SUSTENTADOS NO AR POR NEGRAS, AS FRACAS

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC) e Clarisse Cristal (Balneário Camboriú, SC)

Entre o silêncio e a ausência

Para a poetisa Fabiane Braga Lima

 

‘’Retoquei a minha vida achei forças

E alicerces em lugares que eu não conheço

Fiz que o amor brilhasse

Restaurando a nossa inocência

Impulsionando o nosso puro amor’’

Patrícia Raphael

 

Entre as cósmicas ausências infinitas

De coisas que estão eternamente

 Suspensas no ar por asas fracas

***

 Entre múltiplos silêncios

Vem tu a ter comigo

 Tarde da noite

Vens bater na minha porta supra irreal

Para me lembrar que eu infanta nectárea

Criança da lua noctâmbula

Estou indo do nada rumo para lugar algum

Que vivo na segurança mais que tranquila

 Em uma torre de marfim

***

Entre as negras ausências abstratas

De coisas ordinárias quais queres

Suspensas no ar

Por débeis negras asas fracas

***

Toma já apressado um expresso oriente

Nagoya e Amsterdam

Pequim e Paris

Esvaeça daqui negro aedo neo-simbolista 

Visite o Topkapi agora

***

Entre as lânguidas ausências surreais 

Aos sabores venais de sons crepusculares

De finos e hialinos cristais sendo triturados

 Por tirânicas negras asas fracas

***

Toma um expresso ocidente/oriente

Paris e Texas

Xangai e Boca raton

Bangkok e Londres

Esvaeça daqui poeta de ébano

Clarisse Crista e Samuel da Costa

 

 

 

Unilateral

Para a poetisa Patrícia Raphael

 

‘’Então envelheces o teu corpo

No abismo que cavaste,

Todas as cinzas devem

Está lá.’’

Clarisse da Costa

 

O ser ambíguo à meia luz

Da pós-modernidade fluida

O ser andrógeno unilateral

Que em completo silêncio se esgueira

Por ali e aqui

Por lá e por acolá

Na completa escuridão

***

Ser a última de todas e todos 

 A ser lembrada

Para depois ser a irreal naufraga

A primeira a ser

 Totalmente abandonada

Em mar aberto

***

Veio aquele sentimento vago

Difuso e confuso

Que cai de alturas impossíveis

Em perdidas negras horas

Ver-te edílica

Ver-te exílica

Afogada em um vasto oceano

De neuróticas dores 

Inundada de incolores cristalinas lágrimas

***

Visto as minhas vaporosas negras vestes

Diante do espelho convexo  

Em um ato unilateral

Um gesto que só me pertence

Que é somente meu

E não é teu

***

Diante do espelho concavo

Dispo as minhas diáfanas vestes negras

Em horas estáticas e aéreas

Diante de completos estranhos

Gente quasímoda que nunca vi

E mais verei  

***

Digo que não te conheço

Que nunca te vi

E finjo que não te quero

Que nunca li os eufônicos estros teus

Digo que não te quero

Somente para tu me querer 

***

Escuta ao longe o lânguido fado meu 

Os meus estribilhos sintéticos

Os meus semitons agudos

E disléxicos

Sou eu não sendo eu

Sou eu tentando ser

Uma outra pessoa qualquer 

***

Declaro a ti que memorizei

No meu palácio das memórias perdidas

O árduo caminho que percorri até ti

Declaro somente a ti que memorizei

Os gostos dos teus sintécticos beijos

Os sabores dos teus estéreos

Sorrisos artificiais

***

Claro que te desconheço

Que não te quero

Que nunca quis

Ficar ao lado teu 

Clarisse Cristal e Samuel da Costa

 

 

The User (Pine Beach)  

 

Dá-me a tua mão

Caminhes comigo

E vamos sentir irmanados 

O ardor das ebúrneas areias

Debaixo dos nossos pés

***

Is this our time?

I don't believe! It's not that it's!

***

Eco no ar

O sacrossanto sabor

De um docilíssimo beijo teu

***

Eco no ar

Um sentimento benfazejo

Do nós dois irmanados

Em perdidas horas impossíveis

***

This is our true magic black hour!

My ebony love...

My dear... My lover!!!

