ARDOR

 Por Patrícia Raphael (Itajaí, SC)

 

O tempo quer que fiquemos juntos,

Ardo em desejo na tua espera,

Tempo de ficarmos juntos,

De mãos dados comigo,

Teu corpo encostado no meu

Chega arder por dentro

Que arde contigo e comigo

Sempre fico no lugar

Eu quero te sentir

Eu vou gostar

Eu quero acordar...

E sonhar contigo

Viver intensamente

Já no amanhã te quero sorrindo

Doida pra ser feliz com contigo...

O que ficou pra sempre

Vou te amar

Coisas da vida...

Se quiseres crer

Não creia, porque tudo foi ilusão...

Mas o que importa!

Só restou saudades.


Patrícia Raphael poetisa e cronista em Itajaí, Santa Catarina.

 

POR DETRÁS DAS SINTÉCTICAS PORTAS FECHADAS

 

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

 

Passei um tempo me perguntando

O que havia detrás

Daqueles intensos

Olhos castanhos em chamas

Mergulhados em infinitos

E milenares mistérios

***

Passei um bom tempo me perguntando

O que de fato havia

Por detrás das sintécticas

Portas fechados

***

Fecho os meus lânguidos olhos

A muito cansados

E tento imaginar

O que de fato tu pensas

A respeito

Dos perdidos versos

Agrafos meus

Lançados aos ventos solares

***

E eu em puro desejo

Em vão tento imaginar

Tu sozinha, diáfana e ignota

Na perdida noite eviterna

Postada ad aeternum

No além dos astros-mortos


Samuel da Costa é poeta, novelista e contista em Itajaí, Santa Catarina.

Contato: samueldeitajai@yahoo.com.br

 

EM UMA MANHÃ GLORIOSA


Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

 

No alvor de um novo dia

No frescor matinal

Eu vou te traduzir por inteiro

Em um instante apenas

***

Em uma belíssima e gloriosíssima manhã

De um dulcíssimo sol ameno

Eu vou te despertar

E te traduzir por inteiro

Em belas-artes

Em belas-letras

Em uma nova Era

***

É fantástico me perder completamente

Nos sibilinos lábios floreais teus

No trigal dos teus cabelos

Nos abissais castanhos olhos teus

***

Seria magnificente

Que entre breves bilhetes vagos

E cartas surreais

Entre estranhezas

Na pós-modernidade fluída

Eu poder te traduzir completamente

Em belas-artes surreais

Em belas-letras nefelibatas.

 

Samuel da Costa é poeta, novelista e contista em Itajaí, Santa Catarina.

Contato: samueldeitajai@yahoo.com.br

 

Entrevista Escritor Paccelli M Zahler

A VELHA CASA ONDE NASCEMOS

Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal) 

 

Quem não se recorda, com saudade, da velha casa onde nasceu e se criou?

Casa velhinha, em que cada canto e recanto, se revive amorosos retalhos dos tempos que já não são.

Nasci numa velhíssima casa de alforge, de três alargados pisos, com mais de duzentos anos!

Havia, no rés-do-chão, alçapão, que dava acesso a lôbrega e sinistra cave, infestada de aracnídeos, que era o terror da acriançada, mormente do benjamim.

Recordo – como e recordo! Deus meu! - da ampla e soturna sala de jantar, de paredes forradas a papel encarnado, recobertas de - baixos-relevos, aguarelas, pratos de faiança, e quadros de gravuras antigas. Em duas sóbrias colunas de nobre madeira, repousavam delicadas estatuetas em gesso patinado. Nas portas cobertas a esmalte branco, pendiam, das sanefas, pesados reposteiros.

Tomávamos nela as refeições, mas apenas em dia festivo ou quando havia visitas de cerimónia; ordinariamente tínhamos outra salinha, mais acolhedora, para o trivial.

Lembro-me – como me lembro! - o espaçoso armário de portadas verdes, embutido, quase dissimulado, no vão da escada. Nas sólidas prateleiras, dormiam inúteis velharias, entre elas: balança de dois pratos, maciços globos coloridos de vidro, palmatória de latão, pautas de música da avó Sofia, garrafas de vinho do Porto, e antigos jornais, relatando notáveis acontecimentos do passado.

Nesse antiquíssimo casarão, decorreu a minha nem sempre feliz adolescência, cadenciada pelo embalador e dormente tiquetaque do antigo relógio de pêndula, que pertencera a minha bisavó Júlia.

Nessas rijas paredes de estuque e granito, decorreram aventuras e desventuras, e senti, com mágoa, paulatinamente, escorrer como areia fina entre dedos, sonhos idealizados, que não pude ou não soube concretizar. Em " Portugal Pequenino" Raul Brandão invoca o encanto das vetustas casas que passavam de geração a geração:

" Que linda casa quando vem dos pais que a herdaram dos avós! Cada prego foi pregado para a eternidade. Mais tarde até na velhice e ainda que corras mundo, todos os teus sonhos se passam sempre entre aquelas paredes, e empurras as portas perras dando-lhes o jeito que lhes davas em pequeno para as abrires..."

