MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS COM A ARTE DA COLAGEM

Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)


       A arte da Colagem é uma manifestação artística muito antiga, fragmentos colados de papéis, jornais e outros materiais impressos. Com essa arte há uma infinitude de ideias e expressões. Você não precisa ser um bom designer para trabalhar com papéis e criar. Mas essa manifestação artística adquiriu o status de arte no começo do século XX, graças às ideias cubistas de Pablo Picasso e George Braques. No meu entendimento, o cubismo é a concepção da realidade por meio de formas geométricas. Já o termo colagem vem do francês "coller" que nos remete às composições de fragmentos colados de papéis.

       A minha arte remete ao poder feminino, pois com toda a sua feminilidade e capacidade de vencer os obstáculos da vida se destaca na sociedade. Tem cor, vida e sensibilidade em cada colagem. Com o tempo essa arte foi se transformando, ganhando novas formas e técnicas. A minha arte surgiu da necessidade de me reinventar. Com a técnica da colagem trago cores vibrantes, fortes e claras. Com as cores claras trago um tom de romantismo.

         Essa arte, ela é toda digital feita com a técnica da colagem, por isso o nome "Arte Digital", mas esse mesmo processo pode ser feito no papel, como havia dito a arte da colagem, basta ter muita criatividade e ousadia. No entanto, é preciso conhecê-la: O que são artes digitais? Como elas surgiram?

           Primeiramente, o conceito de arte digital engloba várias manifestações artísticas que são executadas por intermédio de eletrônicos. Agora vamos entender como elas surgiram.

         Na metade do século XX tivemos a chegada dos computadores eletrônicos. Com a computação cada vez mais presente na vida das pessoas, ele trouxe influência na vida diária dos povos pelo mundo afora. Com isso grandes avanços foram surgindo, como as artes digitais. A arte digital é ampla, vai de ilustrações, jogos de luzes, recortes e colagens.

           No entanto, a cada ano ela vai se modificando e trazendo novas possibilidades. Ela é uma arte recentemente nova, apesar da sua origem que remete aos anos 60 e 70. Esse nome foi originado na década de 80 com a chegada da computação gráfica. E vem caindo na graça do povo.

 

Clarisse da Costa é poetisa, contista, cronista e designer gráfico em Biguaçu, Santa Catarina.

Contato: clarissedacosta81@gmail.com

QUANDO EU CRUZEI A PONTE DO ARCO-ÍRIS (THIS IS MY KINGDOM ASBRU)

Por Clarisse Cristal (Balneário Camboriú, SC)

 

 

Eu não sei o que dizer?          

Porque o que você falou.         

Eu não entendi nada!   

Eu não compreendo... 

A sua língua estrangeira...    

 

Rute Margarida Rita

 

 

 

É incrível como sobrevivi 

A tudo e a todos    

E me sobressai      

Com todos os meus místicos versos     

Que lancei aos ventos solares   

***

E sem hora marcada        

E me encontrei comigo mesma  

E eu eufônica        

Criei asas cibernéticas    

E vívida flanando  

Trespassei a mítica Bifrost

***

When I crossed the rainbow bridge      

This is my kingdom Asbru

Absolutely fantastic          

And brilliant is this life that         

I have and lead now         

***

A despeito de tudo

E de todas as turbulências reinantes   

Eu eufórica pude trespassar      

A Bifrost      

A Ponte Arco-Íris   

E sentir o frescor primaveril        

Entre campos e colinas verdejantes     

Nos campos Elísios          

Na Valhalla

***

A despeito da tua a indiferença 

Eu sobrevivi a nós dois   

E a mim mesma     

***

A despeito de toda

A tua idílica veneração    

Desmedida

Para com a ebúrnea poetisa      

Que vive em límpidas águas      

De um tranquilo rio claro 

Eu sobrevivi ao estribilho teu     


Clarisse Cristal é poetisa, novelista e bibliotecária em Balneário Camboriú, Santa Catarina.

PERMITA-ME

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

Quero abrir o meu coração, escute!

Amo-lhe tanto, paixão, sem noção...

Não consigo esconder o meu desejo,

Este meu querer dos teus beijos.

***

O meu pensamento insano e sedento,

Tornei-me refém desta angústia,

Preciso do teu toque, na minha loucura,

Posso senti-lo, me toma, transbordo.

***

Permita-me ser toda tua, heresia.

Então! Envolva-me sobre o teu corpo,

Faça amor comigo, com maestria.

***

Deixe-me sentir o teu calor, agora.

Posso descrever tudo que sinto!?

O teu cheiro me impregna, desnuda-me…!

 

Fabiane Braga Lima,  poetisa, novelista, contista e cronista em Rio Claro, SP.

