PAZ

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

Precisa a paz
tem a guerra
precisa ver
tem a escuridão
precisa falar
tem a mudez declarada
em lei no alterado sentido
do saber: precisa punir
                tem a absolvição

                do esquecimento.

ANTEPASSAR

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

No antepassado o silêncio sepulcral
do desinteresse com que me debruço
ao destino. O passar dos anos
amiúda a inconsequência de seguir
em frente. Alardeio o futuro em progressos
e não aprendo a exteriorizar sentimentos

- em laboratórios tentam
 novo paradigma humano
        feito gesto e plástico.

Aos antepassados rendo glórias
em datas pré-fixadas. Denomino
ruas. Fixo placas.

- no fim do corredor
 chora o passado: triste

             rosto à imagem.

ESCUTAR

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

Escuto o barulho dos tambores
no som dos homens trabalhando
escuto o silêncio reservado do poeta
no alarido das crianças
escuto o sentimento extravasado
no discurso do profeta
escuto o anoitecer no cão que late
ao pássaro no voo indelével
escuto o raspar da pedra sobre a pedra

ao escutar você e não escuto nada

ESPAÇAR

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)


Espaçar: fazer com que outros
se apresentem ao futuro.
Descarregar a pressa (não expressar).

Deixar a presa se distanciar
e soltar a fera restrita
em desencantos. A palavra precisa
de espaço para ser entendida
como tal
e ares montanhosos
retornam sibilinas

avalanches.

O SUCESSO DE UMA MENINA RICA

Por Humberto Pinho da Silva (Vila Nova de Gaia, Portugal)

No início do presente século, conheci senhora, viúva, que pertencia a ilustre família lisboeta.
Dedicava-se às Letras. Tinha vários livros publicados, que oferecia aos amigos. Desconheço se alguma vez chegou a colocá-los nas livrarias.
Já bastante doente, mas muito lúcida, colaborava no blogue luso-brasileiro “PAZ”, com poemas e textos, bem escritos e bem curiosos.
Nesse tempo, o blogue, era publicado na comunidade do jornal “SOL”; mais tarde, por motivos técnicos, deixou o “SOL” e sofreu algumas alterações.
Mas, não era intenção abordar o blogue luso-brasileiro, mas sim minha querida amiga, já falecida.
Contou-me, a poetisa, que quando era nova, gostava de escrever poesia. Eram poemas incipientes de quem começa a versejar.
O pai, pessoa influente, conhece-os, e para lhe ser agradável, disse-lhe que iria publicá-los.
Escusado é dizer, que a menina ficou radiante, e não se conteve enquanto não contou, a façanha, às amigas mais íntimas.
O que não esperava, é que o pai fosse solicitar o apoio de conhecido escritor, homem, de nome feito, e autor de romances conhecidíssimos.
Para ser simpático ao amigo – amigo rico e influente, – o escritor pediu a jornalistas e homens de letras, seus conhecidos, que escrevessem palavrinhas amáveis, sobre os poemas, se possível na mass-media.
O livro, quando saiu, vinha com abas e contracapa recheadas de pareceres de nomes pomposos. A menina delirou ao ver o livro nos escaparates, e ainda mais, quando a televisão a convidou para curta entrevista.
Outras obras foram entretanto publicadas, muito mais estruturadas e com textos e poemas de melhor quilate, mas não obtiveram o sucesso da primeira.
Dizia-me, então, minha querida amiga: ”falecido meu pai, nunca mais a critica se preocupou com os meus escritos…”
O êxito não estava na obra, mas no dinheiro paterno, e na influência que este tinha.
Moral da história: O mérito não reside no que se diz, mas de quem o diz. Neste caso, na carteira e  relacionamentos paternos.

CANTO TRISTE (POEMA CANTADO)

Poema de Paccelli M. Zahler, com arranjo e interpretação de Anand Rao, parte do Projeto Música Poética 2011, "Anand Rao musica poemas de Paccelli José Maracci Zahler".


A VOZ DO AUTOR: CORDEL PARA CORA CORALINA

Por Gustavo Dourado


(Apresentação originalmente produzida em vídeo para a coluna Canto do Escritor do portal Memento Mori (www.mementomori.com.br)