Por Paccelli José Maracci Zähler
Para Marshall Mcluhan, teórico canadense da literatura e da comunicação (1911-1980), a arte, assim como o radar, atua como se fosse um verdadeiro sistema de alarme premonitório, capacitando-nos a descobrir e a enfrentar objetivos sociais e psíquicos com grande antecedência.
A arte literária enquadra-se perfeitamente neste conceito de Mcluhan, pois escrever é uma forma de provocar sentimentos, de criar, de descrever o mundo, de fazer as pessoas pensarem sobre o que está expresso através da palavra escrita.
Dessa maneira, a escrita passa a ser um fenômeno artístico e o texto uma obra de arte. Entre os dois, está a figura do escritor.
O escritor pode ser entendido como o artista que cria e se expressa através da palavra escrita.
Segundo Ezra Pound, poeta e crítico literário norte-americano (1885-1972), os bons escritores são aqueles que mantêm a linguagem eficiente, precisa e clara. No seu entender, os escritores podiam ser classificados em :
1. Inventores: aqueles que descobriram um novo processo ou cuja obra nos dá o primeiro exemplo conhecido de um processo;
2. Mestres: aqueles que combinaram um certo número de tais processos e que os usaram tão bem ou melhor que os inventores;
3. Diluidores: são os que vieram depois das duas primeiras espécies de escritor e não foram capazes de realizar tão bem o trabalho;
4. Bons escritores sem qualidades salientes: são os que nasceram em uma época em que a literatura de seu país está em boa ordem e seguem o bom estilo do período;
5. Beletristas: são os que não inventaram nada, mas que se especializaram em uma parte particular da arte de escrever; e
6. Lançadores de moda: aqueles cuja obra se mantém por algum tempo (décadas ou séculos) sendo, posteriormente, deixadas de lado.
Seja qual for a classificação, os escritores influenciam a sociedade por
serem formadores de opinião. Isso os torna vulneráveis à ação de governos ditatoriais, grupos conservadores, xenófobos, terroristas e religiosos fundamentalistas.
O caso mais conhecido provavelmente seja o de Salman Rushdie, escritor inglês de origem indiana, cujo livro “Versos Satânicos” foi considerado ofensivo ao Islamismo, resultando em sua condenação à morte, em 1989, pelos líderes religiosos do Irã.
Há também outros casos, como o do albanês Bashkim Shehu, que redigiu um manifesto com outros intelectuais denunciando fraudes nas eleições parlamentares de seu país em maio de 1996 e, como conseqüência, foi obrigado a emigrar para a Espanha; o do poeta vietnamita Nguyen Chi Thien, condenado à prisão por escrever poemas que denunciavam a miséria do povo; o do escritor Wole Soyinka, ganhador do Prêmio Nobel de 1986, acusado de traição em 1997 por criticar a ditadura militar da Nigéria; sem falar no poeta cubano Ricardo Alberto Perez que, desde 1995, quando publicou uma carta aberta contra a censura em Havana, foi impedido de publicar, participar de eventos ou trabalhar em qualquer entidade.
Tais fatos corroboram a afirmação feita por Ezra Pound (1990) de que "os partidários de idéias particulares podem dar mais valor a escritores que concordem com eles do que a escritores que não concordem; podem dar - e usualmente dão - mais valor a maus escritores do seu partido ou religião do que aos bons escritores de outro partido ou igreja".
O escritor não deve submeter-se, nem ser subserviente à ideologia dos opressores ou de quem quer que seja. Ele deve ser livre para se expressar através da sua arte, a qual é um instrumento para promover a reflexão da sociedade e permitir que ela encontre seu próprio caminho.
Como dizia Ezra Pound, "se a literatura de uma nação entra em declínio, a nação se atrofia e decai".
Bibliografia
1. Mcluhan, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem.
São Paulo: Cultrix, 1969.
