Por Paccelli José Maracci Zahler
O poeta Pedro Du Bois (PB) já é conhecido dos leitores da Revista Cerrado Cultural (RCC). Desde os primeiros números, ele tem colaborado sistematicamente com as nossas edições. Ele nos concedeu esta entrevista por correio eletrônico, a qual agradecemos, e, principalmente, pela oportunidade de conhecê-lo e conhecer um pouco do seu processo de criação literária.
RCC.O senhor nasceu em Passo Fundo, RS. Como foi a sua infância?
PB. A pergunta remete-me ao final dos anos 70 quando, em entrevista situacional-psicológica, na PUC-RJ, o psicólogo inquiriu-me da mesma forma; respondi que havia sido normal e ele, sem alterar o tom, cobrou: defina normal. Minha normalidade, que ele aceitou: segundo filho entre quatro irmãos, classe média baixa, gastei minha infância jogando pedras, correndo, nadando, brincando, brigando e apanhando; aprendendo. Passo Fundo permitiu-me ir além da porta da casa, além da rua, além da esquina, desde cedo. Muita fruta no pé, muito matinê cinematográfico. Sempre tive bom círculo de amigos: rua e escola, o qual mantenho até hoje.
RCC. O talento para escrever manifestou-se naquela época?
PB. Sempre tive facilidade para escrever. Já talento seria outra coisa. Não tenho formação literária no sentido acadêmico. Sempre gostei de ler. Sou curioso. Outros tempos, outra formação. Morador do interior, apenas através do rádio (ondas curtas) e da leitura podia acessar o mundo. Imagens, apenas cinematográficas ou em preto-e-branco nos jornais e revistas. Sou fruto da imaginação. Fui bom em redação, mesmo que as minhas fossem curtas na avaliação dos professores. Tímido, desde sempre, não conseguia me expressar, nem através das palavras. Mesmo assim, como adolescente, pratiquei meus poemas confessionais-amorosos. Não os guardei.
RCC.Qual a sua formação e ocupação principal?
PB. Sou bacharel em Direito desde 1971. Não sou advogado, por decisão pessoal. Bancário aposentado; trabalhei basicamente na área de organização e métodos, processamento de serviços, comunicações e recuperação de crédito. Atualmente, desamarrado de empregos, convivo prazerosamente com a literatura e suas decorrências.
RCC.O senhor sempre esteve ligado à literatura?
PB. Apenas como leitor. Faz 10 anos que escrevo sistematicamente. Sou tardio.
RCC.O senhor foi influenciado por alguns escritores? Quais?
PB. Diversos escritores exercem influência sobre a minha formação literária. Somos frutos de nossas leituras. Quanto mais leio, mais verifico a necessidade de buscar novas fontes literárias. Entre tantos, gosto de Orides Fontela, Fernando Pessoa, Campos de Carvalho, dos irmãos Campos, Saul Bellow, Saramago, Cortázar, Borges, Dyonélio Machado, Manuel Scorza, Camus, Manoel de Barros, Quintana, Murilo Mendes, João Cabral, Leminski. Poderia citar outros tantos e mais tantos outros. A lista é infindável. Gosto de retirar o poema que entrevejo em cada texto lido, essa a influência.
RCC. O senhor escreve diariamente, em horário definido, ou somente quando está inspirado?
PB. Antes conseguisse assim me organizar. A inspiração é minha busca pelo inaudito, o detalhe, o esboço, o arcabouço de algo que sei estar presente numa leitura, na paisagem, num fato relatado, enfim, em tudo que me cerca e me diz respeito. Escrevo diariamente. Escolhido o tema, busco as palavras que o signifiquem além da escolha a que me levou a inspiração.
RCC. O senhor confecciona seus próprios livros. Poderia nos falar a respeito?
PB. Questão de oportunidade. Como as editoras alegam que poesia não vende e, por isso, não se responsabilizam pela distribuição dos livros, fiquei no impasse: fosse depender das editoras, além de pagar caro, ainda teria de sair vendendo os exemplares de porta em porta. Não sou vendedor, tenho a pretensão – única – de ser escritor. Optei por me registrar como escritor-autor junto ao ISBN e, assim, editar meus livros. Faço-os em casa artesanalmente. Minha mulher, Tânia, tem papel fundamental na montagem dos livros, quer selecionando os poemas quer fazendo a revisão dos mesmos.
RCC. Livros precisam de uma boa apresentação. Como são confeccionadas as capas?
PB. Sim, precisam. Somos “vitrinistas” por criação. Sem uma boa apresentação, dificilmente encontraremos alguém que se disponha a vislumbrar o “miolo” do livro. Tânia, minha mulher, desenvolve as capas em programa específico (Print Artist), a partir da temática dos poemas, e as imprime numa HP Color Laserjet CP2025; nossas tiragens dificilmente ultrapassam 100 exemplares.
RCC. Como é feito o acabamento?
PB. Uma gráfica local faz a grampagem e o refilamento (livro-barco).
RCC. Como seus trabalhos são divulgados?
PB. São edições mínimas que distribuo entre parentes, amigos e amantes da literatura; faço doações às bibliotecas, escolas e a leitores e escritores. Além disso, mantenho blog pessoal (http://pedrodubois.blogspot.com) e tenho trabalhos publicados em jornais, revistas, sites e blogs literários. Possuo 3 livros através de editoras: “Os Objetos e as Coisas”, Scortecci, SP; “A Criação Estética”, Corpos, Portugal e “SERES”, Sarau das Letras, Mossoró, RN.
RCC. O senhor participa de concursos literários regularmente?
PB. Não. Participei no início. Ganhei o Prêmio Livraria Asabeça, categoria Poesia, em 2005, com o livro Os Objetos e as Coisas. Também obtive classificação no Poema no Ônibus da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. No entanto, não creio serem meus poemas peças indicadas para a participação em concursos, quer pela forma, quer pela minha temática.
RCC. Na sua opinião, é importante para um escritor participar de academias e clubes literários? Por quê?
PB. Escrever é ato solitário. Fechado em si mesmo o escritor se torna presa fácil do alheamento. O convívio social – e literário – é, em geral, fator de renovação intelectual, mesmo que – em tese – não se concretizem aí grandes transformações. O aprendizado é recorrente. No mínimo, ficamos sabendo o que os outros estão fazendo. Com o advento da internet a participação se ampliou significativamente pela diversidade e oportunidade de novos contatos, mesmo que virtuais. Sou membro da Academia Itapemense de Letras, da qual fui presidente entre 2008/2010, e do Clube dos Escritores Piracicaba. Também participo do Projeto Passo Fundo, responsável pelo lançamento do meu próximo livro, ‘BrevIdades”, previsto para o primeiro trimestre de 2012.
RCC.Qual a sua opinião sobre a condição de escritor no Brasil?
PB. Como a literatura em geral, e a leitura em particular, não são “objetos de desejo-consumista”, não só no Brasil, como na maioria dos países, o escritor é alguém descondicionado em relação à sua existência como “negócio”. Salvo raros escritores midiáticos e os clássicos (objeto de necessário conhecimento – mesmo que superficial – em função do acesso à universidade), o escritor é tratado como alguém à margem do processo. Não sobrevive como tal. Não lhe é dado espaço para que possa dedicar-se exclusivamente ao seu trabalho de escrever. Tanto que apenas agora o Congresso Nacional começa a discutir o mérito de transformar em profissão o ato de escrever. Não existimos formalmente. Mesmo as feiras, encontros e outros eventos que se dizem dedicados à literatura, mais das vezes, desconsideram o escritor em si, privilegiando a divulgação e o negócio do objeto livro. Perdemos todos, porque essa marginalização impede de a cultura (na acepção do termo) chegar aos seus cidadãos, quer pela guarda do passado, quer pela exposição do presente, quer pela possibilidade de, assim, mantermos a perspectiva do futuro.
