Por Paccelli José Maracci Zahler (Brasília, DF)
Revista literária online com periodicidade mensal, uma viagem cultural pela literatura, poesia, cinema e artes. Editada, desde 2011, em Brasília, DF, pelo jornalista e escritor Paccelli José Maracci Zahler (ISNI 0000 0005 3053 7228, RP/MTE nº 14402/DF; FENAJ; FIJ nº BR20943). Poemas, crônicas, contos, ensaios, e o melhor da cultura nacional e internacional. Todas as opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores. Aceitam-se colaborações. Contato: cerrado.cultural@gmail.com
PAISAGEM
Por Napoleão Valadares (Brasília, DF)
A
serrania que se não descreve
tinha,
mais altos, dois rochedos meio
ensolarados
e imponentes (leve
inclinação),
que eu avistava em cheio.
Embaixo,
o vale – vastidão sem freio –,
que deve
os homens encantar e deve
encantar
deuses, pôr em devaneio
os que o
contemplam, num enlevo breve.
Em meio
à luz, um fundo escuro (havia
umas
baixadas). E a luz novamente
tomava
conta da amplidão. Eu via
uma
floresta num pequeno monte,
depois uma
descida e, logo à frente,
quebradas,
uns relevos e uma fonte.
ESCREVER POESIAS
Por Vânia Moreira Diniz (Brasília, DF)
Escrever poesias para mim
Aconteceu desde pequenina,
Quando a minha alma solicitava,
E meus dedos se moviam.
Quando me recolhia enlevada,
Sem nem saber o que discorria,
Ansiosa e feliz a procurar-me,
E só me encontrando lá no final.
Nas horas de alegria absorvente,
A extravasar em sorrisos e
letras,
O intenso e delicioso delírio de
viver,
Perdidas nos sinais que eu amo.
Nas eventuais tristezas
passageiras,
As lágrimas transformadas em
ecos,
Vislumbradas em meu coração,
E solicitadas em forma de
criação.
Escrever poesias para mim,
É um grito de alívio e liberdade,
As criações do meu sentimento,
A sensibilidade tão aflorada.
É descrever as horas de amor,
Que rememoro em êxtase e carinho,
Entender cada um de seus
momentos,
e vive-los transformando em
poesia.
Escrever poesia para mim é
vibrar,
Ter a alma em constante
movimento,
Sentir a ternura que acalenta e
transtorna,
E do amor sempre criar uma
canção.
(Vânia Moreira Diniz é presidente da ALB/DF)
HÁBITOS
Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)
Hábitos alimentares engordam o corpo
como opas mal cortadas amorfas em cores
distraídas maneiras de dizer: tenho tantos
anos de estudo e letras conversam comigo
enquanto sereias e siriemas agrestes gritam
músicas e não comem no mesmo prato
do profeta Calam o gole dentro do copo
e hábitos profetizam o futuro passado
ao rasgar caminhos e esfolar joelhos A náusea
nos atinge ao olharmos o outro de soslaio
o lacaio avisa o porteiro indica ao chefe
da corporação em alerta solerte a sorte
invade o castelo No hábito a glória
da continuidade: cravos e espinhos
nas costas em flagelo Secas pancadas
continuadas O corpo emagrece o hábito
é terrível o hálito de quem tem fome.
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