CORDEL PARA OSWALD DE ANDRADE

Por Gustavo Dourado (Taguatinga, DF)

(Homenagem ao mestre do Modernismo Brasileiro e da Semana de Arte Moderna de 1922)


1890:
Dia 11 de janeiro
Nasceu Oswald de Andrade
Paulistano por inteiro
Escritor tupiniquim
Vanguartista brasileiro

1905:
Ano de formatura
No ginásio de São Bento
O grito pela cultura
1909
Jornalismo e leitura

1911:
A criação de um jornal
Fundação de "O Pirralho"
Manifesta-se o literal
Poeta a germinar
Dissemina o cultural

José Oswald de Sousa Andrade
Foi poeta e pensador
No Diário Popular
Trabalho de redator
"Penando", série de artigos
Pulsante lado criador

1912:
Europa na trajetória
Contata Landa Kosbach
Com Kamiá fez história
Nonê seu primeiro filho
A construção da memória

Um poeta viajante
No continente europeu
Falecimento da mãe
A dor, jovem padeceu
Retornou em setembro
Sua poesia se ascendeu

Escreveu poema livre
Logo depois é rasgado
De uma jovem parisiense
Foi poeta enamorado
Trouxe-a para São Paulo
Com o coração apaixonado

1917:
Conheceu Mario de Andrade
Com o pintor Di Cavalcanti
Tem início a amizade
Defende Anita Malfatti
Com sua vivacidade

No C. A. XI de Agosto:
Oswald foi orador
Formatura em direito
Expansão do pensador
A obra de Brecheret
Impulsiona o criador

1920/1921:
Prenúncio do modernismo
Lançou Mario de Andrade
Deu início ao ativismo
Tropicalismo literário
Desperta o nacionalismo

1922:
Eclosão do movimento
Oswald na liderança
Holofotes do momento
Com Tarsila do Amaral
Renovou o sentimento

Da “Trilogia do Exílio”
O primeiro lançamento
O eco da modernidade
Sopra ao sabor do vento
Um furacão cultural

E a arte como alimento
Semana de Arte Moderna
Repercute em fevereiro
Dinamismo oswaldiano
Mário é seu companheiro
Literatura, arte e música
De um luminoso candeeiro

1923:
Conclui o João Miramar
Com Tarsila do Amaral
Novo tempo para amar
O amor à flor da pele
Sentimento a comandar

1924:
Lança o livro Miramar
Manifesto Pau Brasil
Causa polêmica no ar
Sacode a pasmaceira
Treme a terra, geme o mar

1925:
Pau Brasil em edição
Publicação em Paris
Poesia em exposição
Ilustrações de Tarsila
Artista de elaboração

1926:
Com Tarsila, casamento
Viagem ao Oriente
Poética do sentimento
Europa, escrita e arte
Vanguarda em movimento

1928:
“O Antropofago” em ação
Batiza o “Abaporu”
Tarsila em exposição
Poesia como imagem
Arte em transmutação

Rompe com Mário de Andrade
Novo tempo se anuncia
Bopp e Alcântara Machado
Revista de Antropofagia
Renovação da linguagem
O temporal se oswaldia

1929:
Nova crise mundial
Segunda antropofagia
Em dentição literal
No Diário de S.P
Uma página especial

Oswald de Andrade
Sofre abalo financeiro
Grandes perdas no Brasil
Crise pelo mundo inteiro
Em tempo de mudanças
O coração sofre primeiro

1931:
Adesão ao comunismo
Um romance com Pagu
Nuance do socialismo
Flor Patrícia Galvão
Musa do pós-modernismo

1933:
Romance em edição
Serafim Ponte Grande
Prosa de renovação
Prefácio e autocrítica
De extrema concepção

1934:
Completa a “trilogia”
Edita “Escada Vermelha”
Refina-se na ironia
Lapida a sua linguagem
Transmuta-se com alquimia

1934/37
Escreve tese teatral
Une-se a Julieta Bárbara
Busca o amor fraternal
Oswald em produção
Escritor fenomenal

1939:
Na Europa novamente
O Pen Clube na Suécia
A guerra vem de repente
Retorna para o Brasil
Reencontra a sua gente

1940:
Candidata-se à Academia
Em uma carta-desafio
Propaga a filosofia
Defende suas ideias
A verve da Antropofagia

