VEZES


Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

Às vezes a vida

se desprograma

e o padrão

explode

em acontecimentos

inusitados

com que atravessa

o espaço

e ganha a terra

prometida



a vida retorna ao tanto

oferecido na média retórica

com que os dias se reapresentam



ficam gostos e imagens

fragmentados aos poucos

no tempero com que nos avistamos

no espelho.


CORDEL PARA FLÁVIO MIGLIACCIO


Homenagem de Gustavo Dourado (ATL, Taguatinga, DF)


Flávio Gomes Migliaccio

Do Brás, um bom paulistano

No Teatro de Arena

Arte em seu vasto oceano

Em 1954

Artista em primeiro plano



Ator talentoso e querido

Foi para outra dimensão

Deu adeus a esse mundo

De vírus e corrupção

Foi fazer teatro no céu

Em outra concepção



Célebre Teatro de Arena

No núcleo de fundação

No CPC da UNE

Teve boa atuação

Assistente de Sucksdorff

A arte foi sua paixão



Anos 1960:

Ator em cinematografia

"Terra em transe”, Glauber Rocha

Cinema pura magia

Sétima Arte na tela

Persona em cinemagia



Em mais de 30 novelas

Migliaccio participou

Personagens bem diversos

Em minisséries atuou

Na tv e no cinema

O artista se eternizou



Em "Rainha da Sucata"

Moreiras, na pão-duragem

Vitinho em "A Próxima Vítima"

Feirante de boa mensagem

Chalita em "Tapas & Beijos”

Deu um beijo na linguagem



Mamede em "Órfãos da Terra",

Em "Passione" Fortunato

"América" e "Êta Mundo Bom!"

Sempre brilhante no ato

"Caminho das Índias" e outras

Foi destaque em foto e fato    



Filho de um barbeiro

Tocador de violino

16 irmãos ao todo

Deram ritmo ao menino

Que se tornou um artista

Para alegrar nosso destino



Xerife e Tio Maneco

Papéis de repercussão

Em peças, filmes e séries

Teve boa atuação

A arte que eleva a vida

Vai além da depressão



Dirce Migliaccio, sua irmã

Na carreira teatral

Marcelo o seu filho

No caminho cultural

Na direção de cinema

A verve intelectual



"Confissões de um Senhor de Idade"

O seu último trabalho teatral

Nos palcos desde os 14

Experiência eclesial

Estudo em colégio católico

E o assédio clerical



Foi expulso do colégio

Por assédio denunciar

Espetáculo autobiográfico

Soube o fato narrar

Da igreja para o teatro

Na vida foi encenar



Três anos em ação

No teatro amador

Balconista e mecânico

A luta do trabalhador

Teatro e sobrevivência

A consciência do ator



1950 e tantos

A profissionalização

Com Ruggero Jacobbi

Fez teatralização

Rumo ao Teatro de Arena

Na arte da encenação



1956

No Arena atuação

“Julgue Você” em cena

Um cadáver em ação

Para fugir das pulgas

Fazia concentração



Anos 1960

Com o mestre Oduvaldo

"Chapetuba Futebol Clube"

Sem perder o rebolado

"Eles Não Usam Black-Tie”

Com Guarnieri no tablado



“A Revolução na América do Sul”

Com o grande Augusto Boal

 “O Grande Momento” no cinema

De um ator fenomenal

Filme de Roberto Santos

Cinema Novo é vital



25 anos em diante

No cinema nacional

Em "Cinco Vezes Favela"

Marcos Faria social

Segmento "Um Favelado"

Sétima Arte fulgural



"Pedreira de São Diogo",

Com Hirszman na escritura

"Terra em Transe", de Glauber

Cine arte se estrutura

Cinema Novo em cena

Eleva a nossa cultura



"A Hora e a Vez de Augusto Matraga"

Santos e Rosa na dianteira

"Todas as Mulheres do Mundo"

De Domingos Oliveira

Migliaccio cine e palco

Com a arte de primeira



Anos 1970

“Shazan, Xerife e Cia”

Flávio era o Xerife

Com  humor e  poesia

Paulo José era Shazan

Uma dupla que sorria



“As Aventuras do Tio Maneco”

