sexta-feira, 1 de maio de 2026

ENCLAUSURADOS NO TEMPO ATEMPORAL...


Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

Mais que de repente vem o tédio; somos nós dois, mudos e calados, postados nas imensidões cósmicas infindas. Então há somente nós dois, ouvindo os estridentes ecos glaciais de um passado distante. Somente os sintéticos e etéreos ecos e mais nada para além disto ecoam e ecoam, histéricos, suspensos no ar. E eu e tu, que fomos outrora tão barulhentos e estridentes, parecemos dois desconhecidos, olvidados, velhos e quedos noctâmbulos amedrontados. Eviternos consortes clandestinos a vagar descalços nas álgidas penumbras astrais.

Pude eu notar, pelas retinas dos nectários castanhos dos teus olhos, que estavam dilatadas. Cessamos as nossas vontades de gritar e gritar bem alto, imortal amor meu. Rasgamos as nossas nevoentas, lânguidas e negras almas que ardem em chamas.

Mas não nos entregamos agora, nem nunca, infanta ninfeia minha. Não! Não é orgulho! São os nossos subconscientes ditando, em tons plangentes e maviosos, in profundis: prossigam irmanados. A esperança há de surgir. Persistimos, lúcidos e celestes, no nosso tempo atemporal...!

 

Fragmento do livro: Dueto de Fabiane Braga Lima, poetisa, cronista, contista e novelista em Rio Claro, São Paulo. E Samuel da Costa, poeta, contista e novelista em Itajaí, Santa Catarina.

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