Camartelos, pás e picaretas, desventraram, sem dó, a velhíssima casa da minha infância. Ficou-lhe o imponente esqueleto, mirando altivamente as águas açodadas do Douro, e o casaria acastelado da cidade da Virgem.

É a triste sorte, neste tempo prosaico, das vetustas residências do século XIX.

O encanto que recorda Raul Brandão, já não pode sentir a geração do século XXI, porque foram desfiguradas, demudadas em esquerdo – direito.

Jamais terão os jovens o prazer, o fascínio, de viverem nessas velhas casas de outrora; algumas tinham jardinzinhos aconchegantes, caramanchões coroados pelos robustos braços de contorcida glicínia, que desabrochava ao raiar da primavera, toucadas de formosos e olorosos cachos arroxeados,

Nessas vetustas casas, que eram dos avós ecoavam pelos taciturnos corredores, antigas vozes dos entes queridos, que já partiram. Em cada quarto, em cada saleta, sentia-se reviver, a cada passo,os ancestrais falecidos – bisavós, avós e pais.

Eram casas que tinham alma, que recordavam quem éramos e de onde viemos. 

VOCÊ SABE O QUE É TRADUTAR?

Por Ricardo Albino (Belo Horizonte, MG)

A língua portuguesa é mesmo linda, criativa e apaixonante! Ainda mais quando em contato com a arte a gente descobre novas expressões, palavras e até verbos criados pela bela imaginação infantil. Tradutar se já existia, confesso nunca antes ouvi falar. Mas, a primeira vez que escutei amei!  Nada mais bonito que no espaço do conhecimento para nascer o tradutar.

 

Eu tradutei 

Tu tradutastes 

Ela tradutou 

Nós tradutamos 

Vós tradutaste 

Eles tradutaram 

 

Eis aqui um verbo que significa na verdade, traduzir. E que foi dito assim por um pequeno de coração grande, alma leve, sorriso alegre e imaginação gigante que eu não sei o nome nem onde mora. Mas ao  assistir uma contação de história de um Rapidinho Cadeirante e uma Fada dos Dedos Falantes tornou-se o pequeno grande tradutor das simples e diretas demonstrações de gratidão e atenção pelo amor ao coração deles por nós compartilhados. Sem saber onde é sua casa menino, seu ensinamento criativo verbal imaginário fez do meu coração moradia do amor sem tradutar ou tradução no mundo da magia.

 

Sobre o autor:

Ricardo Flávio Mendlovitz Albino, 45 anos, nascido e criado em Belo Horizonte, é jornalista formado em 2006 pelo Centro Universitário de Belo Horizonte UNI BH e também Contador de Histórias formado pelo Instituto Cultural Aletria em 2015, criador da página Ricontar Histórias em 2017 e do canal de mesmo nome no Youtube em 2021

Cadeirante e tem visão subnormal. Idealizou o canal e o Podcast Ricontar para unir histórias, seu  amor pelo rádio,  acessibilidade e inclusão. Participou da Antologia Digital 2022 e é autor do livro “Rapidinho em Quarentena”.

 

 


E OUVIRAM O PUNGENTE CROCITAR

 Por Dias Campos (São Paulo, SP)

 

            Não é incomum que uma criança tenha um amigo imaginário. Paulinho tinha o seu, e chamava-se Ruy.

            Seus pais, se não o repreendiam, também não o estimulavam; até porque, tinham a certeza de que essa amizade acabaria com o passar dos anos.

            No entanto, um acontecimento fez estremecer a normalidade que reinava no lar dos Pereira...

Certa noite, quando o casal assistia à TV e Paulinho pintava com lápis de cera a obra de arte que rabiscara, Ruy apareceu e começou a conversar.

O casal entreolhou-se, sorriram, e André pediu que conversassem à baixa voz para que não atrapalhassem o filme.

Mas quando o garoto virou-se e disse que Ruy tinha um pedido a fazer à dona da casa, Bianca, com toda a paciência do mundo, abaixou o som do aparelho e quis saber do que se tratava.

Paulinho, mesmo com as dificuldades impostas à pronúncia dos sete anos, passaria a repetir o que o recém-chegado ditaria.

Só que, ao contrário do que pudessem imaginar – queria batatinhas fritas no jantar –, Ruy pedia a Bianca, que era diretora de escola e quem decidia sobre o texto impresso nos diplomas dos formandos, para que respeitasse o bom cunho português, pois a linguagem neutra de gênero nada mais era do que a maior tolice que a ociosidade humana poderia um dia produzir.