***

Dá-me a tua delicada mão

Caminhamos juntos

E vamos nós perder

E se encontrar

Nas das ebúrneas areias

De uma praia desértica

Por Samuel da Costa e Clarisse Cristal

 

  

Autumn (I am the aerial river)

 

Ao aedo de ébano

Que me abraça

E me acolhe

Na minha negra hora

No meu tempo que é atemporal

Na turris eburnea

***

Ela dança  

A doidivanas dança freneticamente

Como se livre fosse

***

Ela dança e gira

E gira

 Com a força descomunal

 Das águas selvagens

Que caem do rio aéreo

***

Ao poeta de ébano

Que me abraça docemente 

E me acolhe divinalmente

Em tenebrosas horas

Deixo aqui o meu testemunho

Tudo que há de melhor

Dentro de mim 

Por Samuel da Costa e Clarisse Cristal

 

 

Em dias de todos os santos, em dias de todos os reis

 

Há de se reverenciar

Todas as cósmicas divindades

Todos os santos

Postados

Em todos os altares celestes

De todas as realidades relativas

***

Há de se reverenciar

Todas as rainhas

E todos os reis

Todos os soberanos

E soberanas

Destronados e vencidos

De todas as guerras

De todos os tempos atemporais 

***

Há de se caminhas livremente

 Pelas ruas dissolutas 

Em dias de sol e calor

***

Há de se procurar

Abrigo mais que seguro

Em noites de tempestades e frio

Por Samuel da Costa e Clarisse Cristal


Sleepover

 

In a cold glass of jazz

 I will drink poetry

***

Fico eu acordado

Até mais tarde

Sonhando com aquilo

Que nunca terei

***

In a hot glass of blues  

I will drink some poetry

***

Fico eu absoluto

Acordado até mais tarde

Sonhando com aquilo

Que nunca serei

***

On the catholic radio station

Two slum poets

Fought for nothing

Por Samuel da Costa e Clarisse Cristal


 

O teatro da segunda-feira

Para a atriz Sabrina Viana

 

This is my black-power 

That is my black-power 

Don't be afraid my dearling

***

Eu sendo a prima donna de ébano

No teatro mágico

No teatro intimo

Todas as segundas-feiras

***

This is my black-power 

That is my black-power 

Don't be afraid my friend

But I am beatifull black person

***

Sou eu a negra imperatriz

Do trágico e da cômico 

Da comédia e da tragédia

A atriz principal

No teatro de alumínio

No teatro estático

No teatro reflexivo

***

I am the black woman who get up

I am the main actress

Samuel da Costa e Clarisse Cristal

 

Samuel da Costa é poeta e funcionário público em Itajaí SC

Contato: samueldeitajai@yahoo.com.br

Clarisse Cristal é poetisa e bibliotecária e Balneário e Camboriú SC

 

 

 

CLARISSE DA COSTA EM VERSOS DO AMOR, DO SEXO E DA VOLÚPIA

Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)

Joia Única

 

Amar é perder o tino do desatino.

É sentir o cheiro do corpo

mesmo que a pessoa não esteja por perto.

É amar sem pressas.

Muitas vezes nem se importar com as esperas.

Apenas amar sabendo que

é o mais puro amor,

que envolve,

que conduz para novos mundos.

Eu consigo penetrar no seu olhar

e me perder ali e ficar.

Às vezes eu estou nua

enquanto você admira o meu corpo

como se eu fosse uma joia única

que você encontrou no seu universo.

Eu me recolho em silêncio

e tudo que eu penso é em você.

 É uma forma estranha que

eu tenho de lhe amar.

Eu não posso lhe ter,

sentir seus beijos,

mas te amo mesmo assim.

Às vezes sinto que eu vou padecer

de uma dor sem resposta,

uma solidão que invade

e uma saudade que vem

sem explicação.

Os desejos que afloram

e o corpo que sente a sua ausência.

Lembro dos sonhos

que tive do meu corpo junto ao seu

e tudo se apaga.

Eu volto a vida.

Eu lhe sinto.

Eu lhe desejo. Eu lhe amo.

Eu sou aquela musa desnuda,

pego as suas mãos

e faço com que elas passeiam

nas minhas curvas.

Você toca os meus seios

e intensamente me devora.

Eu quero ser a sua sina,

a sua loucura de amor.

Clarisse da Costa é poetisa em Biguaçu em Santa Catarina.

Contato: clarissedacosta81@gmail.com

 

 

Deusa Do Sexo

São vários universos dentro de mim,

Inúmeras sensações…

Eu tenho receio, pois não sei

Onde isso vai me levar.

