Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)
Começo de semana e, de repente, tenho o meu
reencontro com Brian pelos corredores. Os nossos horários eram diferentes; eu
sempre chegava mais cedo ao trabalho. Para mim, não é nada fácil: estou
perdidamente apaixonada por Brian. E, como não bastasse o meu drama pessoal,
vê-lo sempre rodeado por mulheres lindas e interesseiras não é fácil. Pelo
menos, não para mim.
Brian
é um empresário dinâmico, muito interessante, um bem-sucedido dono de uma
grande concessionária de carros e motocicletas, que explora desde veículos
populares até linhas de luxo, esportivos e utilitários.
Novamente, o meu coração acelerou, pois lá
estava ele, elegante, sentado em seu escritório, compenetrado, trabalhando. Ele
escrevia no computador. Pensei em passar rápido para que ele não me visse.
Então, fui trabalhar. Chega dessa história de menininha perdidamente
apaixonada.
— Ei, Sara, por que não me cumprimentou!? —
falou alto Brian, ao me ver passar apressada em frente à sala dele.
A voz dele chegou até mim a poucos passos da
porta do meu chefe. Dei alguns passos para trás e tive que encarar o meu chefe
e o meu destino.
— Estava apressada, desculpe-me...
— Boa garota! É claro que eu te desculpo.
Entre aqui, menina, e vamos conversar um pouco! — disse Brian, como se fosse um
adolescente em uma balada juvenil.
— Não posso, chefe, estou atrasada com o meu
trabalho! — falei aflita, parada na frente do escritório dele, querendo ir
embora.
— Entra aqui, mulher! Preciso que tu me faças
um favorzinho! — deu-me uma ordem em um tom sedutor.
Dei alguns passos para dentro do escritório
de Brian e ele me puxou pelos braços. Caminhou até a janela e baixou as
persianas, deixando o ambiente à meia-luz. Ali mesmo, sobre a mesa do
escritório, fizemos amor. A cena se repetiu por um tempo, mas um dia eu disse
um grande basta para mim mesma: precisava colocar um fim naquela situação. Além
de tudo, ele era meu chefe.
— Eu estou adorando a nossa situação! E
agora? Quero um homem só meu! — falei para Brian depois do nosso sexo casual.
— Olha, garota! Amanhã tenho uma surpresinha
para nós dois. Vamos à minha casa da praia? — falou Brian, sorrindo com os
olhos.
Curiosa e quieta, apenas concordei com a
cabeça. Eu não sabia aonde estava indo a nossa aventura. Uma aventura perigosa.
Eu estava cansada de me apaixonar e me machucar, e a aventura com o meu chefe
não estava ruim — só estava incompleta.
— Claro que quero, Brian! — falei, não
escondendo o meu entusiasmo.
Texto
de Fabiane Braga Lima, poetisa, cronista, contista e novelista, de Rio Claro,
São Paulo.
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