Não se precisaria dizer que as bocas entreabriram-se, que os olhos arregalaram-se, e que nenhum dos pais conseguiria pôr a cabeça no travesseiro e dormir o sono dos justos.

Passados alguns segundos de completa mudez, Bianca acabou aceitando o que Ruy pedira; se bem que só convencesse o próprio filho.

Desta noite em diante, quando Ruy vinha ter com Paulinho, se algum de seus pais estivesse próximo, parava o que fazia, apurava o melhor dos ouvidos, e não desgrudava os olhos do guri, na esperança de compreender o que de fato acontecia.

Mas o nível dessas conversas não mais os impressionava, já que não se afastava do previsível e limitado mundo infantil.

E isso deixava André e Bianca cada vez mais incomodados. Afinal, como explicar aquele pedido, cujo conteúdo seria impensável a qualquer criança, mesmo que dotada de grande inteligência?

O incômodo chegou a tal ponto que o casal decidiu testar o menino e perguntaram se poderiam falar com Ruy, caso ele estivesse presente.

A criança relanceou os olhos pela sala e viu seu amigo sentando na cadeira de balanço que pertencera à nonna.

Mas antes que Paulinho repetisse a pergunta, Ruy respondia que estava à disposição.

É claro que André e Bianca ficaram como que travados; não sabiam por onde começar.

Percebendo a inibição, Ruy resolveu antecipar-se, porquanto o que falaria era muito mais importante do que qualquer comprovação.

Disse que Bianca, com a concordância do marido, desprezou a oportunidade que recebera, e que, por força disso, a beleza da língua portuguesa continuava a ser maculada. Assim sendo, ele, Ruy, não perderia o seu tempo tentando passar-lhes bons conselhos, pois, pelo que percebera, não cuidavam ser pessoas em quem pudesse investir. Daí limitar-se a entreter, a preparar e a apostar no futuro do seu mais novo e sincero amiguinho.

Também seria desnecessário esclarecer que, desta vez, os queixos caíram, os olhos esbugalharam-se, e que o casal passaria uma longa noite em claro.

André ainda ensaiou um ou outro comentário, mas só conseguiu gaguejar; Bianca permanecia calada, sem saber se piscava ou se corria; e Paulinho sorria, como se Ruy estivesse brincando de fazer caretas.

De repente, o garoto pediu atenção aos pais, uma vez que seu amigo queria dar-lhes uma última chance. Se soubessem aproveitá-la, muito que bem. Mas se a desperdiçassem, mais cedo ou mais tarde acabariam sofrendo as consequências da sua escolha. E perguntava se poderia seguir adiante.

Os Pereira entreolharam-se... interrogaram-se... voltaram-se para o filho... e, meneando as cabeças, responderam que sim.

            Sendo assim, Ruy pediu que anotassem ou gravassem o que ele iria dizer, não só por ser o texto um pouco extenso, mas, em particular, para que não entrasse por uns ouvidos e saísse por outros.

            André e Bianca estavam perplexos! E por mais que se orgulhassem da sua racionalidade, tarimba e ceticismo, não imaginavam como um garotinho que ainda gostava de mamadeiras pudesse embrenhar-se em assuntos absolutamente estranhos ao seu universo, nem como conseguia expressar-se por meio de palavras e frases que só seriam aprendidas daqui a vários anos.

Mesmo sem os necessários esclarecimentos, era indubitável que não poderiam atribuir Ruy a uma imaginação fértil ou superexcitada. Havia, sim, uma grande inteligência que se expressava por meio do guri. E se se diziam amigos, longe estava de ser imaginário.

            E como não enxergasse nenhuma alternativa, André pegou o celular e ligou o gravador.

Ruy disse que repetiria um excerto de um célebre discurso que proferira no Senado Federal, em 1914. Pedia para que ponderassem sobre os “considerandos” e sobre as suas consequências. E que, depois de muito refletirem, fizessem a escolha certa.

            André e Bianca mal sabiam o que dizer, o que pensar! Seu filhinho estava de pé diante deles, e repassava mensagens de um homem feito e culto. E como se não bastasse, discursaria como um orador do século retrasado! Era demais até mesmo para pessoas que sempre se gabaram do seu agnosticismo e que, por isso mesmo, nunca se deixaram embromar pela mais sutil das artimanhas.

            E porque o silêncio dava licença, Ruy prosseguiu: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” 

            Atônitos talvez fossem os adjetivos que melhor caracterizariam os semblantes de André e Bianca.

Como permaneciam mudos, Ruy interveio e insistiu para que refletissem sobre o que acabavam de ouvir. E que se esforçassem para não mais compactuarem com o erro, seja contribuindo com tolices, seja fechando os olhos para os abusos, seja, enfim, aplaudindo o erro em detrimento do que é correto. E despedia-se de todos.