Ele arrancou de mim

a mulher que poucos conhecem.

Ousada! Sexy! Provocante!

Meus pensamentos maliciosos

Elevam-se no grau altíssimo

De safadeza.

Meu corpo com os odores da excitação

É puro êxtase do prazer.

Noite passada eu era

Como o poema erótico

Escrito pelo poeta.

Ele veio me seduzindo de uma forma

Que o meu corpo se estremecia todo.

Eu senti que ele era o Himerus.

Na mitologia grega Himerus, em latim,

é o deus do sexo.

Eu era a Astarote,

a deusa do sexo como consta na Bíblia.

O terror dos reis do Antigo Testamento!

Eu estava inteira só à espera.

Desnuda, sem pudor.

O que faltava para nós dois

Era o ato carnal, fugaz e envolvente,

Como dois pervertidos que somos.

Clarisse da Costa é poetisa em Biguaçu em Santa Catarina.

Contato: clarissedacosta81@gmail.com


Rasga meu peito

Esse amor que rasga meu peito

Penetra as correntes sanguíneas

Bombeia o meu pobre coração

Fadado a amar

Sem a certeza de tudo…

Do amanhã que se reserva,

Dos obstáculos que

O ser humano insiste em pôr…

A vida mesmo com

As nossas escolhas

Não nos coloca nesse caminho.

Este amor vive à espera…

No seu repouso

Chega a sentir o cheiro do corpo,

O toque das mãos,

O beijo que nunca foi dado...

É como se para amar

Não precisa estar junto.

É um amor que sente

Sem se importar com mais nada,

Que goza a cada pensamento

Malicioso e os meus sonhos eróticos.

Clarisse da Costa é poetisa em Biguaçu em Santa Catarina.

Contato: clarissedacosta81@gmail.com

 

 

FRAGMENTOS DO LIVRO "DUAS LÁGRIMAS, DUAS VIDAS E DOIS SORRISOS"


Meu anjo negro

 

Retoquei minha vida

Achei forças e alicerces

Em lugares que eu não conheço

Fiz que o amor brilhasse

Restaurando nossa inocência

Impulsionando nosso puro amor

Patrícia Raphael

 

Um anjo de luz me abraçou!

Aceitei, pois estava ferida.

Sem permissão alguma me beijou,

Sua essência transbordou.

Naquele dia conheci o amor

***

Em infindos e coléricos oceanos

Em titânicas fúrias

Longa foi a minha jornada

Até te alcançar divinal alva

***

Minha dor se calou, o senti.

Minha alma se alegrou,

Despiu-me sem permissão.

Hoje, sinto a sua presença em mim

Chega sem que eu perceba,

***

Entre álgidos desertos polares

Longo foi o meu caminhar 

Até te alcançar sacrossanta alva

Suspensa no ar

Dispo-te por inteiro

És minha e de mais ninguém

***

Em minha poesia, ou crença.

Meu anjo negro, onde moras!?

O meu coração incauto implora,

Traz-me magia na poesia…!

***

Vivo nas tuas quiméricas lembranças

Nas tuas cândidas

E vagas Ilusões benfazejas

Fabiane Braga Lima,Rio Claro, SP

E Samuel da Costa,Itajaí, SC

 

Acalente-me no teu incorpóreo infindo

 

Ouça, ao menos queria te entender

Pois sofro meu amor, em desespero

Insano, não nego, é este o meu pensamento,

Basta! Amo-te a todo o momento....

***

Quisera eu compreender

O teu noctâmbulo idioma antigo 

Decifra-te por inteiro

Compreender a cósmica vastidão em ti 

 Os teus nevoentos multi-versos infindos

***

Acalente-me em teus braços fortes

Adormeço em teu corpo másculo

Sem receio, envolvida até a morte,

Venerando o mais belo crepúsculo.

***

Vem sonambula alerquina

Vem veneranda minha

Pois agoniza o arrebol

Vem compor o estro meu

Vem recompor o teu estribilho

***

Mostre-me seu verdadeiro mundo

                                         Venha! Leve-me junto, sem medo       

Minh’alma que ama, tão profundo.

***

Floria poetisa suspenda no ar

Anseio em tempo atemporal

 Ficar ao lado teu

De dia e de noite

***

Em infindas noites será só o nós dois

Rumo ao paraíso, embriagados,

Agora! Domina-me, tira o meu juízo...!

