Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)
Chegou o dia prometido e tão esperado. Enfim, Brian
me levou à praia. Por Deus, estávamos viajando, mais ou menos, umas três longas
horas sem parar. E, se eu fosse uma pessoa desconfiada, poderia achar que Brian
era um psicopata. Na verdade, cheguei a desconfiar, pois ele me olhou fixamente
durante a viagem inteira, e senti um pouco de medo. Uma mistura de paixão e
temor, pois tinha a sensação de que caminhava entre as nuvens e poderia cair,
ir ao chão a qualquer momento.
— Brian, meu querido! Está demorando muito, estou
em pânico dentro do carro, estamos viajando há horas. — Eu estava trêmula; não
sabia mais o que dizer nem o que fazer.
— Ok, meu amor! Vamos parar o carro, assim tomamos
um pouco de ar. — disse Brian, amável como sempre, e continuou: — Garota
medrosa, olhe para os lados. Chegamos ao litoral há um tempão e você ainda não
percebeu.
Estava completamente apaixonada por esse homem. Aflita, pensei: um mulherengo vulgar. Depois dei um longo suspiro, olhei para Brian, perdidamente, e logo divaguei: o que será que o destino me aguarda?
Brian: A praia, segunda parte
Enfim, chegamos à praia. Paramos em uma elevação
não muito alta, a poucos metros do oceano. Eu, que nunca tinha visto o mar na
minha vida, a imensidão azul e a morna brisa oceânica me fizeram bem,
renovaram-me naquela hora.
Então Brian deu partida no motor do carro, e
partimos para a nossa grande aventura. Andamos poucos metros e paramos em uma
calçada; via a restinga, e o cheiro de água salgada e de clorofila me
desconcertaram.
— O que está fazendo, Brian? — inquiri, ao vê-lo
tirar um lenço branco de linho e levantá-lo no ar.
— Vendando os seus belos olhos,
meu amor! — Brian abriu a porta do passageiro, apertou um botão no volante do
carro e vendou os meus olhos. — Agora
desça e coloque os seus delicados pés na areia, sinta o calor morno. Tire o
casaco, meu anjo lindo.
Eu havia colocado o biquíni debaixo das minhas
roupas casuais. Ao descer do carro, aflita, não resisti: de repente, em um
rompante, tirei a venda e olhei o que estava à minha frente. Meus olhos doeram
com o brilho do sol. Havia poucas pessoas à minha frente, que desciam de seus
carros, e um ônibus luxuoso de turismo estava estacionado a poucos metros de
nós.
Olhei
para uma placa e li, em letras garrafais: Praia exclusiva, com um símbolo que demorei para compreender.
— Nudismo! Uma praia de nudismo? Brian, seu
estúpido! Como pode fazer isso sem ao menos me dizer antes? — gritei alto e
soquei Brian no peito com todas as minhas forças. — Indecente! Me tira daqui,
agora! — gritei, chamando a atenção de todos e todas.
Eram pessoas variadas, de idades, raças, classes
sociais e etnias diversas.
— Sim, pode deixar, madame. Iremos para um hotel.
Fique calma, meu amor, quartos separados, ok? — o tom debochado de Brian me
enfureceu ainda mais.
— Pode ser…
— Prometo que não ficarei sozinho
esta noite. Bom, tenho amigas aqui, estou pensando em visitá-las! — disse
Brian, e então brotou um sorriso cínico em seu rosto.
Voltamos para o carro, Brian deu partida, e fomos
embora.
Texto de Fabiane Braga
Lima, poetisa, cronista, contista e novelista, de Rio Claro, São Paulo.
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