ASSIMETRIAS DESCONFORMES

 Por Clarisse Cristal (Balneário Camboriú, SC)


Para a poetisa Fabiane Braga Lima

 

‘’Mas, quem são as outras pessoas afinal de contas?

Nada! São simplesmente nada mais para o além

De nanopartículas etéreas, alheias a nós mesmos,

Gravitando cegamente e perdidamente,

 Nas nossas subsistências,

Pós-modernas, liquefeitas e vazias...’’

Adérito Muteia

 

Em desconformidades

Com o tempo presente

Componho os meus notívagos

E sonolentos textos pós-modernos

 Na enferrujada máquina de escrever

***

Em desalinho completo

Com o tempo em que vivo

Tenho o hábito de andar sozinha

Em florias violetas horas soturnas

***

Em desacordo absoluto

Com a pós-modernidade fluída

Peguei emprestada

A velha máquina de escrever

 De papai, sem ele o saber

E onde escrevo

 A minha imagética verve maldita 

*** 

Em desequilíbrio completo

Do meio social em que vivencio

Não vou mais fazer a Gestalt-terapia

Demiti o meu teuto analista

***

Em discordância de onde convivo

Vou percorrer a orla oceânica

Em plena luz do dia

Com a minhas vestes negras

Eu a naufragada monárquica

Desterrada que sou


Clarisse Cristal é poetisa e bibliotecária em Balneário Camboriú, Santa Catarina

 

 

 

DESCOBRINDO A NOSSA HISTÓRIA: BARÃO DE GUARACIABA

Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)

 

O Brasil que se diz um país da igualdade, ordem e progresso esconde parte da nossa história. O que não é de se espantar. Não é algo recente, isso já vem de muito tempo.

Temos nessa lacuna muitos negros apagados, alguns até já conhecemos e com passar dos anos fomos descobrindo mais coisas sobre suas identidades roubadas.

Hoje eu trago o Barão de Guaraciaba, fazendeiro de café e rico. Filho de mãe negra e pai branco, o Barão, um grande cafeicultor acumulou uma grande fortuna. Na verdade, uma das maiores fortunas no Brasil Império.

O seu nome de fato é Francisco Paulo de Almeida, nascido em Alagoa Dourada, Freguesia de São João del Rey em Minas Gerais. Viveu de 1826 a 1901. O seu falecimento ocorreu em 9 de janeiro de 1901 no Rio de Janeiro no auge dos seus 75 anos de idade.

O Barão deixou o patrimônio de fazendas no Vale do Paraíba fluminense, palacetes na Corte e bancos em Minas Gerais.

Clarisse da Costa é cronista e poetisa em Biguaçu, Santa Catarina.

Contato: clarissedacosta81@gmail.com

 

ARTE DIGITAL: O COMEÇO

Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)


Sou escritora, até então minha arte sempre foi literária e poética, sem inspiração para escrever poesia por dois meses entrei nesse caminho das artes digitais. Descobri essa arte por acaso, vendo imagens em duas redes sociais. Mas o que são as artes digitais? Como é que eles surgiram?

Primeiro, o conceito de arte digital engloba diversas manifestações artísticas que são realizadas através de dispositivos eletrônicos. Agora vamos entender como eles surgiram.

Em pleno século XX tivemos a chegada de computadores eletrônicos. Com a computação cada vez mais presente na vida das pessoas, ela trouxe influência na vida quotidiana das pessoas em todo o mundo. Com isso, grandes avanços foram surgindo, como as artes digitais.

A arte digital é ampla, desde ilustrações, iluminação, recortes e colagens. No entanto, a cada ano muda e traz novas possibilidades. É uma arte nova recentemente, apesar das suas origens que remontam aos anos 60 e 70. Este nome teve origem nos anos 80 com a chegada da computação gráfica. E vem caindo em favor do povo.

Minha arte tem como matéria prima o uso de imagens, fotografias, objetos e desenhos. Minha técnica é usar recortes e colagens, através de uma aplicação de designer. Mas este mesmo formato pode ser feito em programas avançados como o Photoshop.

Clarisse da Costa é cronista e poetisa em Biguaçu, Santa Catarina.

Contato: clarissedacosta81@gmail.com

 

 

  

Cultive: flores, cores, livros, amores. Primavere-se!


Abertura da Primavera e ação comemorativa dos 20 anos da Academia de Letras de Teófilo Otoni - ALTO, transmitida ao vido em 22 de setembro de 2022, às 20h.


O EXEMPLO DE UM GRANDE FILÓSOFO

  Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)


Dizer quem foi o filosofo e ensaísta Jean Guitton, parece-me desnecessário, pois é sobejamente conhecido.

Escreveu vários livros; obras dedicadas a " católicos inteligentes"; entre elas: " O Livro da Sabedoria e das Virtudes Reencontradas", editado pela Editorial Noticias, e o " Trabalho Intelectual" Coleção Universitária, da " Logos".

Foi o único leigo a participar no Concilio Vaticano II. Era professor da Sourbone e membro da Academia de França.

