domingo, 1 de março de 2026

BRIAN: E O MEU DRAMA PESSOAL

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

Começo de semana e, de repente, tenho o meu reencontro com Brian pelos corredores. Os nossos horários eram diferentes; eu sempre chegava mais cedo ao trabalho. Para mim, não é nada fácil: estou perdidamente apaixonada por Brian. E, como não bastasse o meu drama pessoal, vê-lo sempre rodeado por mulheres lindas e interesseiras não é fácil. Pelo menos, não para mim.

Brian é um empresário dinâmico, muito interessante, um bem-sucedido dono de uma grande concessionária de carros e motocicletas, que explora desde veículos populares até linhas de luxo, esportivos e utilitários.

Novamente, o meu coração acelerou, pois lá estava ele, elegante, sentado em seu escritório, compenetrado, trabalhando. Ele escrevia no computador. Pensei em passar rápido para que ele não me visse. Então, fui trabalhar. Chega dessa história de menininha perdidamente apaixonada.

— Ei, Sara, por que não me cumprimentou!? — falou alto Brian, ao me ver passar apressada em frente à sala dele.

A voz dele chegou até mim a poucos passos da porta do meu chefe. Dei alguns passos para trás e tive que encarar o meu chefe e o meu destino.

— Estava apressada, desculpe-me...

— Boa garota! É claro que eu te desculpo. Entre aqui, menina, e vamos conversar um pouco! — disse Brian, como se fosse um adolescente em uma balada juvenil.

— Não posso, chefe, estou atrasada com o meu trabalho! — falei aflita, parada na frente do escritório dele, querendo ir embora.

— Entra aqui, mulher! Preciso que tu me faças um favorzinho! — deu-me uma ordem em um tom sedutor.

Dei alguns passos para dentro do escritório de Brian e ele me puxou pelos braços. Caminhou até a janela e baixou as persianas, deixando o ambiente à meia-luz. Ali mesmo, sobre a mesa do escritório, fizemos amor. A cena se repetiu por um tempo, mas um dia eu disse um grande basta para mim mesma: precisava colocar um fim naquela situação. Além de tudo, ele era meu chefe.

— Eu estou adorando a nossa situação! E agora? Quero um homem só meu! — falei para Brian depois do nosso sexo casual.

— Olha, garota! Amanhã tenho uma surpresinha para nós dois. Vamos à minha casa da praia? — falou Brian, sorrindo com os olhos.

Curiosa e quieta, apenas concordei com a cabeça. Eu não sabia aonde estava indo a nossa aventura. Uma aventura perigosa. Eu estava cansada de me apaixonar e me machucar, e a aventura com o meu chefe não estava ruim — só estava incompleta.

— Claro que quero, Brian! — falei, não escondendo o meu entusiasmo.


Texto de Fabiane Braga Lima, poetisa, cronista, contista e novelista, de Rio Claro, São Paulo.

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