MADRUGADA AFORA...

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

Dê-me tua mão, sem medo, e sem destino

Como loucos amantes, cheio de paixão!

Madrugada afora, gelada, embriagados

Provar o gosto dos teus beijos, molhados...

***

Dê-me a tua mão,

E me diz que tem saudades de mim…

Esqueça nosso árduo passado, vaidade

Meu corpo febril, aqueça, junto ao teu

Sem receios, diz que me deseja, sempre.

***

Agora, se aconchegue em meus braços!

Com ousadia, olhe bem fundo em meus olhos

Desvenda toda minha alma, com calma.

Dê-me tua mão, pois o meu coração bate acelerado

Lágrimas de amor escorrem em meu rosto,

Desvairadamente grito, teu nome, amor.....!



QUERIDA ALESSANDRA...

 Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)


O ano termina e novos caminhos surgem. As janelas se abrem e o brilho da lua nos dá a certeza de um novo ano, com perspectivas boas.

Neste ano que deixou muitas coisas no ar eu pude ver muitos corações em desalinho. É como se arrumar a bagunça da casa não mais importasse. O peso da palavra deixou de ser saudade, deixou de ser amor, passou a ser política. Eu só espero para o ano novo novas melodias e canções, novas histórias e recomeços.

A ausência do abraço deixou bem claro o quão superficial o ser humano pode ser. O irônico é que no Natal temos os abraços assim como no dia 31 de dezembro. Então vivenciamos o clássico clichê do "feliz ano novo''. Singular mesmo, são alguns momentos que vivemos.

Você sabe, nunca temos a certeza de nada. Vivemos numa balança. A única certeza é que amanhã, faça chuva ou faça sol, estaremos aqui começando mais um novo ano, em janeiro damos o ponto de partida. Eu te pergunto, para onde você? Porque eu já tenho a certeza do lugar para onde eu quero ir. Pretendo ir além do que eu já fui em 2022.

UM ESTRANHO CASO!

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

Ao anoitecer um silêncio pairava no ar no velho casarão, uma inquietação me fez despertar, era tarde da noite. Acordada sai da cama, então sonolenta desci as escadas, liguei o alerta total conforme ganhava o primeiro andar, fui beber um copo de água. Na cozinha, eu não abri a geladeira e decidi ir direto para pia, o barulho da torneira ainda enchia os meus ouvidos e a água quase trasbordava no copo, quando uma voz glacial inundou o ambiente. Olhei para trás era um homem mal vestido.

— Pode me arrumar um copo de água por favor! — Falou enfático o estranho.

— O que? — Respondi, em meio aos turbilhões de sentimentos e pensamentos confusos, só uma pergunta ficou martelando na minha cabeça: — Como um completo estranho entrou na minha casa!

 Como se asas brotassem nos meus pés, eu voei pelas escadas e voltei para o meu quarto. No meu quarto repassei a cena, tinha um completo estranho na minha cozinha, tinha os fortes olores de jasmim misturado com o odor putrefato de alguém que vive nas ruas. Tinhas os olhos azuis ejetados e um sorriso brando, com dentes perfeitos. Tinha o som do fino copo de cristal cheio de água gelada que deixei cair no chão. Tinha a minha necessidade de deitar na minha cama e dormir e acordar em um mundo que fazia sentido para mim.   

Ao acordar no meu quarto e na minha cama, me levantei olhei no espelho eu lentamente desci caminhar até as escadas. Chegando na cozinha notei que os fortes odores, tinham desaparecido por completo e lá estava ele, o homem misterioso, sentado na mesa da cozinha. Olhei o relógio postado na parede e era madrugada ainda e nada dele fazer menção de partir. Naquela hora tive um pensamento estranho, que talvez ele estivesse morto. Mas, a respiração dele ficou cada vez mais ofegando, parecia irado, eu fingi não estar preocupada, mas o meu corpo estava tremendo. Perguntei para o estranho quando iria embora, e ele em um rompante, ele se levantou e me pegou pelo braço, jogou-me na parede, me beijou. O forte odor invadiu os meus sentidos de novo, e como adivinhando o que eu sentia, o estranho me largou e me disse que precisava tomar um banho. Pegou na minha mão e me conduziu para fora da cozinha rumo ao desconhecido. 

O estranho agia como se fosse o dono da casa, como se conhecesse a casa pois subiu as escadas, invadiu o meu quarto, acendeu a luz, foi até o guarda-roupas, pegou uma toalha e partiu rumo ao meu banheiro. Mandou-me ficar bem quieta. Tirou as roupas encardidas, notei o corpo atlético do estranho, ele entrou no box de acrílico e fechou, abriu o chuveiro, 

Profanação! Estou desejando um homem estranho, uma pessoa que não conheço, que nunca vi na vida. Não resisti, entrei no box e subitamente me entreguei aquele homem estranho! Sedento, parecia devorar cada parte do meu corpo, com força colocou a mão na minha boca e mandou eu ficar quieta! Mandou-me não gritar e somente sentir.

Lá fora a vida ocorria naturalmente e começou a chover forte, e na minha realidade a madrugada parecia assustadora e nada do estranho ir embota. Depois do banho ele me amarrou na cama, desceu as escadas, escutei o barulho, abriu a torneira. Voltou com um copo de água nas mãos, ele segurava o copo com as duas mãos firmes. De voltou das amarras, pediu gentilmente para eu me levantar, eu obedeci, eu de pé ao lado da cama, ele molhou meu corpo nu e delicadamente secou com sua boca, me fez sentir os prazeres requintados, ele era um cavaleiro devasso!