RCC. Pode-se viver de literatura?
PB. Não no sentido amplo e irrestrito do que entendemos por literatura. Pode-se viver (algum tempo) auto-ajudando-se, vendendo-se como subproduto de leitura descartável, deixando-se seduzir por alguns trocados (ou muitos) advindos de situações paralelas (scripts para o cinema e a televisão, por exemplo). Então, sobrevivem da literatura pouquíssimos escritores, desde que baseados em mídias negociais. Nós outros, no entanto, sobrevivemos do que a literatura, muitas vezes, não nos consome.
RCC. Algumas associações e sindicatos lutam para a criação da carreira de escritor no Brasil. Qual a sua opinião a respeito?
PB. O escritor profissional. O escritor como profissão. Em tese a ideia é ótima. Na prática não sei como isso afetaria o trabalho e a divulgação da literatura. A não ser que, numa segunda etapa, seja criada a obrigatoriedade de só serem editadas, vendidas e negociadas obras de escritores associados ou sindicalizados. Pior a emenda, creio.
Revista literária online, uma viagem cultural online pela literatura, poesia, cinema e artes. Editada, desde 2011, pelo Jornalista e escritor Paccelli José Maracci Zahler (RP/MTE nº 14402/DF; FENAJ; FIJ nº BR20943). Poemas, crônicas, contos, ensaios, e o melhor da cultura nacional e internacional. Todas as opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores. Aceitam-se colaborações. Contato: cerrado.cultural@gmail.com
ENTREVISTA: ELIZABETH MISCIASCI
Por Paccelli José Maracci Zahler
A jornalista Elizabeth Misciasci (EM) é também humanista, escritora, pesquisadora. palestrante, Embaixadora Universal da Paz no âmbito do Círculo Universal dos Embaixadores da Paz -(Cercle Universel Des Ambassadeurs De La Paix - Suisse/France)e presidente do Projeto zaP! E é para falar do Projeto zaP!, um trabalho voluntário e muito interessante, realizado nos presídios femininos que ela, gentilmente, concedeu esta entrevista para a Revista Cerrado Cultural (RCC).
RCC. Como surgiu a idéia de criar o “Projeto zaP!” (zelo, amor e Paz!)?
EM. Após anos de pesquisas e contatos com sentenciadas e egressas do sistema prisional feminino, para a produção da Obra Literária Presídio de Mulheres, pude detectar diversos problemas. Entre eles, uma gritante necessidade de receberem credibilidade, atividade ocupacional e amparo em suas carências.
O Projeto zaP! Nasceu de um concurso literário nos cárceres femininos.
RCC. Por que o trabalho é feito exclusivamente com mulheres encarceradas?
EM.Diferentemente da condição masculina, a mulher se autopune, anseia mudar os comportamentos e hábitos que a transportaram para o cárcere. As mulheres normalmente vivem em estado inquietador, seja este expressivo ou inibido, que levam algumas pela impotência diante dos problemas a profunda depressão ou incita exageradamente a dependência química.
Na medida em que a mulher perde a capacidade de optar, submetida a prescrições alheias que a minimizem, as suas opiniões já não são suas, já não se integra, adapta-se. Na adaptação, resta-lhe à margem tendo apenas ações débeis e defensivas.
Algumas por serem mães, sentem um peso a mais e a pena é sempre mais dolorosa, outras, por não terem familiares próximos, sendo arrimos de família, mas, principalmente, porque estas são literalmente abandonadas, o que ocorre na grande maioria dos casos. Diferentemente do encarceramento masculino.
RCC. O trabalho é feito por voluntários. Quais os critérios utilizados na seleção?
EM. Sim! Não ter vínculos criminais, nem interesses pessoais.
Enfim, acreditando que o momento de transito pertence muito mais ao amanhã, ao nosso tempo que se anuncia do que ao velho, é que atuamos pela ressocialização do ser humano.
Assim sendo, necessário se faz cada vez mais, que nossos voluntários, estejam dispostos e conscientes da ressocialização, para que se ofereça oportunidade de provocar no indivíduo em condição de pessoa presa, um sistema completamente diferenciado de educação, para que com outras preocupações e interesses se desvincule da mentalidade massificada, nutrida de pessimismo, limitação, resistência, indisciplina, ceticismo, enfim, peculiares na maioria da população carcerária, principalmente dos que passam o tempo no ócio.
O Projeto zaP! não é Uma Ong, não faz parte de nenhuma entidade Religiosa (busca sim, apoio para juntos sanarmos casos específicos) nem filantrópica, não recebe ajuda governamental, apenas complacência e consciência dos amigos do zaP! Não possuindo, portanto vínculos com instituições nem remunerações, apenas voluntários.
RCC. Quantos voluntários atuam junto à população carcerária?
EM.Uma média de vinte pessoas em nível de Brasil.
RCC. Costuma haver desistência entre os voluntários devido ao impacto com outra realidade, que é a vida dentro de um presídio?
EM. Sim, sem dúvidas!
RCC. Quais os critérios utilizados para a seleção das reeducandas?
EM. Atualmente desenvolvemos atividades, tendo como base a arteterapia. O trabalho do zaP! Não é feito só com as apenadas, mas com filhos, familiares, egressas (ex-sentenciadas), e estrangeiras. Tendo como critério as que querem se reabilitar.
RCC. O trabalho com as educandas dura quanto tempo? Equivale a um curso regular? Dura até o final do cumprimento da pena?
EM. Não existem prazos, mesmo porque não temos como determinar tempo, já que muitas são egressas, e não reincidentes.
RCC. O Projeto zaP! Subdivide-se em várias atividades: Festival de Músicas, Literatura, Festas e Eventos, Zelo, Amor, Paz. A senhora poderia tecer alguns comentários sobre cada uma delas, seus objetivos?
EM. Hoje, em razão da falta de recursos, e, proibição em algumas unidades prisionais não se pode aplicar todas as nossas atividades. Isso em detrimento principalmente dos órgãos governamentais locais, que não acreditam em reabilitação e não permitem que sejam feitas as atividades como era de hábito.
RCC. Qual a percepção das reeducandas sobre o Projeto zaP!?
É feito algum acompanhamento das educandas após a sua saída da prisão?
EM. Embora seja um trabalho difícil, principalmente pela primeira abordagem, para garantir que estejamos passando a credibilidade, segurança, e as possíveis “respostas” e oportunidades que a maioria busca. Enfim, para as que adentram as muralhas e não conhecem o zaP! o trabalho é mais lento, pois, acima de tudo, precisamos sentir a reciprocidade e a presença da vontade dessa reeducanda em se reabilitar.
- Por quê? Porque temos no sistema prisional (em especial o feminino) os mais diferentes perfis, e, conforme citei anteriormente, a mulher é totalmente diferente do homem, enquanto pessoa na condição de presa. Para cada tipo de mulher, há uma forma diferenciada de se aproximar.