2. Pound, Ezra. ABC da literatura. São Paulo: Cultrix, 1990.
3. Graieb, C. Fugindo do perigo. Revista VEJA, 32:136-137.1998.
(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 09/2008)
Revista literária online, uma viagem cultural online pela literatura, poesia, cinema e artes. Editada, desde 2011, pelo Jornalista e escritor Paccelli José Maracci Zahler (RP/MTE nº 14402/DF; FENAJ; FIJ nº BR20943). Poemas, crônicas, contos, ensaios, e o melhor da cultura nacional e internacional. Todas as opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores. Aceitam-se colaborações. Contato: cerrado.cultural@gmail.com
CORDEL DA FOME
7) CORDEL DA FOME
Por Gustavo Dourado
(à medida do homem)
Em Memória de Josué de Castro, Betinho, Jorge Amado, Raul Seixas e
João Cabral de Melo Neto...
Aos Mártires do Brasil e do Mundo...
Aos que lutam por um mundo melhor...
Geografia da fome
É um livro universal...
Disseca a realidade
Da terra do carnaval...
Da sub-desnutrição
Via multinacional...
Josué lembra os Sertões
O Quinze, a Bagaceira
Vidas Secas-Lampião,
Patativa, Zé limeira...
Repente-Cordel-Cangaço
Xaxado... Mulher–Rendeira
Josué mártir–guerreiro,
A fome nos violenta,
Tortura a população
Desnutre desorienta.
Fome de Educação...
É oito ou é oitenta...
Mestre da geografia
Médico e pensador
Diplomata e filósofo
Cientista-escritor
Homem público-honesto
Inteligente-criador...
Foste profeta da fome,
Perseguido-exilado
Embaixador em Genebra,
Na ONU foi destacado...
Por sua capacidade,
Ao Nobel foi indicado...
Pobres homens-caranguejos,
Comendo lixo e lama...
Seres sem-terra, sem-teto,
Vítimas da grande trama
Tornam-se anões-gabirus
Sem escola e sem cama...
Humanidade faminta,
De amor, prazer e pão
Falta escola, falta paz...
Só não falta exploração
Falta o feijão com arroz,
Na novela da opressão...
Fome global no mundo
No Brasil: calamidade...
Desemprego-desgoverno
Subnutrem a verdade.
A fome devora a vida,
No campo e na cidade...
Fome histórico-geográfica,
Neste Brasil continente.
Devora o trabalhador,
Com salário deprimente.
Carcome a vitalidade
E a luz de nossa gente...
A corrupção impera
No coração do Brasil
Alibabás e lalaus
multiplicam-se por mil
Entregam o patrimônio
Ao estrangeiro hostil
Guaribas e Cearás
Vitimados pela fome
O terror massacra o povo
Analfabeto sem nome...
Gringos comem caviar
Lá em Londres e Maiame...
A fome assola a terra...
O Brasil de sul a norte
Saara... Afeganistão...
La fome é irmã da morte
Xangô Cristo Alá Tupã
Como fica nossa sorte?
O que será do Brasil?!
Tanta renda concentrada!
A fome matando a plebe...
Amazônia devastada...
O que será do planalto?
Terá luz na alvorada?
Até quando o descaso?
A grande massa espoliada
Trabalhadores com fome,
Sem salário, na estrada...
Sem-terra, sem esperança,
se alimentando do nada?!
A fome é um dilema
Neste país continente
Falta lastro e competência,
Pra elite dirigente,
Que mata o povo de fome:
Raiva dengue dor de dente...
Severinos retirantes,
Favelados na miséria,
Governantes! Olho vivo...
A situação é séria...
O povo já virou gado.
Nessa vida deletéria.
O povo vive inchado
por falta de nutriente...
O povo está calado,
Porém, não está contente,
Quer mudar o paradigma,
Da gestão incompetente.
Valei-nos Santa Quitéria,
São Cristóvão, São Joaquim,
São Lutero, São Calvino,
Na inquisição do fim...
Varrei a fome do mundo...
São Miguel, São Serafim.
Valei-nos Nossa Senhora,
Nosso Senhor do Bonfim
Minha mãe Aparecida...
O que é que será de mim?!
Com o salário congelado,
será que será o fim?!!
Valei-me meu Padim Ciço
São Pedro e São João
A fome devora o povo
Com tanta corrupção...
Impera dor no palácio:
Acuda... Frei Damião...
Lá na Vila Estrutural,
Sombria desnutrição,
Nos recantos-samambaias,
Nas favelas da ilusão...
