Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)
A semana passada recebi a
inesperada visita de amigo. Daquele que escrevem pelo Natal e telefonam pelo
aniversário. Recebi-o na sala de visitas, que é, igualmente sala de jantar, já
que o apartamento é pequeno.
Vivia nos arredores, mas a
idade, e a dificuldade de movimentação, obrigaram-me a morar no centro, em
prédio de Esquerdo – Direito, com vizinhos, felizmente, educados, pelo menos no
meu andar.
Enquanto conversamos e
petiscávamos biscoitos da velhíssima fábrica de Valongo, acompanhados a Vinho
do Porto, meu amigo reparava nos quadros que brilham pelas paredes,
principalmente para o óleo, que mostra natureza morta. Sabendo que era de meu
pai, elogiou-o:
- Dou-lhe os meus parabéns! Seu
pai tem muita habilidade! Pensava que só escrevia...
Respondi-lhe que expôs poucas
vezes, mas, mesmo assim, está representado em várias pinacotecas. Então,
acercou-se da tela, para melhor apreciá-la, e:
- Como aprendeu a pintar?
- Tinha o curso das Belas –
Artes. Foi discípulo de Acácio Lino, e Joaquim Lopes, e recebeu noções de
escultura do Mestre Teixeira Lopes.
Meu amigo, melhor diria –
conhecido, – escancarou a boca de espanto, e continuou:
-Logo vi, que era artista!...
Era artista, porque frequentara
as Belas – Artes.
-Disse, com razão, Marden, in: Poder da
Vontade": "Dá-se mais importância ao diploma, que representa
sabedoria fictícia, que a verdadeira sabedoria, sem a garantia de
diploma".
Eis o motivo de Erasmo, após
ter obtido o grau de doutor, resolveu ir a Itália:" Porque ninguém,
mesmo as pessoas sensatas, acreditam no nosso mérito, se não atravessarem o
oceano", disse Léon E Halkin, no livro: "Erasmo".
O mesmo acontece a muitos, no
nosso tempo, que procuram obter o doutoramento em Universidades estrangeiras...
para que lhes deem valor à sua sabedoria.
Escreveu Silva Pinto, sobre
Cesário Verde: " Matriculou-se no Curso, em homenagem às Letras,
como se as Letras lá estivessem no curso."
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