Poderia escrever muito mais sobre este Homem da cultura, amigo de Francois Mitterand e de vários Papas; mas, o que pretendo levar ao conhecimento do leitor amigo, é o que se passou, quando do foi incorporado no exército.

O jovem Guitton, que possuía incomensurável fé, perguntou a conhecido sacerdote, se durante o tempo de militar, deveria rezar, de joelhos, ao lado da cama, como era seu costume.

O padre, respondeu-lhe deste modo: " É dever do crente, não se envergonhar da sua fé, e praticá-la em público; mas, compreendo a sua posição..."

Jean Guitton, animado de fé invulgar, indiferente aos camaradas presentes na caserna, ajoelhou-se e orou, perante o respeito e admiração de todos.

Passaram-se longos vinte anos. Guitton, já notável professor, soube que camarada de camarata tinha falecido. Apareceu no funeral.

O pai do companheiro de caserna, professor universitário, diretor da Faculdade de Ciência, logo reconheceu Guitton. Agradeceu a presença e confidenciou-lhe:

Que o filho, que era ateu como ele, falava-lhe muito de Guitton, e admirava-lhe a sua extraordinária cultura; mas, principalmente, o que mais o surpreendera foi a coragem, o exemplo, que deu, como crente, ao ajoelhar-se na caserna, para rezar.

Jean Guitton, desde jovem, não se coagia, como católico, de se afirmar como crente, nos cargos que ocupava, assim como nas numerosas entrevistas e conferencias, que concedeu.

Bem diferente de muitos, que são crentes duplos: católicos no templo, agnósticos, na vida quotidiana – na política, na empresa, na sociedade, – receando que a fé que professam, possa prejudicar-lhes a careira profissional que iniciaram.

Jean Guitton, faleceu a 21 de março de 1999, com 98 anos, confiante na misericórdia divina, pois receava não ter posto todos os dons que recebera, ao serviço de Deus e da Igreja. - Declarou numa entrevista concedida a revista francesa.

NÃO COMPREENDI, MAS VENEREI

           Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)

 

Raposo, do nosso Eça, bacharel em Direito, sobrinho de D. Patrocínio, ao chegar ao Egipto, exclamou perante o companheiro, que com ele viajava:

- " Egipto! Egipto! Eu te saúde, negro Egipto! E que me seja propícia..."

Mas Topsius, conhecedor que Raposo tinha tanto de Dom João, como ele de historiador, voltou-se para o companheiro, e retorquiu: " Não! que vos seja propicia D. Raposo Ísis, a vaca amorosa!"

Raposo não compreendeu, mas venerou!

Como Raposo, quantos de nós, para não parecermos ignorantes, em determinado tema, não dizemos, também: venerei!...

Perante Arte Abstrata, diante de cada borrão ou rabisco, que qualquer criança de tenra idade, executava, não dizemos:

- "Que maravilha! Que obra de arte! Que pintor genial"...

O mesmo sucede quando topamos mamarrachos, na praça pública, assinados por artistas de gabarito, que qualquer garoto talentoso, faria melhor, não exclamamos doutoralmente: " Que imaginação!..." É que ninguém gosta de passar por ignorante, parecer néscio, perante os outros...

Se os críticos entendidos, os que conseguem, com palavras difíceis, explicar o que ninguém entende, nós, simples mortais, homem comum, para não parecermos estúpidos, tomamos expressões intelectuais, e dizemos enfaticamente: "formidável".

Se dissermos que é uma " borracheira", palavra com que obteve muita antipatia o Mestre Soares dos Reis, quando sinceramente apreciava obra que não gostava, os nossos amigos, logo dizem ou pensam. " E eu que o julgava inteligente!..."

O que digo de artistas plásticos, poderia dizer de certos escritores e poetas, premiados e ventilados na mass-media.

A velha e relha história do: Rei Vai Nu, está sempre atual.

Conheci amigo brincalhão, que se gabava de ser muito letrado.

Certa ocasião, deixou velho abade, atónito, ao discutir, com ele, teologia.

Decorara meia dúzia de nomes sonantes, e quando pretendia embasbacar o velho sacerdote – pouco versado ou já esquecido, – dizia-lhe: que o filósofo cristão ou teólogo tal, disseram, o que eram apenas palavras suas...

O velho abade, não queria parecer ignorante, e " engolia", como verdadeiras, as palavras falsas.

Pobre abade!... O que se passa para não se passar por pascácio!...

HOMENAGEM AO DIA DO CERRADO

Por Gustavo Dourado (Taguatinga, DF)


Cerrado da Calliandra

Das matas de galeria

Mata ciliar e seca

Sempre-viva à luz do dia


Campos sujos, cerradões

Mil veredas da poesia

Ação humana no Cerrado

Tem o risco de extinção


Os animais correm perigo

Fogo, morte, exploração

Natureza devastada

Em grave degeneração


Aqui é o chakra da Terra

Do mundo é o coração

Geologia bem antiga

De alta elaboração

Presença da divindade

No Planalto da Nação