Valei-me Santa Maria
E meu São Sebastião
Está na hora de mudar
Repartir melhor a renda,
Com aluno bem nutrido
Qualidade na merenda
Espero chegar ao dia
Que a fome seja lenda...
O latifúndio esfomeia
Traz o êxodo rural
Faveliza o cidadão
Dilacera o social
Reforma agrária urgente...
Grita a plebe marginal
Na luta, na resistência,
Zumbis e Conselheiros
Quilombos e contestados,
Nos Canudos brasileiros
Escreveram a História
Patriotas verdadeiros...
Exportam o alimento
Pra Europa-pro Japão,
O povo fica faminto
Comendo luz-ilusão
Maqueiam fome-novela
Mascaram na televisão...
Revolucionar o estado
E a nação transformar
Conquistar soberania
E a fome exterminar...
Fazer o povo feliz
“Cante lá, que eu canto cá” ...
Ao jovem Mestre Rodrigo
Nosso vate comandante
Aos colegas de Escola...
lutadores, sempre avante
Gente que combate a fome,
Faz Josué triunfante...
Vida na linha de frente,
Luminosa, radiante...
Amor, uma obra-prima,
Universal transmutante
A Arte nos alimenta,
Com a leitura de Dante...
A todos, nossa amizade...
E nossa admiração...
É preciso consciência
Em uma Nova Gestão...
Desejo paz e sucesso
Mundo em Revôolução...
(Apresentado como Trabalho no Curso de Pós-Graduação Em Gestão Pública 2001/2002 ONU/ESCOLA DE GOVERNO)
(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 09/2008)
Por Gustavo Dourado
(à medida do homem)
Em Memória de Josué de Castro, Betinho, Jorge Amado, Raul Seixas e
João Cabral de Melo Neto...
Aos Mártires do Brasil e do Mundo...
Aos que lutam por um mundo melhor...
Geografia da fome
É um livro universal...
Disseca a realidade
Da terra do carnaval...
Da sub-desnutrição
Via multinacional...
Josué lembra os Sertões
O Quinze, a Bagaceira
Vidas Secas-Lampião,
Patativa, Zé limeira...
Repente-Cordel-Cangaço
Xaxado... Mulher–Rendeira
Josué mártir–guerreiro,
A fome nos violenta,
Tortura a população
Desnutre desorienta.
Fome de Educação...
É oito ou é oitenta...
Mestre da geografia
Médico e pensador
Diplomata e filósofo
Cientista-escritor
Homem público-honesto
Inteligente-criador...
Foste profeta da fome,
Perseguido-exilado
Embaixador em Genebra,
Na ONU foi destacado...
Por sua capacidade,
Ao Nobel foi indicado...
Pobres homens-caranguejos,
Comendo lixo e lama...
Seres sem-terra, sem-teto,
Vítimas da grande trama
Tornam-se anões-gabirus
Sem escola e sem cama...
Humanidade faminta,
De amor, prazer e pão
Falta escola, falta paz...
Só não falta exploração
Falta o feijão com arroz,
Na novela da opressão...
Fome global no mundo
No Brasil: calamidade...
Desemprego-desgoverno
Subnutrem a verdade.
A fome devora a vida,
No campo e na cidade...
Fome histórico-geográfica,
Neste Brasil continente.
Devora o trabalhador,
Com salário deprimente.
Carcome a vitalidade
E a luz de nossa gente...
A corrupção impera
No coração do Brasil
Alibabás e lalaus
multiplicam-se por mil
Entregam o patrimônio
Ao estrangeiro hostil
Guaribas e Cearás
Vitimados pela fome
O terror massacra o povo
Analfabeto sem nome...
Gringos comem caviar
Lá em Londres e Maiame...
A fome assola a terra...
O Brasil de sul a norte
Saara... Afeganistão...
La fome é irmã da morte
Xangô Cristo Alá Tupã
Como fica nossa sorte?
O que será do Brasil?!
Tanta renda concentrada!
A fome matando a plebe...
Amazônia devastada...
O que será do planalto?
Terá luz na alvorada?
Até quando o descaso?
A grande massa espoliada
Trabalhadores com fome,
Sem salário, na estrada...
