Márcia Duro Mello (Bagé, RS)
Revista literária online com periodicidade mensal, uma viagem cultural pela literatura, poesia, cinema e artes. Editada, desde 2011, em Brasília, DF, pelo jornalista e escritor Paccelli José Maracci Zahler (ISNI 0000 0005 3053 7228, RP/MTE nº 14402/DF; FENAJ; FIJ nº BR20943). Poemas, crônicas, contos, ensaios, e o melhor da cultura nacional e internacional. Todas as opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores. Aceitam-se colaborações. Contato: cerrado.cultural@gmail.com
MOSTRUÁRIO DAS RUAS
Por Ernesto Wayne (patrono da cadeira nº 09 da ALB/DF)
No mostruário das ruas,
Das praças e dos cafés,
Dos bares e dos hotéis,
Eram, por assim dizer,
Uns requebrados painéis,
Reclames e chamariscos
A levá-las pros bordéis
Pras “repúblicas” que havia
E são chateaux, cabarets,
São rendez-vous, garçonnières,
E são pensões de soubrettes
São michés e matinées
(Essas coisas se diziam,
Naquele tempo, em francês
E tout três chiquement...)
Datilografam sentidos
Nas vitrinas ao comprido
Dos lençóis sobre os colchões...
(do livro "Damas da Noite", Bagé, RS, 2013).
TOALHA DE MESA
Por Ernesto Wayne (patrono da cadeira nº 09 da ALB/DF)
A toalha desta mesa
Em xadrez vermelho e branco
As minhas vestes são brancas
Rubras as de minha amiga
Eu serei o vinho branco
Ela será o vinho tinto
Embora tão diferentes
Como a água o é do vinho,
Nós as duas somos como
Um vinho da mesma pipa
Uma branca, outra vermelha,
Somos vinho vagabundo:
Foi o mundo, foi o mundo
E foi poço muito fundo,
Foi salário pelo ovário,
Foi otário e salafrário:
Fizeram de nós ser borra
De vinho muito ordinário...
(do livro "Damas da Noite", Bagé, RS, 2013)
PAZ
Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)
Precisa a paz
tem a guerra
precisa ver
tem a escuridão
precisa falar
tem a mudez declarada
em lei no alterado sentido
do saber: precisa punir
tem a
absolvição
do
esquecimento.
ANTEPASSAR
Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)
em
frente. Alardeio o futuro em progressos
No antepassado o silêncio sepulcral
do desinteresse com que me debruço
ao destino. O passar dos anos
amiúda a inconsequência de seguir
e não aprendo a exteriorizar sentimentos
- em laboratórios tentam
novo paradigma humano
feito gesto e
plástico.
Aos antepassados rendo glórias
em datas pré-fixadas. Denomino
ruas. Fixo placas.
- no fim do corredor
chora o passado:
triste
rosto à
imagem.
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