Temos muitas que adentram os cárceres, em estado gravídico, bem como, as que foram detidas em fase de aleitamento materno, as que tiveram seus filhos atrás das cortinas de ferro, e não possuem familiares que poderão cuidar de seus bebes, as que acabaram de dar a luz na rua, e foram detidas... Isso tudo, é rotina infelizmente nos dias de hoje. E, se você, de início, não souber conversar com uma mulher nestas condições, dificilmente terá uma segunda “oportunidade”.
Há mulheres que sofrem distúrbios, as que “surtam”, as que apresentam sintomas agressivos apenas e tão somente no período do ciclo menstrual, ou seja, as que sofrem com a TPM, e, assim por diante.
Mais um aspecto importante a ser citado, mesmo porque é uma questão de estudos, pesquisas e respectivas estatísticas, a massa carcerária feminina, pode ser dividida em três categorias:
1- As que adentraram os cárceres, (o que na maioria das prisões femininas é “natural” e frequente), por terem sido levadas por companheiro ou parceiro, as que se sentiram momentaneamente motivadas, as que se arrependeram, portanto, querem recomeçar e é notório à vontade e necessidade de se reintegrar, a fim de resgatarem suas identidades pessoais, morais e sociais. Estas indubitavelmente querem se reabilitar! Eu posso dizer, que no conglomerado de mulheres prisioneiras no Brasil, deste todo o proporcional final é equivalente a 60% das mulheres em situação de prisão que possuem esse perfil, ou seja, que buscam a reabilitação e reinserção social.
2- Outro fator que necessita de especial atenção, diz respeito à categoria de mulheres, que de fato “são do crime” e, não demonstram a mínima vontade de sair deste. O que resulta atualmente, em um percentual de 20% da população carcerária feminina.
3- E uma terceira categoria, que denominamos “das que vão pra onde o vento soprar”... O que representa os 20% do restante do “todo” feminil encarcerado. Isso significa que, uma mulher, que não possui a menor perspectiva de vida, futuro e, torna-se apenas e de fato “um único numero a mais para apuração de quantidade” sendo que estas precisam de maior atenção, pois, se soubermos “abordá-la”, despertando confiança, parceria e motivação, com certeza, será “um numero á menos” a reincidir.
Na grande maioria das vezes, há por parte de muitas mulheres, a desconfiança, o receio e principalmente, o medo. Uma vez que, por ser a prisão ação delituosa, e pelo abandono, não conhece as regras que regem as prisões. Sem falar que, o abandono agrava esse medo e insegurança.
Outro fator predominante vem das que em detrimento de sua prisão bem propagada, principalmente quando há clamor público, (isso, independente do delito e participação ativa), quase sempre, se bloqueiam, e são muito mais vulneráveis e preocupantes. Pois, quase sempre, com o passar do tempo, estão abandonadas pelos familiares e amigos, portanto, caem no esquecimento apenas “do seu antigo meio”, contudo, jamais conseguem ser esquecidas pela sociedade.
São raros os casos em que estas mulheres, seguem suas permanências carcerárias, acompanhadas ou amparadas, e, quando o são, o acesso se restringe a poucos. O que dificulta trabalhar com a mesma.
Eu particularmente, nunca tive esse problema, pois, geralmente as unidades para onde essas mulheres são recambiadas, são dirigidas por pessoas que conhecem o nosso trabalho e ética.
Por estas razões descritas, com o tempo, aprendemos a priori, identificar as problemáticas e os diversos perfis. O que, nos permite a aproximação equilibrada, com a oferta necessária.
Temos parcerias com psicólogos, que muito ajudam nesse sentido.
E, por assim ser, a percepção das “nossas meninas” são extremamente positivas. Além das transformações percebidas e sentidas, nos surpreendemos em incontáveis situações, (que pareciam “perdidas” ou inviáveis), um retorno compensador, que na realidade é mais que isso! Já que ganhamos todos, principalmente a sociedade, enquanto nós, em contrapartida, perpetuamos amizades, e podemos presenciar mulheres que hoje, são marcantes em nosso trabalho, nos proporcionando continuamente orgulho e incentivos para nos motivar ininterruptamente, de verdade.
Quanto à pergunta complementar: - “É feito algum acompanhamento das reeducandas após a sua saída da prisão?” Sim, pois, se atuamos com reinserção e reabilitação, o principal é à saída dos cárceres, por isso nossa atuação efetiva com as egressas.
RCC. As reeducandas que passam pelo Projeto zaP!, Encontram mais facilidade de aceitação no mercado de trabalho ou ainda sofrem com o preconceito de serem ex-presidiárias?
EM. Ainda sofrem preconceitos, lógico! Mas, a maioria não tem enfrentado tantos problemas como antigamente. Hoje, além da credibilidade que temos também a sociedade tem uma visão diferente de outrora. Acredito que “nossas reeducandas” e “egressas” tenham mais facilidade sim!
RCC. Em quantos presídios o Projeto zaP! Trabalha atualmente?
EM. Trabalhamos em qualquer local, desde que, possamos ter verbas para locomoção, e em unidades em que possamos atuar para somar positivamente e de alguma forma contribuir para que seja mantida a ordem, disciplina e necessite serem denunciados por atos “anormais”, abusos e constrangimentos.
RCC. Qual a receptividade do Projeto zaP! Junto à direção dos presídios?
EM. Na grande maioria, excelente!
RCC. Como a senhora avalia os resultados obtidos até agora pelo Projeto zaP!?
EM. Sem falta modéstia, tenho muitos casos, em que me orgulho por ter persistido, lutado e sinto-me honrada pelos retornos das meninas, dados e provados na prática e na conduta. Temos hoje, muitas mulheres que conseguiram se profissionalizar, muitas com universidade concluída, enfim, [transformaram-se em] outras pessoas indubitavelmente.
Nossos agradecimentos à jornalista Elizabeth Misciasci pela entrevista.
A jornalista Elizabeth Misciasci (EM) é também humanista, escritora, pesquisadora. palestrante, Embaixadora Universal da Paz no âmbito do Círculo Universal dos Embaixadores da Paz -(Cercle Universel Des Ambassadeurs De La Paix - Suisse/France)e presidente do Projeto zaP! E é para falar do Projeto zaP!, um trabalho voluntário e muito interessante, realizado nos presídios femininos que ela, gentilmente, concedeu esta entrevista para a Revista Cerrado Cultural (RCC).RCC. Como surgiu a idéia de criar o “Projeto zaP!” (zelo, amor e Paz!)?
EM. Após anos de pesquisas e contatos com sentenciadas e egressas do sistema prisional feminino, para a produção da Obra Literária Presídio de Mulheres, pude detectar diversos problemas. Entre eles, uma gritante necessidade de receberem credibilidade, atividade ocupacional e amparo em suas carências.
O Projeto zaP! Nasceu de um concurso literário nos cárceres femininos.
RCC. Por que o trabalho é feito exclusivamente com mulheres encarceradas?
EM.Diferentemente da condição masculina, a mulher se autopune, anseia mudar os comportamentos e hábitos que a transportaram para o cárcere. As mulheres normalmente vivem em estado inquietador, seja este expressivo ou inibido, que levam algumas pela impotência diante dos problemas a profunda depressão ou incita exageradamente a dependência química.
Na medida em que a mulher perde a capacidade de optar, submetida a prescrições alheias que a minimizem, as suas opiniões já não são suas, já não se integra, adapta-se. Na adaptação, resta-lhe à margem tendo apenas ações débeis e defensivas.