Fabiane Braga Lima, Rio Claro, SP

E Samuel da Costa/,Itajaí, SC

 

 

Vem suprir os teus impudicos desejos

 

‘’Das brancas noivas, tira-se o véu,

O mais fino linho de que se veste

Graça! Belíssima!

Mas o que tenho a lhe ofertar?

Só meu apreço por ti! Meu amor...’’

Patrícia Raphael

 

Paixão que me faz delirar e lamentar.

Dias de calmaria e outros de tormento.

Mas como viver, sem amar, não posso,

***

Entrego-me por inteiro a ti

Meu amor etéreo

Minha purpura paixão supra-real

Neste tempo de realidade fluída

Onde nada fica no lugar

***

Como te venero, tu despiu a minh’alma.

Escuta! Quero suprir todos os teus desejos.

Poder ser toda tua, este meu corpo trêmulo.

Com minha boca quero sentir a tua,

***

Quero sentir em total êxtase

O teu cálido corpo incorpóreo

 No alvar

Ao final da tarde

Na alvorada rubra

No dulcíssimo místico vergel

Das almas perdidas

***

Cá estou, domina, quero ser tua musa.

Ah! Meu amor, como estou a te buscar.

Viver assim, suplicio, desatino basta!

***

Alva és tu a minha musa magnificente

Que tranquila

 Dormita pudica e tranquilamente

E um rio de límpidas águas

***

Toma-me em teus braços,

Meu venerando negro poeta.

No teu corpo febril quero me aconchegar….

Ao teu lado adormecer, acordar e me entregar,

Prometo saciar os teus fetiches. Em venial pecado!...

Fabiane Braga Lima,Rio Claro, SP

E Samuel da Costa, Itajaí, SC

  

No me âmago mais profundo

                                                                                           ‘’Um dia ...

Serei rosa em tuas mãos.

Fragrância em tua vida.

Poesia em tua boca.

Passe o tempo, que passar.’’

Geane Masago

 

Tenho tanto amor para te dar.

Guardo no meu íntimo, muitos receios.

Nítido, veja o te corpo, sedento...

Por mim!

***

No meu âmago abissal

Nítida! Vejo-te alquebrada

Veneranda e flórea

Nítida! Sinto-te aqui!

Meu sidéreo amor!

Quero-te absoluta no meu supremo verbo 

***

Estremece ao querer. Tormento!

Nesta ânsia de almejar sem poder.

Faz-me doidejar, ao querer te ver.

Não vivo sem o teu cheiro,

 Que me impregna

Que me domina  

***

Quero-te celestial 

Nos negros estros meus

Quero-te inefável

Nos meus nevoentos estribilhos 

Quero-te por inteiro

Quero-te agora diaconisa

 Bacante minha

***

Diga que nunca foi mentira?!...

Nada oculto ou confuso, foi o toque! 

Foi o amor... Foi o desejo...

Foi a paixão ardente...

***

Nunca quis te embair

Sempre te quis aqui

Abstrata e impossível ao lado meu

 Entre os astros-mortos

***

Acalentei-me nos teus fortes braços,

Minh’alma sentiu os teus ternos abraços.

E no meio deste amor emaranhado.

Olhe nos meus olhos! Sinta-me, sou tua,

Peço! Seja meu eterno namorado…!

***

Quero-te por inteiro

Quero-te agora celestial amor meu

Fabiane Braga Lima, Rio Claro, SP

E Samuel da Costa, Itajaí, SC

 

 

 

Fabiane Braga Lima é poetisa em Rio claro S.P

Contato: bragalimafabiane@gmail.com

Samuel da Costa é poeta em Itajaí SC

Contato: samueldeitajai@yahoo.com.br

 

FABIANE BRAGA LIMA EM VERSOS E PROSAS

 Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

O suicídio da poesia!? 

Reconheci meu erro, ainda estava em um sonho, ou em um delírio que eu mesma deixei me levar, presa em um passado complexo cheio de mentiras. Um absurdo que até uma criança poderia desvendar!!!

E eu, tentando fazer rimas, poemas, sangrando, derramando lágrimas, assassinando a arte poética. Mas percebi o erro, toda aquela demência que me levava a querer se suicidar, junto com a poesia.

