PRIMA-DONNA DE ÉBANO

Por Samuel da Costa (ALB, Anápolis, GO)

(Para Luana D'Oliveira)

Nas noites gélidas sem fim
Tu és o vento encantado a soprar
São sussurros murmurejantes
Prantos noturnos orvalhados ao luar...

A tua voz musselinosa...
São sinfonias do ocaso
A bradar lágrimas sonoras

  Arcangélica e augusta és...
Sagrada em ritos pagãos
Tu és a ninfa encantada dos bosques...
A minha negra Valquíria
A vagar na imensidão do universo infindo

És a negra Valquíria!
Que me abraça na hora derradeira
És a flor negra...
És a Halfeti...
A que vem me buscar
Pela graça imortal das deusas e deuses
Há muito esquecidos!

 É no verdadeiro fim
 Vens com teu abraço glacial
Abraçar-me e dilacerar
A minha alma imortal

E na hora extrema
Na hora derradeira
E partimos juntos
Para além do infinito


A VOZ DO AUTOR: SANDRA FAYAD

Poema: Saudade (declamado por Sandra Fayad, Brasília, DF)



Poema: A Sentença da Rosa (declamado por Sandra Fayad, Brasília, DF)




RETRATO DO THEO


Por Paccelli José Maracci Zahler


(Técnica: Pontilhismo)

MARIA (poema cantado)

Poema: Paccelli M. Zahler
Arranjos e interpretação: Anand Rao

ÁGUA VIVA (poema cantado)

Poema: Paccelli M. Zahler
Arranjos e interpretação: Anand Rao

BELO

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

Na hora
em que a cidade
inicia seu recolhimento

- nessa época de noites
resfriando ares –

esqueço as lições de casa
os tormentos
e as tormentas

quedo em silêncio
e da janela assisto

a beleza em sua natureza.

NOMES

Por Pedro Du Bois (Itapema, SC)

Desdobrado em nomes
corporifico a unidade:
          da matéria retiro
  o todo e o transformo
em texto. Desconverso
   nomes e desapareço
   na diversidade.

                      Afasto
                      e retorno.

Desdobrado em nomes
interajo: fosse o corpo
              desnudado

               na paisagem.