Sem-terra, sem esperança,
se alimentando do nada?!
A fome é um dilema
Neste país continente
Falta lastro e competência,
Pra elite dirigente,
Que mata o povo de fome:
Raiva dengue dor de dente...
Severinos retirantes,
Favelados na miséria,
Governantes! Olho vivo...
A situação é séria...
O povo já virou gado.
Nessa vida deletéria.
O povo vive inchado
por falta de nutriente...
O povo está calado,
Porém, não está contente,
Quer mudar o paradigma,
Da gestão incompetente.
Valei-nos Santa Quitéria,
São Cristóvão, São Joaquim,
São Lutero, São Calvino,
Na inquisição do fim...
Varrei a fome do mundo...
São Miguel, São Serafim.
Valei-nos Nossa Senhora,
Nosso Senhor do Bonfim
Minha mãe Aparecida...
O que é que será de mim?!
Com o salário congelado,
será que será o fim?!!
Valei-me meu Padim Ciço
São Pedro e São João
A fome devora o povo
Com tanta corrupção...
Impera dor no palácio:
Acuda... Frei Damião...
Lá na Vila Estrutural,
Sombria desnutrição,
Nos recantos-samambaias,
Nas favelas da ilusão...
Valei-me Santa Maria
E meu São Sebastião
Está na hora de mudar
Repartir melhor a renda,
Com aluno bem nutrido
Qualidade na merenda
Espero chegar ao dia
Que a fome seja lenda...
O latifúndio esfomeia
Traz o êxodo rural
Faveliza o cidadão
Dilacera o social
Reforma agrária urgente...
Grita a plebe marginal
Na luta, na resistência,
Zumbis e Conselheiros
Quilombos e contestados,
Nos Canudos brasileiros
Escreveram a História
Patriotas verdadeiros...
Exportam o alimento
Pra Europa-pro Japão,
O povo fica faminto
Comendo luz-ilusão
Maqueiam fome-novela
Mascaram na televisão...
Revolucionar o estado
E a nação transformar
Conquistar soberania
E a fome exterminar...
Fazer o povo feliz
“Cante lá, que eu canto cá” ...
Ao jovem Mestre Rodrigo
Nosso vate comandante
Aos colegas de Escola...
lutadores, sempre avante
Gente que combate a fome,
Faz Josué triunfante...
Vida na linha de frente,
Luminosa, radiante...
Amor, uma obra-prima,
Universal transmutante
A Arte nos alimenta,
Com a leitura de Dante...
A todos, nossa amizade...
E nossa admiração...
É preciso consciência
Em uma Nova Gestão...
Desejo paz e sucesso
Mundo em Revôolução...
(Apresentado como Trabalho no Curso de Pós-Graduação Em Gestão Pública 2001/2002 ONU/ESCOLA DE GOVERNO)
(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 09/2008)
AO SOM DOS MADRIGAIS
Por Márcia Sanchez Luz
No ocaso deste acaso em que me vejo,
me perco em muitas curvas longilíneas:
tuas mãos em meus cabelos, benfazejo,
ao som de madrigais nas noites minhas.
Prefiro o teu perfume ao meu incenso
de mirra ou de jasmim quando em teu colo!
Porém quando te afastas, te dispenso.
Não esperes que eu te queira, não me imolo!
E por não ser mentira é que profiro
que a noite não passou de uma cantiga
deixada ao léu depois de alguns suspiros.
Tampouco vou querer ver teu delírio
em busca de um prazer que não mitiga
a sede deste amor que em vão aspiro.
Sobre a autora:
Márcia Sanchez Luz é natural de São Paulo. Formada em Literatura Inglesa e Francesa, é escritora, poetisa, professora e tradutora. É Cônsul do “Movimiento Poetas del Mundo” (Chile) e membro efetivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores “Efigênia Coutinho. Seus trabalhos têm sido publicados no Brasil e no exterior. Mantém o blog: http://www.marciasl2001.blogspot.com
(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 09/2008)
No ocaso deste acaso em que me vejo,
me perco em muitas curvas longilíneas:
tuas mãos em meus cabelos, benfazejo,
ao som de madrigais nas noites minhas.
