Por Fernanda Cabral (Brasília, DF)
CD PRAIANOS @ 2011
Producción Musical: Cope Gutiérrez.
Rodado en IBIZA _ España @ 2013.
Dirección: Juan Martín
Edición: André Amaro
Imagen y vestuario: Juanjo Manez y Paloma Alvarez
Fashion Stories.
Maquillaje y Pelo: Paloma Alvarez.
Página oficial: www.fernandacabral.com
Fonte: YouTube.
(Fernanda Cabral, além de cantora, atriz, compositora, cineasta, é professora do IESB, Brasília, DF)
Revista literária online com periodicidade mensal, uma viagem cultural pela literatura, poesia, cinema e artes. Editada, desde 2011, em Brasília, DF, pelo jornalista e escritor Paccelli José Maracci Zahler (ISNI 0000 0005 3053 7228, RP/MTE nº 14402/DF; FENAJ; FIJ nº BR20943). Poemas, crônicas, contos, ensaios, e o melhor da cultura nacional e internacional. Todas as opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores. Aceitam-se colaborações. Contato: cerrado.cultural@gmail.com
CALENDÁRIO
Por Márcia Duro Mello (Bagé, RS)
Mais duas estações riscadas
na folhinha da vida.
É o tempo hibernal!
Ele escorre no cotidiano:
hora gota a
gota,
hora em profusas cascatas.
Goteja o inverno...
No calendário, agoniza o ano;
mas o vento bate nas esquinas;
e a caneta , encantada,
procura palavras como setas.
O inverno bate à porta!
Não há quase tempo,
ele voa com o
vento!
Arrancou-se a folha do calendário;
e as imagens ficam nas lembranças
da realidade e do imaginário.
A geada, pelos pés, é quebrada...
Minha alma fica congelada!
O que marca são os fatos,
são os atos,
são as chamas, na lareira,
que brincam com nossa memória
para, depois, hibernarem...
(Marcia Duro
Mello é presidente do Movimento dos Escritores Bageenses – MEB)
MAGIA DO INVERNO
Por Ayeza Maria Ranquetat Ferreira (Bagé, RS)
Vento minuano como lobo uivando
nas frestas da janela e nas campinas vastas.
Arrepio perpassando, corpo congelando,
o sangue escasso nas artérias gastas.
O tempo frio, no inverno sulino,
traz anúncios de geadas,
branqueando campos qual cristal reluz!
Gelo enfeita galhos esqueléticos;
árvores despidas de folhas sepultas
são açoitadas, sem piedade, em dias invernais.
Dias frios e úmidos de garoa mansa
cascateiam com brancura
e a cerração avança , castiga e ofusca...
Lareira crepitante de fogo e brasa
aconchega em
amor e ternura.
O inverno transmuta em oração,
momento consagrado de paz e comunhão.
( A autora é membro do Movimento dos Escritores Bageenses - MEB )
DEVANEIO EM MANHÃ DE VERÃO
Por
Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)
Caminho tranquilamente, passo a
passo, para os oitenta anos, e estou numa esplanada, à beira-mar, olhando o
manso ondear das águas, do imenso oceano.
Longe, vejo o mar verde – verde
glauco, – beijando suavemente as areias morenas; e mais além: barcaça, embrulhada
em alva e diáfana névoa, esfumando-se rumo ao horizonte.
Por cima de tudo, rebrilha, esplêndido
céu azul; azul intenso e fresco.
A manhã é macia, quase sem
brisa, convidativa a doce sonolência.
Lentamente…lentamente…muito
lentamente, dentro de mim, languidamente, tudo se vai esvanecendo…
Apaga-se o leve murmúrio
embalador do oceano; o sussurro alegre de vozes perdidas, e risos escangalhados
de crianças brincando.
Fecho os olhos. Abre-se, na
memória, saudoso recorte do passado. Estampado na retina, vejo: cândido rosto
de menininha:
Tem faces trigueiras, cor de
pão centeio, tostadinho; olhos fogosos e ternurosos; lábios vermelhinhos, cor
de cereja, cheios de risos festivos; epiderme, acetinada, doirada, sedosa,
fresca, cheia de Sol.
