RENDO-ME

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP) 

Hoje amanheci com saudade de você, cheia de tesão, eu sei que muitos vão me criticar, pode ser inveja, sinceramente, não importo-me. Lembrei de você na madrugada, do seu corpo excitado, seu jeito doce, tão gostoso, senti saudade do seu ciúmes, seu modo rude de me ganhar!

Foram tantas, madrugadas, ainda estou aqui toda excitada, louca de vontade de beijá-lo e entregar-me ao pecado. Ainda mordo meus lábios, pensando em você, lembrando do modo em que me tomava, apalpando meu corpo, eu gritava, era exagero.

 Fico pensando: — Como queria você ao meu lado, beijando meu corpo encalorado, como sempre fez!

Rendo-me, vem toma-me em seus braços, só de pensar fico excitada, querendo seus beijos, toda molhada, serva desse desejo, sou apaixonada...!

 

 

 

AMOR INSANO

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP) 

Que amor é esse que invadiu minha mente, insano, confundiu meus sentimentos. Esqueça, todos os versos que lhe fiz com dedicação, jamais foram feitos para você, nunca tiveram endereço.

Tudo em você e me perturba, não sou serva da sua demência do seu egoísmo. Não quero a escuridão me rodeando, preciso cuidar da minha alma, apague os versos que me escreveu. Anjo!

Apenas a escuridão que assombrou minha vida quis despir minha alma, invadir meu corpo... Mas ganhou desprezo, infelizmente, ninguém despi minha alma!

 

 

INSANOS SÃO OS MEUS PENSAMENTOS!

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

Quero tê-lo envolvido em meu corpo, sentir o gosto dos seus beijos, calar esse grito eufórico por dentro! Se é loucura, não sei, mas se for, vou me entregar por inteira, sentindo seu corpo sedento de desejo, gemendo noites afora, aforando o meu libido com intenso prazer.

            Quero sentir seu corpo encalorado, surtar insaciado, entre lençóis molhados, quero intensamente com gozar junto a você. Com luxuria sacie meu incontrolável instinto, domina, supra-me com gestos obscenos, é tudo que meu corpo precisa, necessita!

Então, venha! Toma-me todo em seus braços, sinto-me extasiada, toda úmida de tesão. Não pare! Acorrenta-me junto a você me fazendo estremecer. Devore-me toda até amanhecer, quero estar presa como fera no cio, sentindo seu cheiro!

Venha logo, cá estou esperando! Chegue agora com vontade, penetre forte em meu copo, quero muitos orgasmos! Quero lhe ver louco e completamente excitado!

Meu corpo se rende! Prenda-me, sou toda sua, se é pecado, não sei, mas quero padecer nessa insana loucura de lhe querer...!  Mata-me de prazer

Contato: bragalimafabiane@gmail.com

DESPIU-ME

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

Despiu-me sem juízo, desenhou sob meu corpo seus desejos mais ocultos, sua ânsia em querer se satisfazer! Saciou minha sede, envolvendo-me em seu corpo másculo, devorou meus sentidos, em desatino.

Prendeu-me no seu íntimo, me fez sentir a tortura mais extasiante, que inflamou minha carne devassa, em meio a gritos e gemidos.

Impregnou-me, com seu cheiro impuro, com seu fogo sagrado, curou feridas da minha alma, invadiu-me toda, sem pedir permissão, com sua essência me dominou.

Rendida, ensinou-me o verbo amar, e nos deliciamos, nos lascivos prazeres libidinosos, envolvidos sob às estranhas de nossa alma...!

Contato: bragalimafabiane@gmail.com

SINTA-ME

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP) 

Sinta meu coração, minha respiração ofegante gritando seu nome, quanto mais tento, me acalma meu corpo se envolve junto ao seu, então me liberto, sinto-me dominada por sua essência.

Perco o sentido, invadi minha alma, meu corpo, fico sem controle, sou sua, quero sentir sua boca acariciando todo meu corpo, voraz, me faz gozar, entre gemidos e delírios que me levam a outros universos.

Sem medo, sinta minha mão lhe tocando, grite peça mais, quero ser a mulher que lhe deixe vasto de desejos profanos, sem limitação. Fico emaranhada, não sei se é loucura, mas me deixa excitada, meu corpo se fundi ao seu, sinto sua intensidade! Paixão ou loucura minha alma se acalma. Aquieto-me...!