Prefiro o teu perfume ao meu incenso
de mirra ou de jasmim quando em teu colo!
Porém quando te afastas, te dispenso.
Não esperes que eu te queira, não me imolo!
E por não ser mentira é que profiro
que a noite não passou de uma cantiga
deixada ao léu depois de alguns suspiros.
Tampouco vou querer ver teu delírio
em busca de um prazer que não mitiga
a sede deste amor que em vão aspiro.
Sobre a autora:
Márcia Sanchez Luz é natural de São Paulo. Formada em Literatura Inglesa e Francesa, é escritora, poetisa, professora e tradutora. É Cônsul do “Movimiento Poetas del Mundo” (Chile) e membro efetivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores “Efigênia Coutinho. Seus trabalhos têm sido publicados no Brasil e no exterior. Mantém o blog: http://www.marciasl2001.blogspot.com
(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 09/2008)
ESCREVER
Por Márcia Sanchez Luz
Escrever é sorver a dor aos poucos,
é contar a si próprio o que bem sabe,
mas que aflige demais! Por ser tão louco,
faz que a alma, em torpor, logo desabe.
É cruel falar sobre o que machuca!
Mais cruel, entretanto, é não sentir
o que a vida oferece: pura luta
entre o ser complacente e o insurgir.
Se escrever é dar forma a certa ausência
na calada da noite ou mesmo dia,
vou seguir exaurindo a desavença.
Eis portanto o que faz a diferença
entre aquele que vive e contagia
e o que não sente a vida assim intensa.
(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 09/2008)
Escrever é sorver a dor aos poucos,
é contar a si próprio o que bem sabe,
mas que aflige demais! Por ser tão louco,
faz que a alma, em torpor, logo desabe.
É cruel falar sobre o que machuca!
Mais cruel, entretanto, é não sentir
o que a vida oferece: pura luta
entre o ser complacente e o insurgir.
Se escrever é dar forma a certa ausência
na calada da noite ou mesmo dia,
vou seguir exaurindo a desavença.
Eis portanto o que faz a diferença
entre aquele que vive e contagia
e o que não sente a vida assim intensa.
(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 09/2008)
AINDA É TEMPO DE LEMBRAR...QUEM SABE ATÉ DE SONHAR!
Por Lígia Antunes Leivas
(A um certo destinatário)
Ainda é tempo de lembrar... quem sabe até de sonhar!
Viver esse estranho amor no caminho que ainda percorro é o de repente que se posta na estrada, nos longes dos mesmos céus que nos cobrem e recebem o sol onde ele morre, estejamos nós em que ponto deste mundo estivermos.
Sabes?, hoje me senti fora do prumo... essas coisas que acontecem a qualquer um de vez em quando... me acomodei na proteção da beira do penhasco (...é...assim bem desse jeito... aquelas que não protegem ninguém de nada, mas ao menos servem de aviso...)
Senti medo... medo de que a esperança se vá, tome rumo desconhecido e eu não possa alcançá-la mais... medo que ela de mim
se esqueça... até deixe de brilhar e eu não mais possa te encontrar.
Sabes?, o passado não se vai... nunca. Ele é tudo... é presente, é futuro, embora muitas vezes escuro... matizes, para mim, impossível distingui-los. Não se vai também porque o amor mantém no coração a tua presença no sempre presente em que estou. Mantém-te aqui, estreitamente enlaçado, fazendo balbúrdia e rebuliço e de soslaio me cuidando.
Mas te escrevo não é por isso: é para te contar que te fiz uma canção... Não!!! Não te enganes... não sou tonta nem maluca, não! Foi o jeito que inventei de cantarolar a minha história, a 'nossa' história. E é verdadeira, sim!... Tão bonita! Melodiosa! Até o canarinho que me faz companhia nas horas em que sou 'do lar', já aprendeu a entoá-la... ele também é lindo! Quisera eu que o ouvisses! Horas inteiras passamos assim... há uma sintonia diria perfeita entre nós os dois. Quando estamos juntos, parece que o mundo pára para ser feliz!...
