Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)
Mais que de repente vem o tédio; somos nós
dois, mudos e calados, postados nas imensidões cósmicas infindas. Então há
somente nós dois, ouvindo os estridentes ecos glaciais de um passado distante.
Somente os sintéticos e etéreos ecos e mais nada para além disto ecoam e
ecoam, histéricos, suspensos no ar. E eu e tu, que fomos outrora tão
barulhentos e estridentes, parecemos dois desconhecidos, olvidados, velhos e
quedos noctâmbulos amedrontados. Eviternos consortes clandestinos a vagar
descalços nas álgidas penumbras astrais.
Pude eu notar, pelas retinas dos nectários
castanhos dos teus olhos, que estavam dilatadas. Cessamos as nossas vontades de
gritar e gritar bem alto, imortal amor meu. Rasgamos as nossas nevoentas,
lânguidas e negras almas que ardem em chamas.
Mas não nos entregamos agora, nem nunca,
infanta ninfeia minha. Não! Não é orgulho! São os nossos subconscientes
ditando, em tons plangentes e maviosos, in
profundis: prossigam irmanados. A esperança há de surgir. Persistimos,
lúcidos e celestes, no nosso tempo atemporal...!
Fragmento do livro: Dueto de Fabiane
Braga Lima, poetisa, cronista, contista e
novelista em Rio Claro, São Paulo. E Samuel
da Costa, poeta, contista e novelista em Itajaí, Santa Catarina.
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