Algumas por serem mães, sentem um peso a mais e a pena é sempre mais dolorosa, outras, por não terem familiares próximos, sendo arrimos de família, mas, principalmente, porque estas são literalmente abandonadas, o que ocorre na grande maioria dos casos. Diferentemente do encarceramento masculino.
RCC. O trabalho é feito por voluntários. Quais os critérios utilizados na seleção?
EM. Sim! Não ter vínculos criminais, nem interesses pessoais.
Enfim, acreditando que o momento de transito pertence muito mais ao amanhã, ao nosso tempo que se anuncia do que ao velho, é que atuamos pela ressocialização do ser humano.
Assim sendo, necessário se faz cada vez mais, que nossos voluntários, estejam dispostos e conscientes da ressocialização, para que se ofereça oportunidade de provocar no indivíduo em condição de pessoa presa, um sistema completamente diferenciado de educação, para que com outras preocupações e interesses se desvincule da mentalidade massificada, nutrida de pessimismo, limitação, resistência, indisciplina, ceticismo, enfim, peculiares na maioria da população carcerária, principalmente dos que passam o tempo no ócio.
O Projeto zaP! não é Uma Ong, não faz parte de nenhuma entidade Religiosa (busca sim, apoio para juntos sanarmos casos específicos) nem filantrópica, não recebe ajuda governamental, apenas complacência e consciência dos amigos do zaP! Não possuindo, portanto vínculos com instituições nem remunerações, apenas voluntários.
RCC. Quantos voluntários atuam junto à população carcerária?
EM.Uma média de vinte pessoas em nível de Brasil.
RCC. Costuma haver desistência entre os voluntários devido ao impacto com outra realidade, que é a vida dentro de um presídio?
EM. Sim, sem dúvidas!
RCC. Quais os critérios utilizados para a seleção das reeducandas?
EM. Atualmente desenvolvemos atividades, tendo como base a arteterapia. O trabalho do zaP! Não é feito só com as apenadas, mas com filhos, familiares, egressas (ex-sentenciadas), e estrangeiras. Tendo como critério as que querem se reabilitar.
RCC. O trabalho com as educandas dura quanto tempo? Equivale a um curso regular? Dura até o final do cumprimento da pena?
EM. Não existem prazos, mesmo porque não temos como determinar tempo, já que muitas são egressas, e não reincidentes.
RCC. O Projeto zaP! Subdivide-se em várias atividades: Festival de Músicas, Literatura, Festas e Eventos, Zelo, Amor, Paz. A senhora poderia tecer alguns comentários sobre cada uma delas, seus objetivos?
EM. Hoje, em razão da falta de recursos, e, proibição em algumas unidades prisionais não se pode aplicar todas as nossas atividades. Isso em detrimento principalmente dos órgãos governamentais locais, que não acreditam em reabilitação e não permitem que sejam feitas as atividades como era de hábito.
RCC. Qual a percepção das reeducandas sobre o Projeto zaP!?
É feito algum acompanhamento das educandas após a sua saída da prisão?
EM. Embora seja um trabalho difícil, principalmente pela primeira abordagem, para garantir que estejamos passando a credibilidade, segurança, e as possíveis “respostas” e oportunidades que a maioria busca. Enfim, para as que adentram as muralhas e não conhecem o zaP! o trabalho é mais lento, pois, acima de tudo, precisamos sentir a reciprocidade e a presença da vontade dessa reeducanda em se reabilitar.
- Por quê? Porque temos no sistema prisional (em especial o feminino) os mais diferentes perfis, e, conforme citei anteriormente, a mulher é totalmente diferente do homem, enquanto pessoa na condição de presa. Para cada tipo de mulher, há uma forma diferenciada de se aproximar.
Temos muitas que adentram os cárceres, em estado gravídico, bem como, as que foram detidas em fase de aleitamento materno, as que tiveram seus filhos atrás das cortinas de ferro, e não possuem familiares que poderão cuidar de seus bebes, as que acabaram de dar a luz na rua, e foram detidas... Isso tudo, é rotina infelizmente nos dias de hoje. E, se você, de início, não souber conversar com uma mulher nestas condições, dificilmente terá uma segunda “oportunidade”.
Há mulheres que sofrem distúrbios, as que “surtam”, as que apresentam sintomas agressivos apenas e tão somente no período do ciclo menstrual, ou seja, as que sofrem com a TPM, e, assim por diante.
Mais um aspecto importante a ser citado, mesmo porque é uma questão de estudos, pesquisas e respectivas estatísticas, a massa carcerária feminina, pode ser dividida em três categorias:
1- As que adentraram os cárceres, (o que na maioria das prisões femininas é “natural” e frequente), por terem sido levadas por companheiro ou parceiro, as que se sentiram momentaneamente motivadas, as que se arrependeram, portanto, querem recomeçar e é notório à vontade e necessidade de se reintegrar, a fim de resgatarem suas identidades pessoais, morais e sociais. Estas indubitavelmente querem se reabilitar! Eu posso dizer, que no conglomerado de mulheres prisioneiras no Brasil, deste todo o proporcional final é equivalente a 60% das mulheres em situação de prisão que possuem esse perfil, ou seja, que buscam a reabilitação e reinserção social.
2- Outro fator que necessita de especial atenção, diz respeito à categoria de mulheres, que de fato “são do crime” e, não demonstram a mínima vontade de sair deste. O que resulta atualmente, em um percentual de 20% da população carcerária feminina.
3- E uma terceira categoria, que denominamos “das que vão pra onde o vento soprar”... O que representa os 20% do restante do “todo” feminil encarcerado. Isso significa que, uma mulher, que não possui a menor perspectiva de vida, futuro e, torna-se apenas e de fato “um único numero a mais para apuração de quantidade” sendo que estas precisam de maior atenção, pois, se soubermos “abordá-la”, despertando confiança, parceria e motivação, com certeza, será “um numero á menos” a reincidir.
Na grande maioria das vezes, há por parte de muitas mulheres, a desconfiança, o receio e principalmente, o medo. Uma vez que, por ser a prisão ação delituosa, e pelo abandono, não conhece as regras que regem as prisões. Sem falar que, o abandono agrava esse medo e insegurança.
Outro fator predominante vem das que em detrimento de sua prisão bem propagada, principalmente quando há clamor público, (isso, independente do delito e participação ativa), quase sempre, se bloqueiam, e são muito mais vulneráveis e preocupantes. Pois, quase sempre, com o passar do tempo, estão abandonadas pelos familiares e amigos, portanto, caem no esquecimento apenas “do seu antigo meio”, contudo, jamais conseguem ser esquecidas pela sociedade.
São raros os casos em que estas mulheres, seguem suas permanências carcerárias, acompanhadas ou amparadas, e, quando o são, o acesso se restringe a poucos. O que dificulta trabalhar com a mesma.
Eu particularmente, nunca tive esse problema, pois, geralmente as unidades para onde essas mulheres são recambiadas, são dirigidas por pessoas que conhecem o nosso trabalho e ética.
Por estas razões descritas, com o tempo, aprendemos a priori, identificar as problemáticas e os diversos perfis. O que, nos permite a aproximação equilibrada, com a oferta necessária.
Temos parcerias com psicólogos, que muito ajudam nesse sentido.
