THEO NO SOFÁ (2018)

Por Paccelli José Maracci Zahler (Brasília, DF)


LEITOR (2018)


Por Paccelli José Maracci Zahler (Brasília, DF)


PAISAGEM


Por Napoleão Valadares (Brasília, DF)

A serrania que se não descreve
tinha, mais altos, dois rochedos meio
ensolarados e imponentes (leve
inclinação), que eu avistava em cheio.

Embaixo, o vale – vastidão sem freio –,
que deve os homens encantar e deve
encantar deuses, pôr em devaneio
os que o contemplam, num enlevo breve.

Em meio à luz, um fundo escuro (havia
umas baixadas). E a luz novamente
tomava conta da amplidão. Eu via

uma floresta num pequeno monte,
depois uma descida e, logo à frente,
quebradas, uns relevos e uma fonte.


Nota do Editor: Soneto premiado no Concurso Yoshio Takemoto.

ESCREVER POESIAS


Por Vânia Moreira Diniz (Brasília, DF)

Escrever poesias para mim
Aconteceu desde pequenina,
Quando a minha alma solicitava,
E meus dedos se moviam.

Quando me recolhia enlevada,
Sem nem saber o que discorria,
Ansiosa e feliz a procurar-me,
E só me encontrando lá no final.

Nas horas de alegria absorvente,
A extravasar em sorrisos e letras,
O intenso e delicioso delírio de viver,
Perdidas nos sinais que eu amo.

Nas eventuais tristezas passageiras,
As lágrimas transformadas em ecos,
Vislumbradas em meu coração,
E solicitadas em forma de criação.

Escrever poesias para mim,
É um grito de alívio e liberdade,
As criações do meu sentimento,
A sensibilidade tão aflorada.

É descrever as horas de amor,
Que rememoro em êxtase e carinho,
Entender cada um de seus momentos,
e vive-los transformando em poesia.

Escrever poesia para mim é vibrar,
Ter a alma em constante movimento,
Sentir a ternura que acalenta e transtorna,
E do amor sempre criar uma canção.

(Vânia Moreira Diniz é presidente da ALB/DF)


COM(PAIXÃO)

Por Maria Félix Fontele (Brasília, DF)


QUASE NADA


Por Maria Félix Fontele (Brasília, DF)


HÁBITOS

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)


Hábitos alimentares engordam o corpo

como opas mal cortadas amorfas em cores

distraídas maneiras de dizer: tenho tantos

anos de estudo e letras conversam comigo

enquanto sereias e siriemas agrestes gritam

músicas e não comem no mesmo prato

do profeta Calam o gole dentro do copo

e hábitos profetizam o futuro passado

ao rasgar caminhos e esfolar joelhos A náusea

nos atinge ao olharmos o outro de soslaio

o lacaio avisa o porteiro indica ao chefe

da corporação em alerta solerte a sorte

invade o castelo No hábito a glória

da continuidade: cravos e espinhos

nas costas em flagelo Secas pancadas

continuadas O corpo emagrece o hábito

é terrível o hálito de quem tem fome.