuidemos bem desse lugar incrível, que fica no meio do
cerrado e onde nasce muita água que dispersa para lados opostos e ajuda a
formar o rio Tocantins e o Paraná, os principais rios da bacia Tocantins-Araguaia
e da bacia Platina.
Sobre o autor:
Luis Antonio Violin
nasceu em Batatais, São Paulo, em 1950. Reside em Brasília desde 1975. É
professor de Português e Inglês, formado pela Faculdade de Filosofia, Ciências
e Letras de Franca-SP (UNESP). Aposentou-se como Analista Legislativo
concursado da Câmara dos Deputados. É pós-graduado em Administração e Recursos
Humanos e autor do livro de contos Lá na praia... & outros casos,
ed. independente (2019), e dos livros infantojuvenis O ninho vazio, ed.
independente (2019) e pela Colli Books (2022), Histórias de Paulinho,
Scortecci Ed. (2022), Os gatos dançantes, Scortecci Ed. (2023), A
inesquecível praia do Pequeno Príncipe, Scortecci Ed. (2023), As aventuras
dos peixinhos brincalhões, Ed. Casa o Autor
(2025), Felizes on-line e off-line, Ed. Colli Books, 2025, e O
cachorro de duas vidas (no prelo) Participou da coletânea Contemporânea:
antologia de contos & poemas, ed. Albatroz (2019), e da Antologia de
poemas, contos e crônicas Scortecci 40 anos v. III (2022). É membro da
Associação Nacional de Escritores.
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