Então, me libertei dessa insanidade de um passado que me comprometia e me matava aos poucos, com lembranças tóxicas, nas quais esqueci há muito tempo.

Silenciei a minha poesia e criei uma palavra nova chamada (vida). Parei no tempo, mas me reinventei. Hoje, as minhas utopias são carregadas de magia, onde lavo minha alma com prazer. Minha arte carrego comigo!!!


A mais bela poesia


Minha escrita sem nexo, hoje grita

Há uma certa repetição de palavras

Poemas incoerentes, sem lucidez...

Palavras aglomeradas, infindas rimas.

Leio um livro, talvez tenha inspiração

Mas, a saudade me faz companhia

Sempre presente, me faz melancólica

 Aonde se esconde...!? Não lhe vejo!

Leal e afável. De repente, me deixou

Palavras belas, tua essência incógnita 

Formoso, não sei!  Vasto de encanto...

Tento decifrar, não consigo, não lhe ouço

Preciso recomeçar, viver. Largo tua mão!

Cativou-me, seremos a mais bela poesia...

  

Deixei a porta semiaberta

 

É tão estranho o modo como te amo! Minhas lágrimas cessaram, mas tive que ser forte, crescer, virar mulher. Machucou, e aqui estou de pé refazendo a vida, inexplicável. Hoje, não sei como eu me refiz com a ausência. A minha madrugada ficou vazia, sombria, árdua.

Todo este caos me consumiu, uma virou tatuagem em minh’alma, reflexo no coração. Fechei a porta várias vezes, mas você sempre entrava. Na verdade, era proposital, deixava semiaberta para que pudesse entrar.

Foi minha loucura, cura, incógnito amor! Meu mar imenso, mistério, revelou instigantes segredos. Entreguei a minha melhor parte, primícias. Não ouso desvendar seus mistérios, não quero mentir a porta ainda encontra-se semiaberta.

Todo amargo da vida engoli, e a muito tempo refiz-me! Mas, ainda lhe sinto tocando em meu corpo nesse silêncio que nos rodeia. Hoje é diferente, não sinto carência nem aquele amor demasiado. Mas posso sentir me tocando- me... 

 

Jornada

Madrugada chegou, silêncio no peito,

Mente oscila, atrita voz silenciosa,

Alma rasgando, grito calado de aflito

Saudade daquele amor antigo, amigo.

No oceano de lamuria, insônia castiga

Lembranças infindas ilusões, intrigas,

Lágrimas caem no rosto, sob’ desgosto,

Entrego, vivo, amo, universos opostos.

Nítido ver, quem n’alma chorou, sofreu

Calado esperar, o amor que aflorou, viveu

Do nada calou-se de amor padeceu!?

Não! Coração avisou, sofreu, revigorou,

Seguiu sua jornada, amou, não negou!

Hoje a alma silenciosa, vive, sobreviveu...!


 

Vida

Entreguei todo meu amor com respeito

Mas ventos fugazes chegaram, devastaram,

Levaram-te pra longe do meu peito,

Tantas lembranças, amor d’primavera.

Lembro- me, juras e juras, promessas

E, nesta vida árdua, vejo tudo complexo

Calo- me, pois nada sou, sou irresoluta

Na minha mente há verdades e mentiras.

Pensando bem, tudo tem um porém!

Posso ver beleza em pequenos detalhes

Tão perto, no amor indelével, no infinito.

Tenho um segredo, e digo sem medo!

No amor pela vida, na sutil dádiva divina,

Lá encontra-se a mais bela poesia........

***Vida


Verbo amar

Afasto, tenho medo, fato!

Às vezes decifro no íntimo,

Amor errante, pleno, amargo,

Tudo isso torna-se místico.

Se ao menos, quisesse amar

Paixão cresce, como apagar!?

Mas teus olhos negros, sereno,

Não consigo, tente aqui ficar.

Diz que nunca vai me deixar

Enlouqueço, por Deus, não vá,

Meu amor, veja, meu venerar,

Beija-me, diga que me deseja.

No teu corpo febril quero verseja,

Minh’alma lhe fez, o verbo amar!...


Desculpa-me

 

Desculpa! Mas não o amo...

Tenho cicatriz por dentro, doí

Desculpa! Mas não lhe quero,

Nem ao menos, querido, venero.

Não posso mentir, sempre amei.

Percebeu?! Em instantes perdeu!

Perdeu todo amor que lhe dei.