Deliciou-me de profundos prazeres libidinosos, entre muitos beijos ardentes e orgasmos, nossos corpos se encaixaram no pecado!

Profanação!? Não sei? Me sentia completa, e ali, nosso estranho amor foi consumado, selado. Calou-me apenas com um beijo e simplesmente partindo sem nada dizer! Voltei para a cama e dormir serena para acordar no dia seguinte como quem acorda de um sonho.


A BELA NEGRA HIGH-TECH

Por Samuel da costa (Itajaí, SC)

Para Luana Santos de Oliveira

A bela negra!

De turbante multi-cores falou:

És negro sim... És negra sim...

***

Então vem...

Vem ver o meu Abadá!

Ganhar as ruas...

Então vem ver o meu Afoxé

Ganhar as ruas!

***

Então vem sem medo...

Guria!

Vem guri!

Provar o Aluá...

Ver o meu Banzé,

Provar o meu Quindim;

Vem ouvir o meu Afoxé...

O Agogô e o Caxixi!

***

A deidade do turbante multicor.

Na cabeça falou...

Chama o Griot!

Conta-me uma história...

Do nosso povo preto

Da nossa negra gente

***

A diva dama do turbante multicor!

Na cabeça falou...

Chama a Quianda...

Ei deusa das águas,

Canta e encanta,

Quebra o silêncio secular!

***

A nobre senhora turbante multicor.

Na cabeça falou:

– Ouça o caxambu!

Prova o meu quitute...

***

A afrodama do turbante multicor

Bradou assim

És negro sim...

És negra sim...


 


MANIFESTANTES OU BADERNEIROS?

Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)

 

Essas manifestações que estão acontecendo no Brasil tem nos revelado a que ponto o ser humano pode chegar em seus atos. Vemos o crescimento das notícias falsas, as brigas políticas entre familiares, depredações em órgãos públicos e estabelecimentos, rodovias trancadas. E a questão que fica é a seguinte: Quem ganha com tudo isso?

Os manifestantes estão indo contra a Constituição do Brasil trazendo o caos ao nosso país. Como podemos ver, em muitos de seus atos o cenário que encontramos são pessoas de condições de vida razoáveis.

Pessoas humildes, que mal têm o que comer e que com muito custo pagam suas contas, estão todos os dias trabalhando. O contraste social mostra o quanto vivemos num país da desigualdade. A desordem que esses manifestantes têm deixado nos faz questionar se de fato eles são manifestantes ou baderneiros.


 

JUSTIÇA BRASILEIRA CEGA

Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)

 

Enquanto a justiça brasileira fecha os olhos para tudo que acontece com nós mulheres, o homem se sente proprietário da mulher. Diariamente os noticiários anunciam mulheres vítimas de agressões verbais e físicas, estupros, tentativas de homicídio e mortes.

Com tudo isso que acontece a mulher deixa de ser a vítima para ser a culpada. Para uns a mulher deve obediência ao homem, para outros a vestimenta que ela usa é convite ao sexo.

Nessa contextualização homem e mulher ainda pode-se ver uma desigualdade social gritante. O salário da mulher é sempre abaixo do homem. Os direitos que os homens obtêm não são os mesmos que as mulheres têm.

E voltando nesse contexto de obediência, muitos usam trechos da bíblia para justificar seus atos e essa ideia machista. Será que a justiça brasileira também vai por este caminho? Até quando o Brasil vai fechar os olhos para nós mulheres?


 


PARA O AMOR NÃO TEM IDADE, BASTA AMAR

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

Lembro-me de Lia como se fosse hoje, aliás como poderia me esquecer dela. Garota audaciosa, extrovertida sempre em festas. Como se não bastasse namoradeira, e eu sempre junto, acompanhando-a. Bom, apesar de namoradeira, ela nunca foi de beber em excesso, pois sabia que assim que amanhecesse teria que trabalhar, responsável, nunca faltou ao trabalho. Lia trabalhava num escritório de contabilidade, onde era muito querida pelos colegas de trabalho.

De repente, o telefone tocou, era Lia, ela me convidando para mais uma balada, cansei em falar sim. Eu disse não, que não iria, para a minha boa amiga, afinal éramos amigas há anos e para bons amigos temos que dizer não às vezes. Disse ela ao telefone, que me apanharia na frente da minha casa.

E meia hora depois lá estava ela, deslumbrante no seu carro conversível, buzinando na frente da minha casa. Fui atende-la, e logo estranhei, ela estava acompanhada, era um senhor vestido elegantemente. Logo de cara percebi que estava namorado, pois eles estavam se beijando apaixonados como se fossem dois adolescentes. Fui até ver mais de perto o que ocorria.

— Lia quem é esse senhor!? — Perguntei sem rodeios!

— Meu novo namorado! — Respondeu Lia — Ainda não estás pronta? Sua tratante!

— Fica para a próxima amiga! — Olhei bem para ele, deveria ter uns trinta anos a mais que Lia, sei que não seria fácil, pois haveria muito preconceito. Nos despedimos, e vi a minha amiga descer a rua em alta velocidade, rasgado o asfalto.

Fiquei feliz por Lia, afinal, no amor não existe idade, raça, cor e nem religião o amor é simplesmente amor. Não foi à toa que Adélia Prado disse que: "erótica é a alma".

Enganam-se aqueles que pensam que erótico é o corpo. Cuide do seu interior, livre-se de falácias e preconceitos. Para o amor não tem idade. Para o amor, basta amar...!