domingo, 1 de março de 2026

BRIAN: A PRAIA (1ª e 2ª PARTES)

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

Chegou o dia prometido e tão esperado. Enfim, Brian me levou à praia. Por Deus, estávamos viajando, mais ou menos, umas três longas horas sem parar. E, se eu fosse uma pessoa desconfiada, poderia achar que Brian era um psicopata. Na verdade, cheguei a desconfiar, pois ele me olhou fixamente durante a viagem inteira, e senti um pouco de medo. Uma mistura de paixão e temor, pois tinha a sensação de que caminhava entre as nuvens e poderia cair, ir ao chão a qualquer momento.

— Brian, meu querido! Está demorando muito, estou em pânico dentro do carro, estamos viajando há horas. — Eu estava trêmula; não sabia mais o que dizer nem o que fazer.

— Ok, meu amor! Vamos parar o carro, assim tomamos um pouco de ar. — disse Brian, amável como sempre, e continuou: — Garota medrosa, olhe para os lados. Chegamos ao litoral há um tempão e você ainda não percebeu.

Estava completamente apaixonada por esse homem. Aflita, pensei: um mulherengo vulgar. Depois dei um longo suspiro, olhei para Brian, perdidamente, e logo divaguei: o que será que o destino me aguarda? 

 

Brian: A praia, segunda parte

 

Enfim, chegamos à praia. Paramos em uma elevação não muito alta, a poucos metros do oceano. Eu, que nunca tinha visto o mar na minha vida, a imensidão azul e a morna brisa oceânica me fizeram bem, renovaram-me naquela hora.

Então Brian deu partida no motor do carro, e partimos para a nossa grande aventura. Andamos poucos metros e paramos em uma calçada; via a restinga, e o cheiro de água salgada e de clorofila me desconcertaram.

— O que está fazendo, Brian? — inquiri, ao vê-lo tirar um lenço branco de linho e levantá-lo no ar.         
          — Vendando os seus belos olhos, meu amor! — Brian abriu a porta do passageiro, apertou um botão no volante do carro e vendou os meus olhos. —        Agora desça e coloque os seus delicados pés na areia, sinta o calor morno. Tire o casaco, meu anjo lindo.

Eu havia colocado o biquíni debaixo das minhas roupas casuais. Ao descer do carro, aflita, não resisti: de repente, em um rompante, tirei a venda e olhei o que estava à minha frente. Meus olhos doeram com o brilho do sol. Havia poucas pessoas à minha frente, que desciam de seus carros, e um ônibus luxuoso de turismo estava estacionado a poucos metros de nós.

Olhei para uma placa e li, em letras garrafais: Praia exclusiva, com um símbolo que demorei para compreender.

— Nudismo! Uma praia de nudismo? Brian, seu estúpido! Como pode fazer isso sem ao menos me dizer antes? — gritei alto e soquei Brian no peito com todas as minhas forças. — Indecente! Me tira daqui, agora! — gritei, chamando a atenção de todos e todas.

Eram pessoas variadas, de idades, raças, classes sociais e etnias diversas.

— Sim, pode deixar, madame. Iremos para um hotel. Fique calma, meu amor, quartos separados, ok? — o tom debochado de Brian me enfureceu ainda mais.  
        — Pode ser…
        — Prometo que não ficarei sozinho esta noite. Bom, tenho amigas aqui, estou pensando em visitá-las! — disse Brian, e então brotou um sorriso cínico em seu rosto.

Voltamos para o carro, Brian deu partida, e fomos embora.

Texto de Fabiane Braga Lima, poetisa, cronista, contista e novelista, de Rio Claro, São Paulo.

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