1942:
Dedica-se ao casamento
Com Maria Antonieta
Refina seu sentimento
Cria “Cântico dos Cânticos”
Tece o amor em movimento

Volume I de Marco Zero
Segunda Guerra Mundial
Em 1943
Mercado Editorial
Dedica-se à leitura
E ao trabalho literal

1945:
Marco Zero em ação
Publica o volume II
Tese em elaboração
Torna-se livre-docente
Dedica-se à educação

Universidade de São Paulo:
Literatura Brasileira
Exerce a livre-docência
Com a sua fala certeira
Rompe com o Partidão
Poesia é a sua bandeira

1948:
Congresso Paulista de Poesia
Crítica a geração de 45
Defende a antropofagia
Continua na esquerda
Com sua ideologia

1950:
60 anos de idade
Jubileu do Pau Brasil
Defesa da liberdade
Banquete antropofágico
Festeja a pluralidade

Universidade de São Paulo
Tese de Filosofia
Desiste do concurso
Pela metodologia
Tentou ser parlamentar
Ficou só na poesia

1953:
A marcha da utopia
1954
Memórias de cada dia
Congresso de escritores
Louva o mestre da poesia

Oswald de Andrade:
O gestual brasileiro
"A Estrela do Absinto"
Modernista timoneiro
A Escada e outros livros
Com seu toque pioneiro

Antropófago – Pau Brasil
Fala, Oswald de Andrade
“Canibalismo et Litterature”
Em nossa barbaridade
A dialética modernista
Gen da multiplicidade

Fetiche da negritude
Ruptura e ousadia
Picasso, Brancusi, Tzara
A expressão da rebeldia
Tupi-guarani, calungas
Trópicantropofagia

Apollinaire, Cocteau
Constante renovação
Cendrars, Valery, Romains
Vanguarda em exposição
Max Jacob e Braque
Oswald em trans.formação

Sociedades primitivas
Antropofagia ritual
O tabu que vira totem
A práxis existencial
Da era do matriarcado
Ao tempo patriarcal

Renovação e utopia
A violência verbal
Sátiras, provocações
O conflito cultural
A rebeldia constante
Transpõe o individual

A Morta, O Rei da Vela,
Criador em construção
Serafim, João Miramar
Oswald em ebulição
Marco Zero, Ponta de Lança
O Homem e o Cavalo, Chão

“Crise da Filosofia Messiânica”
Para ler “João Miramar”
Oswaldiar pela vida
Sem esquecer de amar
De São Paulo a Paris
Nos versos romancear

Oswald antropofágico
Um poeta canibal
“A Marcha das Utopias”
Pensador estrutural
Serafim Ponte Grande
Construção monumental

Um Rabelais aborígene
Ridente e sentimental
Panfletário, reflexivo
Crítico e experimental
Agitador inventivo
Um filósofo tropical

Oswald irônico-sarcástico
Fez a sátira social
Com estilo e narrativa
Corrosivo e fulgural
Ensaísta afirmativo
Terremotor literal

Antropofagia oswaldiana
Modernismo brasileiro
Experimentalismo, utopia
Influência do estrangeiro
Futurismo, cubo-dadaísmo
Nas vozes do mundo inteiro

Nas vanguardas europeias
Leitura da pluralidade
Poeta antropicanibal
O grito da liberdade
Inquietação literária
A busca pela novidade

Renovação criativa
Espírito de rebeldia
A avidez pelo novo
De Breton a Picabia
Naturezarte e cultura
Nos clamores da poesia

Oswald de Andrade encena
Teatro do modernismo
Il Negro de Marinettii
Cannibale e erotismo
Manifesto em Dadaphone
Eco do antropofagismo

Calligrammes, Apollinaire
Vanguarda em exposição
Terminologia digestiva
Oswald em devoração
Culinária tropicanibal
Metáfora da deglutição

A arte na natureza
Sangue e voracidade
A agressão dadaísta
Etnografia, saudade
Fisiologia expressa
Carnífera vivacidade

Ironia e narcisismo
A hipérbole gestual
O instintivo-pitoresco
Na figura tropical
Alimento para o ser
No cardápio cultural

Literatura de vanguarda
Na terra o primitivismo
Pré-história desvelada
Impacto no racionalismo
A mentalidade mágica
E todo o seu simbolismo