E uma mulher, forte, hoje, nasceu.

Tudo por orgulho, loucura talvez!

Minh’alma se alegra outra vez,

Recomeçou novos caminhos.

Esqueceu a dor, todo desamor.

Basta! Carregar essa sina, mentira,

Tenho metas, me esqueça, amor…!


Fabiane Braga Lima é cronista, contista e poetisa, em Rio Claro, SP.

Contato: bragafabiane95@gmail.com

 

 

Moço faceiro

 

Prometo te dar afagos,

 Com cálidos desejos

Recíproco amor, verdadeiro.

***

Prometo e amar

Agora e sempre

No nosso tempo atemporal

***

Chegue de mansinho, moço faceiro

Envolva-me nos seus ternos abraços

Não demore, venho agora, ligeiro

***

Dispo-te com os olhos meus

Dispo-te em pensamentos

Trago-te para o estro meus

***

Despido do mundo, não oscile, 

Não me engane, entregue-se inteiro.

***

Dos passos que dou

No meu caminhar

Entre as estrelas

Trago-te junto a mim


Fabiane Braga Lima, Rio Claro, São Paulo e Samuel da Costa, Itajaí, Santa Catarina

 

 

 

FABIANE BRAGA LIMA ENTRE VERSOS E PROSAS

 Por Fabiane Braga Lima  (Rio Claro, SP)

 

Naquela noite

 

Naquela noite, não restava mais nada, a minha mente foi voltando ao normal, enxerguei a vida, não havia mais o medo de ficar presa no meu subconsciente. Fui enxergando aos poucos, onde tinha me perdido, fui me encontrando aos poucos. Deu uma vontade grande de chorar, quis voltar, mas não havia mais nada, apenas destroços e meus versos feitos nas madrugadas.   Como é triste, e dolorido saber que deixamos de viver por meras ilusões, como é triste saber que perdemos tempo, pois eu perdi. Nada faz sentido, é como um relógio empoeirado e quebrado, presa no tempo. E quando realmente acordei, não me lembrava de mais nada, precisava cuidar do meu psicológico. Naquela noite, não ouvia vozes, nas quais me perturbavam, não havia sombras do passado. Naquela noite, eu acordei e resolvi viver. Foi preciso a arte me esmagar para que eu pudesse sentir que tenho alma, e sede de vida...!

 

Enigma

 

Repugnante e sem razão, sou eu sem você. Então, surge do nada, dominada por este amor desmedido, me entrego. Encantada com seus mistérios, e seu jeito de me acalentar em teus braços, meu corpo o deseja.

De repente, todo desejo desaparece! Estou enlouquecendo, tu se tornaste um vício, preciso encontrar os desígnios da tua alma, e tua melhor parte! Mas, todo este sentimento é muito forte, fico eu intacta, como se estivéssemos entrelaçados, mas só escuto eco, apenas eco e mais nada.

No oculto! Sacia-me no silêncio, sinto minha pele arder por te querer, assim, desmedida. Profanação! Minha cura e loucura, mistérios da alma o grito intenso no silêncio!

Aquieto-me e penso: — Nem todas as verdades são para todos os ouvidos, nem todas as mentiras podem ser reconhecidas como tais.

           Desvendar te não ouso!


Silêncio


Hoje, silencio meus versos e rimas

Minha alma pede paz e necessita

Encontra-se ardendo, ânsia, fúria

Calo-me, pois preciso do silêncio

Inquieta escrevo e me descarrego

Tenho a sensação terrível do medo

Consome, toma-me como refém...

Sem direção e infindas incertezas.

Bendita inquietude que m’domina

Minha mente parece encarcerada

Sinto-me intacta, de mãos atadas.

Aquieto-me, pois o mundo grita

Chora de dor... maldita ganância

Esperança, loucura ou solução!?….


Preciso de paz


Havia areia em meus olhos, não enxergava

Limpei-os, tudo ficou nítido! Recolhi-me...

Foi melhor me livrar do talvez, da loucura...

Tudo me conduzia a insensatez, quero paz.

Preciso vencer demônios, preciso ser forte

Basta de incerteza de um passado obscuro

Escuridão, terrível desilusão que me cegou

Entreguei meu futuro, sonho, meu sorriso...

Hoje o dia resplandece, olho, se revigora...

Sempre, nasce um novo amor, transborda

Nossa essência, vivência, jamais morre….