Série e filme em romaria

"Maneco, o Super Tio"

Arte cinematografia

Teatro e televisão

Cine de noite e de dia



“Rainha da Sucata”, “Passione”

 E em “Senhora do Destino”

“Papel em Vila Madalena”

“A Próxima Vítima” em desatino

Prêmio por "Órfãos da Terra"

Para um ator diamantino



Chalita em “Tapas & Beijos”,

Um árabe em Copacabana

"Jovens Polacas" por último

A sétima arte emana

Flávio Migliaccio se foi

Em busca de seu nirvana



Sonhava ser Oscarito

Por Chaplin influenciado

Trajetória cinematográfica

Reconhecido em Gramado

Um ator entre os melhores

Trabalho bem premiado



Grande ator e roteirista

Cineasta e produtor

Também foi cartunista

Um destacado diretor

De família numerosa

Foi um mestre do humor

  

CORDEL PARA ALDIR BLANC


Homenagem de Gustavo Dourado (ATL, Taguatinga, DF)


A infinitude do verso
Na eternidade da canção

Nosso adeus a Aldir Blanc
Chora a música brasileira
Poeta e compositor
Um artista de primeira
Foi compor no infinito
Sua poesia verdadeira

Aldir Blanc Mendes
Estácio, Rio de Janeiro
Onde nasceu o poeta
Luminar e candeeiro
Trouxe o samba na alma
Paz e alegria ao terreiro 

1946

2 de setembro o dia
Aldir Blanc veio ao mundo
Transbordar amor poesia
Histórias do cotidiano
E a vida em sinfonia

Torcedor do Vasco da Gama
Da Acadêmicos do Salgueiro
Os seus versos memoráveis
Luz do Rio de Janeiro
Manifestou a cultura
De nosso povo brasileiro

Cronista da MPB
Com João Bosco parceria
O canto de Elis Regina
Com tristeza e alegria
No Estácio, Zona Norte
Fez samba com primazia 

Foi bom observador
De ativa curiosidade
As ruas e seus encantos
O grito pela liberdade
Os versos da boemia
Crítica à desigualdade

Poeta dos tipos humanos
Aos 16 na poesia

1966

Medicina em sincronia
Para entender as pessoas
À luz da psicologia

1972

“Agnus sei”, lançamento
Abre-alas com João Bosco
Parceria em movimento
Disco de Bolso “O Pasquim”
Poesia do sentimento

“Águas de março”, de Tom Jobim
Para fechar o verão
Uma nova MPB
Arte em nova dimensão
Aldir Blanc com seu verso
Deu belo toque na canção

1973

Adeus à psiquiatria
Uma nova concepção
Ritmo e harmonia
Lirismo no violão
Letras de elevado nível
Fez bater o coração

“O bêbado e a equilibrista”
“Cabaré”, “Kid Cavaquinho”
“O mestre-sala dos mares”
“Linha de passe” a caminho 
 “Bala com bala”, “Caça à raposa”
“De frente pro crime”, sozinho

Elis Regina deu eco
Ao canto da anistia
Epitáfio da ditadura
Do terror da tirania
A voz do povo nas rua 
Da voz à democracia

50 anos de carreira
Mais de 500 canções
Com Cristóvão Bastos
Parceria em criações
Resposta ao tempo, um eco
No canto das multidões

Fez letras com Guinga
Djavan e Hélio Delmiro
Canções com Moacyr Luz 
No samba sempre confiro
Crônicas da urbanidade
Em meu coração defiro

Clássico "Resposta ao tempo"
Nana Caymmi em ação
Edu Lobo e Sueli Costa
Nas esquinas da paixão
A infinitude do verso
Na eternidade da canção

“Saudades da Guanabara”
Com Paulo César Pinheiro
Na voz de Beth Carvalho
Samba o Rio de Janeiro
“Do um ao seis”, “Centro do coração”,
“Só dói quando Rio”, por inteiro

 “Rios, ruas e paraísos”
Com Maurício Tapajós
“Aldir Blanc — 50 anos”
O verso desata os nós
 “Rua dos Artistas e arredores”
 “Vida noturna” falar a sós.