Contato: debragafabiane1@gmail.com

PROFESSOR AMADO

Por Marcelo de Oliveira Souza, IWA (Salvador, BA)

 

Nostalgia daquele dia

Que o professor estava ao meu lado

Quando orientava sem ser criticado

A mão amiga me segurava, comportado.

O cliente hoje bem formado.

 

Saudades daquele dia

Em que o professor era valorizado

Não tinha rótulo estagnado

Não ensinava o revoltado.

 

A vida sem agonia

De noite, refletia...

O professor ao nosso lado

Sempre tem motivado!

Apesar do termo circunstanciado.

 

Muitos direitos e o aluno desmotivado

A educação não dá feriado

Direitos de todos, irmanados

Em um futuro premiado.

 

O tempo passa como tudo

O importante na vida, estudo...

Cada professor é um mundo

Proposta de aprendizado.

 

Nesse dia, homenageado

Professor da vida

Ao nosso lado...

O professor de tudo...

Que sempre na vida

Será amado!

 

 


CHICO BENTO, O DONO DA SITUAÇÃO

Por Marcelo de Oliveira Souza, IWA (Salvador, BA)

 

Num passeio de verão

Cebolinha tem um presentão

Vai chamar a turminha

Para uma excursão.

 

Lá em Salvador

Um passeio animado

Cascão, seu parceiro

Vai ao seu lado.

 

Planejando uma situação

De levar Mônica

Na Cruz da Redenção

Deixando lá, seu coelho Sansão.

 

Todo mundo animado

Chegando de avião

Nem esqueceram Magali

A amiga da menina

Do dentão.

 

Foram no Pelourinho

Barra e Ribeira

Todo mundo curtindo

À sua maneira.

 

Juras de amizade verdadeira

Paz e união

Cebolinha e Cascão

Com risadinha irônica,

Lá vem confusão!

 

Na volta da excursão

Todos os pontos de visita

Era uma nova emoção

Lá na Cruz da Redenção...

 

 

Muito movimento e confusão

Cebolinha escondeu o felpudo

- De novo!?

- Não aprende não!

 

 

Pertinho do Jardim da Saudade

Onde a criança não tem idade

Estava Chico Bento

Vendo seu avô.

 

Velhinho importante,

Que chamam de Doutor.

Percebeu o burburinho

Um bicho estranho

Era Sansão!

 

E no aeroporto

Todo mundo preocupado

Mônica, agitada como leão

Batia em Cebola e Cascão.

 

O avião chegava

E aumentava a confusão

Até que Chico Bento

Veio o bicho na mão.

 

Que sujo ou limpo

Mônica o abraçou

Com todo amor do mundo

Batendo nos meninos,

Diz:

- Vocês não aprendem a lição!

 

 

 


DOS RIDÍCULOS DA VIDA: HIP HOP FORCE

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

 

         O quão é sensível, às questões raciais, as questões de classes e as subculturas adjacentes, aqui no velho sul. Em um país, de maioria da população é negra, e negritude é sinônimo de pobreza e aqui na fronteira sul, onde nós negros e negras, somos minoria numérica e de poder, o debate é mais que sufocado é anulado e silenciado.     

        Dito isto, vamos ao localismo atomista, no primeiro decénio do início do século XXI, quando uma tragédia aconteceu na minha cidade e vidas se foram. Um desastre automobilístico, vitimando uma estrela em ascensão do RAP/Hip Hop, da fronteira norte, vitimando também, mais dois amigos próximos, um do movimento estudantil e outro do movimento negro. E não vou me aprofundar no sinistro, porque aqui o foco é outro, e deixo para mais tarde decorrer a tragédia. O que fica, e ficou, foi uma homenagem para as vítimas do desastre, uma homenagem que um bom amigo, me veio com a proposta, de fazermos um espetáculo de Rap, em uma favela-comunidade carente. Eu fiquei com a incumbência dar infraestrutura (fazer a comunicação social do evento e dar conta da aparelhagem de som) e da superestrutura (local a ser realizar o evento) e o meu bom amigo do movimento do Hip Hop, de reunir o elenco, a gurizada local do Rap/Hip Hop.                  

        E avançamos um pouco mais, com a data confirmada, divulgação realizada, local acertado e elenco reunido. E lá estava eu no parlamento local, cuidando de outra luta de classes, e eis que surgiu na minha frente, uma querubina, uma assessora de alto calibre, que há época mantinha uma revista de arte e cultura. E lá vai eu fazer o meu social, perguntar se a revista poderia cobrir o evento, a criatura mítica, loura e de olhos verdes, reagiu assim, quando ouviu falar do evento de favelado, dando hora, local e os motivos: — Olha, teu um compromisso na capital no mesmo dia, parto de noite, e como o evento é de dia, posso sim dar uma passada por lá! — Como o evento foi em uma favela perto da casa dela, da querubina, até que a fala da semideusa estava coerente. Um pingo de esperança ficou suspenso no ar.        

