segunda-feira, 1 de julho de 2019

EU SOU ARTESÃ


Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)

            A poesia sempre andou comigo. Mas antes de tudo "Eu sou artesã". Sou por amor a arte. Depois pelo ganho financeiro. Até eu entender o que se passou fiquei me perguntando o que eu fiz de errado.  E a bem na verdade nunca devemos nos cobrar o que fizemos de errado e sim o que deu de errado. Não é um erro tentar. Eu fiz a minha arte, me dediquei. Não obtive lucro. Mas a culpa não é do artesão quando isso acontece e sim do outro que não dá valor a sua arte.                                                                         
            Sempre buscamos o melhor do nosso trabalho.  Cada obra de um artesão é única.
Tira a medida. Desenha. Rabisca. Corta o molde. Rabisca o tecido. Costura. Pinta. Borda. Enche. Coloca amor. Faz o arremate.  Faz um ponto, cria outro ponto. Pega a agulha certa tricota e ganha utilidade no inverno.  Faz o círculo mágico, conta o ponto, tece o ponto, aumenta e diminui. Invente e reinvente.
            Está feito o crochê. Lixe a caixa, pinte com uma cor clara, depois pinte por cima com uma cor forte. Use e abuse de todas as técnicas. Envelheça se for sua preferência. Use o pincel certo. A lixa fina é melhor para fazer coisas delicadas. Decore. Mas lembre-se que mais é menos. Passa os minutos. Passa os segundos. A mão dói. Mas dá gosto de ver tudo pronto. Às vezes a ansiedade é grande! Perdemos o tempo. Quando se vê é hora dos afazeres domésticos.                                   
            Passa alguns minutos… De volta a arte, capricha no arremate. Trabalho bem feito não tem início e nem fim! A expectativa é grande. Sabemos assim como vocês também sabem que tudo têm um custo e não dá para botar um valor à baixo do esperado. Perdemos tempo e dedicação. Gastamos com materiais e a mão de obra. Tem todo capricho.   
            Conheça a fundo aquele artesão do seu bairro, às vezes nem apoio ele tem. Sequer na sua cidade tem associações de artesanato. Tudo que ele faz não é valorizado muitas vezes. Se não há interesse de sua parte em comprar a arte daquele artesão não o menospreze ou sequer diga que está caro demais. Aqueles 35 reais são 35 reais do seu tempo, da sua dedicação e amor a arte.                                   
            Eu te desafio nesse momento à fazer por dias e horas um trabalho manual que lhe custe apenas 4 reais. E te desafio depois vender o mesmo por 10 reais.  Você vai dizer: ‘’EU FIZ COM TANTO CAPRICHO NÃO DÁ PRA VENDER APENAS POR ESSE PREÇO. O QUE EU VOU CONSEGUIR COMPRAR COM ESSE VALOR?’’
            Eu parei a arte, mas ela vive em mim eternamente como a poesia. Não faço mais artesanato. Eu me dediquei. Gastei. Agora é hora de novos caminhos.  Tudo na vida tem o ponto de partida, chegada e fim. Eu cheguei ao fim da arte!




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