EFEMÉRIDE


 

EFEMÉRIDE

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

 

Na efeméride o fundo falso afasta

o sentido da insegurança

 

 o féretro sai do corpo principal

 fechando a porta da capela: orada

 onde em imagens sou sacralizado

 

o infausto gesto é a briga

de abrigadas desavenças

no obrigatório fundo

falso: inconsentido

 

   no cadafalso cabem penúltimas

   razões: a efeméride se completa

                em lapsos.

 

 

 

RESPOSTAS

 


RESPOSTAS

 

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú,SC)

 

Alguma vez tive a soberba

de dizer: eu sei a resposta

(a resposta ia longe de mim)

 

estraguei meu dia

com a resposta

errada

 

(encerrei a soberba na caixa

 lacrada aos pósteros)

 

outra vez quase repeti

como correta a bobagem ouvida

na passagem entre canais

 

(senti a soberba forçar o lacre

 da caixa: sussurros e lamentos)

 

hoje falo sobre o nada com a humildade

inerente – ou falsa – aos pedintes

 

(a soberba conservo fechada

 na caixa: por livre vontade).

 

 


OS GRITOS DE SUELEN (PARTE 1)

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)


Suelen tinha 8 filhos, era mãe solteira, cuidava muito bem de seus filhos, apesar do pouco que tinham. Moravam distante de tudo e todos. Como a maioria das mães, tirava de sua boca para dar aos filhos, só que quase não tinham o que comer. Esquecido por todos, moravam num barraco de madeira, construído há tempos, no qual a madeira estava podre. Comiam pouco, pois não havia alimento, e o pouco que tinham eram restos que Suelen pegava em feiras, ou saco de lixo, noite afora pelas ruas.

Cada grito de Suelen, era um filho que falecia em seus braços. As crianças encontravam-se desnutridas, pois além de alimento faltavam lhes água. No quintal de sua casa, Suelen fazia uma cruz, onde era enterrado cada filho dado como morto. Em época de eleição, achavam Suelen, filmavam seu barraco, e doavam alimento.

Quando acabava a eleição, não a procuravam.  Muito jovem, mãe solteira, mestiça, havia preconceito, era dada como preguiçosa, ou puritana! Mais um grito de Suelen, um filho morto pela fome! Eram marcados pelo sangue, dos malditos sanguinários...os políticos!

A política do país, a idolatria de muitos e o preconceito de ser mãe solteira, mestiça, esquecida por muitos! Mais um grito de Suelen um filho(a)...um filho morto. Filhos esquecidos, marcados pelo sangue da politicagem do nosso país...!

  

GRITOS EM VERSOS E PROSAS

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

Dentro de mim existe uma vastidão de emoções, sentimentos! Há um grito por dentro que calou minha alma, para buscar algo que na verdade nunca encontrei. Enfim, pensei: —Vou apenas escrever! Então, compus amores que nunca vivi, fiz amigos autênticos, nos quais amei!

Na minha inquietude, sonhei, chorei, sempre buscando, me ausentei. Nas minhas árduas madrugadas, escrevi compulsivamente. E, os sentimentos se acumularam, foi onde exagerei… Amo poesia! Mas não passo de fragmentos poéticos! Busco com a alma em silêncio, algo que ainda, não encontrei, tudo tão complexo…

Jamais me afastei, sou feita de amor, de sonhos! Mas na verdade, nunca me reencontrei. Minha única certeza, é que sempre amarei, nunca deixarei de sonhar e versar...!  

 

                        

IDIOSSINCRASIAS

 

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

 

Entre marafundas e badernas

Entre feiras-livres e mafuás

No novo-mundo

Ser eu o teu ledo negro sol

Da meia noite

Nas infinitas sintécticas empatias

Ser eu o teu cosmo infindo

Nas sombras da pós-modernidade

Fluída

 

***

 

No singrar lânguido e lento

No nosso imaginativo

Mar de tranquilidade

Trago-te segura junto a mim

 

***

 

Mas ousamos negra ninfa

Dos bosques encantados

 Sentarmos complacentemente

Nós dois ladeados 

Irmanados em negras dores 

Na sombra de uma jabuticabeira

 

***

 

Entre as estrondosas marafundas

 E as balbuciantes badernas

No novo-mundo

Ser eu o teu dourado sol 

Da meia noite 

Ser o teu tudo

Nas infinitas empatias abstratas 

Nas sombras pós-modernidade

 


 

 

INFLEXÕES (UM SALTO NO HIPER-TEXTO)

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

Eu não avaliei bem

A nossa controversa relação

Na sombra do tempo vívido

Em que vivemos  

Pois tu vieste em desespero

 À minha procura

Em uma perdida hora

Acusar-me de fazer coisas

Que eu não fiz

Acusar-me de disser coisas

Que eu nunca disse

***

Eu não avaliei bem

Os meus etéreos sentimentos

Abissais por ti

Pois tu celeste poetisa suspensa no ar

 Vieste me procurar no ontem

Tarde da noite

Em uma absurda hora

Propor-me fazer coisas

Que eu não acredito serem certas

***

Eu não avaliei bem

As rimas e as métricas

Das prosas poéticas neo-clássicas

Das nossas vidas em belas-letras

Pois ainda no ontem

Tarde da noite 

Viestes a minha procura

Com as tuas negras vestes
Propor um salto no hiper-texto

Uma fuga da realidade fluída 


COTIDIANO

 Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)

 

São os móveis

no mesmo lugar

as flores vermelhas

no quintal

e a vida a passar.


Retratos na parede,

ausência que 

traz saudades

e o perfume

que se foi com ela.

  

O tempo é feito

menino

nem sequer olha 

pra trás.

Ou eu vou com ele

Ou eu fico sem rumo.