E, por assim ser, a percepção das “nossas meninas” são extremamente positivas. Além das transformações percebidas e sentidas, nos surpreendemos em incontáveis situações, (que pareciam “perdidas” ou inviáveis), um retorno compensador, que na realidade é mais que isso! Já que ganhamos todos, principalmente a sociedade, enquanto nós, em contrapartida, perpetuamos amizades, e podemos presenciar mulheres que hoje, são marcantes em nosso trabalho, nos proporcionando continuamente orgulho e incentivos para nos motivar ininterruptamente, de verdade.
Quanto à pergunta complementar: - “É feito algum acompanhamento das reeducandas após a sua saída da prisão?” Sim, pois, se atuamos com reinserção e reabilitação, o principal é à saída dos cárceres, por isso nossa atuação efetiva com as egressas.
RCC. As reeducandas que passam pelo Projeto zaP!, Encontram mais facilidade de aceitação no mercado de trabalho ou ainda sofrem com o preconceito de serem ex-presidiárias?
EM. Ainda sofrem preconceitos, lógico! Mas, a maioria não tem enfrentado tantos problemas como antigamente. Hoje, além da credibilidade que temos também a sociedade tem uma visão diferente de outrora. Acredito que “nossas reeducandas” e “egressas” tenham mais facilidade sim!
RCC. Em quantos presídios o Projeto zaP! Trabalha atualmente?
EM. Trabalhamos em qualquer local, desde que, possamos ter verbas para locomoção, e em unidades em que possamos atuar para somar positivamente e de alguma forma contribuir para que seja mantida a ordem, disciplina e necessite serem denunciados por atos “anormais”, abusos e constrangimentos.
RCC. Qual a receptividade do Projeto zaP! Junto à direção dos presídios?
EM. Na grande maioria, excelente!
RCC. Como a senhora avalia os resultados obtidos até agora pelo Projeto zaP!?
EM. Sem falta modéstia, tenho muitos casos, em que me orgulho por ter persistido, lutado e sinto-me honrada pelos retornos das meninas, dados e provados na prática e na conduta. Temos hoje, muitas mulheres que conseguiram se profissionalizar, muitas com universidade concluída, enfim, [transformaram-se em] outras pessoas indubitavelmente.
Nossos agradecimentos à jornalista Elizabeth Misciasci pela entrevista.
PERFIL: GUSTAVO DOURADO
Por Paccelli José Maracci Zahler
A Revista Cerrado Cultural (RCC) entrevistou, por correio eletrônico, o poeta Gustavo Dourado (GD), presidente da Academia de Letras de Taguatinga - ALT. Ele nos falou sobre suas origens, sua vinda para Brasília, DF, cultura, projetos futuros. Registramos nosso agradecimento por nos receber virtualmente.
RCC. O senhor nasceu em Recife dos Cardosos, município de Ibititá, no coração da Bahia. Como foram os seus primeiros anos de estudos?
GD. Sim! Nasci no povoado de Recife dos Cardosos, sertão de Ibititá, região de Irecê, Baixo Médio São Francisco, no coração da Chapada Diamantina, no Estado da Bahia. Por lá passaram remanescentes de Conselheiro e da Insurreição de Canudos, cangaceiros, jagunços, os revoltosos da Coluna Prestes, bandeirantes, sertanistas, garimpeiros, aventureiros, era rota de tropeiros, vaqueiros, aventureiros, ciganos e viajantes. Foi cenário do coronel Horácio de Matos e do capitão Manoel Quirino...
RCC. Como foram os seus primeiros anos de estudos?
GD. Aprendi a ler em minha prima infância, literatura oral, cordel, Bíblia, causos, contos, crônicas cotidiárias. Aos três anos, já lia, escrevia e recitava para os trabalhadores das roças e sítios e do empório comercial do meu pai, Ulisses Marques Dourado, um homem irrepreensível, de caráter irretocável, que tinha a honestidade e a ática como um valor fundamental. Aconteceu comigo parecido com o garoto de Central do Brasil. Esse aspecto de minha vida é cinematográfico. O sertão é um filme permanente, contínuo...
Estudei com professores leigos, Dionísio Maia, Adelmita Cardoso, Leobina Severo. Depois estudei com Arli, Loídes Dourado, Hildete, Célia, Agnes, essas já professoras normalistas, formadas. Mas aprendi muito com o meu pai, minha mãe e com os professoras da rua, da universidade da vida...
RCC. A sua vocação literária manifestou-se ainda na infância?
GD. Sim! Ainda bem novo, infante. Já inventava palavras e improvisava versos nos primórdios da infância. Lia cordel, lia a Bíblia, almanaques, bulas de remédios e sobretudo ouvia muito os transeuntes, os contadores de causos e histórias, as rezadeiras, os vendedores, as parteiras e os garimpeiros, além dos parentes que habitavam o povoado de Recife dos Cardosos.
RCC. Sua passagem pelo Colégio Polivalente de Irecê, BA, entre 1972 e 1975, foi muito importante em sua vida. Poderia tecer comentários a respeito?
GD. Muito importante. Fundamental. Ali tive contato com centenas de jovens estudantes e comecei a minha militância no movimento estudantil. Fui orador da escola e coordenador do clube de leitura. Participei de olimpíadas estudantis e de júris simulados. Fui vencedor em algumas disputas. À época, a nossa sétima série venceu a oitava. Foi um fato extraordinário e que gerou uma certa popularidade, na cidade de Irecê, para o poeta que vos fala.
RCC. A economia de Ibititá, BA, é essencialmente agrícola. Foi por essa razão que o senhor veio estudar no Colégio Agrícola de Brasília?
GD. Não necessariamente. Brasília para mim era um sonho.
RCC. Havia intenção de retornar a Ibititá, BA, e trabalhar como técnico agrícola?
GD. Não. Mas tinha muita saudade dos meus familiares e amigos.
RCC. Enquanto estudava no Colégio Agrícola de Brasília, sua vocação literária começou a falar mais alto?
GD. Sim. Foi um período de muita leitura e descobertas interessantes.
RCC. Foi por essa razão que o senhor decidiu graduar-se em Letras na Universidade de Brasília?
GD. Sim. Pensei fazer Agronomia. Mas com o gosto pela poesia e pela literatura, optei por Letras, mas sempre com um viés para a Arte, a Filosofia e a Comunicação.
RCC. Como foi a sua passagem pela Universidade de Brasília?
GD.Poética, Transformadora. Revolucionária. Transmutadora.
RCC. O senhor passou pelo período de invasões do campus da UnB por parte das forças militares?
GD. Sim.Presenciei vários momentos da repressão e do autoritarismo no auge da Ditadura Militar. Sempre lutei pela Anistia, Direitos Humanos e pela Redemocratização do Brasil.
RCC. O senhor fez parte da geração de escritores de Brasília que imprimia seus livros em mimeógrafos e vendia nos bares?
GD. De certa forma sim, em menor escala e de forma autônoma Mas sempre fui mais independente e alternativo e até mais clássico. Trabalhei com o cordel, posters, cartazes, postais, etiquetas e adesivos poéticos. E também atuei muito de forma oral, por meio de performances, improvisos, repentes, tiradas, sarcasmo, ironia e crítica política. Cheguei a ser detido algumas vezes por desenvolver essa atividade cultural.
RCC. A sua aproximação com o cordel vem da época da UnB ou dos tempos de Ibititá?