O menino retribuiu acenando com a mão direita. Logo depois, trançava as pernas e pedia para ir ao banheiro.

Mesmo sendo mãe, Bianca demorou bons segundos para reaprumar-se e atender o aperto do filho.

            Quando voltaram, ela perguntou ao marido para quem escrevia.

            André respondeu que o trecho que ouviram não lhe era estranho; que volta e meia lia essa mensagem no Facebook ou a recebia em grupos de WhatsApp. Por isso, pesquisava no Google.

            Com efeito, o resultado não tardou a aparecer, e vinha ilustrado com a fotografia do seu autor. Tratava-se de ninguém menos que Ruy Barbosa, o Águia de Haia!

            Boquiaberto, André mostrou a tela para a esposa, que o acompanhou em espanto.

            Ato contínuo, Bianca mostrou a imagem para o filho, perguntando se era esse o senhor com quem conversava.

            É claro que a criança não teve nenhuma dificuldade em reconhecê-lo. Apenas que estava... diferente.

            Apreendendo a dúvida do garoto, André esclareceu que a foto era muito antiga e que não tinha sido colorizada.

            O final do sábado seria dividido entre os cuidados dispensados ao guri e os hiatos dedicados à autorreflexão. Na verdade, não viam a hora que Paulinho fosse para cama a fim de que pudessem conversar, questionarem-se, e acharem uma explicação que os satisfizesse; além de um norte por onde pudessem caminhar.

            Era todo um mundo que desabava, um castelo de cartas que não se aguentara ao sopro de realidades até então ridicularizadas e desprezadas.

E essa constatação incomodava demais os seus espíritos...

            Fosse como fosse, o que André e Bianca não suspeitavam é que Ruy não tinha partido. Na verdade, tornara-se invisível para o menino a fim de melhor observar os pais, auscultando-lhes os pensamentos, lendo em seus corações.

            Pois foi colocarem a criança para dormir, e eles retornaram à sala, sentaram-se no sofá, encararam-se, e puseram-se a conversar.

            Reviram cenas... levantaram hipóteses... examinaram convicções... afastaram conclusões apressadas. E meditaram à exaustão sobre o fragmento escrito pelo emérito jurista.

Verificaram a atualidade das causas e que os efeitos eram corolários inexoráveis. E deduziram que se o sofrimento acontecido no passado não foi suficiente para impedir um presente mal talhado, por certo que o futuro seria ainda pior, caso os governados continuassem desculpando a bandalheira, aceitando a corrupção, e menosprezando a impunidade.

E porque não se pode mudar um povo de uma hora para outra, compreenderam que deveriam começar por si mesmos, esforçando-se dia a dia por melhorarem, na certeza de que, se não estavam sós, seriam os seus exemplos que tocariam, atrairiam e modificariam a multidão na retaguarda.

            Neste meio tempo, o garoto aparecia.

            Sua mãe foi a primeira a estender os braços.

            Mas tão logo se sentou entre ambos, Paulinho avisava que Ruy quereria falar.

            As sobrancelhas de André alevantaram-se; a testa de Bianca frisou-se; e Ruy pediu para o guri continuar sentado.

            Disse que ouvira tudo o que eles conversaram. E que leu em seus corações uma vontade honesta de contribuírem para o bem geral. Advertiu-os de que se mantivessem firmes, pois não seria fácil lutar contra hábitos arraigados há séculos. Mas que, se perseverassem, não apenas eles seriam mais felizes, como, também, as futuras gerações só teriam a agradecer. – os olhos dos pais já se umedeciam.

            Como o tempo urgia, desejava a todos muita paz e serenidade. Afirmava que jamais os abandonaria, e esclarecia que o crescimento do menino não seria empecilho a que continuassem interagindo.

Por fim, estimulava-os a irem conhecer o Houston Livestock Show and Rodeo, um dos mais tradicionais rodeios do mundo.

André surpreendeu-se com a falta de privacidade em sua casa. Bianca já não se admirava de mais nada; e perguntou se ele os acompanharia.

Ruy respondeu que não. No entanto, avisava que um veterinário conhecido internacionalmente iria acompanhá-los, pois a ocasião seria propícia para auxiliar os seus colegas de profissão. Além do que, graças ao dom de que fora investido e, sobretudo, à ajuda de Paulinho, ele poderia dialogar com um grande número de animais.

Os pais não entenderam patavina. Esse tal veterinário, de quem se tratava? E como a criança poderia ajudá-lo a conversar com os animais?!

Mas se é verdade que André e Bianca ficaram bastante apreensivos ao imaginarem o próprio filho batendo-papo com touros e cavalos, também é correto afirmar que o Dr. Dolittle enxergaria em Paulinho um aprendiz mais que promissor.