Entre doçura e tristeza
Na obra do compositor
Aldir Blanc voz eterna 
Do Rio foi o trovador
Sua poesia inspirada
Pelo Cristo Redentor



DA SÉRIE O AMOR EM VERMELHO: A MEDIDA DE TODAS AS COISAS

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

Nas medidas de todas as coisas
De todos os inaudíveis sons
Ao redor
De todas as abstratas cores
E de todas negras múlti-plas
Escuridões ao meu redor
***
Nas medidas de todas as coisas
De todos os sintécticos sons
Ao redor
De todas as cores e as não-cores
Ao meu redor
Um simples bom dia teu
Para mim
Já não me basta
Mussulinossa negra ninfa
***
Nas medidas de todas as coisas
Do meu múlti-verso apoplético
Minha dulcíssima negra musa
Eu espero que tenhas venerado
Profundamente
De todos os vagos versos agrafos
Que a ti eu dediquei
A beira da fossa abissal
***
Nas medidas de todas as coisas
Eu espero que tu vás até as janelas
Do ebúrneo palácio das memórias perdidas
E contemple todos os ruidosos ruídos
E todos os silêncios profundos
Ao teu redor
De todas as cores e as escuridões
Ao teu redor
***
Nas medidas de todas as coisas
Espero que mergulhes
Os teus delicados pés
Nas ebúrneas áreas da praia desolada
Que esvoaces o trigal dos teus cabelos
Ao sabor dos ventos outonais atlântico
***
Nas medidas de todas as coisas
Espero que não interrompas
As tuas nevoentas quimeras
Nunca mais divina Luna


DA SÉRIE O AMOR EM VERMELHO: UM RETRATO TEU NA PÓS-MODERNIDADE

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

O eu ser feliz
Somente como
 As selvagens flores astrais
 Podem ser
***
O eu acordada
Com a divinal graça do alvor
Em um novíssimo dia
Ao lado teu
***
Um sorriso ameno
E um abraço eufônico teu
Eu só posso ser feliz
Como as álgidas negras flores
Podem o ser
***
O eu acordada
Com o alvor do astro rei
Em um novíssimo dia
Ao lado teu
***
Não! Não sensualize assim
Somente feche as nevoentas cortinas
Não! Não venha me embair
Somente apague
Todas as sibilinas luzes
Dispa-se
De todas as fluídas mentiras
E de todas as infindáveis
Desculpas abstratas
E débeis hipérboles afins
***
O eu-ser feliz
Como as imaculadas flores vagas
Podem o ser
Como um sonho bom
Uma quimera que nasceu
E morre em nanosegundos



DA SÉRIE O AMOR EM VERMELHO: AO NASCER DE UM NOVÍSSIMO DIA

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

Ao nascer de um novo dia 
Vamos nós dois 
Sacrossanta negra musa
Até o vergel das almas perdidas
Sagrar o nosso etéreo amor 
***
No alvor 
Ao nascer de um novíssimo dia 
Minha musa de ébano 
Consagramos 
O nosso hialino amor 
À beira do místico lago encantado
***
No amanhecer 
Na alvorada nova 
Ao nascer de um novo dia 
Sagrarmos o nosso divinal amor 
Consorte minha 
No cósmico altar 
Dos deuses e deusas imortais 


DA SÉRIE O AMOR EM VERMELHO: NAS INFINITUDES CÓSMICAS DO HIPER-ESPAÇO

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

A afra e celeste
Beleza extrínseca
Da divinal negra Luna
Em uma novíssima ideia
A vagar pelas imensidões álgidas
Do hiper-texto
***
Um vago e breve olhar cibernético
Na negra etérea beleza
Intrínseca
Da negra ninfa
Que habita o diáfano bosque
***
Uma ideia excelsa do livre flanar
No hiper-texto
***
Uma magnificente ideia de o livre flanar
Pelas escuridões cósmicas infinitas
Do hiper-espaço
***
E sou eu a compor e re-compor
Tu dulcíssima musa de ébano
Em meus livres versos
Agrafos
***
Uma ideia fluída e breve
A vagar languida e lenta
Pelo hiper-espaço infindo
De somente
Eu a te divisar ao longe
A te compor
Em livres e vagos versos agrafos
Que vagam fluídos e livres
Na pós-modernidade liquefeita