GD. Começou em Recife dos Cardosos, em Ibititá, depois em Lapão e, por fim, na cidade de Irecê. Tudo girava em torno das feiras e da venda. Depois, em Brasília, o cordel veio com força na UnB, nas assembléias, debates, encontros, recitais, congressos e shows, sobretudo no Teatro de Arena, no Restaurante, nas entradas Sul e Norte e nos anfiteatros do ICC, além dos bares e festas...
RCC. Há algum tempo, o senhor compôs o Cordel da Ufologia. Foi apenas uma homenagem aos estudiosos do assunto ou o senhor acredita em discos-voadores?
GD. As duas coisas...
RCC. Há quem diga que os extraterrestres estão entre nós. O que o senhor pensa a respeito?
GD. Não é de hoje, desde tempos imemoriais. Somos nós no futuro...
RCC. Por que razão o senhor adotou o nome literário de “Amargedom”? Tem algo a ver com o Apocalipse bíblico? Uma antevisão dos tempos amargos vividos pela humanidade?
GD. Sim. Aprendi ler na Bíblia e no Cordel. O Apocalipse sempre foi um dos meus livros preferidos. Depois conheci outros apocalipses. Amargedom vem do Armagedon bíblico. Foi letra de música, rock, cordel e auto. Foi um dos meus poemas mais conhecidos no final dos anos 70 e idos dos anos 80. Muitas pessoas me chamavam por esse codinome, até hoje. Amargedom...Amar Já é Dom...Amar é um dom...O dom de amar...
RCC. Como é a sua relação com as editoras e com os editores?
GD. Sou independente, alternativo, sempre editei e paguei pelos meus livros. A minha relação maior é com os gráficos. Não conheço editores e editoras em Brasília. Nem sei se existe essa categoria por aqui. Se existe, precisam aparecer e editar de forma profissional os autores do DF. Gráficos que cobram pelo trabalho tem muitos. Brasília carece de editores e de editoras, falta divulgação e distribuição do livro. Não há política para o livro e para a leitura. O mercado editorial de Brasília é voltado para o que vem de fora.
RCC. Com trabalhos reconhecidos no Brasil e no exterior, prêmios e títulos literários, o senhor vive da Literatura?
GD. Subvivo. Sobrevivo. Sou educador e gestor público. Quem vive de literatura não sobrevive no Brasil...Fica mais lá fora do que aqui. Quem sobrevive bem com literatura aqui no Brasil?
RCC. De 1997 para cá, o senhor tem se utilizado da internet para publicar seus trabalhos. Como o senhor vê o advento do livro virtual (e-book)?
GD. É uma ferramenta importante, mas que precisa ter o seu viés econômico. Dispus toda a minha obra gratuitamente na internet, via sites, blogs e redes sociais. O livro real é fundamental. O virtual torna-se real. Virtureal...Revirtual...
RCC. O livro virtual não é muito frio, ou seja, tira o contato do leitor com o papel, tira o prazer de folhear páginas, marcar textos, rabiscar, meditar, sonhar, no decorrer da leitura?
GD. Sim. Mas com o tempo ganhará mais energia e calor.
RCC. Recentemente, uma escola particular do DF anunciou que irá abolir os livros de papel e adotar tablets eletrônicos. Isso não vai prejudicar o aprendizado e acabar com a caligrafia? Como professor, qual a sua opinião?
GD. Creio que é preciso evoluir e saber usar as novas tecnologias, sem esquecer das consagradas, como o livro e o filme.
RCC. O senhor foi presidente e hoje é conselheiro do Sindicato dos Escritores do DF. Na sua opinião, o Sindicato tem conseguido defender adequadamente os escritores e fortalecer a categoria?
GD. Precisa se fortalecer mais. Isso só será possível com a Regulamentação da Profissão do Escritor. Mas existem muitos interesses contrários das grandes editoras, das grandes livrarias e distribuidoras.
RCC. O Sindicato vem lutando pela profissionalização do escritor. Isso não tiraria o glamour da atividade literária?
GD. Tem que saber dosar o glamour com o profissionalismo. A regulamentação não tira o glamour de outras profissões.
RCC. Profissionalizando-se e passando a trabalhar sob encomenda, o escritor não ficaria à mercê dos clientes, perdendo o idealismo?
GD. Tem que saber trabalhar e não perder o ideal. É preciso sonhar sempre.
RCC. Como o senhor vê a política cultural do DF?
GD.Qual? Existe? desconheço...
RCC. E a qualidade do ensino?
GD. Precisa melhorar sempre. Temos boas escolas em Brasília e boas experiências dentro da Secretaria de Educação do DF.
RCC. Atualmente, o senhor preside a Academia de Letras de Taguatinga. Que projetos culturais o senhor pretende implementar na sua gestão?
GD. Levar os autores para as escolas, o que em parte já realizamos, incluir os jovens e estudantes. Profissionalizar o Jornal Alternativus. [Além disso] fazer uma Antologia dos autores e autoras acadêmicas. Temos muitos sonhos, mas faltam recursos e apoio. Lutamos para a consecução da sede própria, etc.
RCC. Qual a sua opinião sobre a Feira do Livro de Brasília?
GD. Precisa ser democratizada e valorizar mais o autor de Brasília. Não se tem apoio para o autor brasiliense. Apenas para um grupo de amigos dos organizadores. O resto tem que pagar pelos estandes. Falta divulgação, estrutura, profissionalismo.
RCC. Ela tem conseguido conquistar mais leitores e valorizar os escritores do DF?
GD. Da forma como é feita, não consegue esse intento. Urge mudar para melhor.
RCC. O Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade é adequado para a realização da Feira do Livro?Não fica mais distante e difícil para a visitação do público que dependo do transporte coletivo precário da cidade?
GD. Se fosse feita com profissionalismo e de forma democrática, ouvindo os segmentos culturais, não teria problema com o local. Precisa mudar a mentalidade dos organizadores e não pensar apenas no lucro. É preciso também dar um viés cultural à Feira, com inclusão dos jovens, estudantes, das minorias e dos autores locais. É preciso valorizar o livro e a leitura.
A Revista Cerrado Cultural (RCC) entrevistou, por correio eletrônico, o poeta Gustavo Dourado (GD), presidente da Academia de Letras de Taguatinga - ALT. Ele nos falou sobre suas origens, sua vinda para Brasília, DF, cultura, projetos futuros. Registramos nosso agradecimento por nos receber virtualmente.
RCC. O senhor nasceu em Recife dos Cardosos, município de Ibititá, no coração da Bahia. Como foram os seus primeiros anos de estudos?
GD. Sim! Nasci no povoado de Recife dos Cardosos, sertão de Ibititá, região de Irecê, Baixo Médio São Francisco, no coração da Chapada Diamantina, no Estado da Bahia. Por lá passaram remanescentes de Conselheiro e da Insurreição de Canudos, cangaceiros, jagunços, os revoltosos da Coluna Prestes, bandeirantes, sertanistas, garimpeiros, aventureiros, era rota de tropeiros, vaqueiros, aventureiros, ciganos e viajantes. Foi cenário do coronel Horácio de Matos e do capitão Manoel Quirino...
RCC. Como foram os seus primeiros anos de estudos?