Carrego o amor, abandono minhas aflições

Entrego- me ao presente, enterro o passado

Torturei- me sem sentido. Preciso de paz....!

***Preciso de paz


Labirinto do medo!!!

 

Não dá pra fingir que nada aconteceu

Ficou marcado dentro do meu coração

Noites geladas, triste, procurei não achei

Maldição, não passou de simples ilusão.

Meu coração incauto entrou em desatino

Por um amor que nunca se quer destinou

Debochou de quem amou, tanto venerou

Triste fim, apenas um romance qualquer.

Mas pensando bem! Sinto-me feliz

Pelo simples fato de ter virado mulher

De reencontrar-me. Há tempos me perdi.

Hoje! Não sei o que será de nós dois

Estávamos presos num labirinto do medo

Meu sangue escorreu. Maldição, ou amor!?...


Contato: bragafabiane95@gmail.com

 

OS MULTIVERSOS DE FABIANE BRAGA LIMA

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

A vida me deu outra chance

 

                Creio que a vida me deu outra chance... Quantas vezes tropecei, cai e depois me levantei. Como um pássaro caído, alcei voo, errante e sem destino! Morri e renasci, nas minhas andanças, nos meus infindos e fantasiosos devaneios.

Acordei em desatino, pude ver com os meus olhos e sentir na minha pele todas as dores. Pensei: - Que valor tem um poeta que fala de dor!  O mundo já vive assombrado, necessita de amor e não de dor. Eu vivo na certeza e na tristeza daqueles que se foram por um maldito vírus. Vivo numa realidade assombrada, mas grata por estar viva!

Fantasio meus devaneios, para não sangrar a dor da realidade reinante. Tento e quero levar um pouco de amor para este mundo. Revigoro-me a cada dia para que o amor seja o meu objetivo. Se eu cair e não me levantar mais! É porque caminhei sobre espinhos e me feri. Mas eu sempre quero estar de pé, pois! Eu vivo. EU VIVO.

 

Deixe-me ser sua

 

Ressurgi na minha escuridão, sempre calado...

Olha-me apenas, como sua amiga,

Quando na verdade meu pensamento está em pecado,

 Loucura misturada com insanidade!

***

Nunca se entrega às minhas súplicas,

Intimida-me com palavras sem nexo,

Será que existe reciprocidade!?

***

Tomada por um desejo, sou eu querendo provar seus beijos

E saciar todos seus pecados,

Ser a tua mulher, amante, toda tua.

***

Há tempos lhe almejo, será que não mereço ser

A tua joia rara, sua eterna namorada, sua musa!?

 ***

Deixe-me embriagar a tua vida de amor,

Sem controle, sem medidas, sem pudor,

Deixe-me ser toda sua, incógnita doçura...!

     

 

Sou muitas

 

Nada restou noite afora, apenas o silêncio

Nada em mente, ingênua, profana, mulher...

Estranho, sozinha crio história, síntese...

Tento entender-me, cogitar, sempre ser...

                ***

Não almejo me construir, olho e vejo!

Estou aqui, ainda, inquieta, continuo viva...

Lá fora tudo fulgura, mistério a revelar

Tudo que me restou, foi autenticidade.

***

Inspiro-me na vida, paisagens e luxúrias..

Apavorada!? Não! Degusto desta junção….

Degusto das circunstâncias do mundo.

***

Penso! Poetizar apenas paisagem, como!?

Grito, solto às amarras, liberta de medos

Guerreira, mulher, santa, insana, sou muitas…!

Pois sou muitas...

 

Spina nova forma poética  

Misterioso poeta

 

Procuro em sonhos,

Talvez, não esteja,

Realidade! Não sei!

***

Paixão sem limite, estranha epopeia,

Liberta quimera solte essa fera,

Síntese de desejos pecaminosos, ousei,

Misterioso Poeta, embriagou-me de amor,

Versos obscenos, poemas eróticos, versei!

 

Spina nova forma poética

 

       Indestrutível

 

Sorriso pleno, encantador,

Extático olhar, sedento,

Enigma, meu suplício.

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Tão incógnito, minha ousada fantasia,

Turbilhão de desejos, guia, felicita-me,

Sou toda tua, apaixonada, teu ofício,

Cobre-me de afagos, amor indestrutível,

Meu fruto proibido, nostálgico, vício...!

 

Contato: bragafabiane95@gmail.com