Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)
Estando no Brasil numa
cervejaria, a conversar com amigos, escutei entre pareceres desfavoráveis ao
nosso país – que era comum antes do euro circular em Portugal – que roubamos o
ouro, e enviamos durante décadas (séculos?) para Terras de Santa Cruz,
perigosos criminosos. Razão porque ainda há tantos crimes na Pindorana...
Já se passaram largas décadas (mais
de cinquenta,) desde que desembarquei, pela primeira vez no Galeão; mas, ainda recordo: deparar homens descalços, a trabalharem na
baixa histórica do Rio; e admirei-me ver acasteladas e degradadas favelas,
mirando, banhadas de sol escaldante, a turística e encantadora cidade.
Reparei igualmente, enquanto
tomava as refeições, que a maioria dos comensais, utilizavam, apenas o garfo, e
a mão esquerda caída ao longo do tronco.
Recordei-me disso, porque ao
folhear: “Símbolos & Mitos" de Fidelino de Figueiredo, li, que seu
filho ao visitar os Estados Unidos, verificou que os americanos se riam dele,
da forma como comia.
Escreveu Fidelino: " Nos Estados
Unidos fazia-o rir aquela maneira de comer tudo com o garfo destramente
manejado, enquanto o antebraço caia ao longo da cadeira. No mesmo instante, os
ianques ririam dele, a comer com as duas mãos e os braços um pouco abertos, com
os pulsos contra o rebordo da mesa. Uma vez surpreendeu dois criados negros a
observá-lo com curiosidade por uma porta."
Certa ocasião, conversando com
pastor luterano, que se deslocara aos USA, para angariar donativos, disse-me:
“Ao entrar em casa do
empresário, encontrei a família descalça, estirada no chão, a ver TV.
“Contei-lhes ao que vinha. O
chefe da família, sem se levantar, ergueu a voz:
- " Vai ao escritório. Na
primeira gaveta da secretária, encontrarás dinheiro. Tira o combinado.
Ao abrir a gaveta verifiquei,
estupefacto, que estava repleta de dinheiro!...
No Brasil e em Portugal –
concluiu o pastor, – quem acreditaria na honradez de sacerdote, a ponto de
deixá-lo mexer numa gaveta com milhares de dólares”!?...
Tomás Aquino, ainda menino, foi
enganado por frade, com mentirinha inocente; troçando da inocência do
rapazinho. Retrucou magoado, Aquino:
- " O que me admira, é que
um frade minta!"
Na América, ainda há quem pense,
que o sacerdote, que acredita em Deus e no Seu Filho, Jesus Cristo, não mente,
nem rouba!...
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