GD. Aprendi a ler em minha prima infância, literatura oral, cordel, Bíblia, causos, contos, crônicas cotidiárias. Aos três anos, já lia, escrevia e recitava para os trabalhadores das roças e sítios e do empório comercial do meu pai, Ulisses Marques Dourado, um homem irrepreensível, de caráter irretocável, que tinha a honestidade e a ática como um valor fundamental. Aconteceu comigo parecido com o garoto de Central do Brasil. Esse aspecto de minha vida é cinematográfico. O sertão é um filme permanente, contínuo...
Estudei com professores leigos, Dionísio Maia, Adelmita Cardoso, Leobina Severo. Depois estudei com Arli, Loídes Dourado, Hildete, Célia, Agnes, essas já professoras normalistas, formadas. Mas aprendi muito com o meu pai, minha mãe e com os professoras da rua, da universidade da vida...
RCC. A sua vocação literária manifestou-se ainda na infância?
GD. Sim! Ainda bem novo, infante. Já inventava palavras e improvisava versos nos primórdios da infância. Lia cordel, lia a Bíblia, almanaques, bulas de remédios e sobretudo ouvia muito os transeuntes, os contadores de causos e histórias, as rezadeiras, os vendedores, as parteiras e os garimpeiros, além dos parentes que habitavam o povoado de Recife dos Cardosos.
RCC. Sua passagem pelo Colégio Polivalente de Irecê, BA, entre 1972 e 1975, foi muito importante em sua vida. Poderia tecer comentários a respeito?
GD. Muito importante. Fundamental. Ali tive contato com centenas de jovens estudantes e comecei a minha militância no movimento estudantil. Fui orador da escola e coordenador do clube de leitura. Participei de olimpíadas estudantis e de júris simulados. Fui vencedor em algumas disputas. À época, a nossa sétima série venceu a oitava. Foi um fato extraordinário e que gerou uma certa popularidade, na cidade de Irecê, para o poeta que vos fala.
RCC. A economia de Ibititá, BA, é essencialmente agrícola. Foi por essa razão que o senhor veio estudar no Colégio Agrícola de Brasília?
GD. Não necessariamente. Brasília para mim era um sonho.
RCC. Havia intenção de retornar a Ibititá, BA, e trabalhar como técnico agrícola?
GD. Não. Mas tinha muita saudade dos meus familiares e amigos.
RCC. Enquanto estudava no Colégio Agrícola de Brasília, sua vocação literária começou a falar mais alto?
GD. Sim. Foi um período de muita leitura e descobertas interessantes.
RCC. Foi por essa razão que o senhor decidiu graduar-se em Letras na Universidade de Brasília?
GD. Sim. Pensei fazer Agronomia. Mas com o gosto pela poesia e pela literatura, optei por Letras, mas sempre com um viés para a Arte, a Filosofia e a Comunicação.
RCC. Como foi a sua passagem pela Universidade de Brasília?
GD.Poética, Transformadora. Revolucionária. Transmutadora.
RCC. O senhor passou pelo período de invasões do campus da UnB por parte das forças militares?
GD. Sim.Presenciei vários momentos da repressão e do autoritarismo no auge da Ditadura Militar. Sempre lutei pela Anistia, Direitos Humanos e pela Redemocratização do Brasil.
RCC. O senhor fez parte da geração de escritores de Brasília que imprimia seus livros em mimeógrafos e vendia nos bares?
GD. De certa forma sim, em menor escala e de forma autônoma Mas sempre fui mais independente e alternativo e até mais clássico. Trabalhei com o cordel, posters, cartazes, postais, etiquetas e adesivos poéticos. E também atuei muito de forma oral, por meio de performances, improvisos, repentes, tiradas, sarcasmo, ironia e crítica política. Cheguei a ser detido algumas vezes por desenvolver essa atividade cultural.
RCC. A sua aproximação com o cordel vem da época da UnB ou dos tempos de Ibititá?
GD. Começou em Recife dos Cardosos, em Ibititá, depois em Lapão e, por fim, na cidade de Irecê. Tudo girava em torno das feiras e da venda. Depois, em Brasília, o cordel veio com força na UnB, nas assembléias, debates, encontros, recitais, congressos e shows, sobretudo no Teatro de Arena, no Restaurante, nas entradas Sul e Norte e nos anfiteatros do ICC, além dos bares e festas...
RCC. Há algum tempo, o senhor compôs o Cordel da Ufologia. Foi apenas uma homenagem aos estudiosos do assunto ou o senhor acredita em discos-voadores?
GD. As duas coisas...
RCC. Há quem diga que os extraterrestres estão entre nós. O que o senhor pensa a respeito?
GD. Não é de hoje, desde tempos imemoriais. Somos nós no futuro...
RCC. Por que razão o senhor adotou o nome literário de “Amargedom”? Tem algo a ver com o Apocalipse bíblico? Uma antevisão dos tempos amargos vividos pela humanidade?
GD. Sim. Aprendi ler na Bíblia e no Cordel. O Apocalipse sempre foi um dos meus livros preferidos. Depois conheci outros apocalipses. Amargedom vem do Armagedon bíblico. Foi letra de música, rock, cordel e auto. Foi um dos meus poemas mais conhecidos no final dos anos 70 e idos dos anos 80. Muitas pessoas me chamavam por esse codinome, até hoje. Amargedom...Amar Já é Dom...Amar é um dom...O dom de amar...
RCC. Como é a sua relação com as editoras e com os editores?
GD. Sou independente, alternativo, sempre editei e paguei pelos meus livros. A minha relação maior é com os gráficos. Não conheço editores e editoras em Brasília. Nem sei se existe essa categoria por aqui. Se existe, precisam aparecer e editar de forma profissional os autores do DF. Gráficos que cobram pelo trabalho tem muitos. Brasília carece de editores e de editoras, falta divulgação e distribuição do livro. Não há política para o livro e para a leitura. O mercado editorial de Brasília é voltado para o que vem de fora.
RCC. Com trabalhos reconhecidos no Brasil e no exterior, prêmios e títulos literários, o senhor vive da Literatura?
GD. Subvivo. Sobrevivo. Sou educador e gestor público. Quem vive de literatura não sobrevive no Brasil...Fica mais lá fora do que aqui. Quem sobrevive bem com literatura aqui no Brasil?
RCC. De 1997 para cá, o senhor tem se utilizado da internet para publicar seus trabalhos. Como o senhor vê o advento do livro virtual (e-book)?
GD. É uma ferramenta importante, mas que precisa ter o seu viés econômico. Dispus toda a minha obra gratuitamente na internet, via sites, blogs e redes sociais. O livro real é fundamental. O virtual torna-se real. Virtureal...Revirtual...
RCC. O livro virtual não é muito frio, ou seja, tira o contato do leitor com o papel, tira o prazer de folhear páginas, marcar textos, rabiscar, meditar, sonhar, no decorrer da leitura?
GD. Sim. Mas com o tempo ganhará mais energia e calor.
RCC. Recentemente, uma escola particular do DF anunciou que irá abolir os livros de papel e adotar tablets eletrônicos. Isso não vai prejudicar o aprendizado e acabar com a caligrafia? Como professor, qual a sua opinião?
GD. Creio que é preciso evoluir e saber usar as novas tecnologias, sem esquecer das consagradas, como o livro e o filme.
RCC. O senhor foi presidente e hoje é conselheiro do Sindicato dos Escritores do DF. Na sua opinião, o Sindicato tem conseguido defender adequadamente os escritores e fortalecer a categoria?