A imagem antropofágica
O conceito nietzscheano
Poesia ritualística
Inconsciente freudiano
No endocanibalismo
Do sacrifício humano

Psicanálise, etnologia
Técnica e primitividade
Os mitos dilacerados
Sonho, irracionalidade
O sentimento nativo
Voz da nacionalidade

Sintético e expressivo
Construtivo, fulgurante
Tropicalismo urbano
Pensamento delirante
A linguagem filosófica
Antológica, deslumbrante

Realismo auto-expositivo:
Romancista de invenção
Estilo cubista-paródico
Sempre com inovação
Humorismo eriçado
O riso como expressão

Nas leituras de Oswald
Kierkegaard e Platão
Camus, Sheller e Jaspers
Existencialismo alemão
Simone de Bauvoir/Sartre
Em filosófica paixão

Romance, poesia, teatro
Arte a se manifestar
Com Tarsila do Amaral
Expressou o verbo amar
Vanguardista da palavra
O verbo soube conjugar

Antropófago da linguagem
Espírito de insurreição
Agressividade verbal
Estilistética de ação
Crítica à sociedade
Estado de rebelião

1954:
Ano do falecimento
Dia 22 de outubro
Deu o seu passamento
Foi navegar no infinito
Nas ondas do firmamento

Oswald em cosmovisão
Crítica ao superficial
Vislumbre um novo tempo
Mundo existencial
Arte com ócio-lúdico
A felicidade social

Polemista e polígrafo:
Um pensador instigante
A prosa experimental
E a poesia radiante.
Complexo e coloquial
Deixou obra relevante...


PÚRPURO

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

Ser a túnica púrpura
no vazio do discurso

                   (traição)

                   filho resoluto
                   no destino
                   trançado: traçado
                                    corpo
                                    repetido
                                    em estilos.


Túnica tingida em sangue.

CAMINHADA (poema em QR Code)

Por Paccelli José Maracci Zahler (Brasília, DF)


(Obs.: Necessita do leitor de QR Code no celular para ser lido)

LADOS

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

Na peça dos fundos
deposito o que não quero
que me acompanhe

no fundo do quarto
depósito as jóias

aos interesses maiores
deposito flores plastificadas
nas memórias arquivadas
dos inoxidáveis seres
desprovidos de passado

nos desinteresses
reverbero cânticos
e desprezo no rito
a sensação vazia
do conflito: entre
orações descubro
o texto analisado
no espúrio tempo
desconexo da vaidade

Faço o que me é pedido
perdido em estrelas
vistas em céus
anilados: anilhado
o pássaro se descobre
em céus abandonados

do que faço a pedido
relembro a ensolarada
tarde das tradições:
       antes do poente
     na desorientação
                 do corpo

Quando é hora
acordo em sonhos
e me desfaço do corpo
ao relento: na afirmação da gratidão
sou descrente emotivo

sendo hora do quando
me encontrar no bastante
faço do enjôo o sábado
aferido em descanso

Irrealizado termo
usado no subterfúgio
dos automóveis
em estreitas estradas:
o cotovelo do lado de fora
na sequência quilométrica

o termo correto na irrealização
do esteta no conforto da história:
habito a vida anterior do trajeto
e me recuso em novidades

ao morrerem malvadezas
se estendem sob o solo
no aguardo do perdão

malvadezas morrem
em perdões e se reabilitam
nas bondades contrariadas

Busco a fotografia publicada
na revista há tantos anos:
testemunho no aguardo
do desvelo com que notícias
praticam vaidades

a fotografia busca
representar em ânsia
a permanência: desbota
e envelhece personagens

Arrasto o tronco caído
sobre ao leito: não posso
estragar a rodovia no permitir
a interrupção da viagem

o tronco arrastado
permanece: leito desdobrado
na fluidez do trânsito

concatenado das saídas.

BELEZA NEGRA (A BELEZA NA ESCURIDÃO)

Por Samuel da Costa (ALB/Anápolis, GO)

O jardim orvalhado
Pela noite outonal eviterna
É o poeta que sangra e chora
Pela virginal musa vaporosa
Em um voo noturno!
***
Sou eu perdido em...
Um místico vergel habitado...
Por perdidos e secretos amores
***
Sou eu que sofro...
E choro...
Todas as dores do mundo!
***
Para o poeta...
Um simples te amo não basta!
Ele prefere apreciar.
A beleza na escuridão...
Sangrar e morrer de amor!
Sagrar em odes imortais
A divinal negra Valquíria...
Em horas improprias!
***
Pois um simples eu te amo...
Para não basta!