Mas, apesar de tudo que invento, sei que nada mata o vazio da tua ausência... esse inevitável que não venço e que o tempo disso se vale para tentar me derrubar. Sei que é assim... como sei também que esses subterfúgios eu os preservo... a ferro e fogo...; pelo menos eles dissipam minha saudade em meio às lembranças que guardo de ti.
É... o passado não se vai... nunca!
Sobre a autora:
Lígia Antunes Leivas é natural de Pelotas/RS. presidente da Academia Sul-Brasileira de Letras para o Biênio 2007/09; diretora cultural do Centro Literário Pelotense; Cônsul dos “Poetas del Mundo” em Pelotas, RS; acadêmica e delegada regional do Clube dos Escritores de Piracicaba, (SP) no RS.
(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 09/2008)
(A um certo destinatário)
Ainda é tempo de lembrar... quem sabe até de sonhar!
Viver esse estranho amor no caminho que ainda percorro é o de repente que se posta na estrada, nos longes dos mesmos céus que nos cobrem e recebem o sol onde ele morre, estejamos nós em que ponto deste mundo estivermos.
Sabes?, hoje me senti fora do prumo... essas coisas que acontecem a qualquer um de vez em quando... me acomodei na proteção da beira do penhasco (...é...assim bem desse jeito... aquelas que não protegem ninguém de nada, mas ao menos servem de aviso...)
Senti medo... medo de que a esperança se vá, tome rumo desconhecido e eu não possa alcançá-la mais... medo que ela de mim
se esqueça... até deixe de brilhar e eu não mais possa te encontrar.
Sabes?, o passado não se vai... nunca. Ele é tudo... é presente, é futuro, embora muitas vezes escuro... matizes, para mim, impossível distingui-los. Não se vai também porque o amor mantém no coração a tua presença no sempre presente em que estou. Mantém-te aqui, estreitamente enlaçado, fazendo balbúrdia e rebuliço e de soslaio me cuidando.
Mas te escrevo não é por isso: é para te contar que te fiz uma canção... Não!!! Não te enganes... não sou tonta nem maluca, não! Foi o jeito que inventei de cantarolar a minha história, a 'nossa' história. E é verdadeira, sim!... Tão bonita! Melodiosa! Até o canarinho que me faz companhia nas horas em que sou 'do lar', já aprendeu a entoá-la... ele também é lindo! Quisera eu que o ouvisses! Horas inteiras passamos assim... há uma sintonia diria perfeita entre nós os dois. Quando estamos juntos, parece que o mundo pára para ser feliz!...
Mas, apesar de tudo que invento, sei que nada mata o vazio da tua ausência... esse inevitável que não venço e que o tempo disso se vale para tentar me derrubar. Sei que é assim... como sei também que esses subterfúgios eu os preservo... a ferro e fogo...; pelo menos eles dissipam minha saudade em meio às lembranças que guardo de ti.
É... o passado não se vai... nunca!
Sobre a autora:
Lígia Antunes Leivas é natural de Pelotas/RS. presidente da Academia Sul-Brasileira de Letras para o Biênio 2007/09; diretora cultural do Centro Literário Pelotense; Cônsul dos “Poetas del Mundo” em Pelotas, RS; acadêmica e delegada regional do Clube dos Escritores de Piracicaba, (SP) no RS.
(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 09/2008)
BUSCO CERTEZAS
Por Lígia Antunes Leivas
Busco certezas
de que não te amei em vão
de que na imaginação (realidade/ficção?)
tu me amaste em horas que não foram poucas
Busco certezas
de que este amor (hoje em nossa sozinhez)
não foi culpado das surpresas loucas
que a vida (por decisão?) nos fez
Busco certezas
na incerteza de que nas curvas lá do céu
possa haver (quem sabe?) outros caminhos
...em nenhum deles sentir-me-ei ao léu
(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 09/2008)
Busco certezas
de que não te amei em vão
de que na imaginação (realidade/ficção?)
tu me amaste em horas que não foram poucas
Busco certezas
de que este amor (hoje em nossa sozinhez)
não foi culpado das surpresas loucas
que a vida (por decisão?) nos fez
Busco certezas
na incerteza de que nas curvas lá do céu
possa haver (quem sabe?) outros caminhos
...em nenhum deles sentir-me-ei ao léu
(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 09/2008)
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