Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)
Tudo que um dia amei virou lembranças boas, muitas vezes abstratas, mas
como amei a cada segundo, enquanto pude. Hoje, olhando para trás, pela janela
da vida, vendo as estrelas brilharem no céu das memórias retidas, noto que, bem
no fundo da minha alma, todo amor vai se esvaindo.
Preciso me segurar, mas não consigo, porque vejo o dia clareando e tudo
se esfumaçando. Nesta hora, penso nos amores prometidos, e eles parecem
adormecidos, não querem acordar. Lembro-me dos pactos, marcas no corpo como
digitais; tudo desapareceu no ar. E a abstrata e complexa neblina, aos poucos,
cobre-os.
Não consigo ver os seus rostos, apenas me lembro de alguns momentos de
euforia. Sinto que, há tempos, viraram somente lembranças, nas quais insisto em
buscar e nunca os ter aqui.
O amor deve ser isto: poder ver, no espelho da vida, ainda que
esfumaçadas, recordações que se partiram ou nunca existiram. Não… talvez o amor
seja o reflexo daquilo que imaginamos.
Sobre a autora:
Fabiane Braga Lima, contista,
cronista, novelista e poetisa em Rio Claro, São Paulo.
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