Era ela; a garotinha que abria
a porta da casa, quando era menino e moço.
Lançava os frágeis bracitos, ao
pescoço; circundava-me, a cinta, com as perninhas roliças e finas; e, com
infantil gesto carinhoso, lambuzava-me, as faces, de doces beijinhos.
Beijinhos húmidos, salivados.
Beijinhos acariciadores, imbuídos de palavrinhas ternas, de sincera e ingénua
amizade.
Depois…depois, pelo sombrio
corredor, corria, balanceando a farta cabeleira, apanhada em rabo-de-cavalo,
avisando, alegremente, a minha inesperada visita.
A saudosa cena familiar, que
aflorou, arrancada à gaveta da memória, nesta serena manhã de Verão, encheu-me,
o coração de terna saudade; saudade do passado, que passou, de passado, para
sempre, perdido…; mas, intensamente, ainda vive, dentro de mim.
……………………………………...................................................
Numa tépida manhã de Maio,
banhada de morna luz rosácea, parti…As lágrimas escorriam-me pelo rosto, mal
escanhoado, e a voz, embargada de saudade, tremia, soluçando.
Acreditava que o amor
platónico, não teria fim…Enganei-me. Até a conversa epistolar, extinguiu-se,
como nuvem passageira…
Meio século, passou… Passou a
juventude e as ilusões…e passou, também, a amizade…
Eu sei… eu sei (mas, queria não
saber,) que a amizade, depende, quase sempre, da idade, e da posição social,
que se ocupa, no tabuleiro do xadrez da vida…
Muitas vezes – para meu mal, –
mergulho em melancólicos devaneios, recordando amorosos episódios do passado.
Transformo-os, então, em letra de forma. Servem-me para refletir: nos enganos e
desenganos, que tive ao longo da vida.
Sei, ao passa-los ao papel, que
são motivo de riso e galhofa, para insensíveis, e para muitos e muitas, que
conheci no meu triste peregrinar.
Revelar o que nos vai na alma,
é puro desconchavo. É que quem não pensa com a maioria; de acordo com o
desvario, que é moda, é: anátema ou bobo….
VERDADES
Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)
Das verdades escombros
e os últimos tons da música
em despedida
dolente
tristes verdades
se afastam do continente
e o homem perde a vertente
vórtice vértice
vontade de se posicionar
no entreaberto espaço
música acabada
ressurgente
na guitarra elétrica
do poente
o ponto principal
na tangência
do acorde.
PROPORCIONALIDADE
Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)
Em exatas proporções
a tempestade principia
e depois
o caos
se encarrega
de carregá-la
para longe
no longo caminho
onde se dispersa
em miúda chuva
de poucos ventos
as proporções
se restabelecem
em nova tormenta.
DA SÉRIE AMOR EM VERMELHO: PÉRIPLO
Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)
A minha
real
Beleza de
ébano
É o que eu
vejo diante de mim
Neste
exato momento
Em que
vivo na minha plenitude
Em tempos
vorazes
De
infindas dores e infindáveis ódios
Expostos à
luz do dia
***
Ester é o
melhor momento
Para eu
refletir e meditar
Os muitos
nãos
Que a vida
me impõe
Cruelmente
E é
contemplando a lídima natureza
Que arde
em chamas
Ou mesmo
eu totalmente imersa
Em
límpidas álgidas águas tranquilas
***
O meu
cândido coração dilacerado
Tem sido
indubitavelmente
Paciente comigo
Durante a
minha transição
Do eu
criança infanta
Para o eu
mulher madura
E
realizada
Que eu
desejo ser
***
Eu
confessei para eu mesma
No meu
diário íntimo
Há tempos
idos
O amor
enlevado e abstraído
Do poeta
de ébano em dor
Por mim
***
Agora peço
ao negro aedo
Para deixar eu ir
E seguir
em frente
Mesmo
sabendo
Que é
muito mais difícil
Quando que
você é liberada
Do que é
bom
E já
jamais voltara
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