Contato: bragalimafabiane@gmail.com

PEREGRINO

 

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

Para Aristides Souza Maia

 

Na primavera dos povos

Foste tu a criar divinais asas

Nos pés

E flanar livremente

No tempo atemporal

E no espaço 

***

Em todas as primaveras

De todos os povos reprimidos

Foste tu a criar sibilinas

Asas nos pés

E voar infinitamente 

Nas impossíveis alturas

***

Na infindável primavera

De todos os povos sub-jugados

Foste tu a voejar heroicamente

Em uma jornada eviterna

Trans-oceânica

Até os confins do novo mundo

Para ouvir em êxtase

  O dulcíssimo bel canto

Magnificente da Iara amazônica


 

 

NADA FÁCIL

Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)

Eu bem me lembro dos muitos risos na minha vida, alguns nem eram da minha espontaneidade. Quando eu os ouvia eu me sentia qualquer coisa menos gente.

Quando eu ganhei o meu primeiro diário me perguntaram com toda ironia do mundo o que eu iria escrever ali de tão secreto. Disseram para mim que eu nada tinha para contar. E a gente precisa de ter uma grande uma grande história de vida para escrever algo?

A mulher sofre oposição até dentro da família. É como se ela não pudesse existir ou for a mulher que ela se tornou. No meu caso é pior, pois sou mulher negra. Parece que a mulher negra tem que ser igual ao sistema, podre, frio e obediente. Mas eu nasci para obedecer ao sistema não democrático desse país e muito menos para seguir os padrões de beleza. 

Eu tenho a minha particularidade, uma beleza única.  A minha persistência me faz crer que posso ir além do que todos imaginaram. Hoje eu tenho uma história de perseverança pra contar. Porque para viver nesse mundo tão desigual é preciso perseverar. 

Depois que eu fiquei doente eu vi um novo mundo a minha volta. Também vi em mim outra mulher, porém vulnerável. Eu não era forte. Eu sentia que existiam em mim duas mulheres, uma queria desistir de tudo e ir morar na lua. Se é que isso é possível! Eu achava que lá, somente lá eu poderia ser quem eu sou. É inevitável, quando a sociedade lhe exclui do meio e as pessoas lhe julgam. Obviamente que eu me isolei. Não fazia diferença a minha presença para eles. Mas o incrível é que eu não deixei de sonhar de acreditar. 

Eu caí várias vezes, não foram rasteiras da vida, simplesmente as pernas não me obedeciam. Talvez no meu subconsciente eu não quisesse sair do lugar.

Eu jamais me senti incapaz, mas às vezes os olhares das pessoas me faziam me sentir diferente, excluída. 

O que é inclusão se a sociedade lhe exclui por ser negra ou ter alguma deficiência física? 

Eu perdi o ano escolar preste a ir para o terceiro ano do ensino médio. A escola sequer me deu alternativas para estudar. A partir disto me senti excluída e vi o valor de uma pessoa quando fica doente. De repente eu era nada e sem liberdade para querer mais da vida.

Então através das poesias eu construí as minhas asas, com as poesias me sinto livre. Claro que, sem fugir da realidade, completamente com os pés no chão como o meu amigo escritor me ensinou. 

Quando eu perdi quem eu mais amava parecia que eu tinha perdido tudo. Cheguei a me sentir perdida sem ter para onde ir e o que fazer. Eu tinha um sonho e zero oportunidade. 

Eu sequer tinha planejado a minha vida sem ela. Eu falo de minha mãe. Após sua partida parei pra pensar em tudo que vivi ao longo dos meus 35 anos de vida. 

Comecei a entender sobre o racismo que vivi já na infância, os olhares para cima de mim e os questionamentos depois que comecei a usar andador. 

A partir daí encontrei em mim outra mulher outra escritora.  Forte e crente na minha capacidade.  Decidi olhar pra mim pra vida. A sociedade não me incluiu. Eu me incluí no mundo. 

Eu entrei no supermercado, ali eu não era mais uma pessoa à fazer compras. Parecia que eu era um ser de outro planeta, tamanho os olhares sobre mim. Mas eu segui em frente com a cestinha na mão e fui até o caixa pagar. Cheguei em casa com a satisfação de que eu tinha vencido mais um obstáculo. Até o meu pai ficou surpreso.

Mas o melhor da minha história foi quando entendi que a minha mãe não queria me ver triste. A noite ela sentou-se na beirada da cama e me disse: "Calma, eu estou aqui!" Então comecei a lutar com toda força em busca do meu sonho.

Claro que não foi fácil, a vida nos surpreende o tempo todo. E nós como humanos temos os nossos atos falhos. Não temos o controle de tudo. E essa vida me apresentou o escritor Samuel da Costa e este me deu o caminho das pedras. Ele me incluiu no mundo literário. 

O caminho é fácil? Não. Nem o ser humano é. A inclusão existe para todos? Não. Mas é preciso lutar. Existir para algum propósito que lhe faça a diferença.