GD. Precisa se fortalecer mais. Isso só será possível com a Regulamentação da Profissão do Escritor. Mas existem muitos interesses contrários das grandes editoras, das grandes livrarias e distribuidoras.
RCC. O Sindicato vem lutando pela profissionalização do escritor. Isso não tiraria o glamour da atividade literária?
GD. Tem que saber dosar o glamour com o profissionalismo. A regulamentação não tira o glamour de outras profissões.
RCC. Profissionalizando-se e passando a trabalhar sob encomenda, o escritor não ficaria à mercê dos clientes, perdendo o idealismo?
GD. Tem que saber trabalhar e não perder o ideal. É preciso sonhar sempre.
RCC. Como o senhor vê a política cultural do DF?
GD.Qual? Existe? desconheço...
RCC. E a qualidade do ensino?
GD. Precisa melhorar sempre. Temos boas escolas em Brasília e boas experiências dentro da Secretaria de Educação do DF.
RCC. Atualmente, o senhor preside a Academia de Letras de Taguatinga. Que projetos culturais o senhor pretende implementar na sua gestão?
GD. Levar os autores para as escolas, o que em parte já realizamos, incluir os jovens e estudantes. Profissionalizar o Jornal Alternativus. [Além disso] fazer uma Antologia dos autores e autoras acadêmicas. Temos muitos sonhos, mas faltam recursos e apoio. Lutamos para a consecução da sede própria, etc.
RCC. Qual a sua opinião sobre a Feira do Livro de Brasília?
GD. Precisa ser democratizada e valorizar mais o autor de Brasília. Não se tem apoio para o autor brasiliense. Apenas para um grupo de amigos dos organizadores. O resto tem que pagar pelos estandes. Falta divulgação, estrutura, profissionalismo.
RCC. Ela tem conseguido conquistar mais leitores e valorizar os escritores do DF?
GD. Da forma como é feita, não consegue esse intento. Urge mudar para melhor.
RCC. O Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade é adequado para a realização da Feira do Livro?Não fica mais distante e difícil para a visitação do público que dependo do transporte coletivo precário da cidade?
GD. Se fosse feita com profissionalismo e de forma democrática, ouvindo os segmentos culturais, não teria problema com o local. Precisa mudar a mentalidade dos organizadores e não pensar apenas no lucro. É preciso também dar um viés cultural à Feira, com inclusão dos jovens, estudantes, das minorias e dos autores locais. É preciso valorizar o livro e a leitura.
CORDEL DA UFOLOGIA
Por Gustavo Dourado
Para Pepe Chaves, Ademar Gevaerd,
Alonso Valdi Régis
e Marco Antônio Petit...
Na Ufovia vi um Ufo
Vi mana na Ufovia
Ufovni na grande Rede
Luzen Ovnilogia
Objetos voadores:
Além da Filosofia...
Li Ademar Gevaerd
E Ataíde Ferreira
Vi o ET de Varginha
Oculto na cordilheira
Marco Antônio Petit:
É ufólogo de primeira...
Li Analígia Francisco
Suenaga e Ademar
O Guilherme de Almeida:
Um Poeta a me lembrar
Paulo Poian, Kelly Lima:
Num Ufo vou navegar...
Arismaris B . Dias
Universo a pesquisar
J.A Fonseca e Pepe
Além da Serra do Mar
Paulo Aníbal Mesquita:
Na noite sempre a buscar...
Pepe Chaves na Ufovia:
Ufologia de primeira
É Ufólogo respeitado
Na Ufologia Mineira
E segue o mesmo caminho
Na Ufolgia Brasileira...
Recordo do Mestre Uchoa
Grande ufólogo brasileiro
Conhecido em todo mundo:
Respeitado no estrangeiro
Precursor da Ufologia:
Um autêntico pioneiro...
Há tantos nomes de ufólogos
Aos poucos vou recordar...
O Ademar Gevaerd:
Vem em primeiro lugar
Pesquisador cientista:
Que se deve respeitar...
Alonso lá na Bahia
Bela Morro do Chapéu
O sertão todo estrelado
É uma sucursal do céu
Na terra de Castro Alves
Alonso desvela o véu...
Aqui no vasto Cerrado
Nosso Planalto Central
Back e Luís Gonzaga
Alvorada universal
Os Ufos na Esplanada:
Relembram o "General" ...
Pepe Chave na Ufovia
ViaFanzine ao luar
Ufologia é vanguarda
Da ciência popular
Abram-se todos os arquivos
Para o povo se informar...
Os Ufos estão aí
Aqui e no mundo inteiro
Trafegam na Ufovia
No Planalto Brasileiro
SP, Minas, Bahia
Pará - Rio de Janeiro...
Gosto de Ufologia
Vou a banca pesquisar
Compro a Revista Ufo
Pra melhor me informar
Vou de Ufo na Ufovia
Num galope a beira mar...
Vou fazer uma viagem
No Universo inteiro
Vou navegar nas estrelas
Pelo Cosmo verdadeiro:
Vou pousar na Esplanada
Do Planalto Brasileiro...
Para Pepe Chaves, Ademar Gevaerd,
Alonso Valdi Régis
e Marco Antônio Petit...
Na Ufovia vi um Ufo
Vi mana na Ufovia
Ufovni na grande Rede
Luzen Ovnilogia
Objetos voadores:
Além da Filosofia...
Li Ademar Gevaerd
E Ataíde Ferreira
Vi o ET de Varginha
Oculto na cordilheira
Marco Antônio Petit:
É ufólogo de primeira...
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Suenaga e Ademar
O Guilherme de Almeida:
Um Poeta a me lembrar
Paulo Poian, Kelly Lima:
Num Ufo vou navegar...
Arismaris B . Dias
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J.A Fonseca e Pepe
Além da Serra do Mar
Paulo Aníbal Mesquita:
Na noite sempre a buscar...
Pepe Chaves na Ufovia:
Ufologia de primeira
É Ufólogo respeitado
Na Ufologia Mineira
E segue o mesmo caminho
Na Ufolgia Brasileira...
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Respeitado no estrangeiro
Precursor da Ufologia:
Um autêntico pioneiro...
Há tantos nomes de ufólogos
Aos poucos vou recordar...
O Ademar Gevaerd:
Vem em primeiro lugar
Pesquisador cientista:
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É uma sucursal do céu
Na terra de Castro Alves
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Aqui no vasto Cerrado
Nosso Planalto Central
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Os Ufos na Esplanada:
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Pepe Chave na Ufovia
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Aqui e no mundo inteiro
Trafegam na Ufovia
No Planalto Brasileiro
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Gosto de Ufologia
Vou a banca pesquisar
Compro a Revista Ufo
Pra melhor me informar
Vou de Ufo na Ufovia
Num galope a beira mar...
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No Universo inteiro
Vou navegar nas estrelas
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Vou pousar na Esplanada
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TRABALHO DE MINEIRO
Por Jean Narciso Bispo Moura
Cavo no fundo último da palavra
O verso maior que minha cabeça
Alguma coisa que esteja suja de polissemia
A peneira solta a sirena
E separa o verídico do falso.
Mas a escavação ainda não se apodera
Da topografia universal.
Cavo no fundo último da palavra
O verso maior que minha cabeça
Alguma coisa que esteja suja de polissemia
A peneira solta a sirena
E separa o verídico do falso.
Mas a escavação ainda não se apodera
Da topografia universal.
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