       Evento realizado, tudo certo, até quando tudo deu errado, com os seus percalços, tão comum, em eventos feitos sem patrocínios, feito na cara e da coragem e com pouco apoio. Na clássica luta de raças/de classes/de gêneros, para os muitos ridículos da vida, lá estava eu de volta ao parlamento local, duas semanas depois. E por incrível que pareça, a querubina, editora-chefe da tal revista artística e cultural veio me procurar. E a nobre semideusa, desceu de lá, das densas alturas e veio me procurar no subsolo, um pouco de contexto aqui, geralmente não é a casa grande que procura a senzala. E o que a magnânima querubina queria ter comigo afinal de contas? A sacrossanta querubina, falou de um calhau, na revista cultural e artística, mas o que é um calhau afinal? Para os leigos, na área da comunicação social, calhau é um espaço em branco, um espaço vago em uma revista ou jornal, um encalhe, que na falta do que por, se coloca qualquer coisa. Segundo a grandiosa semideusa querubina-mor, da assessoria de comunicação social do parlamento local, um grandioso festival de música pesada, feito lá nas densas alturas, no vale europeu, não mandou o texto dando conta da cobertura do grandiosíssimo evento. E o calhau me foi ofertado e eu teria um dia para mandar a matéria e as fotografias do evento de Rap/Hip Hop.                      

           E como trato de ridiculices da vida, aqui neste texto, eu respondi logo que a oferta era um calhau, a querubina um pouco constrangida, me disse que não era um calhau, era um espaço em branco a ser ocupado. Eu respondi, dizendo que levaria a oferta do calhau, para o povo favelado e preto. E com toda a paciência do mundo, disse que o povo preto e pobre, não tinha recebido bem a ausência da revista cultural e artística no evento. E falei para a querubina, que provavelmente, o povo local do Rap\Hip Hop, não aceitaria bem a oferta do calhau. Constrangimentos à parte, eu não levei a oferta ao povo do Rap\Hip Hop, somente para o meu parceiro, promotor do evento, que claro ficou nervoso. É claro também, que a revista cultural e artística, não recebeu a matéria do evento na favela. E vida que segue!          

Fragmento do livro Dos Ridículos da Vida, de Samuel da Costa, contista, poeta e novelista em Itajaí, Santa Catarina.

Contato: samueldeitajai@yahoo.com.br

 

TERCEIRO MUNDO 4

Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)

Kira não demorou um minuto, voltou logo para o seu quarto e disse as palavras mágicas. Havia uma névoa densa no seu quarto, quase não se podia ver o que estava diante dos  seus olhos. O portal se fechou e mesmo assim podia sentir uma presença negativa. Talvez fosse apenas uma sensação, pensou. Tantas coisas viveu em menos de um ano naquela casa que não tinha como não ficar paranoica às vezes. Se fosse escrever um livro seria o mais tenebroso. Qual seria o título?

Já estava para amanhecer e Kira nem sequer havia dormido. Passou o resto da noite pensando. Queria ir embora de vez daquela casa apesar de algumas boas lembranças que tinha ali. Entretanto para ela o seu momento de paz seria fora daquele lugar. Só tinha que comunicar seu tio da sua decisão.

Ela sabia que não seria nada fácil, seu tio nos últimos dias se mostrou um homem nada fácil de lidar, mas tentou um diálogo tranquilo com ele. Ao descer a escada chamou ele para conversar, disse que era importante, ele até deixou de fazer o que estava fazendo. Kira não enrolou muito, foi até direta no assunto:  ̶ Não me sinto mais feliz nesta casa, quero construir novas oportunidades em outro lugar. Vou embora daqui.

Felipe logo ficou nervoso, alterou até o tom da voz. Questionou sobre os dois. Kira certa da sua decisão disse:

 - Está decidido.

Felipe novamente perguntou: 

- E nós dois? Você sabe muito bem que eu te amo, nós temos uma história.

Kira olhou fixo nos seus olhos e deixou bem claro:

 - Nós dois não existe, isso tudo é uma loucura que deve ser enterrada. Encare como um erro de dois adultos que por algum momento foram inconsequentes.

Felipe se sentindo contrariado, argumentou:

 — Mas você é a minha rainha, o amor da minha vida.

 A jovem então subiu a escada e foi direto para o seu quarto arrumar tudo. Esqueceu até que tinha uma missão a ser cumprida.

 

Clarisse da Costa é poetisa, contista, cronista e designer gráfico em Biguaçu, Santa Catarina. Contato: clarissedacosta81@gmail.com