CORDEL PARA QORPO SANTO

Por Gustavo Dourado (Taguatinga, DF)

José Joaquim de Campos Leão:
Por Qorpo-Santo conhecido
Dramaturgo, poeta, jornalista
Não pode ser esquecido
Precursor do Teatro do Absurdo
Deve ser reconhecido

Nasceu no Rio Grande do Sul
Em Triunfo, interior
Residiu em Alegrete
Foi delegado e professor
Escreveu para os jornais
Foi comerciante-vereador

1829:
Em 19 de abril
José Joaquim “Qorpo-Santo”
Nasceu em nosso Brasil
No teatro e na poesia
Escreveu a mais de mil

1852:
Publicação em jornal
Aos 34 anos de idade
Qorpo-Santo literal
Adotou o codinome
No registro escritural

1864:
Sofreu alucinações
No Rio de Janeiro
Tempo de conturbações
Por médicos examinado
Período de internações

1866:
A produção teatral
Entre janeiro e maio
Deu seu toque cultural
Escreve dezesseis peças
Em momento crucial

1877:
Criou a tipografia
Editou alguns textos
Confissões e poesia
Teatro, máximas, receitas
Com nova ortografia

Organizou os escritos
De forma peculiar
Ensiqlopédia publica
Os textos a reformar
Em linguagem específica
Pensamento exemplar

1868:
Em “A Justiça” colabora
Defendeu a sua tese
Qorpo-Santo fez a hora
Propôs nova ortografia
Vírgula, ponto, noves fora

Qorpo-Santo escritor
Teatrólogo visionário
Criação inovadora
Pesquisa no dicionário
Renovou a ortografia
À luz do vocabulário

Dramatizou com estilo
“As Relações Naturais”
Personifica prostitutas
Em suas peças teatrais
No Teatro do Absurdo
Usa imagens surreais

Milhares de luzes no cenário
Em contextos informais
Poeticidade ilógica
Desarticulações verbais
Em enredos descabidos
Viagens transcendentais

Violência na linguagem
Paródia na exposição
Uma retórica diferente
Estranha elaboração
Foge da normalidade
Extrapola a sua ação...

Teatro qorpo-santense:
Atos de estranhamento
“Eu sou vida, Eu não sou morte”
Criador em movimento
Suas pequenas comédias
Delírios do pensamento

Manso Louco do Guaíba:
Revolucionário precursor
Criativo delirante
Dramaturgo inovador
É hora de reconhecer
Seu importante valor

Qorpo-Santo, corpo estranho
Em nossa literatura
Guilhermino César elogia
Dando viés à leitura
Redescoberta do gênio
Um destaque da cultura

Qorpo-Santo no teatro
Tem presença pioneira
Antônio Carlos de Sena
Aníbal Damasceno Ferreira
Divulgaram a sua obra
Antológica de primeira

Precursor do Teatro do Absurdo:
Qorpo-Santo foi luzeiro
Surrealista teatral
Qorpo-Santo brasileiro
Farsa, comédia de costumes
Vanguardista pioneiro

Excertos e aforismos
Miscelânea literal
Romântico e realista
Precursor primordial
Lucidez alucinada
Com recorte transversal

Dr. QS – Quriozas Qomédias
Lanterna de fogo; Labirinto
Mateus e Mateusa; Um Parto
Seu teatro é vinho tinto
Na linguagem da loucura
Qorpo-Santo é absinto

“Certa Identidade em Busca do Outro”
“Um credor da fazenda nacional”
“Hoje sou um; e amanhã outro”
Ampla produção teatral
Qorpo-Santo é luminar
Da cultura nacional

1883:
Foi o seu falecimento
Dia primeiro de maio
Retornou ao firmamento
Um mestre da criação
Luminar do pensamento

Qorpo-Santo grandioso
Artista de primazia
Criador iluminado
Luzeiro da fantasia
Estilhaçou as vidraças
Da cruel hipocrisia

Autor multifacetado
Verve exponencial
Talentoso, inovador
Fenomênico, surreal
No Teatro do Absurdo
É nome primordial...